EVANGELHO PERVERTIDO E DESIGREJADOS

 

 O renomado pregador inglês Charles H. Spurgeon, considerado o “Príncipe dos Pregadores”, em 1861 ele fundou o Tabernáculo Metropolitano na Inglaterra, com 4.700 assentos. Aproximadamente 15.000 pessoas uniram-se a sua Igreja por volta de 1891. Nesse período, em uma das suas pregações ele deixou um pensamento que ficou para sempre na História da Igreja Cristã: Senhores, onde a verdadeira vida concedida pelo céu está presente, ali podem ser vistos os resultados... Se o amor de Cristo em nós não nos torna melhores do que os melhores homens mundanos, não demonstramos evidências de experimentar a obra renovadora de Deus, o Espírito Santo.”

 

Já na década de 70, o pastor batista americano Walter J. Chantry escrevia em seu livro O EVANGELHO DE HOJE: AUTÊNTICO OU SINTÉTICO? “Os evangélicos sabem que nem tudo anda bem com suas igrejas e denominações. Por trás das fachadas dos brilhantes relatórios de crescimento e das estatísticas impressionantes, existe uma convicção profunda de que a igreja carece de poder em seu evangelismo. Apesar disto tudo, a igreja permanece espiritualmente estéril e é renovada apenas superficialmente. Os evangélicos aumentam as fileiras dos desiludidos com um evangelho pervertido” (1).

 

 

A SITUAÇÃO ESTÁ MAIS PERVERTIDA 

 

Hoje a situação do evangelho está mais pervertida no mundo protestante. Afirma o pastor americano Phil A. Newton: “Infelizmente, muitas das igrejas já existentes estão destituídas da glória de Cristo e de seu evangelho” (2).

 

Veremos milhares de filhos, de ovelhas e de almas perdidas no inferno por causa dos escândalos que são a maior fábrica de ateus da história. Alguém já disse que a quantidade de ex-crentes que se afastaram da igreja é maior do que a daqueles que estão nela. Se as coisas continuarem como estão, o evangelho fácil não convencerá ninguém de que é necessário crucificar a carne e o ego, como Jesus ordenou. A igreja está desacreditada, infelizmente”, diz o pastor, jornalista e o criador da revista Ultimato Elben Lenz César (3).

 

 

DESIGREJADOS E DECEPCIONADOS

 

Foi capa da Revista Protestante Igreja, n.32, a matéria sobre os crentes decepcionados, ou seja, “os desiludidos” como já dizia o pastor Walter J. Chantry: “Na era da teologia da prosperidade, da onda egocêntrica da titulação de “apóstolos”, do showbizz da determinação, da espetacularização dos pastores eletrônicos, do reality show de curas, exorcismos, milagres e neopentecostalismo, do marketing e bolsa de valores das catedrais e magatemplos, da música gospel e da literatura de autoajuda, cresce assustadoramente o números de ‘desigrejados’, ex-membros de igrejas, decepcionados com a instituição nada parecida com o verdadeiro corpo de Cristo, que passaram a formar novos grupos de comunhão. Para muitas denominações, a porta de saída é maior do que a da entrada.

 

Escrevem os autores da matéria sobre a “Geração de Decepcionados”, José B. Junior e Virgínia Martin: “Hoje, no Brasil, no entanto, ao contrário do que se observava até bem pouco tempo – um boom evangélico com testemunhos de transformação de vidas -, o que explode aqui e ali, principalmente na internet, seja nas redes sociais, blogs ou microblogs, são milhares de relatos contraditórios”.

 

Em outras palavras, o que era: “antes de entrar para a igreja, minha vida estava triste, terrível e vivo uma vida feliz”, passou a ser: “depois que saí da igreja, finalmente entendi o que é ser cristão”, “graças a Deus, saí da igreja e assim posso experimentar a liberdade que Cristo me oferece” ou ainda “sou cristão, mas não me chame para ir à igreja”.

 

Diante disso, é impossível negar o crescimento assustador do número de “desigrejados”, a tal ponto de já serem chamados por alguns de MSI (Movimento dos Sem-Igreja). Essa é uma realidade gritante e alarmante.

 

Se alguns líderes ainda procuram entender tudo isso, outros já perceberam o que fez tantas pessoas “abandonarem” suas igrejas locais: a necessidade de viver a vida cristã em grupos pequenos, mais “oxigenados”, com uma estrutura mais flexível e sem um papel preponderante da instituição sobre suas vidas.

 

Grande parte desse grupo se autodenomina os “feridos da igreja”, virando tema de alguns livros, como “Feridos em Nome de Deus”, de Marília Camargo César (Editora Mundo Cristão). O fenômeno, contudo, não se limita apenas ao Brasil. Na onda dos best-sellers americanos, o que mais emplacou neste sentido foi “Por que você não quer mais ir à igreja?” de Wayne Jacobson (Editora Sextante). Igrejas que são quase uma empresa e que valorizam mais a estrutura e “bom andamento” do que a vida das pessoas que compõem.

 

É preciso considerar que muitas pessoas saem de suas igrejas, sentindo-se feridas, machucadas e decepcionadas ao perceberem-se usadas e manipuladas apenas como marionetes no grande jogo eclesiástico, cujo único objetivo parece ser, muitas vezes, defender o nome da instituição e do seu líder, mesmo que isso custe à vida e a saúde emocional e espiritual de suas “ovelhas” (4).

 

 

CRENTES INFELIZES

 

Pesquisa realizada com membros das mais variadas religiões aponta os evangélicos como os menos satisfeitos com a vida.

 

Primeiro vêm os judeus como o grupo religioso mais satisfeito com  vida; em segundo, acredite, os ateus; seguidos pelos que se intitulam agnósticos; depois os católicos, muçulmanos e, por fim, os evangélicos. É o que aponta uma análise baseada numa amostra aleatória com quase 400 mil entrevistas realizadas nos Estados Unidos entre membros de todas as crenças e religiões. A pesquisa, fruto de uma parceria entre o instituto Gallup e a empresa Healthways, focada em questões relacionadas à saúde, foi realizada entre janeiro de 2009, e os resultados divulgados recentemente. Como metodologia, os pesquisadores dividiram os entrevistados, religiosos moderados e não religiosos. A importância da religião e a frequência da participação em reuniões foram alguns dos quesitos abordados. O estudo americano aponta que entre os mais ligados em religião, independente da doutrina, desfrutam de maior bem-estar pessoal e social. Um analista foi além e disse estar claro o aumento no nível de satisfação dos que frequentam com mais assiduidade a sinagoga/igreja/mesquita e podem capitalizar os aspectos sociais dessa participação. Não dá para mensurar a eficiência do resultado divulgado e se isso reflete também o que acontece na sociedade brasileira, mas o difícil mesmo é acreditar que os protestantes estejam em último lugar. Se vale um consolo para os crentes, nada melhor do que aquela máxima popular: “os últimos serão os primeiros” (5).

 

 

CONCLUSÃO

 

Para essa “Geração de Decepcionados”, há muitos nomes, vejamos: “desviados”, desiludidos, desigrejados, separados, grupo de comunhão, grupo profético, rede de células, igreja em casa, movimento de restauração, movimento dos sem-igreja, movimento Cristo sim, igreja não, movimento do concerto, movimento reconstrucionista, movimento de crentes livres e cristãos nominais.

 

Dentro desse contexto há muita gente sincera que ama Jesus Cristo verdadeiramente. Como também há muita gente individualista, relativista e ignorante sobre a Sagrada Tradição, Sagrada Escritura e Sagrado Magistério Eclesiástico. Tal boçalidade resulta em heresias e cismas. Daí escândalos e empecilho para pregar o Evangelho de Cristo.

 

Nesse cenário o amor desaparece e o ódio, a disputa, a calúnia e a perseguição tomam conta: ferindo, adoecendo, mutilando e matando os irmãos da mesma fé!

 

Precisamos viver uma abissal espiritualidade pacletológica. Aguardamos um monumental avivamento, o estupendo mover do Divino Espírito Santo.

 

Oremos...

 

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja

Pregador de Retiros Espirituais

Especialista em Ciência Social da Religião

 


NOTAS

 

(1)               Chantry, Walter J.O Evangelho de Hoje: Autêntico ou Sintético, 3ª edição, São Paulo: Editora Fiel, 1988, pp. 8, 9 e 13.

(2)               Fé Para Hoje, junho de 2009, p.15.

(3)               Cristianismo Hoje, dezembro de 2010/ Janeiro de 2011, p. 48.

(4)               Igreja, fevereiro/março de 2011, pp.38,39 e 43.

(5)               Eclésia, edição nº. 147, p.16.


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