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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 522 – dezembro 2005

Debate candente:

 

POR QUE NÃO LEGALIZAR O ABORTO?

 

Em síntese: O Dr. Hugo Hideo Kunii, pediatra, enumera diversas razões contra a legalidade do aborto. A sua voz tem a autoridade de um profissional do assunto, que não apela para motivos religiosos.

 

O debate em torno do aborto no Brasil tem sido movido não somente em nome da religião e da contra-religião. Também em nome da ciência e da razão natural têm sido apresentados argumentos contra o aborto. O pediatra Dr. Hugo Hideo Kunii faz uma síntese de tais argumentos, que vão disseminados pela internet e que PR reproduz nas páginas subseqüentes.

 

RAZÕES PARA NÃO LEGALIZAR O ABORTO

 

Hugo Hideo Kunii - médico pediatra:

 

1) Razões científicas:

 

Desde a concepção, o embrião já carrega todo o patrimônio genético que o caracteriza como um novo ser humano (cor dos olhos e da pele, tom de voz, traços da personalidade, etc.).

 

Pesquisas recentes evidenciaram a presença de células com atividade neural a partir do 14° dia de vida. Este dado é importante, pois significa um sistema nervoso formado, marco aceito universalmente como a presença de uma nova vida humana. Sabemos que, quando a mulher se identifica como gestante, após alguns dias de atraso menstrual, estes 14 dias já foram ultrapassados. Com o advento do ultrassom 3D, descobrimos que já com 26 semanas de gestação o feto sorri, chupa o dedo e boceja. Há pouco tempo acreditava-se que ele só sorriria com um mês de vida extra-uterina.

 

2) Razões éticas:

 

Quando uma pessoa apresenta um distúrbio psicológico devido a dificuldades sociais ou econômicas e deseja tirar a sua própria vida, procuramos ajudá-la de alguma forma. Da mesma forma, quando a gestante se encontra frente a uma dificuldade em relação à maternidade, cabe à sociedade dar-lhe apoio.

 

3) Razões econômicas:

 

Nos EUA, após a legalização do aborto, o número de abortos passou de 193.491, em 1970, a 1.430.000, em 1990, um aumento de 640%. O custo médio do aborto foi de US$ 350,00 a 450,00. Neste país, onde existe um elevado índice de utilização de métodos contraceptivos, vemos o aborto sendo utilizado como um método anticoncepcional. Imaginemos o que ocorreria no Brasil, pois não existe planejamento familiar e há falta de recursos para as necessidades mais básicas de saúde. Na índia, estimava-se que o número de abortos na década de 70 fosse de cerca de 3 milhões anuais. Após sua legalização, em poucos anos saltou para a extraordinária marca de 7 milhões anuais. Em todos os países em que ele foi legalizado, houve um aumento expressivo do seu número.

 

4) Razões demográficas:

 

Os países que legalizaram o aborto enfrentaram sérios problemas em relação à população jovem e economicamente ativa. Cuba, o único país latino-americano em que o aborto é legalizado, apresenta um baixíssimo índice de natalidade (0,72 criança por mulher), causando preocupação nas autoridades cubanas. Na Rússia, estima-se que o número de abortos seja o dobro do número de nascimentos, com um índice de 1,4 criança por mulher. Recentemente, a BBC de Londres divulgou que as autoridades russas estão preocupadas, pois caso persista a atual situação, em 2050 a população russa será um terço da atual. O mesmo ocorre nos EUA, Japão, Coréia e vários países da Europa, cada vez mais dependentes da mão de obra imigrante. Cabe ressaltar que a taxa de fertilidade para manutenção da população é de 2,2 crianças por mulher e no Brasil esta taxa já é de 2,5, segundo o último censo.

 

5) Razões médicas:

 

Em países com o nosso perfil, não ocorreu uma melhora nas condições em que são realizados os abortos, e não houve diminuição do número de abortos ilegais. Na Índia, onde o aborto é legalizado desde 1971, estima-se que dos cerca de 7 milhões de abortos anuais, somente 10% sejam realizados legalmente. Apesar da legalização, o aborto ainda é responsável por 12% das mortes maternas. Em Cuba, dados da ONU, em 1996, mostram que 60% dos abortos ainda são ilegais. No Vietnã, pela falta de recursos, mesmo os abortos legais são realizados em condições desfavoráveis. Outro argumento utilizado pelos abortistas seria a alta taxa de mortalidade em abortos ilegais. Dados da Organização Mundial da Saúde, de 1995 a 2000, indicam um baixo índice de morte materna devido ao aborto ilegal na América Latina: cerca de 1 por 1.000 abortos, número que deve diminuir com o uso crescente de medicações para induzi-lo. O aborto ilegal praticado hoje no Brasil é realizado principalmente com o uso do misoprostol ou pílulas com altas dosagens hormonais, não ocorrendo as graves complicações infecciosas que são a grande causa de morte após a sua realização. Sabemos que o aborto legal também comporta riscos como a perfuração uterina, perfuração intestinal, hemorragias, reação à anestesia, infecção, infertilidade, incompetência cervical uterina com abortamentos espontâneos e risco de prematuridade.

 

6) Razões psicológicas:

 

Têm-se dado atenção a problemas psicológicos após o aborto induzido, especialmente depressão. Um estudo em Campinas (1996), da UNICAMP, mostrou que de 103 mulheres que disseram ter pensado em abortar, 83% das que terminaram por não fazer o aborto disseram ter-se sentido felizes, aliviadas e não arrependidas da decisão. Por outro lado, quase metade das que abortaram referiu ter-se sentido mal emocional e/ ou fisicamente.

 

7) Razões políticas:

 

Todos que estudam de alguma maneira o aborto, sabem do famoso relatório Kissinger, criado pelo então secretário de Estado dos EUA, afirmando que o crescimento da população de outros países colocaria em risco as reservas naturais existentes no mundo, necessárias para os EUA. Recomenda uma campanha agressiva para a realização de esterilização, distribuição de anticoncepcionais e estímulo ao aborto nos países do terceiro mundo. Vemos claramente uma intromissão em nossa soberania.

 

8) Razões do verdadeiro feminismo:

 

Dizem que o aborto ilegal é responsável por 10% das mortes maternas na gestação (dados não confirmados por alguma estatística oficial). Mas sabemos que outras patologias não diagnosticadas ou tratadas (90% das causas de morte relacionadas à gestação), pela falta de um pré-natal e/ou por falta de formação médica adequada, não são prioridade para o atual governo. Não vemos alguma campanha pelo pré-natal, nem das que se intitulam "feministas".

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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