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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 400 – setembro 1995

Mais um Grupo de Ajuda Mútua:

 

SEXÓLICOS ANÔNIMOS

 

Em síntese: Sexólico é alguém viciado em prática sexual; não consegue, a sós, deixar de pensar em sexo ou de o praticar. Os Sexólicos Anônimos (S.A.) constituem Fraternidades, compostas por homens e mulheres que compartilham suas experiências e esperanças, procurando assim ajudar-se mutuamente a resolver os problemas comuns na área sexual. Seguem, como outros grupos de ajuda mútua. Doze Passos e Doze Tradições, procurando em Deus (como cada qual O conhece) a força para resolver suas dificuldades. A fim de entrar num grupo S.A.. basta que a pessoa se reconheça carente; nada paga nem há exigência de crença religiosa dos participantes. Requer-se, porém, a guarda do anonimato para que não se quebre a privacidade das pessoas do grupo. - A seguir, são explanadas a filosofia e a metodologia dos SA na base de um depoimento escrito por quem tem bom conhecimento do assunto.

 

1. PERGUNTANDO...

 

1) Que é um sexólico?

- É alguém dependente (adicto) do sexo, alguém viciado em sexo, que não consegue, a sós, deixar de pensar em sexo ou de praticá-lo. O importante é que cada membro se considere um sexólico, mediante participação nas reuniões e o conhecimento de nossa literatura. Fazendo isto, a pessoa se identificará como membro de um grupo nosso ou não.

 

2) Que são os Sexólicos Anônimos?

- Constituem uma Irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças entre si e que podem resolver seus problemas comuns desta maneira e, além disto, ajudar outros a se curar na área sexual.

 

3) Se o sexo faz parte da natureza humana, por que um sexólico precisa de curar-se?

-Porque existe uma diferença entre o sexo, que é dom de Deus, e a conduta obsessiva, que é o que chamamos luxúria. O sexólico busca, através de um Programa de Doze Passos, encontrar a recuperação, abandonando seu comportamento vicioso. Busca libertar-se da luxúria, não do sexo. Não pretendemos que nossos membros se tornem assexuados ou celibatários, embora algumas vezes certos sexólicos optem pelo celibato; isto, porém, não é preconizado pelo nosso Programa.

 

4) Porque muitas pessoas vão a uma reunião e não continuam ou não freqüentam assiduamente?

- Por diversos motivos. Para muitas pessoas, o sexo está intimamente ligado a atos violentos, como estupro, abusos sexuais na infância, etc. Daí a dificuldade de colocarem sua problemática. No caso das mulheres, muitas se sentem envergonhadas, já que a criação delas é muito reprimida nesta área.

 

Para outras pessoas, um Programa deste tipo é um convite à reflexão, a uma vida de moderação e equilíbrio; ora elas, por sua natureza mesma, não conseguem adaptar-se ou não o querem, preferindo prolongar seu comportamento distorcido.

 

5) Como pode uma pessoa saber se é sexólica? Existem alguns sinais da compulsão?

- Sim. Existem vários sinais da compulsão sexual, dentre os quais destacamos: 1) um padrão de comportamento descontrolado; 2) Incapacidade de autocontrole, apesar das conseqüências negativas que daí provenham; 3) Busca persistente de autodestruição ou comportamento de alto risco; 4) Ânsia constante ou esforço para conter o comportamento sexual; 5) Obsessão sexual e fantasia como estratégia básica de satisfação; 6) Aumento gradual das experiências sexuais, porque o nível de atividade sexual existente no momento passa a ser insuficiente; 7) Mudanças violentas de temperamento na atividade sexual; 8) Perda desordenada de tempo, procurando, praticando ou se refazendo de uma experiência sexual; 9) Negligência de importantes atividades sociais e ocupacionais causada pelo desordenado comportamento sexual; 10) Severas conseqüências ligadas ao comportamento sexual.

 

6) Existem formas variadas de compulsão sexual?

- Sim; existem muitas formas de compulsão, dentre as quais destacamos: 1) o sexo fantasioso; 2) o sexo com sedução; 3) o sexo anônimo (feito com parceiros estranhos em parques, saunas, banheiros públicos, etc); 4) o sexo pago (com prostitutas ou "massagistas"); 5) sexo comercializado (praticado para filmes de sexo explícito); 6) sexo voyeurístico ([1]); 7) sexo exibicionista; 8) sexo intrusivo (praticado sem a permissão do outro em ônibus, trens, etc);

9) sexo com objetos; 10) sexo com crianças; 11) sexo com dor.

 

7) Quais as conseqüências mais comuns, para o compulsivo, desta desorganização do seu comportamento sexual?

- As conseqüências podem ser desastrosas. Destacamos as mais comuns: 1) perda da auto-estima; 2) perda da integridade; 3) perda da produtividade; 4) perda de amigos importantes; 5) perdas financeiras; 6) perda de carreira profissional; 7) culpa intensa por ter ferido alguém.

 

8) Por que um dependente de sexo, apesar de todas estas conseqüências negativas, continua com este comportamento compulsivo?

- Porque ele é impotente diante da sua compulsão. Apesar das conseqüências adversas, o estado desejado é tão atraente que o compulsivo distorce, ignora ou perde o contato com a realidade à sua volta. A dependência passa a regular a vida emocional do indivíduo. A vergonha cria os ciclos de autodestruição, em que ele se esforça para parar e isto apenas intensifica os fracassos.

 

9) Que é que leva alguém a se tornar um viciado em sexo (ou um sexólico)?

- A resposta a esta pergunta pode ser encontrada, na maioria das vezes, na infância da pessoa. Muitos sexólicos sofreram abusos de diversos tipos, trazendo-lhes sérios problemas na vida adulta. Destacamos três tipos de abusos: 1) abusos físicos (criança censurada e até castigada por falar de sexo ou tocar na sua genitália); 2) abusos emocionais (criança negligenciada pelos pais); 3) abusos sexuais (carícias forçadas, sexo oral, ato sexual forçado, etc);

 

Um destes abusos ou o conjunto deles tem demonstrado ser uma das causas principais que levam alguém a se tornar um sexólico quando adulto.

 

10) Como pode um sexólico encontrar a recuperação?

- Ele pode encontrar a recuperação através da ajuda de um psicólogo, psiquiatra e através do Programa dos Doze Passos oferecido pela Irmandade dos Sexólicos Anônimos.

 

11) Que é que os Sexólicos Anônimos oferecem?

- S. A. oferece um programa de Doze Passos e Doze Tradições para ajudar as pessoas dependentes a encontrar a sobriedade sexual e se manter sóbrias. Esta Irmandade é baseada nos princípios de Alcoólicos Anônimos e recebe permissão de A. A. desde 1979 para usar seus Doze Passos e suas Doze Tradições.

 

É importante ressaltar que S. A. não é lugar para obtenção de companheiros ou parceiros sexuais nem para aprendizado de gozo da luxúria. Não faz terapia sexual ou grupal e tampouco é uma sociedade de indivíduos sexualmente hiperativos.

 

12) Qualquer pessoa que se considerar viciada em sexo, poderá freqüentar as reuniões de S.A.?

- Sim. O único requisito para alguém tornar-se membro é o desejo de parar com o comportamento distorcido e tornar-se sexualmente sóbrio.

 

13) Se a pessoa freqüentar o grupo e gostar, mas vier a recair, poderá retornar à Irmandade?

- Sim; as pessoas serão sempre bem-vindas às reuniões de S.A., desde que conheçam nossos propósitos primordiais. As recaídas fazem parte da recuperação. Elas podem atrasar o processo ou forçar o dependente a voltar ao estágio inicial de recuperação, mas não o impedem de se manter no Programa oferecido por S.A.

 

14) Como funcionam as reuniões de S.A.?

- Funcionam como as dos outros grupos anônimos. É feita a leitura de um capítulo de um dos livros básicos da Irmandade; depois cada membro fala a respeito do que foi lido ou de sua experiência dentro do grupo, ou ainda como tem usado os instrumentos para a sua recuperação.

 

S.A. já oferece aos seus membros quatro livros: 1) "O Grande Livro"; 2) "Prossegue a Recuperação"; 3) "Livro de Depoimentos"; 4) "Coletâneas".

 

Utilizamos a literatura e a troca de experiências nas reuniões como base para a nossa recuperação.

 

15) Como pode S.A. ser conhecido pelas pessoas?

- De diversas maneiras. Como está escrito em nossa Quinta Tradição, "cada grupo é animado de um único propósito primordial: o de transmitir sua mensagem ao sexólico que ainda sofre".

 

Entendemos que levamos a mensagem aos outros da melhor maneira quando falamos da nossa própria experiência. E não há lugar melhor para fazê-lo do que nossas próprias reuniões.

 

É preciso ressaltar sempre a importância do anonimato (11a e 12a. Tradições), embora a Irmandade não precise de ficar no anonimato.

 

Temos de resguardar o nosso anonimato pessoal, não dando nomes verdadeiros em entrevistas nem aparecendo de frente diante de câmaras de TV ou em fotografias. A Irmandade, no entanto, precisa de ser divulgada na imprensa em geral. Estamos sempre enviando nossos folhetos a médicos, padres, professores, psicólogos, terapeutas, etc. Aprendemos que os princípios devem ser sempre colocados acima das personalidades. Aqui talvez resida a chave dos efeitos benéficos colhidos neste Programa.

 

Uma vez apresentada a Irmandade de Sexólicos Anônimos, publicamos, a seguir, o depoimento muito vivo propagado pela própria Irmandade num de seus folhetos de divulgação.

 

 

2. DEPOIMENTO

 

2.1. O Problema

 

"Muitos de nós nos sentíamos inadequados, sem valor, sozinhos e com medo. O nosso interior nunca combinava com o que víamos no exterior dos outros. Cedo começamos a nos sentir separados - dos nossos pais, de nossos iguais e de nós mesmos. Sintonizamo-nos com a fantasia e a masturbação. Nós nos ligávamos através de fotos, imagens e na busca dos objetos de nossas fantasias.

 

Nós desejávamos ardentemente e queríamos ser desejados.

 

Tornamo-nos viciados reais: sexo conosco mesmos, promiscuidade, adultério, relacionamentos de dependência e mais fantasia.

 

Obtínhamos com os olhos, comprando, comercializando, dando. Éramos viciados em intrigas, provocações e coisas proibidas. A única forma de liberdade que conhecíamos era fazê-lo. Isso causou ódio a nós mesmos, culpa, remorso, vazio e dor; fomos levados cada vez mais para dentro, para longe da realidade, do amor, perdidos em nós mesmos.

 

Nosso hábito impossibilitava a intimidade verdadeira. Nunca podíamos conhecera união real com o outro porque estávamos presos ao irreal. Procurávamos a 'química', a ligação mágica porque ela nos desviava da intimidade e da união verdadeira; a fantasia corrompeu a realidade; a luxúria matou o amor.

 

Primeiro viciados, depois incapacitados para o amor, tirávamos dos outros o que estava faltando para nos completar.

 

Enganando a nós mesmos, acreditávamos que o próximo viria nos salvar, estávamos na verdade perdendo nossas vidas.

 

2.2. A Solução

 

Vimos que nosso problema possui três aspectos: físico, emocional (ou mental) e espiritual: A recuperação deverá abranger os três. A mudança crucial de atitude começou ao admitirmos nossa impotência, ao admitirmos que nosso hábito nos havia derrotado.

 

Comparecemos regularmente às reuniões e progressivamente paramos com o hábito. Para alguns isso significou ausência de sexo (consigo mesmo e com os outros), incluindo novos relacionamentos.

 

Para outros significou não ter relações com o cônjuge por um determinado tempo a fim de se recuperar da luxúria.

 

Descobrimos que podíamos parar, que não alimentar a fome não nos levaria à morte, que sexo era, sem dúvida, algo opcional! Havia esperança em conseguir liberdade e começamos a nos sentir vivos. Encorajados a continuar, nos afastamos cada vez mais da nossa obsessão por sexo e por nós mesmos e nos voltamos para Deus e para os outros.

 

Isso era assustador. Não podíamos ver o caminho à nossa frente, só sabíamos que outros já o tinham trilhado anteriormente.

 

Em vez de nos matar, a entrega estava matando a obsessão! Caminhamos em direção à Luz, a um modo de vida completamente novo.

 

A Irmandade nos deu apoio, tornando-se um porto seguro onde pudemos nos enfrentar. Em vez de esconder nossos sentimentos com sexo compulsivo, começamos a expor os fundamentos do nosso vazio espiritual e de nossa fome. E a recuperação começou.

 

Ao encararmos nossos defeitos, tivemos vontade de mudar. A entrega tirou o poder que eles tinham sobre nós. Pela primeira vez, começamos a nos sentir melhor conosco sem a 'droga'.

 

Tentamos consertar nossos erros, ao não prejudicar os outros e perdoar àqueles que nos haviam prejudicado. A cada reparação, sentíamos menos culpa em nossos ombros, até que conseguimos levantar nossas cabeças, olhar o mundo de frente e nos sentir livres.

 

Começamos a praticar uma sobriedade positiva, agindo com amor para melhorar nossas relações com os outros. Estávamos aprendendo a dar e começamos a receber na mesma proporção. Começamos a encontrar o que nenhum dos substitutos nos havia fornecido. Estávamos fazendo a conexão verdadeira. Estávamos em casa".

 

3. S.A.-ENDEREÇOS

 

Grupo Riachuelo-R. do Riachuelo, 367 Centro Igreja Nossa Senhora de Fátima 3a feira das 18h às 20h, Rio (RJ).

Grupo Caxias - R. Prof. José Eudes 25 de agosto - Igreja Nossa Senhora de Fátima sábado das 15h às 17h, Caxias (RJ).

Grupo Flamengo - R. Barão do Flamengo, 22-sala 1004 63- feira das 18h 30 min às 20h 30 min. Rio (RJ).

CAIXA POSTAL 3766 - Rio (RJ)

 

 

ORAÇÃO DA SERENIDADE

 

Concedei-nos, Senhor, serenidade para aceitaras coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras.

 

Ver ainda:

Alcoólicos Anônimos, em PR 183/1975, pp. 116-135; Narcóticos Anônimos, em PR 392/1995. pp. 36-48.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] Voyeurismo vem de voyeur, que em francês significa vidente, aquele que vê. É a excitação sexual ao ver alguém a cópula sexual de dois parceiros ou ao ver os órgãos genitais de outrem.


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