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Pergunte e Responderemos 522 – dezembro 2005

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ANTIGREJA, UM "SITE" ATEU

 

Pela internet tem-se propagado uma campanha de ateísmo que, citando frases de pensadores diversos, ridiculariza a Religião e, de modo especial, o Catolicismo. Visto que tais objeções são o eco de quanto se ouve, por vezes na conversa de cada dia, as páginas subseqüentes considerarão as principais de tais afirmações e lhes apresentarão resposta.

 

1. Deus e o mal

 

O ateu: "Se Deus não sabe que existe o mal, Ele não é onisciente. Se Deus sabe que existe o mal, mas não o pode evitar, Ele não é onipotente. Se Deus sabe que existe o mal, pode evitá-lo, mas decide não o evitar, Ele não é onibondoso.

 

Se Deus é onisciente, Ele sabia que Adão e Eva iam pecar. Se é onipotente, podia tê-lo evitado. Se é misericordioso, sem dúvida alguma tê-lo-ia evitado... Nenhuma destas três qualidades Deus a tem.

Se existisse um Deus todo-poderoso e bom, teria feito exclusivamente o bem".

 

O cristão: Procederemos por etapas:

 

a) Deus, por definição filosófica ou meramente racional (não apenas pela fé), é o Ser Perfeito, que tudo conhece e tudo pode. Não está sujeito a críticas da criatura, como se o homem fosse mais perfeito do que Deus.

 

Mas então como se explica a existência do mal no mundo?

 

b)  O mal não é uma entidade positiva ou um ser subsistente em si mesmo. O mal é a carência de um bem que deveria existir e não existe, à semelhança das trevas, que não são ondas negras, mas são simplesmente a ausência de luz. O maniqueísmo na antigüidade julgava que havia dois princípios antagônicos - o Bem e o Mal - disputando a hegemonia deste mundo. S. Agostinho (+430) chegou a aderir a tal teoria, mas abandonou-a.

 

c)  Em conseqüência vê-se que o mal não tem causa direta: ninguém causa o nada. Só pode ser causado indiretamente por uma causa que produza o bem inacabadamente ou imperfeitamente, ou seja, por uma criatura limitada como ela é.

 

d) Está claro assim que Deus não pode ser causa do mal; não se lhe podem atribuir as desgraças da história dos homens.

 

e) O que Deus fez, foi criar seres necessariamente limitados em suas perfeições. Não seria lógico dizer que Deus podia criar um ser dotado de perfeições ilimitadas, pois este seria um outro Deus; não pode haver dois Infinitos. Por conseguinte, se Deus quis criar, não podia criar seres infalíveis; a falibilidade é inerente ao conceito de criatura.

 

f) Ora onde há falibilidade, compreende-se que as falhas ocorram. Foi o que aconteceu e acontece em nosso mundo.

 

g) Deus não quer evitar as falhas das criaturas, pois é mais nobre deixar que elas procedam de acordo com as leis de sua natureza. Isto é especialmente verídico quando se trata da liberdade de arbítrio do homem, prerrogativa que dignifica singularmente a natureza humana; Deus, que a deu, respeita-a.

 

h) Então qual é o papel de Deus diante dos males dos homens?

 

Deus não lhes é indiferente. Diz S. Agostinho que Deus nunca permitiria o mal se não tivesse recursos para tirar do mal bens ainda maiores. Esta afirmação se baseia precisamente na perfeição divina: Ele respeita a liberdade humana, mas não é indiferente aos seus acidentes; Ele sabe remediar-lhes como só Deus o sabe.

O caso mais evidente dessa intervenção medicinal de Deus é a Encarnação de Deus Filho, que se tornou o segundo Adão para resgatar a função mal desempenhada pelo primeiro Adão; este foi até a morte por desobediência ou por desamor; aquele foi até a morte por obediência ou amor.

 

i) Nem sempre vemos os bens que resultam de algum mal, mas em alguns casos eles são evidentes. Com efeito; uma pessoa de vida muito ativa que frature uma perna, verá nisto uma desgraça, mas, uma vez recuperada, perceberá que foi uma graça, pois parou um pouco, refletiu sobre sua vida e reajustou os ponteiros...

 

Eis como se compatibilizam entre si Deus e a existência do mal. Deus não é a causa do mal, mas é o Médico que lhe propõe o necessário remédio.

 

2. A Fé

 

O ateu: "A Fé pode ser definida brevemente como uma crença ilógica na ocorrência do improvável".

"Não sou um ateu total: todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro" (José Saramago).

 

"Não acredito em Deus, porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida viria falar comigo e entraria pela minha porta adentro, dizendo-me: Aqui estou!" (Fernando Pessoa).

"Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, nasceu o primeiro Deus" (Millor Fernandes).

 

O cristão: Distingamos entre fé e crendice ou superstição.

 

Fé é um ato da razão (faculdade nobre) que toma consciência de que a verdade não acaba quando acaba o alcance do intelecto, por isto, diz Sim ao Invisível devidamente credenciado. A fé portanto não é um ato cego, meramente sentimental, mas é a expressão da racionalidade do homem que se aplica ao Ser mais digno. Ela se baseia em credenciais, que lhe indicam por que crer... por que crer nisso ou naquilo... A fé se segue a uma investigação movida pela inteligência.

 

b) A crendice e a superstição é que são atitudes cegas, derivadas do senso religioso inato no homem, mas desligado da razão; esta é o crivo para distinguir o que merece ser acreditado e o que não o merece. Todavia, mesmo deficiente como é, a crendice atesta o senso religioso inato em todo homem; este é, como a agulha magnética, agitado enquanto não repousa no Norte que o atrai e que é Deus.

 

c) Deus permanece invisível e não bate à porta do escritório do homem... Na verdade Deus permanece invisível aos olhos do corpo, mas é patente aos olhos da mente. Sim; pode-se provar a existência de Deus sem apelar para a fé; a razão atinge Deus como o Grande Relojoeiro que fabricou este mundo, comparável a um relógio (não há relógio sem relojoeiro). Quanto mais a ciência progride, tanto mais ela desvenda as maravilhas do macrocosmo e do microcosmo; assim Deus dá sinais de Si.

 

3. A imutável Palavra de Deus

 

O ateu: ridiculariza a Escritura Sagrada, valendo-se da Lei de Moisés:

 

"Levítico 25,44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que eu não posso possuir canadenses?

 

Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35, 2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo eu mesmo?

 

Um amigo meu acha que mesmo que comer moluscos seja uma abominação (Levítico 11,10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?

 

Levítico 21, 20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?

 

A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levítico 19, 27. Como eles devem morrer?

 

Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11, 6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco).

 

Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levítico 19, 19 plantando dois tipos diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levítico 19, 19, porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levítico 24, 10-16)? Nós não poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levítico 20, 14)?

 

Eu sei que você, Dra. Laura Schlessinger, estudou essas coisas a fundo; então estou confiante que possa ajudar. Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável.

 

Para quem pensa em argumentar que Jesus veio para mudar tudo isso, é sempre bom lembrar o que o Filho falou sobre mudar a palavra do Pai: 'Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir' (Mateus 5, 17)".

 

O cristão: A palavra de Deus é certamente imutável... Imutável dentro do seu gênero literário. Ora os preceitos citados pelo interlocutor ateu são normas de comportamento dadas a um povo de dura cerviz ou rude e infantil. O Senhor Deus faz-se de Pedagogo e impõe a esse povo diretrizes condizentes com a sua capacidade de compreensão; por conseguinte são normas provisórias que visam a levar o povo de Israel a um nível superior a partir das condições em que se acha.

 

Jesus não veio abolir a Lei de Moisés na sua dinâmica e na sua expectativa, mas, ao contrário, veio levar a termo e realizar plenamente as promessas feitas a Israel.

 

O progresso da pedagogia divina é evidente no caso da lei do talião. Esta, prescrevendo "dente por dente, olho por olho...", era uma forma primitiva de garantir a justiça. A pessoa lesada não "faria justiça com as próprias mãos", arbitrariamente, mas tinha o padrão indicado para se ressarcir. No Novo Testamento persiste o talião, mas em termos novos e nobres:

 

"Daí e vos será dado. Será derramada no vosso regaço uma boa medida calcada, sacudida, transbordante, pois, com a medida com que medirdes, sereis medidos também vós" (Lc 6, 38).

 

4. A Bíblia, livro inspirado

 

O ateu: "A inspiração da Bíblia depende da ignorância da pessoa que a lê.

Às mulheres ainda sentirão orgulho por jamais terem contribuído com uma linha sequer na redação da Bíblia.

Quando se lhes pergunta se aceitam a evolução, 45% dos americanos dizem que sim. A proporção é de 70% na China.

Quando o filme 'Parque dos dinossauros' foi exibido em Israel, foi condenado por rabinos ortodoxos, porque propõe a evolução das espécies e ensina que os dinossauros viveram centenas de milhões de anos atrás, quando toda cerimônia de casamento judaica proclama que o universo tem menos de 6.000 anos de existência.

 

O cristão: Notemos bem: inspiração bíblica não é revelação, não comunica ao autor sagrado noções novas, não contidas na cultura do seu tempo. Consiste em que o Espírito Santo ilumine a mente do escritor para que, utilizando os conceitos que ele tem, escreva uma mensagem fiel ao pensamento de Deus ou uma mensagem divino-humana com finalidade religiosa e não profana. Isto significa que

 

-   a idade do mundo não pode ser calculada a partir dos anos ou séculos de vida atribuídos aos Patriarcas em Gn 4. Esses séculos de vida não têm valor aritmético, mas simbolizam venerabilidade, autoridade, capacidade de manter e transmitir as tradições.

-   a Bíblia tem seus gêneros literários (prosa, poesia, parábolas, apocalipses, midrachim ou história descrita sapiencialmente...). O leitor é convidado a discernir esses gêneros literários a fim de não tomar ao pé da letra o que exige entendimento metafórico. Além do mais, leve-se em conta que a cultura dos judeus pré-cristãos diferia da moderna em vários aspectos e deve ser reconhecida como tal.

 

5. A origem de Deus

 

O ateu: "Deus existiu sempre? Que é sempre? Deus criou-se a si próprio para depois começar a criar o universo? Onde é que estava quando se criou a si próprio? E como é que alguém se cria a si próprio? Do nada, passando do nada ao ser? Se o nada existiu, tudo que veio depois estava contido no nada. Mas se estava contido no nada, então o nada não existia". José Saramago, Playboy de Out/98.

 

O cristão: A questão está mal colocada. Deus não é criado. Criar a si mesmo é ilógico, pois significa ter e não ter existência ao mesmo tempo.

 

Deus é o Absoluto necessário para explicar o conjunto de seres relativos que existem neste mundo. Ele é o Necessário, exigido para fundamentar a série de seres contingentes (que existem não necessariamente, pois poderiam não existir) existentes neste mundo.

 

6. Diversos

 

6.1. O ateu: "Dizer que um crente é mais feliz do que um cético é como dizer que um bêbado é mais feliz que um sóbrio".

 

O cristão: O interlocutor compara o fiel a um embriagado... Isto só pode decorrer da falta de experiência do que é a vida de fé. Dizemos que ela é o antegozo da vida celeste; o Deus que faz a felicidade dos justos no céu é o mesmo que o fiel encontra na terra. Feliz quem se abre generosamente às suas inspirações!

 

Verdade é que o comportamento do cristão pode às vezes parecer o de um enlouquecido, pois os critérios do fiel não são simplesmente os da razão, mas os da Cruz e do Sobrenatural. Diz São Paulo: "O que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios" (1 Cor 1,27).

 

"Os judeus pedem sinais; os gregos andam em busca de sabedoria. Nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo e para os gentios é loucura" (1 Cor 1, 22s).

 

6.2. O ateu: "Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível".

 

O cristão: A religião do temor é religião infantil. O fiel amadurecido ama a Deus porque Ele é o Sumo Bem e o Amor que nos amou por primeiro (cf. 1 Jo 4,19). É claro, porém, que servir a Deus é nobilitar-se e auto-realizar-se, de modo que não é possível uma vivência cristã que não almeje também a consumação do indivíduo na santidade e na conseqüente bem-aventurança celeste.

 

O amor a Deus foi tão forte em alguns Santos que julgaram poder dispensar o interesse pela recompensa eterna. É o que se exprime no seguinte soneto-oração atribuído a Santa Teresa de Ávila:

 

Não me move, Senhor, para querer-te, O céu que me tens prometido. Nem me move o inferno tão temido, Para deixar por isso de ofender-Te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-Te Cravado nessa cruz e escarnecido.

Move-me ver teu corpo tão ferido. Move-me tua dor e tua morte.

Move-me, enfim, teu Amor de tal maneira, Que, não havendo céu, eu Te amara E, não havendo inferno, eu Te temera.

Nada tens que me dar para que te queira, Porque, se o que ouso esperar, não esperara. O mesmo que Te quero, Te quisera.

 

6.3. O ateu: "As instituições religiosas são a cegueira do pensamento crítico".

 

O cristão: Distingamos sempre a autêntica Religião e as crendices institucionalizadas.

 

A autêntica Religião é inspirada por um ato da inteligência que reconhece o Transcendental e o proclama. Muitos homens e mulheres de alto valor cultural aderiram e aderem à genuína Religião, exercendo crítica construtiva onde seja pertinente; entre eles assinalam-se cientistas de renome internacional.

 

A crendice, porém, e a superstição deturpam o conceito de Religião. Não poucos governantes e dirigentes se aproveitaram do fraco senso religioso de muitos crentes para os dominar em nome da própria religião; é o que se manifesta nos dizeres atribuídos ao Imperador Napoleão Bonaparte:

 

"Religião é algo de excelente para manter as pessoas comuns quietas".

 

Em nossos dias pode-se mesmo dizer que a religião tem sido o esteio (ou o pretenso esteio) para fomentar reivindicações em prol de uma sociedade mais justa e fraterna.

 

Fazendo eco às palavras acima, temos os dizeres de Sêneca, filósofo estóico falecido em 65 d.C:

"A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa e pelos governantes como útil".

 

A afirmação só pode referir-se à religiosidade mal instruída e deformada. A Religião é por si um fator que desenvolve as mais nobres qualidades da pessoa humana.

 

6.4. O ateu: "Saímos da realidade e criamos perspectivas que nos levaram a imagem de Deus e de uma alma humana imortal, concepções tão fúteis e vazias quanto as da velha mitologia" (Silva Mello).

 

O cristão: Está em jogo o conceito de ser humano; terá sido feito para se contentar apenas com os bens materiais, bens que seriam a resposta cabal aos seus anseios? Ou o ser humano existe para ultrapassar constantemente a si mesmo (como dizia Pascal +1662), chegando a atingir o Infinito? A segunda alternativa tem sido a dos homens de todos os tempos; a Religião (bem ou mal concebida) tem sido uma constante espontânea na história dos homens. Até mesmo nos países sujeitos a regimes de ateísmo militante, que procuraram erradicar o senso religioso da população, a religiosidade tem ressurgido normalmente dos seus esconderijos, como se pode registrar na Rússia Soviética e nos seus satélites. Dir-se-ia que os bens materiais não bastam para preencher os anseios do homem (nem dinheiro, nem glória, nem poder...). O Fabricante do homem colocou nele o seu sinete, que é um apelo ao Transcendente e Absoluto. O ser humano é inquieto enquanto não se volta para o Infinito, que consciente ou inconscientemente o atrai. Muito importa que essa demanda do Infinito não seja desligada da razão para não cair nos devaneios da fantasia, como aconteceu no caso do interlocutor abaixo:

 

"Através dos anos percebi que o deus pra quem eu rezava era o deus que eu inventei. Quando eu falava com ele, falava comigo mesmo. Ele não tinha conhecimento ou qualidades que eu não tenho. Quando percebi que deus era uma extensão da minha imaginação, parei de rezar pra ele". Howard Kreisner, âncora do programa 'The American Atheist Hour".

 

CONCLUSÃO

 

Na verdade, verifica-se que muitos problemas religiosos são colocados sem fundamento ou em virtude de falsa informação sobre o conteúdo da Religião. Em nossos dias torna-se imprescindível que cada fiel saiba dar contas da sua esperança (cf. 1Pd 3, 15) mediante o estudo aprofundado do Credo. Para tanto existem não somente o Catecismo, mas também o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, que assim se abre:

 

CAPÍTULO PRIMEIRO

 

O homem é "capaz" de Deus

Tu és grande, Senhor, e muito digno de louvor [...]. Tu nos fizeste para ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em ti" (Santo Agostinho).

 

2. Por que há no homem o desejo de Deus?

 

O próprio Deus, ao criar o homem à própria imagem, inscreveu no coração dele o desejo de o ver. Ainda que esse desejo seja com freqüência ignorado, Deus não cessa de atrair o homem a si, para que viva e encontre nele aquela plenitude de verdade e de felicidade que procura sem descanso. Por natureza e por vocação, o homem é, portanto, um ser religioso, capaz de entrar em comunhão com Deus. Essa íntima e vital ligação com Deus confere ao homem a sua fundamental dignidade.

 

3. Como se pode conhecera Deus apenas com a luz da razão?

 

Partindo da criação, ou seja, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, simplesmente com a razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita.

 

4. Basta apenas a luz da razão para conhecer o mistério de Deus?

 

O homem, ao conhecer a Deus apenas com a luz da razão, encontra muitas dificuldades. Além do mais, não pode entrar sozinho na intimidade do mistério divino. Por isso, Deus quis iluminá-lo com a sua Revelação, não somente sobre verdades que superam a compreensão humana, mas também sobre verdades religiosas e morais que, embora acessíveis de per si à razão, podem ser assim conhecidas por todos sem dificuldade, com firme certeza e sem mistura de erro.

 

5. Como se pode falar de Deus?

 

Pode-se falar de Deus a todos e com todos a partir das perfeições do homem e das outras criaturas, as quais são um reflexo, embora limitado, da infinita perfeição de Deus. É preciso, todavia, purificar continuamente a nossa linguagem de tudo o que contém de imaginativo e de imperfeito, sabendo-se que não se poderá jamais exprimir plenamente o infinito mistério de Deus.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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