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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 520 – outubro 2005

Instrução Pastoral:

 

FIDELIDADE AO PAPA

 

Em síntese: O Sr. Bispo D. Fernando Areas Rifan, da Administração Apostólica São João Maria Vianney, exorta os fiéis a cultivar fidelidade ao Papa Bento XVI. Tal documento é importante porque provém de uma corrente de clérigos e leigos que até o ano de 2002 não reconheciam a autoridade dos Papas posteriores a Pio XII (+1958).

 

A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney reúne fiéis - clérigos e leigos - que até o ano de 2002 não aceitavam a autoridade dos Papas posteriores a Pio XII (+1958) ([1]). Atualmente, estando em plena comunhão com a Santa Sé, esses fiéis são exortados a guardar fidelidade ao Papa dentro do seu âmbito caracterizado pela celebração da S. Missa segundo o rito de São Pio V. Com efeito, por ocasião da eleição do Papa Bento XVI, o Administrador Apostólico Dom Fernando Arêas Rifan quis publicar uma Instrução Pastoral datada de 24/04/05; pela qual exorta os fiéis a guardar fidelidade ao Papa Bento XVI. - A seguir, vai publicada a primeira parte do texto dessa Instrução.

 

Dom Fernando Arêas Rifan,

por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica,

Bispo titular de Cedamusa, Administrador Apostólico

da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney,

ao Revmo. Clero, aos seminaristas, às Revdas. Religiosas, à Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmelo, às Associações Religiosas, Caritativas e de Apostolado, às Entidades Sociais e aos demais fiéis da nossa Administração Apostólica,

saudação, paz e bênçãos em Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Caríssimos cooperadores e amados filhos,

 

No início deste Pontificado do Santo Padre o Papa Bento XVI, toda a nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney vem expressar, junto com seus cumprimentos, seu respeito, dedicação e inteira submissão ao Santo Padre, no qual vemos o sucessor de São Pedro, a pedra sobre a qual Nosso Senhor edificou a sua Igreja, o Vigário de Cristo na terra, o "princípio perpétuo e o fundamento visível da unidade na Fé e na Caridade da Igreja" (Concílio Ecumênico Vaticano I, Constituição Dogmática "Pastor Aeternus" Denz-Schõn. 3051 - cf. Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Dogmática "Lúmen Gentium" 18).

 

Nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, conforme reza o Decreto de ereção "Animarum Bonum" da Congregação para os Bispos n. I, foi constituída "por mandato especial do Sumo Pontífice", ficando "equiparada pelo direito às Dioceses imediatamente sujeitas à Santa Sé". Sendo eu Administrador Apostólico desta nossa Igreja Particular (CDC cânon 368), governando esta "porção do povo de Deus em nome do Romano Pontífice" (CDC cânon 371 § 2), lembro a todos que o Santo Padre o Papa é o verdadeiro Bispo desta nossa Administração Apostólica, do qual sou representante. A ele, portanto, toda a nossa homenagem de respeito, veneração e obediência, devida ao nosso supremo Pastor.

 

Nesta nossa Instrução Pastoral, queremos recordar a doutrina da Igreja sobre o Romano Pontífice, expressa nos documentos do seu Magistério, que é, para nós, "a norma próxima e universal da verdade" (Pio XII, Ene. Humani Generís, 18). Sendo, portanto, documentos da Igreja docente, promulgados sob a assistência do Divino Espírito Santo, devem ser acatados com plena e cordial aceitação por toda a Igreja.

 

Muitos desses importantes ensinamentos, por causa da presente crise na Igreja e no mundo, são descuidados ou esquecidos, facilitando o surgimento de um clima generalizado de desconfiança com relação à Hierarquia da Igreja e da tentação de se erigir outras normas e fontes da ortodoxia, que não o Magistério da Igreja.

 

É muito oportuna e atual a grave advertência do Santo Padre Pio XII: "Em erro perigoso estão, pois, aqueles que julgam poder unir-se a Cristo, cabeça da Igreja, sem aderirem fielmente ao seu Vigário na terra. Suprimida a cabeça visível e rompidos os vínculos visíveis da unidade, obscurece-se e deforma-se de tal maneira o corpo místico do Redentor, que não pode ser visto nem encontrado por quem procura o porto da eterna salvação" (Encíclica Mystici Corporis, 40).

 

O início do novo Pontificado é ocasião propícia para recordarmos, como filhos da Igreja, este ponto da doutrina católica perene e reacender em nossos corações uma filial devoção ao Santo Padre o Papa, "o doce Cristo na terra", na expressão de Santa Catarina de Sena.

 

Para melhor compreensão dos fiéis, apresentamos esses ensinamentos, que fazemos nossos, em forma de um "Catecismo sobre o Papa e o Magistério da Igreja"  (*). E assim, com ele, rendemos nossa homenagem ao Santo Padre, o Papa Bento XVI, a quem desejamos um profícuo ministério na Cátedra de São Pedro.

 

A Igreja é o corpo místico de Cristo. Como tal, ela reproduz, por assim dizer, a condição divino-humana de Jesus, seu "Fundador, Cabeça, Conservador e Salvador" (Pio XII, ene. Mystici Corporis, 24). Assim como em Jesus nós não podemos nos fixar apenas na sua parte humana, mas devemos nos elevar, através da Fé, à sua natureza divina, também com relação à Igreja nós não podemos nos fixar apenas na sua parte humana, nas pessoas que a compõem, mas nos elevarmos à sua parte divina, sua divina instituição, assistência, doutrina, segurança e indefectibilidade. Quem se fixasse apenas na humanidade de Jesus, poderia até duvidar de sua divindade. Assim também, quem se fixar demasiadamente na parte humana da Igreja, esquecendo-se de sua divindade, poderá soçobrar na Fé.

 

De modo especial, com relação ao Santo Padre, o Papa, devemos nos conduzir sempre por um grande espírito de Fé, vendo no Papa sempre o Vigário de Jesus Cristo na terra e ouvir suas palavras como sendo as do Divino Mestre: "Quem vos ouve, a mim ouve, quem vos despreza, a mim despreza" (Lc 10, 16).

 

E esta nossa submissão e mesmo devoção ao Santo Padre, o Papa, na teoria e na prática, são necessárias para evitarmos todo perigo de cisma. Santo Tomás de Aquino nos ensina: "São chamados cismáticos aqueles que se recusam a se submeter ao Sumo Pontífice e aqueles que se recusam a viver em comunhão com os membros da Igreja, a ele sujeitos" (2a-2ae, q. 39, art. 1). E o célebre teólogo espanhol Francisco Suarez ensina que há vários modos de se tornar cismático: "sem negar que o Papa é o chefe da Igreja, o que já seria heresia, age-se como se ele não o fosse: é o modo mais freqüente..." (De Charitate, disp. 12, sect. I, n.2, t. XII, p. 733, in Opera Omnia).

 

Sejamos verdadeiramente católicos, guardando integralmente a doutrina do Magistério da Santa Igreja, evitando, na teoria e na prática, qualquer heresia ou cisma, e tudo o que desses erros se aproxima ou a eles conduz.

 

Confiamos esta nossa Instrução Pastoral ao Coração Imaculado de Maria, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja, pedindo que ela nos conceda uma completa e perfeita adesão à doutrina católica e o verdadeiro sentir com a Igreja.

 

Campos dos Goytacazes, 24 de abril de 2005 -

Festa do mártir da Fé, São Fidélis de Sigmaringa. -

Início do Pontificado do Santo Padre, o Papa Bento XVI

+ Dom Fernando Areas Rifan

Bispo Titular de Cedamusa e Administrador Apostólico.

 

 

(*) Por falta de espaço não publicamos esse Catecismo (N.d.R.)

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] Ver a propósito PR 483/2002, pp. 350ss.


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