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Pergunte e Responderemos 347 – abril 1991

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Fraternidade na Prisão

 

Em síntese: Vão, a seguir, publicados dois relatos concernentes a um jovem russo que do ateísmo se converteu ao Catolicismo. Foi internado em hospital psiquiátrico e em campo de concentração, onde viveu a solidariedade com outros irmãos cristãos (ortodoxos e protestantes); o senso de fraternidade se avivou fortemente entre esses prisioneiros, ao mesmo tempo que registravam doloridos a divisão existente entre os discípulos de Cristo. Esta experiência inspirou aos jovens a manifestação do seu desejo de unidade entre os cristãos; a provação e a dor derrubam as barreiras da separação; não devem, porém, relativizar o senso da verdade. É São Paulo quem Incita a praticar a verdade em clima de amor fraterno (cf. Ef 4,15).

 

O Boletim BSS, da Associação dos Serviços de Informação Cristã de França, n° 723, de 19/09/90, pp. 7s, apresenta a interessante história de um jovem russo convertido do ateísmo para o Catolicismo. Tendo-se tornado militante da fé, foi internado em hospital psiquiátrico e depois em campo de concentração (Gulag). Aí juntamente com seus companheiros cristãos (ortodoxos e protestantes) verificou de perto quão necessário é superar as divisões existentes entre os discípulos de Cristo. O sofrimento comum aproxima os homens (os cristãos especialmente) entre si e os leva a reconhecer que são uma só grande família, que Jesus veio reunir na sua única Igreja fundada no dia de Pentecostes sob o pastoreio de Pedro e dos Apóstolos. Da experiência dos jovens em foco provieram dois textos, que vão publicados a seguir em tradução portuguesa.

 

1. A "Oecumena", escola de unidade e de vida

 

"Sandr Riga conheceu tudo e o pior de tudo: o hospital psiquiátrico. E, não obstante, resistiu à provação na época não remota em que era perigoso na URSS professar a fé. Mas o que também o fazia sofrer, era a divisão dos cristãos. O campo de concentração os tinha reunido, mas os séculos continuavam a separá-los. Sandr Riga e seus amigos não se dividiram em partidos. Fundaram os grupos Oecumena, nos quais, guardando respeito à confissão religiosa de cada um, católicos, ortodoxos e protestantes se encontravam para rezar.

 

'Isto me pareceu superstição. Todavia eu queria ler a Bíblia e pus-me a procurá-la assiduamente. Então, pela primeira vez eu me dirigi ao Senhor e pedi-lhe que me desse esse livro. No dia seguinte, na igreja, conheci alguém que me ofereceu uma Bíblia ainda nova'.

 

Começou uma longa procura, marcada por revoadas e quedas. 'Minha vontade e minha razão resistiram até o último cartucho. E finalmente entreguei-me. Consegui a vitória!'

 

Sandr se despojou do velho Adão e entrou numa vida nova. Entrementes ele se domiciliou em Moscou. Como os jovens soviéticos que se convertiam naquela época, ele experimentou uma aguda necessidade de viver o Cristianismo na sua dimensão comunitária, o que era impossível dentro do quadro das instituições eclesiais, que tinham apenas o direito de celebrar o culto. Particularmente causou-lhe escândalo a divisão dos cristãos, à qual ele não se podia resignar.

 

Uma escola de Ecumenismo: o Gulag

 

'Éramos amigos. Queríamos caminhar juntos. Acabávamos de nos converter, estávamos cheios de força e otimismo. . . Ao ouvir-nos, muitos encontraram o caminho de Deus, renunciaram às drogas, às bebidas. .. Muitos começaram a freqüentar a igreja. Nós nos tornáramos ortodoxos, católicos, protestantes. Nossa conversão, nossa entrada na igreja causava grande alegria, mas, sempre quando nos encontrávamos, uma questão nos atormentava: após ter escolhido uma determinada confissão religiosa, nossos caminhos haveriam de se distanciar uns dos outros?'

 

Foi assim que, a partir de 1971, em torno de Sandr, que é católico, novos convertidos de diversas denominações cristãs começaram a se encontrar, reunindo-se regularmente em pequenos grupos dentro de apartamentos em Moscou, Riga e em outras cidades. 0 seu movimento tomou o nome de Oecumena. Não estava centrado no diálogo ecumênico propriamente dito, mas na oração comum, na mútua ajuda, no mútuo apoio, na tarefa de evangelização e na ação caritativa.

 

Os membros de Oecumena foram pioneiros, pois, se a preocupação de ação caritativa está atualmente espalhada entre cristãos da URSS, quase não se podia falar disso outrora; aliás, é verdade que isto é proibido pela lei soviética. Mais ainda: não existe até hoje na URSS alguma instância ou algum quadro no qual se encontrem cristãos de diferentes confissões (por certo há um lugar em que ortodoxos, católicos e protestantes aprenderam a se conhecer mutuamente e viveram uma autêntica fraternidade, gérmen de genuíno Ecumenismo: o Gulag).

 

Várias figuras da geração dos neo-convertidos da década de 70 deram os seus primeiros passos nesse tipo de comunidade.

 

Creio que a Oecumena foi e é, antes do mais, uma escola de vida cristã. Sandr lá desempenhou o seu papel, sem impor coisa alguma, em atitude de serviço e humildade, com muito tato e delicadeza, mansidão, não mansidão mole, mas mansidão unida a um espírito resoluto. . . com uma ponta de humor. Bondade e verdade, amor e verdade, estas palavras que ele encontrou copuladas ao ler a Bíblia, tornaram-se a sua divisa. 'Compreendi que o amor não era sempre conforme à verdade e que a verdade não era sempre tolerante e benévola. Tentar fazer a síntese do amor e da verdade, fazê-los correr num fluxo único de atos e de convicções tornou-se a obra de toda a minha vida'.

 

Mais do que o campo de concentração: o hospital psiquiátrico

 

A Oecumena publicou em samizdat (edição clandestina) uma revistinha: 'O Apelo'. Tinha a tiragem de algumas dezenas de exemplares. Nas circunstâncias de outrora, isto era uma verdadeira façanha.

 

As atividades de Sandr acarretaram-lhe ser espreitado regularmente e convocado pelo KGB (Polícia). Em 1984, ele foi preso. . . 'Não reneguei a Deus nem traí meus amigos', pôde dizer após ser libertado em 1987.

 

Nenhum vestígio de revolta ou de ódio

 

. . . Depois da sua libertação em 1987, uma grande alegria seria dada a Sandr: apesar das perseguições, a Oecumena não morrera, os grupos reapareciam, fortaleciam-se e enxameavam. O periódico 'O Apelo' recomeçou suas edições (sempre sob forma de samizdat ou clandestinamente). Acrescentou-se-lhe outra revista, de orientação mais cultural: 'O Cálice'. Em Moscou a Oecumena organizou cursos de Catecismo para crianças de 5 a 9 anos, encontros de jovens, serões de estudo de problemas da Igreja, de cultura cristã no Ocidente e no Oriente. . . Em junho, com outras comunidades, a Oecumena reuniu nas proximidades de Moscou mais de uma centena de jovens cristãos, de diversas confissões, provenientes de Moscou, Riga, Odessa, da Lituânia, da Polônia, para participar de um acampamento de verão. Foi a primeira iniciativa desse tipo na URSS.

 

Após a libertação de Sandr, a Oecumena organiza todos os anos em Moscou, no dia 16 de setembro, um Encontro de todas as comunidades esparsas através da URSS. Representantes de movimentos ecumênicos de outros países também participaram do Encontro de 1990"

 

2. O Encontro de 1990

 

Precisamente o Encontro de jovens cristãos realizado em Moscou no mês de setembro de 1990 deu ensejo à seguinte notícia retirada do mesmo Boletim no 723, p. 5:

 

"Moscou, 19 de setembro de 1990. Pela primeira vez pode ser organizado um acampamento de verão, que reuniu cristãos em Indrochino (Moscou) no mês de junho de 1990.

 

Como eco desse acampamento, um dos participantes redigiu a comunicação seguinte:

 

'Somos todos filhos do mesmo Pai. É por Ele que somos salvos; é nele que vivemos. Eis por que nos reunimos nesse primeiro acampamento de verão cristão de Moscou. Reunimo-nos para verificar que, por maiores que sejam as barreiras que nos separam (étnicas, culturais, políticas, confessionais), somos todos cristãos e este fato é eficaz para nos fazer sentir nossa unidade.

 

O Cristo é maior do que todas as nossas diferenças. No Cristo não há limites para o amor, não há motivos de divisão entre aqueles que vivem os seus mandamentos. Lembrando-nos do principal deles: 'Amai-vos uns aos outros', nós nos reunimos para 'experimentar o reconforto da nossa fé comum' (Rm 1,12) e nos regozijar na diversidade mesma do nosso amor e da nossa fé.

 

Hoje infelizmente os cristãos não podem beber do mesmo cálice e partir o mesmo pão. É esta a tragédia da Igreja Universal. Mas podemos superar a desconfiança e a inimizade entre as diversas confissões começando por nós mesmos, isto é, permanecendo fiéis à nossa própria tradição e vendo no outro um irmão em Cristo. É este o nosso dever para com o Salvador e para com a Igreja. Possam os homens reconhecer os cristãos a partir do seu amor mútuo e não a partir das suas rixas.

 

Rezemos para que o nosso primeiro acampamento de verão cristão de Moscou seja um novo fermento que levante a massa. Rezemos para que lance sementes que darão os frutos do arrependimento, da humildade e do amor, de que todos nós temos necessidade."

 

Os textos atrás transcritos são significativos por despertarem no leitor a questão da aproximação dos cristãos entre si. Todavia esta não poderá ser entendida em sentido relativista, como se as divisões entre cristãos fossem apenas decorrentes de falta de caridade ou de má vontade. O genuíno amor é sempre expressão da verdade. São Paulo ensina: "Seguindo a verdade em amor, cresceremos em tudo em direção aquele que é a Cabeça, Cristo" (Ef 4, 15). Isto quer dizer: a reunião dos cristãos entre si há de ocorrer sem detrimento da verdade revelada por Jesus Cristo e entregue à Igreja chefiada por Pedro. A necessidade desse reencontro dos discípulos de Cristo, irmãos uns dos outros, se torna mais patente sempre que os cristãos sofrem conjuntamente e experimentam o apelo à solidariedade fraterna. Possam as inclemências da vida atual excitar nos cristãos dispersos pelo mundo a sede de unidade e uma operosidade eficiente em prol da mesma!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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