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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 373 – junho 1993

"Revelação":

 

NOVO RITO DE BATISMO?

 

Em síntese: Uma revelação particular, atribuída a Jesus, ensina novo rito de Batismo em favor das crianças que estão para morrer ou já morreram no seio materno. Tal rito é estranho e não goza do reconhecimento da S. Igreja. Esta tem seu rito batismal, que exige o contato físico da água com a pele do batizando. A criancinha que morra sem ter recebido o Batismo assim concebido, não está excluída da bem-aventurança celeste, como ensinam os teólogos recentes, baseados em válidos argumentos; a existência do limbo das crianças nunca foi definida como objeto de fé.

 

O jornal "Em Defesa da Vida", de benemérito movimento antiabortista, com sede em Rancho Queimado (SC), publicou recentemente uma notícia extraída do livro "Matança de Inocentes ou Sangue que clama aos Céus" (ed. Boa-Nova, Sameiro, Braga, Portugal). Tal notícia refere uma visão de que foi beneficiária uma senhora chamada Maria, à qual Jesus terá ensinado novo rito de Batismo. — O tema merece breve abordagem em nossas páginas, visto que alguns leitores se mostram perplexos diante dos fatos.

 

1. A NOTICIA

 

A Sra. Maria, modesta mãe de família e heroína pelo seu empenho de salvar as almas, terá tido uma visão de Jesus, que lhe dizia:

 

"Maria! Tens uma grande missão a cumprir. Estes pequeninos poderão ainda ir para o Céu e chegar à visão de Deus... Comunica o que eu vou-te dizer, mesmo aos meus sacerdotes. Encontrarás resistência e sofrerás com as dificuldades, mas, com o tempo, compreender-se-á tudo o que te digo e por-se-á em prática... para a maior felicidade de todas estas criancinhas... VÓS PODEIS BATIZÁ-LAS (e aqui Jesus nos dá as primeiras indicações para o Batismo)...

 

NOTA como Eu desejo que isto se faça:

 

VERDADEIRO RITUAL DESTE BATISMO REVELADO POR JESUS

 

1 — Oração preliminar: duas invocações do Salmo 32:

"Os desígnios do Senhor permanecem eternamente. E os pensamentos do seu Coração, de geração em geração.

Para livrar da morte as suas almas. E alimentá-las no tempo da fome" (SI 32, 11 e 19).

Recita-se o Credo: Creio em um só Deus...

Aspersão da água benta na direção dos quatro pontos cardeais.

 

2— O Sacramento do Batismo:

"Vós todos, que nascestes ou nascereis mortos, que fostes ou sereis mortos nos seios maternos (dizer aqui os nomes de Maria, José, João... e do santo do dia. Deus fará cair a água benta sobre a cabeça das crianças e dará a cada uma um nome particular)

Para que, por Jesus Cristo, possuais a Vida Eterna,

Eu vos batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

 

3 - Orações Finais:

Chamei-te pelo teu nome, és meu (Is 43, 1).

Cantai ao Senhor um cântico novo, porque Ele fez maravilhas (SI 97,1).

Cantarei eternamente as graças do Senhor (SI 88,1).

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ó amor, ó infinito Amor de Deus!

Aleluia, aleluia, aleluia.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai".

 

Pergunta-se agora:

 

2. QUE DIZER?

 

Podem-se formular três observações à notícia atrás:

 

1) Revelação particular

Nossos tempos são freqüentemente perpassados pela notícia de revelações particulares, das quais certamente uma boa parte não é autêntica. Daí a necessidade de senso crítico perante o assunto, para que os fiéis não se deixem levar pela fantasia e cultivem uma piedade meramente subjetiva, sonhadora e ilusória. A doutrina e a praxe da Igreja são suficientemente ricas para levar todos os homens (e as crianças) à vida eterna. Deus só intervém extraordinariamente na história para confirmar ou esclarecer o que Ele mesmo ensina por sua Santa Igreja.

 

Pode-se crer que o grande número de revelações particulares hoje registradas corresponde a uma necessidade psicológica de muitas pessoas. Atribuladas e perplexas, esperam sinais especiais de Deus, que lancem luz ou tragam alívio sobre as situações angustiantes de nossos dias. É necessário, pois, que os católicos estejam atentos ao fenômeno psicológico e se esforcem por discernir dos genuínos sinais de Deus aqueles que a imaginação pode estar atribuindo ao Senhor.

 

2) Praxe Batismal e Liturgia da Igreja

A S. Igreja fixou, em seus livros oficiais, o rito do Batismo e a praxe anexa. Para evitar inovações subjetivas e até fora da ortodoxia, a legislação da Igreja estipula que a ninguém é lícito inovar o que seja, no setor da Liturgia. Por isto não é de crer que, através de revelações particulares, de origem incerta, o Senhor Deus queira instituir um ritual novo de Batismo, ainda que destinado apenas a casos extraordinários. Na Igreja não há dois magistérios: um oficial, e outro paralelo, de índole particular.

 

3) Observações ao novo rito

Crianças já mortas não podem ser batizadas nem precisam disto, como se dirá adiante. Os sacramentos são meios de santificação para os vivos, postos em demanda da vida eterna, e não para os que já atingiram o termo de sua caminhada terrestre. Daí ser errônea a intenção de batizar crianças já falecidas no seio materno.

A água deve tocar a pele do batizando. Os sacramentos agem por contato físico, e não à distância. Ora o novo Ritual prevê a aspersão da água na direção dos quatro pontos cardeais, ao passo que Deus se encarrega de fazer a água benta cair sobre a cabeça das crianças (dando a cada qual um nome particular). Isto supõe o milagre como algo de ordinário, e não algo de extraordinário. Ora a dispensação da graça se faz por vias ordinárias e não procede habitualmente por via de milagres; estes são sempre algo de esporádico e gratuito, não provocável, portanto algo com que não se pode contar "por encomenda".

 

3. A DOUTRINA DA IGREJA

 

A doutrina da Igreja já levou em consideração a sorte das crianças que morrem sem Batismo.

 

No século XI S. Anselmo de Cantuária (+1109) concebeu o limbo como estado de felicidade natural, em que as criancinhas mortas sem Batismo veriam a Deus por analogia, ou seja, no espelho das criaturas; como se compreende, o limbo não seria punição. S. Anselmo julgava que tais criancinhas, não tendo sido elevadas à ordem sobrenatural ([1]) pelo Batismo, não estariam habilitadas à visão de Deus face-a-face (bem-aventurança celeste, que toca aos batizados), mas também não mereceriam o inferno por não terem pecado consciente. Por isto atribuía-lhes a felicidade póstuma correspondente à inocência de tais criaturas. A existência do limbo foi sendo professada de modo geral na Igreja; nunca, porém, declarada artigo de fé.

 

Em nossos dias, os teólogos propõem outro enfoque da temática. Ponderam que o Criador, desde o início da história, tratou o ser humano como filho de Deus, elevado à ordem sobrenatural. O pecado original implicou a perda dos dons sobrenaturais; a Redenção efetuada por Cristo foi a restauração do homem no plano da filiação divina perdida pelos primeiros pais. Por conseguinte, toda a história religiosa da humanidade tem como referencial a ordem sobrenatural, nunca a ordem meramente natural. Daí não parecer lógico que as crianças mortas sem Batismo passem a gozar de bem-aventurança meramente natural.

 

Ademais, dizem os teólogos, a solidariedade com Cristo, o segundo Adão, eixo central da história, há de ser muito mais forte do que a solidariedade com o primeiro Adão, imagem ou figura do segundo Adão (cf. Rm 5, 14). Por isto, a Teologia contemporânea é propensa a crer que Deus concede também às criancinhas mortas sem Batismo a bem-aventurança sobrenatural ou o céu; a Providência Divina age independentemente dos sacramentos; leva em conta a oração universal da Igreja pelos agonizantes, os enfermos, os aflitos, os carentes em geral, e, em vista dessa valiosa intercessão, supre nos pequeninos aquilo que o Batismo não lhes confere.

 

Esta doutrina tranqüiliza os cristãos no tocante à sorte póstuma das crianças não batizadas. Todavia não isenta os genitores e responsáveis da obrigação de prover ao Batismo dos pequeninos com a possível prontidão. Não sendo possível ministrar o sacramento segundo o rito da Igreja, não há por que conceber outro rito, de inspiração particular e fantasiosa. A Igreja, como Mãe, tem a necessária solicitude para prover aos meios de salvação de todos os seus filhos. Compete às famílias católicas tomar conhecimento da doutrina da Igreja e oferecer a Deus seus filhos postos em perigo de vida, confiando na sábia Providência Divina.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt



[1] Sobrenatural, em teologia, não quer dizer "portentoso, maravilhoso", mas um dom de Deus que ultrapassa as exigências de qualquer criatura. Tal é, sem dúvida, a visão de Deus face-a-face.

Natural, para o homem, é aquilo que compete ao ser humano como tal, considerado em suas notas essenciais.


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Dom Estêvão Bettencourt

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