Pregações: Homilias - Nunca desesperar da misericórdia de Deus - por Padre Paulo Ricardo

Nunca desesperar da misericórdia de Deus

Jesus desafia São Pedro a viver o perdão sem limites. No entanto, aquilo que à primeira vista poderia se apresentar como um fardo insuportável ao Príncipe dos Apóstolos irá se revelar, mais tarde, durante a Paixão, como fonte de grande consolação. Ao negar Jesus três vezes, São Pedro experimenta em sua própria história o significado da parábola do perdão.

Nesta semana a ênfase é o perdão que deve ser vivido a partir de Deus e também dado aos nossos irmãos.
Primeiro, há uma pergunta de S. Pedro. Quantas vezes perdoar, sete vezes!?
E ditados como 'paciência tem limites', 'isso eu não perdôo'... fazem parte da experiência humana.
Antes de Cristo, os pagãos admitiam ofensas que podiam ser perdoadas e outras não.
Mas Jesus nos diz que não deve haver limites para o perdão e com isso nos ensina como é o coração de Deus. Esta é a mensagem principal deste evangelho.

Para mostrar isso, Jesus nos conta uma parábola de um rei que se põe a acertar as contas com seus empregados... empregados que deviam dívidas absurdas. Mas, apesar de dívidas tão grandes, quando o empregado implora mentindo que pagaria algo impossível de pagar, o patrão se comove e tem compaixão. Uma misericórdia (segundo o original grego) que mexe com o interior da pessoa.
E por que S. Pedro? Porque isso é necessário devido ao que irá acontecer com S. Pedro: 'antes que o galo cante tu me negarás três vezes' e por isso antes Jesus precisa ensinar o perdão de Deus a S. Pedro, que será o primeiro beneficiário do perdão do mestre.
Aqui se inaugura a ética cristã. A ética pagã era diferente, escolhendo entre os pecados que podiam ser perdoados e os imperdoáveis. Entre os cristãos, não existe pecado imperdoável, se houver no pecador uma atitude de arrependimento e de confiança na misericórdia do Senhor.

Esta lição Jesus dá não somente a Pedro, mas também a Judas, que estava junto ao ouvir a parábola. Pedro aprendeu e Judas não, Judas não confiou na misericórdia divina.
Aqui está a diferença entre as éticas cristã e pagã. Para o pagão o importante é a dívida, se é grande ou pequena. Para o cristão, o importante é o pecador. De certa forma o cristão não perdoa pecados, mas pecadores. O cristão separa o pecado e o pecador.
E aqui está a chave para perdoar, pois é preciso aprender que o irmão não é o pecado, mas cometeu um pecado. É preciso ter ódio pelo pecado e amor pelo pecador.

O mundo moderno voltou para o paganismo, pois não sabemos perdoar. Ou é decretado que o pecado é irrisório ou a ofensa é guardada para o resto da vida. Esta é a mentalidade do mundo atual e que está invadindo a Igreja. Quantas vezes já não ouvi de padres considerados 'abertos' a dizer 'não, isso não é pecado...'. Quantas vezes cristãos não se decepcionam nos confessionários!
Esses teólogos liberais e padres moderninhos que acham que nada é pecado, é porque não acreditam na misericórdia de Deus, pois nada é pecado, nada é ofensa... e a misericórdia torna-se desnecessária! É como se Deus nem existisse...

Em Deus existe um profundo ódio contra o pecado e um profundo amor pelo pecador.
Uma mãe que ama seus filhos drogados tem que odiar a droga.
Um Deus de amor não pode deixar de ter um ódio profundo contra o pecado e não fazer vista grossa.
Deus perdoa sempre não porque o pecado é uma bobagem, mas porque o pecador está disposto a mudar de vida, pedindo misericórdia e pedindo perdão.

A principal lição que Deus nos ensina neste evangelho é nunca desesperar da misericórdia de Deus.
Pedro aprendeu e Judas não. Este achou que seu pecado era maior que a misericórdia de Deus.
A segunda lição é que se confiamos na misericórdia de Deus não podemos ter a presunção de pensar que Deus ao nos perdoar não fez mais que sua obrigação, que a misericórdia de Deus é um nada... e assim eu posso viver tranquilamente sem precisar dar misericórdia aos meus irmãos.
No evangelho, o patrão condena o empregado que não deu valor ao perdão recebido e, por sua vez, não perdoou seus devedores!

Recordemos sempre o perdão imenso de Deus na cruz, para que estejamos sempre dispostos a perdoar nossos irmãos.

Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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