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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 380 – janeiro 1994

Caso singular:

 

UM PADRE CATÓLICO NUM PAÍS PROIBIDO

 

O Butão é um reino da região centro-sul da Ásia, nos montes Himalaia orientais. Caracteriza-se, geograficamente, por elevações montanhosas inacessíveis, cobertas de neves-perpétuas. Na porção central, existem vales férteis e úmidos, densamente povoados por 1.700.000 habitantes. Estes são de origem himalaio-tibetana, existindo também nepaleses e outros pequenos grupos étnicos.

 

A história desse país é obscura em suas origens. Por volta do século IX, os tibetanos estabeleceram-se na região, de onde expulsaram os indianos. No século XVIII o país foi dominado pelos chineses; a partir de 1772, os ingleses ocuparam a região, donde saíram em 1865. Em nossos dias o Butão é um Protetorado da Índia, encarregada das relações exteriores do reino, cujo território também é reivindicado pela China (limítrofe). Não possui Constituição e seu regime político é o de uma monarquia teocrática budista.

 

Desde 1963, vive no Butão um jesuíta de origem canadense, o Pe. William Mackey. Foi chamado para lá a fim de colaborar na criação de um sistema de educação nacional. Atualmente, com 80 anos de idade, é o primeiro e o único estrangeiro que tenha recebido a cidadania butanense. Apesar da sua idade, fica sendo o Inspetor-Chefe da Educação. A revista "Asia Focus" o entrevistou a respeito de suas ocupações, publicando as declarações do padre em sua edição de 12/03/93.

 

O texto desse depoimento é significativo, pois se trata de um caso singular de presença da Igreja num ambiente "proibido" ou num país homogeneamente budista, fechado a qualquer outra crença religiosa.

Eis o teor da entrevista.

 

1. O DEPOIMENTO

 

Repórter: "Qual a missão do Sr. no Butão?"

William Mackey: "Neste reino proibido aos missionários e aos cristãos, minha missão consiste em testemunhar a fé católica sem a apregoar, dar testemunho de Cristo por minha vida, sem fazer proselitismo, prestando serviço no setor da educação inglesa, que é a minha especialidade".

 

R.: "Por que o Sr. chama o Butão 'um reino proibido'?"

W.M.: "O budismo é a religião de Estado do Butão e o Governo quer preservar o budismo e a cultura budista. Por conseguinte, as autoridades não querem que outras religiões se introduzam na tradição e na herança cultural do Butão. Por isto a pregação e a propaganda do Cristianismo são proibidas no reino".

 

R.: "Existem ali escolas cristãs?"

W.M.: "Não, não há escolas cristãs ou católicas dirigidas por nós ou por alguma Congregação Religiosa. Todas as escolas pertencem ao Governo. No passado, os jesuítas foram convidados a ajudar na fundação de instituições escolares e a assumir responsabilidades na qualidade de provedores ou diretores. Assim é que sete sacerdotes jesuítas e dez Religiosas Irmãs de Cluny, da Santa Cruz, das Filhas da Cruz trabalharam outrora em escolas dirigidas pelos jesuítas.

Fora disto, alguns padres salesianos também contribuíram para criar uma Escola Técnica perto da fronteira indiana em Phunt Salong. Os salesianos dirigiram essa instituição durante algum tempo, mas todos partiram em 1989".

 

R.: "Por que partiram?"

W.M.: "O Governo butanês queria que a direção de todos os colégios e escolas passasse para os Dukpa (butaneses) qualificados. Pediu-nos, portanto, que trabalhássemos sob a direção destes. Não podíamos aceitar tais condições. O Governo também queria que cada um de nós trabalhasse numa escola diferente. Nós, missionários, costumamos morar em comunidade e trabalhar juntos. Portanto, a proposta do Governo era inaceitável. Por isto a maioria dentre nós voltou para a diocese de Darjeeling na índia".

 

R.: "O Sr. ficou no Butão..."

W.M.: "Sim, optei por ficar no Butão porque sou cidadão butanês"

 

R.: "O Sr. tem uma igreja no Butão?"

W.M.: "Não, não há igreja no Butão. Minha residência me serve de igreja; é lá que eu rezo e celebro a Missa em dias de semana e no domingo".

 

R.: "Há pessoas que vão assistir à sua Missa?"

W.M.: "Uns trinta cristãos comparecem. A maioria é de membros das diversas missões diplomáticas. Há também dois Dupka casados com indianas católicas".

 

R.: "Como é que o Sr. cumpre a sua missão?"

W.M.: "Meu programa de evangelizar, entre outras coisas, inclui o serviço de desenvolvimento da Educação no país. Eu sirvo ao país ensinando ao povo do Butão os valores morais e patrióticos e a ajuda mútua".

 

R.: "Onde o Sr. trabalhou antes de ir para o Butão?"

W.M.: "Em 1946 anexei-me à equipe jesuíta de Darjeeling (índia Oriental).

Trabalhei ali como Diretor de uma escola secundária em Kurseong. Fui mandado para o Butão em 1963".

 

R.: "O Sr. conseguiu algum resultado no setor da educação?"

W.M.: "A taxa de alfabetização estava perto de zero quando aqui cheguei. Hoje é de 40%. Fundei a primeira Escola Secundária em Tashigaon; a seguir, uma instituição universitária conhecida pelo nome de 'Colégio Shrubtse'. Mais recentemente, sob a minha direção, o Butão abriu duas Escolas Normais, cinco instituições pré-universitárias, vinte e uma Escolas Secundárias e duzentas Escolas Primárias".

 

R.:"Em que consiste o seu trabalho de Inspetor-Chefe da Educação?"

W.M.: "Meu trabalho é estabelecer um sistema eficaz de educação escolar no Butão. Supervisiono as Escolas para adquirir a certeza de que funcionam devidamente. Com esta finalidade visito as escolas de todo o reino. Por conseguinte, viajo muito, às vezes a pé, e freqüentemente a cavalo".

 

R.: "Quais as suas relações com o rei Jigme Singye Wangchuck e os funcionários do Governo?"

W.M.: "Tenho excelente relacionamento com o rei, os membros da família real, os Ministros e os funcionários do Governo. Está claro que a cidadania a mim concedida fala por si mesma no tocante às minhas relações com o rei e o Governo. Nenhum outro estrangeiro até hoje recebeu a cidadania".

 

R.: "O Sr. se veste como um butanês; é por opção pessoal ou por obrigação?"

W.M.: "É obrigatório, para todos os cidadãos butaneses, trajar a veste butanesa para ir ao trabalho. Por conseguinte, sendo cidadão, eu trajo a veste butanesa. Isto me dá o sentimento de pertencer ao Butão; devo dizer que gosto de trajar essa veste".

 

R.: "O Sr. fala butanês?"

W.M.: "Falo o butanês oriental e o nepali; portanto não tenho problema de comunicação".

 

R.: "O Sr. sente gratidão da parte do Governo butanês?"

W.M.: "Sim. Sou considerado o melhor especialista da Educação no Butão, porque instalei o sistema de Educação na base do modelo inglês. Em maio de 1992, o Governo butanês me nomeou Inspetor-Chefe vitalício das Escolas e Conselheiro do Departamento de Educação. Em 1973, S. Majestade o rei me tinha honrado com a medalha de Druk Zhung Thuk-sey, reconhecendo-me assim como um filho do Butão".

 

R.: "Quais são os seus planos?"

W.M.: "Estou feliz por continuar a viver no Butão a fim de servir ao país e ao povo. Mas o futuro está nas mãos de Deus".

 

 

2. COMENTANDO...

 

Já em PR 347/1991, pp. 166-176 foi registrada a existência de um padre isolado e único na Sibéria; esforçava-se por desenvolver intenso trabalho pastoral num ambiente pouco cristão. Desta vez a notícia se refere a uma região distante nas montanhas da índia. O Pe. William Mackey S.J. vive num clima fechado ao Catolicismo, dedicando-se à educação com o beneplácito do Governo local. É sempre uma presença da Igreja e do Evangelho, que dá testemunho silencioso, mas significativo, do que é o Cristianismo. A evangelização nem sempre se faz por palavras, mas também pela conduta de vida. Jesus predisse que seus discípulos seriam sal na terra (cf. Mt 5,13), ... uma pitada de sal portadora de seu sabor próprio, capaz de se transmitir ao respectivo conjunto... Assim a presença fiel e marcante de um sacerdote ou de um leigo católico em ambiente heterogêneo pode beneficiar esse ambiente pela irradiação de seu comportamento... O que acontece na Sibéria, no Butão... pode acontecer em outras partes do mundo: a fidelidade e a coerência de uma conduta de vida edificam e constroem a sociedade, mesmo quando as palavras desfalecem... Também no Brasil ... !

 

 

Dom Estêvão Bettencourt


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