Pergunte e Responderemos - Apologética - O politeísmo de um Deus só - por Estêvão Bettencourt

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 539/Maio 2007
Apologética

Os Santos?

"O POLITEÍSMO DE UM DEUS SÓ"
(Revista VEJA)

Em síntese: A revista VEJA periodicamente aborda temas religiosos, distorcendo a verdade com um aparato de informações que podem impressionar o público. O artigo, a seguir, explana o sentido da devoção aos Santos na Igreja Católica, diferenciando-a de qualquer forma de politeísmo.
* * *
Em VEJA de 28 de fevereiro 2007, o repórter Reinaldo Azevedo escreve o artigo "O politeísmo de um Deus só", em que sugere haver algo de pagão no culto católico aos santos. Como se verá, fala preconceituosamente, afastando-se da verdadeira face da historia.

Eis o seu raciocínio:

"Um cristão do povo pouco entendia desse Deus a um só tempo tripartido e uno, matéria de acalorados debates teológicos. Ele não bastava para responder a todas as angústias humanas. Observe que o monoteísmo havia encontrado a sua tradução mais acabada - o judaísmo - num povo minoritário e dominado. E nada ocupado em seduzir outras culturas. Os homens estavam tão acostumados a se relacionar com deuses no plural. Foi a própria Igreja, desde o seu primeiro mártir - Santo Estevão - quem estimulou esse caminho de mediação entre o homem e a crença cristã por meio da santidade, ou seja, emprestou ao seu monoteísmo uma característica politeísta para angariar maior número de adeptos" (p. 40).

Respondendo sucintamente

O articulista julga que os santos católicos são os sucedâneos dos deuses do paganismo num contexto que encobre o politeísmo por afirmar que há um só Deus. A Igreja teria fomentado o culto a esses semideuses porque isto lhe facilitaria atrair a si a população pagã.
Todavia o autêntico enfoque da questão é outro: a devoção aos santos tem suas raízes não no paganismo, mas no Antigo Testamento. Com efeito, já a Tradição judaica admitia que os judeus no além orassem pelos irmãos peregrinos na terra. Eis o que se lê em 2Mc 15, 12-15:
"A visão foi esta: Judas viu Onias, que tinha sido Grande Sacerdote, homem correto e bom,... que tinha sido criado para viver uma vida correta e boa. Na visão Onias estava orando com as mãos estendidas em favor de todos os judeus. Então Judas viu aparecer também um homem muito distinto, que impressionava pela sua autoridade e majestosa presença. Onias disse: 'Este é Jeremias, profeta de Deus, homem que muito ama o seu povo e ora muito em favor de todos os judeus e da cidade santa"'.
Vê-se, pois, que, já antes de Cristo, os judeus conheciam a solidariedade dos irmãos do além com os do aquém; os que já superaram os desafios da vida presente estão interessados em que seus irmãos ainda peregrinos consigam chegar à mesma meta que eles, o que em linguagem católica é chamado "a comunhão dos santos".
Essa noção de solidariedade se tornou ainda mais viva no Novo Testamento. Tenha-se em vista o texto de Hb 11, 1-12, 5. O apóstolo percorre a galeria dos heróis da fé desde Abel até os macabeus, e diz que "tais heróis aprovados por Deus não receberam o que lhes havia sido prometido. Pois Deus previa para nós algo de melhor para que sem nós não chegassem à plena realização". Por conseguinte os santos nos acompanham com interesse, torcendo por nós para que corramos o páreo com êxito pleno.
Estas são as bases da devoção católica aos santos. Esta consiste em pedir aos que já venceram, obtenham para os irmãos igual graça. Aliás, o rezar de uns pelos outros já é praxe do Antigo Testamento; assim Abraão intercede por Sodoma e Gomorra e obtém de Deus várias concessões, cf. 18, 25-33.
Moisés orou pelo povo de Deus, dizendo "Este povo pecou gravemente ao fabricar um deus de ouro. Agora, pois, se perdoasses o seu pecado. Se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste" (Ex 32, 31 s).
Assim fazem os justos seguindo o exemplo de São Paulo; que pedia orassem por ele: "Orai também para que Deus abra uma porta à Palavra para falarmos do mistério de Cristo" (Cl 4. 1s).
A morte não interrompe a solidariedade existente entre todos os filhos de Deus, pois o autor de tal comunhão se empenha para dar a conhecer aos justos no céu aquilo de que nós precisamos.
"Para ganhar adeptos", diz Ronaldo Azevedo, mas o autor esquece que os mártires cristãos morriam precisamente para não adorar deuses estranhos, guardando absoluta fidelidade ao Deus revelado por Jesus Cristo.

A fim de mais esclarecer o assunto, sugerimos ler o artigo publicado em PR 336/1990, pp. 235s.

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