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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 402/Novembro 1995

Conversões e Testemunhos

Personalidade heróica:

A GRANDE FIGURA DE HELEN KELLER

Em síntese: As páginas que se seguem, apresentam textos biográficos e autobiográficos de Helen Keller, a escritora e conferencista norte-americana cega, surda e muda, que se tornou famosa por ter conseguido superar as deficiências físicas mediante força de vontade e educação adequada. O caso dessa heroína, surpreendente e atesta com eloqüência que não se pode aquilatar o valor de uma vida humana pelo gozo de bens corpóreos ou materiais. O ser humano não é máquina que, quando deteriorada sem conserto, deva ser retirada de circulação. Há, na pessoa humana, algo mais do que matéria: existe, sim. uma alma espiritual, capaz de descobrir o sentido da vida e do sofrimento mesmo nos casos que, à primeira vista, parecem irremediáveis. Quem concebe um ideal de vida, encontra em seu íntimo a força, a fim de superar obstáculos e até mesmo tornar-se herói e mestre para seus semelhantes. Está claro que a graça de Deus é dada a cada ser humano para que, a partir das suas potencialidades pessoais, chegue a grandeza de uma personalidade única e irrepetível (visto que cada qual é singular na sua individualidade).

 

* * *

Helen Keller (1880-1968), norte-americana, cega, surda e muda, tornou-se uma escritora e conferencista de renome internacional. Educada por Anne Sullivan para utilizar o tato e o olfato, conseguiu chegar ao nível universitário e deixou obras escritas, dentre as quais se destaca "A História da Minha Vida" (Livraria José Olympio Editora). Jun­tamente com esse relato autobiográfico, a editora publicou cartas de Helen Keller e o depoimento de John Macy, esposo da preceptora Mrs. Anne Mansfield Sullivan, que acompanhou assiduamente a jovem deficiente. A importância dessa heroína é tal que, nas páginas seguintes, apresentaremos trechos do livro em foco, visando assim a tornar mais conhecida tão grandiosa figura. Helen Keller viajou pela Europa e a Ásia em 1946 e 1948, procurando dirigir-se aos deficientes daquelas regiões a fim de estimulá-los a viver corajosamente.

 

1. DADOS BIOGRÁFICOS E AUTOBIOGRÁFICOS

 

Eis como Helen Keller descreve o baque que a mutilou fisicamente:

"Gozei apenas uma doce primavera, ouvindo, maravilhada, o canto do pintarroxo e do gaturamo; um verão ameno, vendo cair, a meus pés, rosas cheias de aroma; ainda vi o outono dourar a mata. Cedo, porém, chegou o fatídico Fevereiro; veio a desgraça da doença que havia de fazer-me cega e surda, sepultando-me na inconsciência de um recém-nascido. O médico diagnosticou congestão aguda do cérebro e do estômago, dizendo que eu não escaparia.

Certa manhã, porém, a febre deixou-me bem cedo, tão brusca e misteriosamente como viera. Houve grande alegria em casa, sem que ninguém, nem mesmo o médico, suspeitasse que eu estava irremediavelmente cega e surda para sempre" (p.11).

De então em diante, Helen foi acompanhada e orientada pelos pais, os familiares e amigos. Dentre estes destaca-se a preceptora Miss Ana Mansfield Sullivan: tinha vinte anos de idade quando se aproximou de Helen; fora cega e estava parcialmente curada da cegueira; graduara-se no Perkins Institute forthe Blinds of Boston; em um mês Miss Sullivan conseguiu transmitir os rudimentos da linguagem tátil a Helen. Esta aprendeu aos poucos a ler, escrever e falar até em línguas estrangeiras mediante sinais, sob a constante orientação de sua preceptora, que faleceu em 1936. O caso de Helen Keller é o mais extraordinário de todos os que se conhecem em matéria de educação de cegos, surdos e mudos. A heroína conseguiu um vasto cabedal de conhecimentos, ultrapassando a média de pessoas sadias.

Já com vinte anos de idade Helen escreveu sua autobiografia intitulada "A História de Minha Vida". O tradutor fez-lhe a seguinte observação:

"Foi a própria biografada quem escreveu o livro, aos vinte anos de idade, apesar das tremendas dificuldades que teve de enfrentar, numa das maiores demonstrações de tenacidade e coragem já feitas sobre a Terra... O quadro dessa vida é... lição ao mundo inteiro e sublimação do ser humano" (ob. cit., p.167).

 

John Macy assim se refere à origem da mudez de Helen Keller:

"Quando perdeu a vista e o ouvido, estava aprendendo a falar. Seu balbuciar de bebê já se ia transformando na reprodução oral do pensamento. A doença, porém, estancou esse progresso: quando Helen recobrou as forças, começou a falar, indistintamente, o pouco que sabia, porque não dispunha mais do ouvido. Emitia gritos e elementos de palavras com muita naturalidade, mas sem intenção de comunicar idéias: era como que uma necessidade de exercitar a voz, ou a manifestação de seus impulsos inatos de linguagem" (p.322).

Em 1896, com dezesseis anos de idade, Helen mencionava as dificuldades que encontrou no aprendizado:

 

"Tantas eram as barreiras no caminho, tantas as dificuldades, que eu chegava a achar que Deus não queria que eu falasse. Mas perseverava sempre. Enquanto forcejava, construía castelos e sonhava com o grande dia em que viria a falar como toda a gente. E a idéia do prazer que minha mãe teria quando me ouvisse falar, amenizava o sacrifício e tornava os insucessos em estímulos para tentativas novas. Por isso é que eu desejo dizer aos que estão aprendendo a falar e aos seus mestres: estai sempre de boa mente. Não penseis nos insucessos de hoje, mas nas vitórias de amanhã. A tarefa é ingrata, mas o triunfo confortador. Haveis de ter o prazer de contemplar os obstáculos transpostos. No vencer as rudezas do caminho, sentireis alegrias que não teríeis nunca, fosse a estrada confortável e pudésseis caminhar direito. Lembrai-vos de que, na conquista do belo, todo esforço é pouco. Algum dia, num canto esquecido, achareis o desejado. Havemos de falar e havemos de cantar, porque Deus quer nossas palavras e nossos cantos" (p.327).

 

John Macy assim descreveu o porte de Helen Keller:

"Mark Twain disse que as duas figuras mais interessantes do século 19 foram Napoleão e Helena Keller. O sentimento de admiração que Miss Keller despertou em todo o mundo é plenamente justificado pelos resultados que obteve a golpes de energia e inteligência sem par. Muitos têm escrito a seu respeito. Basta-nos juntar aqui algumas informações complementares ao que já se conhece de tal personalidade.

Miss Keller é alta, robusta e de boa saúde. Parece mais nervosa do que é. A ilusão provém do seu modo de exprimir-se, gesticulando, o que não é habitual entre os povos de língua inglesa. A causa dessas maneiras é que as mãos foram, por muito tempo, seu único meio de expressão. Elas adquiriram, assim, mobilidade análoga à dos olhos das moças em geral. Além disso, todos os mudos têm propensão natural para gesticular.

 

Quando Miss Keller fala, sua fisionomia exprime animação e revela o mundo de seus pensamentos. As contínuas mudanças fisionômicas, sempre eloqüentes, esclarecem e completam sua expressão verbal. Miss Keller não pode ler a fisionomia daqueles com quem fala. Não obstante, ao conversar com amigos de intimidade, ela lhes passa ligeiramente a mão no rosto para sentir a contração da boca.

 

Deste modo completa o sentido das frases que acabamos, inconscientemente, pelo tom da voz ou piscar dos olhos. Ela guarda uma recordação notável das pessoas. Lembra-se da pressão que caracteriza o aperto de mão de cada qual de seus amigos, distinguindo perfeitamente uns dos outros.

 

O bom humor é o traço mais marcante no caráter de Helena Keller. A habilidade com que usa os vocábulos e o costume de brincar com eles dão-lhe notável presteza no jogo das frases.

 

Certa vez, alguém lhe perguntou se gostava de estudar.

 

- Sim, replicou, mas gosto também de brincar. Há momentos em que me parece que sou uma caixa de música, com muitas peças alegres dentro de mim, prontas a sair a todo instante" (pp.225s).

"Quando quis aprender a falar, não descansou enquanto não a levaram à presença da professora que se encarregaria de ensiná-la. Era a única confiante no sucesso de seu novo cometimento. Uma vez em contato com essa mestra, não a deixou mais, enquanto não se viu necessariamente encaminhada, com surpresa de quantos a rodeavam. Foi a mesma perseverança que a fez ingressar no Colégio.

De posse do certificado de admissão à Universidade, os superiores desse estabelecimento desaconselharam-lhe o prosseguimento dos estudos. Ela consentiu apenas na espera de um ano, mas levou por diante o seu propósito, matriculando-se em Radcliffe, de onde, afinal, saiu laureada.

 

Toda a sua existência foi uma série de tentativas para viver a vida como toda a gente, a despeito de sua dupla enfermidade. Nesse forcejar por assemelhar-se aos outros, obteve completa consciência de sua personalidade. Buscava a coragem na vontade firme que a dominava. Seu lema era que podia chegar aonde toda a gente chega, trilhando, embora, caminhos tortuosos. Expõe-se ao perigo como todo o mundo: corre por entre o mato e os espinheiros, com risco de ferir-se. Ninguém logra convencê-la de que não deve proceder assim.

Interrogada sobre qualquer detalhe que lhe escapa por causa dòs defeitos físicos, não se dá por vencida. Perguntando-lhe uma senhora a cor do vestido que trazia, ela pegou o tecido, fingiu examiná-lo e respondeu:

-   Preto.

-   Não, explicou a senhora. É azul.

-Obrigada pela informação, respondeu Helena. Mas, se a senhora sabia, para que me perguntou?" (pp.227s).

Helen Keller cultivava o senso religioso, ao qual ela assim se refere:

"Comecei a ler a Bíblia, antes de me achar em condições de compreendê-la. Hoje estranho constatar que fiquei insensível às suas maravilhosas harmonias" (p. 138).

"Faltam-me palavras para descrever as belezas que, mais tarde, vim a descobrir na Bíblia. Nesses últimos anos, eu a tenho lido com alegria cada vez maior. Ela me inspira elevados sentimentos, fazendo-me apreciá-la mais que a nenhum outro livro" (p. 139).

"Há alguma coisa de impressionante e horrível na simplicidade do livro de Ester. Não sei de passagem mais dramática do que aquela em que Ester comparece diante do seu Senhor cruel. A infeliz tem consciência de que sua vida depende dele e de que ninguém a protegerá contra a cólera de seu algoz. Entretanto, animada de patriotismo, e sobrepujando sua própria fraqueza de mulher, aproxima-se dele com a decisão firme de salvar seu povo. E a história de Rute, tão cheia das coisas do Oriente!... Como essa narrativa nos pinta a vida simples da gente dos campos, em oposição ao luxo da capital da Pérsia!... Rute é tão leal e encantadora, que ninguém pôde deixar de amá-la, vendo-a entre os ceifeiros, nos trigais ondulados pelo vento. Sua alma, boa e pura, surge, radiosa, como estrela brilhante, na noite desses tempos cruéis e tenebrosos. Um amor sublime como esse de Rute, amor que paira acima dos conflitos de crenças e dos mais arraigados preconceitos de raça, é jóia preciosa e raríssima neste mundo.

 

A Bíblia me deu a convicção segura de que as cousas eternas são exatamente aquelas que escapam à percepção dos sentidos" (pp. 139s).

 

Não faltaram obstáculos e sofrimentos profundos, a que a heroína alude nos termos seguintes, disposta a superá-los pela magnanimidade e a coragem:

"Pode-se negar agora que eu seja accessível a muitas belezas do mundo exterior? O belo penetra por toda parte, mesmo no silêncio e nas trevas. Em que pesem as minhas privações, pude sempre buscá-lo e senti-lo.

 

Cumpre-me confessar, porém, que um grande sentimento de solidão me invade às vezes. Sinto-me prisioneira em meio à própria vida. Em volta de mim, tudo é luz e harmonia! Mas eu sou uma encarcerada dentro dessas próprias maravilhas. O destino impiedoso me agrilhoa. Meu espírito se revolta contra essas leis inexoráveis, dando-me vontade de perguntar a razão de tanto sofrimento. As palavras amarguradas, que me vêm aos lábios, voltam-me da boca, sufocando-me como se fossem lágrimas choradas para dentro. Um silêncio profundo começa a pesar dentro de mim. Logo surge, porém, um raio de esperança e uma voz meiga murmura ao meu ouvido: A alegria está em a gente esquecer-se a si mesma. Então, procuro ter meu sol na luz do olhar dos outros, a minha sinfonia na música que aos outros acalenta, e a minha felicidade no riso de toda a gente" (p. 158).

Como se vê mais uma vez, Helen manifesta extraordinária força de vontade na tentativa de auto-realização. A Providência Divina permitiu que toda essa grandeza de alma atingisse o seu objetivo.

 

 

2. CARTAS

 

Vale a pena ainda transcrever quatro cartas dentre as mais notáveis de Helen Keller.

 

1) A primeira é dirigida ao Rev. Phillips Brooks, provavelmente bispo da Comunhão Anglicana:

 

"Boston, 8 de Junho de 1891.

 

Caro Sr. Brooks,

 

Aqui lhe mando o meu retrato, conforme lhe prometi, esperando que, ao contemplá-lo, o senhor faça com que os seus pensamentos voem para o sul, na direção desta sua amiguinha. Antigamente, eu desejava muito ver retratos como sinto as estátuas, apalpando-as, mas já desisti da idéia, porque o meu Pai poderoso e bem-amado povoou minha mente de imagens belas e até de cousas que ninguém pode ver. Se o senhor não fosse perturbado pela luz dos olhos, poderia compreender a felicidade que senti, quando a professora me explicou que as cousas mais belas desse mundo não podem ser vistas com os olhos, mas sentidas no coração.

Diariamente, descubro uma dessas cousas que me trazem grande contentamento. Ontem, por exemplo, pus-me a pensar nessa coisa bela que é o progresso das criaturas, ficando convencida de que todos os homens se vão, aos poucos, aproximando de Deus. Que lhe parece?

 

E' domingo de manhã. Enquanto lhe escrevo aqui na biblioteca, o senhor está ensinando, a centenas de criaturas, muitas coisas grandiosas e dignas sobre o nosso Pai celeste. O senhor é muito feliz, não é? E agora, que já é bispo, deve ter um auditório muito maior e está, portanto, enchendo de felicidade a muito mais corações.

A professora pede que lhe transmita suas boas lembranças e eu, com o meu retrato, mando-lhe toda a ternura de meu coração.

 

Helena Keller" (pp. 179s).

 

 

2) A segunda carta é dirigida ao Presidente do Conselho Acadêmico do Radcliffe College:

 

"Cambridge, 5 de Maio de 1900.

 

Caro Senhor,

 

Recorro a V. S., como conselheiro, para determinar o programa de estudos que devo seguir durante o período escolar que começa. Ficar-lhe-ei muito agradecida por sua opinião a respeito dos cursos regulares do Radcliffe College. Poderei segui-los?

Logo que recebi meu certificado de admissão, em Julho do ano findo, estudei com professor particular - francês, alemão, retórica, história da Inglaterra, literatura inglesa, crítica e composição.

 

Desejaria prosseguir no Colégio o estudo dessas disciplinas, ao menos em parte.

 

As condições especiais em que trabalho implicam na presença de Miss Sullivan, que é, há treze anos, minha professora e companheira. Ela preenche, para mim, as funções de intérprete, traduzindo-me as aulas orais e lendo as composições de exame. No colégio será indispensável que ela ou alguém me assista. Farei todos os exercícios à máquina e, se o professor não compreender o que digo, poderei escrever as respostas às suas perguntas.

 

Ouso esperar que o Colégio me permita estudar nestas condições, facultando-me prosseguir os estudos no Radcliffe.

Não dissimulo que os obstáculos são muito grandes; a outros poderiam parecer insuperáveis. Mas, caro senhor, um soldado não se julga vencido sem combater.

 

Helena Keller" (pp. 210s)

 

 

3) A terceira carta, sem data, é dirigida à revista Saint-Nicholas: a jovem narra como consegue escrever:

 

"Ao Saint-Nicholas

 

Tenho o prazer de enviar-lhe meu autógrafo, para que os meninos e meninas que lêem o 'Saint-Nicholas' saibam que os cegos escrevem. Certo, alguns leitores perguntarão como é que consigo escrever na linha. Eu explico: utilizamos uma prancheta com ranhuras paralelas, a qual colocamos entre as páginas nas quais queremos escrever. Apertando o papel nas ranhuras com a ponta rombuda de um lápis, fazemos linhas perceptíveis ao tato e conseguimos, assim, manter as palavras alinhadas. Só as letras maiúsculas têm de sair da linha. Escrevemos com a mão direita, acompanhando a ponta do lápis com o indicador da mão esquerda, para que as letras não trepem umas nas outras.

 

No começo é difícil, mas com bastante perseverança conseguimos escrever cartas legíveis aos nossos bons amigos. A essa altura, experimentamos grande felicidade. É possível que algum dos leitores vá um dia visitar uma escola de cegos, e poderá, então, ver como os cegos escrevem.

 

Sua amiguinha muito sincera,

 

Helena Keller" (pp. 180s)

 

 

4) A quarta carta mostra como Helen podia até mesmo praticar o esporte:

 

Miss Carolina Derby

Wrentam, 11 de Setembro de 1898.

Passo todo o tempo ao ar livre, nadando, remando, cavalgando, entregando-me, enfim, a múltiplos exercícios.

Esta manhã, percorri doze milhas de bicicleta. Caminhando por uma estrada, caí duas ou três vezes, de tal modo que manco horrivelmente.

 Mas o tempo estava tão bonito, a paisagem tão pitoresca, tão divertida a carreira na planície, que não liguei muita importância aos meus contratempos.

Aprendi a nadar, a mergulhar, a furar ondas e a fazer tudo o que me agrada sem ter medo de afogar-me. Não é delicioso? Quase não tenho dificuldade em remar em volta do lago, por mais pesado que esteja o barco.

A sra. pode assim julgar como estou robusta e morena agora.

Helena Keller" (p. 201)

 

3. REFLETINDO...

O caso de Helen Keller, surpreendente como é, atesta com eloqüência que não se pode aquilatar o valor da vida humana pelo gozo de bens corpóreos ou materiais. O ser humano não é máquina que, deteriorada sem conserto, deva ser retirada de circulação. Há na pessoa humana algo mais do que matéria; existe, sim, uma alma espiritual, capaz de descobrir o sentido da vida e do sofrimento, mesmo nos casos que, à primeira vista, parecem irremediáveis. Quem concebe um ideal de vida, encontra em seu íntimo a força a fim de superar os obstáculos e até mesmo tornar-se herói e mestre para seus semelhantes fisicamente sadios. O psicólogo Viktor Frankl, tendo sobrevivido aos duros tratos de campos de concentração, podia afirmar ao mundo que a necessidade básica e decisiva de todo ser humano é a de conhecer o por quê e o para quê viver. Tal foi o caso de Helena Keller e de outros heróis e heroínas que a história aponta. Está claro que a graça de Deus é dada a cada ser humano para que, a partir das suas potencialidades pessoais, chegue à grandeza de uma personalidade única e irrepetível (visto que cada qual é singular na sua individualidade); o Criador a ninguém criou para a mediocridade ou para a frustração, mas cada pessoa recebe de Deus os seus talentos; estes, devidamente cultivados, levam o indivíduo à plena realização do modelo traçado pelo Senhor Deus. Ele não falta a criatura alguma, por mais desgraçada que pareça, mas deseja fazer, de todos, a expressão da Sabedoria do Divino Artesão.

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Sto. Inácio de Antioquia (35-110)

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