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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 388 – setembro 1994

Mentir para curar?

 

O EFEITO "PLACEBO"

 

Em síntese: Placebo é um medicamento inerte ou inoperante, que sugere aos usuários pronto alívio ou cura radical, como se o placebo fosse o mais recente e moderno produto da farmacologia. Age unicamente por efeito de sugestão. A eficácia de tais produtos tem sido estudada. Com grande surpresa para os cientistas; há quem lhes atribua efeitos benéficos em 60% dos casos; até mesmo algumas intervenções cirúrgicas são simuladas, bastando a simulação para aliviar ou beneficiar os pacientes.

 

Estas descobertas são valiosas não somente no setor da medicina, mas também em perspectiva religiosa. Com efeito; dissipam a idéia de que os curandeiros e cirurgiões mediúnicos estejam atuando sob a orientação de entidades superiores. Os benefícios do curandeirismo (que, sem dúvida, são ambíguos e duvidosos) hão de ser interpretados à luz da sugestão e da ciência, que mais e mais penetra os meandros do psiquismo humano, descobrindo as enormes potencialidades do mesmo.

 

A palavra placebo significa em latim "agradarei"; designa um medicamento inerte ou inoperante ministrado a pacientes a fim de lhes sugerir que serão prontamente aliviados ou mesmo curados. O placebo, como tal, não tem eficácia terapêutica, mas o uso do mesmo condiciona o psiquismo do enfermo, dando-lhe a crer que está sendo tratado com um recurso novo e poderoso; disto resulta, muitas vezes, a melhora ou a recuperação da saúde do doente.

 

Os cientistas nos últimos tempos têm-se aplicado ao estudo mais atento deste fenômeno, conhecido, mas não explorado sistematicamente. E têm chegado a conclusões que surpreendem o público bem como ajudam a compreender a eficácia "mágica" de certos artifícios do curandeirismo. Passamos a expor esses resultados, valendo-nos do artigo "Mentir pour guérir" de Ludmila Couturier, publicado em "Sciences et Avenir", no 567, maio 1994, pp. 20-24.

 

1. AS EXPERIÊNCIAS RECENTES

 

1.1. Variedade de aplicações

 

Como ponto de partida da reflexão sobre o assunto, pode-se citar o caso seguinte:

 

Dois grupos de músicos estavam para entrar em cena. Todos apresentavam sintomas de nervosismo: taquicardia e sensação de stress. Deu-se a um desses grupos um medicamento tido como eficaz contra o stress. Ao outro grupo ministrou-se um produto de aparência idêntica, mas desprovido de qualquer ingrediente medicinal, todavia sem que se lhe dissesse que era um artifício. Ora aconteceu que, pouco antes do concerto, os agentes de saúde tomaram o pulso de todos esses músicos e verificaram que o ritmo cardíaco se havia acalmado nos dois grupos. Tal foi a experiência relatada por Gilles Bouvenot, responsável pelo Laboratório de Metodologia de Ensaios Clínicos da Faculdade de Marselha. Evidenciou bem quanto um placebo pode ser eficaz.

 

O recurso a placebo tem ocorrido no tratamento de numerosas doenças: úlcera gástrica, angina do peito, poliartrite reumatóide, asma, depressão, insônia, dores pós-operatórias ou cancerosas... Está claro que a eficácia do placebo depende não só da habilidade de quem o ministra, mas também das predisposições emocionais do paciente: expectativas mais intensas são mais coroadas de êxito.

 

Os estudiosos têm comparado entre si a ação do medicamento autêntico e a do placebo, e verificam que este produz os mesmos efeitos que aquele: mesma relação dose/efeito (duas doses de placebo são mais eficazes do que uma só), mesmos efeitos cumulativos... Em geral, os efeitos secundários do placebo são náuseas, vômitos, diarréias, dores de cabeça, palpitações, vertigens...

 

Nenhuma área da medicina é excluída da ação dos placebo: medicina física (cinesiterapia, eletroterapia...), pediatria, psiquiatria, e até mesmo a cirurgia... Com efeito; tem-se praticado a cirurgia simulada. Uma das primeiras experiências deu-se na década de 1960: apregoava-se uma cirurgia das artérias mamárias para tratar a angina do peito; certa vez, porém, os médicos resolveram distribuir em dois grupos os pacientes que precisavam dessa intervenção: a metade dos enfermos foi realmente operada, ao passo que a outra metade sofreu apenas uma pequena incisão superficial. Referiu então o Dr. Patrick Lemoine, psiquiatra em Lião: "Os resultados dessa pesquisa mostraram a inutilidade de tal intervenção; centenas de pacientes foram beneficiados, pois a cirurgia propriamente dita lhes teria sido fatal".

 

1.2. Dados numéricos

 

Até os últimos tempos julgava-se que o placebo seria eficaz em 30% dos casos. Atualmente, porém, após as pesquisas efetuadas pela Scribbs Foundation em La Jolla (Califórnia), o placebo pode ter efeito benéfico em 60% dos casos de aplicação. Verdade é que os resultados numéricos são muito oscilantes: quando se trata de úlcera gástrica, a cura por placebo pode variar de 20% a 70% dos casos, segundo os estudiosos. Nota-se também que a mesma pessoa pode ser muito sensível a um placebo em determinado momento e em vista de certa doença, mas não é sensível em outro momento ao placebo destinado a curar outra doença.

 

Em psiquiatria, afirma o Dr. Eduardo Zarifian, o placebo pode atingir 40% de êxito no tratamento das depressões e 80% no das ansiedades.

 

Verifica-se outrossim que a modalidade do placebo influi no resultado do tratamento: assim, por exemplo, as injeções são mais eficazes do que os xaropes e os comprimidos. Estes alcançam mais benefícios se são grandes e amargos ou também muito pequenos; as cores também desempenham certo papel. Os laboratórios levam em conta estes dados para confeccionar seus produtos.

Pergunta-se agora:

 

1.3. Como explicar a eficácia dos placebo?

 

É claro que os placebo desencadeiam uma ação sobre o psíquico do paciente: este se torna otimista, julgando que descobriu o mais eficaz dos tratamentos e obterá a "impossível" cura. Isto desbloqueia o psiquismo e permite melhor reação do organismo à moléstia.

 

Mais precisamente, o jornal The Lancet propõe uma interpretação biológica do efeito placebo no tocante às dores pós-operatórias: a ação analgésica poderia decorrer da secreção das endorfinas, ou das moléculas produzidas pelos neurônios e implicadas na moderação das sensações dolorosas. Os pesquisadores chegaram a esta conclusão bloqueando a secreção de endorfinas por meio de um inibidor; verificaram então que o placebo não aliviava as dores. O Dr. Patrick Lemoine, Chefe do Serviço de Psiquiatria do Hospital Le Vinatier (Lião), afirma: "É muito provável que outros neurotransmissores intervenham como. suportes bioquímicos do efeito placebo".

 

Está claro que grande importância toca às atitudes do médico que ministra o placebo. Já se observou o valor de uma palavra reconfortante: "Você será curado ou curada dentro de três dias com esse medicamento".

 

Estas palavras são muito mais úteis do que outras do tipo seguinte: "O que eu lhe receito, pode-lhe ser útil; se não, queira chamar-me de novo".

 

Há também o efeito contrário do placebo: o nocebo (prejudicarei); é a atitude pessimista do médico,que, se não agrava o estado de um paciente, pode tornar nulo o respectivo tratamento. Isto leva o Dr. Patrick Le-moine a afirmar que "certos médicos que muitas vezes obtêm maus resultados, se deveriam interrogar a respeito das suas relações com os respectivos pacientes".

 

A pessoa do médico ou do agente de saúde desenvolve papel ainda mais influente, se essa pessoa age em nome de uma crença religiosa: xamanismo, marabutismo ou outra que utilize a imposição das mãos.

 

1.4. Aspecto ético

 

Levanta-se a questão: será moralmente lícito recorrer a placebo no tratamento de enfermos? A razão para duvidar é que tal procedimento implica enganar o doente, mentindo-lhe. Precisamente a eficácia do placebo decorre do fato de que o paciente julga estar sendo atendido com um medicamento muito eficaz, recém-descoberto, cuidadosamente ministrado, etc.

 

Este tipo de terapia tem merecido a condenação de várias Comissões de Ética Médica. Na França a lei Huriet, promulgada em setembro de 1990, exige que as pessoas exprimam um consentimento esclarecido e livre ao tratamento que lhes é proposto.

 

Há também quem pondere o seguinte: um paciente procura seu médico para recuperar a saúde. O médico que lhe atende, quer corresponder aos anseios do cliente. Julga, porém, que o paciente é dotado de constituição psicossomática tal que a medicina convencional será de pouca utilidade ou mesmo poderá gerar efeitos laterais indesejados. Então porque não recorrer a um placebo devidamente estudado e ministrado, desde que haja probabilidade de efeitos salutares? O médico que assim procede, está promovendo a cura do paciente, cura que este muito deseja e que não conseguiria (suponha-se) de outro modo. Não se deveria ponderar caso por caso, em vez de rejeitar globalmente o uso de todo e qualquer placebo?

 

2. A IMPORTÂNCIA DAS EXPERIÊNCIAS

 

A tomada de consciência da eficácia dos placebo é de grande valor não somente para a ciência médica, mas também para explicar fenômenos de curandeirismo. Este é exaltado como terapia muito eficaz, mais do que a convencional; a própria cirurgia de curandeiros ou de "médicos do espaço" é elogiada como eficiente e valiosa. Os resultados positivos são explicáveis mediante presumidas intervenções de seres do além, que estariam atuando através de médiuns, pais-de-santo, benzedores... Tais explicações conseguem convencer muitas pessoas... Ora a descoberta da eficácia dos placebo dissipa a presunção, do curandeirismo, de ser dirigido por entidades superiores e portentosas. Os efeitos positivos do curandeirismo podem ser enquadrados dentro do dinamismo de ação dos placebo. Assim cai mais uma mistificação de nossos tempos.

 

APÊNDICE

 

À guisa de ilustração e complementação, segue-se uma notícia publicada pelo JORNAL DO BRASIL, aos 3/6/94, p. 8:

 

Eficácia de placebo é subestimada

 

WASHINGTON — Dores de cabeça, coluna, cólicas pós-operatórias ou provocadas por anginas e asma podem ser combatidas, em grande parte dos casos, com placebo — pílulas que simulam remédios mas que não têm qualquer efeito farmacológico.

 

"A eficácia do efeito placebo no tratamento da dor tem sido subestimada", afirma a pesquisadora Judith Turner, da Universidade Washington, de Seattle, baseada em um estudo que desenvolveu durante 15 anos e que acaba de ser publicado na revista da Associação Médica Americana (JAMA).

 

Depois de analisar uma série de publicações e os resultados de mais de 75 pesquisas sobre os efeitos analgésicos obtidos por medicamentos e cirurgias fictícios, Turner concluiu que o efeito placebo funciona em uma proporção de pacientes muito maior que os 35% estimados até agora.

 

Em uma pesquisa com 2.500 pessoas que apresentavam problemas nos discos intervertebrais da coluna lombar e que se submeteram a cirurgias — mas não chegou a haver intervenção porque não se constatou a presença de hérnia — 43% dos pacientes disseram não sentir mais dor após a operação. O mesmo efeito placebo foi constatado em 37% das pessoas que se queixavam de dor no nervo ciático.

 

Os resultados obtidos no tratamento da asma também foram surpreendentes.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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