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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 392 – janeiro 1995

Ecleticismo irreverente:

 

"NA MARGEM DO RIO PIEDRA EU SENTEI E CHOREI"

 

por Paulo Coelho

Em síntese: Paulo Coelho escreve um romance em que o amor de dois jovens se estreita em torno de valores religiosos ou "místicos". O rapaz é iniciado numa religião tendente à mitologia (venera a Mãe Terra, assemelhada à Virgem Santíssima, que, por sua vez, é tida como deusa ou como a face feminina de Deus); é seminarista católico, que realiza milagres, mas renuncia ao Seminário e à faculdade de realizar milagres para se unir à jovem Pilar, amiga de infância, que ele reencontra após onze anos de ausência, tornando-a adepta de suas crenças religiosas, "místicas" e eclética. O livro é fantasioso e irreverente, pois joga com conceitos e valores da fé católica, misturando-os com elementos de mitologia e magia.

=-=-=

Paulo Coelho apresenta mais um de seus livros, sempre no gênero da ficção religiosa esotérica; tendo por título "Na Margem do Rio Piedra eu sentei e chorei",([1]) propõe uma mistura de conceitos cristãos com noções de ocultismo e magia. Dir-se-ia que deseja sugerir uma nova etapa do Cristianismo, impregnada de feminismo, ao mesmo tempo que explora o namoro e a união de um homem "mago" com uma jovem estudante espanhola de família católica.

Dadas as suas ambigüidades, o livro merece comentários.

 

 

1. O ENREDO

 

O livro conta a estória de dois jovens que na Espanha se conheceram durante a infância. Terminada a adolescência, o rapaz partiu, dizendo que ia conhecer o mundo. A moça, chamada Pilar, depois de terminar seus estudos de segundo grau, foi para Saragoça, onde entrou numa Faculdade. Trocavam cartas, cuja freqüência foi-se amiudando da parte do rapaz; ele falava sempre mais de Deus e de Mística, ao passo que ela ia perdendo a fé. Finalmente ele a convida para assistir a uma conferência que ele faria em Madrid; Pilar vai ao seu encontro, e fica surpresa por perceber que o jovem é famoso conferencista, realiza milagres e é assediado por muitas pessoas carentes. Ela começa a se maravilhar pelo vulto desse homem, que também se volta para ela com amor. Os dois se põem a viajar juntos, pois ele quer mostrar à sua amiga o mundo mágico, religioso e místico que ele freqüenta; indica-lhe um Seminário "católico" ao qual está incorporado. Pilar resiste a essas novas idéias, mas vai sendo fascinada por esse homem, que ela ama cada vez mais. Após diversas peripécias e andanças, que vão de sábado 4 de dezembro a sexta-feira 10 de dezembro de 1993, os dois resolvem unir-se. A fim de o fazer com a bênção da Grande Mãe (a Virgem Maria), o rapaz renuncia ao dom das curas que ele exerce:

 

"Ontem eu pedi à Virgem um milagre... Pedi que retirasse meu dom... Tenho um pouco de dinheiro, e toda a experiência que anos de viagem me deram. Compraremos uma casa, arranjarei um emprego, e servirei a Deus como fez São José, com a humildade de uma pessoa anônima. Não preciso mais de milagres para manter viva a minha fé. Preciso de você" (pp. 217s).

 

Pilar parece não aceitar a troca. O rapaz desaparece. Ela então se põe às margens do Rio Piedra, onde chora, e escreve seu romance. Finalmente o jovem reaparece: ela se alegra e ele, tomando-a pelas mãos, leva-a consigo. Ela pergunta:

 

"Você acha que seu dom voltará?" A o que ele responde: "Não sei. Mas Deus sempre me deu uma segunda chance na vida. Está me dando com você. E me ajudará a reencontrar o meu caminho" (p. 236).

 

Assim termina o livro; pode impressionar pela fluência da narrativa, peia descrição vivaz de cenas interessantes de amor entre um jovem e uma jovem..., cenas nas quais Pilar aparece hesitante, mas cada vez mais propensa a aceitar o seu parceiro.

 

Resta agora analisar os conceitos religiosos que o livro veicula, pois certamente é obra impregnada de senso místico, embora muito confuso. Paulo Coelho joga com noções e vocábulos do Catolicismo; talvez queira passar por católico, mas na verdade é eclético, como se depreende da análise que se segue.

 

2. ASPECTOS RELIGIOSOS

 

2.1. Os conceitos de Deus, Deusa...

 

1. O que mais chama a atenção, no livro, é a ambigüidade do conceito de Deus. Paulo Coelho fala de Deus, Deusa, Deusa-Mãe:

 

"O artista conhecia a Grande Mãe, a Deusa, a face misericordiosa de Deus" (p. 111).

 

A "Deusa" será a "face misericordiosa de Deus"? Trata-se de mera força de expressão?

 

2. Em outras passagens o autor identifica Maria e.a própria Divindade. Assim, por exemplo, ao falar da definição do dogma da Imaculada Conceição por Pio IX (1854), Paulo Coelho se mostra entusiasta do fato e afirma que é o primeiro passo do caminho,... "do caminho que vai levar Nossa Senhora a ser considerada a encarnação da face feminina de Deus. Afinal já aceitamos que Jesus encarnou sua face masculina" (p. 171). E continua:

 

"Quanto tempo vai demorar para que aceitemos uma Santíssima Trindade onde a mulher aparece? A SS. Trindade do Espírito Santo, da Mãe e do Filho?" (p. 171).

 

Ora aqui há autêntica deturpação de uma verdade da fé cara a todos os cristãos. As afirmações são levianas; fazem jogo de palavras que não têm lógica, ou não resistem ao crivo da razão. O desejo de agradar ao feminismo pode ter inspirado tais dizeres. Aliás, o livro inteiro revela grande "devoção" a Maria SS.; todavia a Santíssima Virgem é entendida quase como figura mitológica; o autor usa vocabulário quase católico, mas entende-o em sentido não católico; nunca se poderá equiparar Maria a Jesus, sendo ambos (cada qual a seu modo) a encarnação de Deus, como propõe Paulo Coelho. São inaceitáveis os dizeres:

 

"As pessoas rezavam, cantavam, dançavam na chuva, adorando a Deus e a Virgem Maria..." Mais adiante: "... abençoado por Deus e pela Deusa" (p. 142).

 

3. A confusão se torna mais grave e explícita na seguinte passagem, em que o jovem conversa com Pilar a respeito de Maria SS.:

 

"Ela foi normal. Teve outros filhos. A Bíblia nos conta que Jesus teve mais dois irmãos.

A virgindade na conceição de Jesus se deve a outro fato: Maria inicia uma nova era de graça. Ali começa outra etapa, Ela é a noiva cósmica, a Terra, que se abre para o céu, e se deixa fertilizar.

Neste momento, graças a sua coragem de aceitar o próprio destino, ela permite que Deus venha à Terra. E se transforma na Grande Mãe...

Ela é o rosto feminino de Deus. Ela tem sua própria divindade" (p. 86).

 

O autor deturpa o conceito de virgindade de Maria. Veja-se:

 

a)  admite que Maria teve mais de um filho. Ignora o sentido da palavra irmão (= adelphós, em grego; 'ah, em hebraico) nos livros sagrados. 'Ah pode significar familiar ou parente em sentido amplo, como se depreende de Gn 13,8; 29,12.15; 31,23; 1Cr 23,21-23; 2Cr 36,10... É de notar também que Jesus, ao morrer, entregou sua Mãe aos cuidados de João, filho de Zebedeu e Salomé (cf. Jo 19, 25-27); porque o teria feito, se Maria tinha outros filhos? O assunto já foi amplamente considerado em nosso Curso de Diálogo Ecumênico, Módulo 23 (Caixa postal 1362, 20001-970 Rio, RJ);

 

b)  Maria é dita "a noiva cósmica, a Terra (com maiúscula), que se abre para o céu e se deixa fertilizar" ... Que significa isto? A afirmação tem sabor mitológico; a Terra-Mãe sempre fecunda é, sim, figura das mitologias antigas;

 

c)  "Maria tem a sua própria divindade". A sã razão pergunta: existe mais de uma Divindade? Paulo Coelho recua ao politeísmo e à mitologia? Será isto condizente com o século das luzes (como se chama o século XX)? Vê-se que o próprio autor recusa definir-se; o diálogo do jovem com Pilar é interrompido sem que haja esclarecimento.

A confusão ou a falta de lógica é ainda mais pronunciada no trecho abaixo:

 

"Ficamos ali, aos pés da Virgem... Ela nos olhava. A camponesa adolescente que dissera Sim ao seu destino. A mulher que aceitou levar no ventre o filho de Deus, e no coração o amor da Deusa. Ela era capaz de compreender" (p. 120).

 

4. Na passagem seguinte a linguagem aproxima-se do panteísmo (tudo é Deus ou tudo é a Divindade):

 

"Quem parte em busca de Deus, está perdendo seu tempo. Pode percorrer muitos caminhos, filiar-se a muitas religiões e seitas — mas, desta maneira, jamais irá encontrá-Lo.

Deus está aqui, agora, ao nosso lado. Podemos vê-lo nesta bruma, neste chão, nestas roupas, nestes sapatos. Seus anjos velam enquanto dormimos, e nos ajudam enquanto trabalhamos. Para encontrar Deus, basta olhar à nossa volta" (p. 160).

 

5. O texto se prolonga na seguinte afirmação:

 

"Para você ter uma vida espiritual, não precisa entrar para um seminário, nem fazer jejum, abstinência e castidade.

Basta ter fé e aceitar Deus. A partir daí, cada um se transforma no Seu caminho, passamos a ser o veículo de Seus milagres" (p. 161).

 

Tem-se a impressão de que os milagres são um sinal normal, quase necessário, da vida espiritual, ... sinal independente de ascese (jejum, abstinência e castidade...). Ora não há vida mística sem ascese, para o cristão. A vida mística supõe a purificação do coração e a isenção de paixões desregradas; o jejum e a abstinência são os meios clássicos (recomendados também por não cristãos) para promover a liberdade e a pureza do coração. Ademais o dom dos milagres é tido pela Teologia como um carisma, que não pode ser "institucionalizado" ou não pode ser reduzido a uma etapa necessária do desabrochamento espiritual.

 

6. O texto do livro chega a apresentar uma oração à Lua, que Paulo Coelho coloca nos lábios de uma das figuras femininas do seu romance:

 

"Ela abriu os braços em forma de cruz, virou as palmas das mãos para cima, e ficou contemplando a lua.

'Onde fui me meter?, pensei. Vim assistir a uma conferência, terminei no Paseo de Castellana com esta louca, e amanhã viajo para Bilbao'.

'Ó espelho da Deusa Terra — disse a moça, com os olhos fechados — nos ensina nosso poder, faze com que os homens nos compreendam. Nascendo, brilhando, morrendo e ressuscitando no céu, você nos mostrou o ciclo da semente e do fruto'. A moça esticou os braços para o céu, e ficou um longo tempo nesta posição. As pessoas que passavam olhavam e riam, mas ela nem se dava conta; quem morria de vergonha, era eu, por estar ao seu lado.

'Eu precisava fazer isto, disse, depois de uma longa reverência para a lua. Para que a Deusa nos proteja' " (p.31).

 

Como se vê, o título de deusa passa agora para a Lua. A Lua tem como símbolo a água (p. 33); tocar a água com os olhos fixos na Lua cheia e ao som de uma flauta é algo que faz a mulher reconhecer um pouco mais a sua natureza de mulher (p. 33). As mulheres aprendem da Grande Mãe, que parece ser a Terra ou até as cavernas (p. 32), sendo que Cibele (figura das religiões antigas da Grécia) é "uma das manifestações da Grande Mãe... governa as colheitas, sustenta as cidades, devolve à mulher o seu papel de sacerdotisa" (p.33). Finalmente a moça que rezou à Lua e que venera a Grande Mãe, confessa: "Faço parte da religião da Terra" (p. 34).

 

Mesmo quem leia com boa vontade as páginas de Paulo Coelho, encontra sérias dificuldades para concatenar os conceitos do autor, colocando-os em ordem sistemática e lógica. Não se percebe o que o autor quer dizer propriamente; é certo, porém, que através de suas afirmações confusas e incoerentes há nítida tendência a favorecer a exaltação da mulher; o livro assim está "na crista da onda".([2]) — Julgamos que Paulo Coelho poderia ter realizado seu propósito feminista sem recorrer à mitologia e a falsas alegações religiosas; a mitologia foge da realidade e recua a um estágio ultrapassado da história da humanidade.

 

2.2. A Noção de Religião

 

Em conseqüência de tão confusas concepções de Deus, compreende-se que Paulo Coelho tenha uma noção muito relativista de religião; todas têm o mesmo valor doutrinário, embora não convirjam entre si, como se depreende dos dizeres seguintes:

 

"A verdade está sempre onde existe fé. Olhei de nova a igreja à minha volta — as pedras gastas, tantas vezes derrubadas e recolocadas no lugar. O que fazia o homem insistir tanto, trabalhar tanto para reconstruir aquele pequeno templo — num lugar remoto, encravado em montanhas tão altas?

 

A fé.

 

— Os budistas estavam com a razão, os hindus estavam com a razão, os índios estavam com a razão, os muçulmanos estavam com a razão, os judeus estavam com a razão. Sempre que o homem seguisse — com sinceridade — o caminho da fé, ele seria capaz de unir-se a Deus, e operar milagres.

Mas não adiantava apenas saber isto: era preciso fazer uma escolha. Escolhi a Igreja Católica porque fui criado nela e minha infância estava impregnada de seus mistérios. Se tivesse nascido judeu, teria escolhido o judaísmo. Deus é o mesmo, embora tenha mil nomes; mas você precisa escolher um nome para chamá-lo" (p. 112).

 

Paulo Coelho apresenta o herói do livro como seminarista: "Entrei para um seminário aqui perto. Durante quatro anos estudei tudo o que podia. Neste período fiz contato com os Esclarecidos, os Carismáticos, as diversas correntes que procuravam abrir portas fechadas havia muito tempo... Havia um movimento de retorno à inocência original do Cristianismo" (p. 113).

O próprio Superior do Seminário (que o autor confunde erroneamente com mosteiro, pp. 113 e 126, e com convento, p. 157) parece ceder à visão "carismática" de Paulo Coelho (pp. 164s).

 

3. REFLEXÃO FINAL

 

1.   O livro de Paulo Coelho pode exercer atração sobre o grande público, porque toca numa fibra delicada do coração humano: o senso do mistério. Deus é, sem dúvida, transcendente, e essa grandeza misteriosa de Deus parece falar ao coração de todo homem que procure o sentido da vida: Deus é fascinante, como dizem os historiadores da Religião. Todavia o senso do mistério ou a Mística não pode estar desligado da razão; se não, perde-se em devaneios fantasiosos, em associação de conceitos que não se combinam entre si e que redundam em vazio jogo de palavras. A razão tem o direito de examinar a credibilidade das proposições de fé e de Mística que lhe ocorrem; embora a razão não atinja o âmago do mistério de Deus, que é transcendental, ela pode e deve procurar as credenciais das teorias de fé que lhe são propostas. Não basta falar "bonito" e piedosamente para falar de maneira correta. O grande público que não tenha iniciação filosófica e o hábito da Lógica, pode talvez impressionar-se com as ascensões místicas de Paulo Coelho; estas, porém, nada significam quando submetidas ao crivo do raciocínio.

 

2.   As incursões de Paulo Coelho dentro das proposições da fé católica, aludindo à SS. Trindade, à Virgem Maria, às aparições de Lourdes, aos carismas do Espírito Santo... ferem o senso religioso dos cristãos em geral, pois parecem brincar com valores muito preciosos. Maria não é deusa, nem a SS. Trindade pode incluir uma figura humana em seu mistério. As verdades da fé não são produtos da mente humana, mas correspondem à realidade mesma e objetiva de Deus.

 

3.   Vale a pena, sem dúvida, exaltar a mulher e seus predicados, como pleiteia o sadio feminismo. Mas, para tanto, não é necessário, nem lícito, voltar à mitologia grosseira, que admite deuses e deusas (a Mãe Terra, a deusa Lua, Cibele...).

4.   A autêntica Mística implica o conhecimento de Deus, distinto do homem (porque Criador do homem), ... conhecimento que se faz por experiência ou por familiaridade com Deus. 0 cristão que se entrega ao Pai no cumprimento cotidiano e fiel da sua santíssima vontade, cultiva assim uma certa afinidade com Deus; é a afinidade produzida pelo amor, amor que abre os olhos da mente e proporciona o conhecimento experimental ou místico. Na verdade, como diz o próprio Jesus, todo cristão fiel (aquele que ama a Deus coerentemente) é templo da SS. Trindade (cf. Jo 14,23); ele pode ignorar este grande dom, vivendo dispersivamente ou sempre fora de si; mas pode também tornar-se mais e mais consciente desta graça, vivendo num diálogo constante com Deus mediante uma conduta generosa e irrestritamente dedicada. Este tipo de comportamento faz a afinidade da criatura com o Criador e ensina a descobrir o mistério de Deus. É o que se chama "vida mística" dentro das concepções do Cristianismo. Nada tem que ver com milagres ou dons extraordinários; aliás, estes fenômenos hão de ser considerados criteriosamente para que não se confundam expressões (mórbidas?) do psiquismo humano com a ação do Espírito Santo.([3])

 

5. Pauto Coelho tem-se interessado pela magia. Todos sabem aproximadamente o que este conceito significa, mas é necessário esclarecê-lo bem. Com efeito; magia é a arte de dominar as forças da natureza e da história mediante fórmulas ou práticas tidas como capazes de sobrepujar os próprios deuses; vem a ser uma deturpação da religião, pois pretende atribuir aos magos ou a pessoas privilegiadas poderes divinos. Os povos primitivos, na falta de recursos científicos e tecnológicos, procuravam resolver seus problemas pelo uso da magia. Esta pode lograr êxito se ela se baseia (inconscientemente talvez) no aproveitamento de forças da natureza ou no sugestionamento que ela incute a quem lhe dá crédito. Para enfatizar sua autoridade, os magos dos povos primitivos se reuniam em grupos secretos, que tinham cada qual seu patrono; submetiam-se a um processo de iniciação, que significava a morte ao velho homem e a ressurreição de um novo ser, dotado das faculdades e prerrogativas dos colegas-magos.

Em conclusão, pode-se dizer que o livro "Na margem do Rio Piedra..." joga com valores religiosos muito caros aos cristãos e, por isto, merecedores de respeito, mesmo da parte de um romancista. O fato de citar o místico cristão Tomás Merton à p. 11 não legitima o conteúdo da obra.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt



[1] Ed. Rocco, Rio de Janeiro 1994, 140 x 236pp.

[2] Especialmente a figura de Maria Santíssima é maltratada pelo modismo contemporâneo. Lê-se na imprensa do Rio de Janeiro uma notícia cuja fonte não nos foi possível identificar com precisão:

"A força de Nossa Senhora

Um dos títulos mais fortes na mão da agente literária Lucia Riff, Mary's message to the world, de Annie Kirkwood (Putnam), história de uma mulher que se comunica com Nossa Senhora, foi parar com a Record. Na Bienal, Sérgio Machado fez oferta irrecusável, não deu nem para Lúcia abrir leilão. Tudo indica que Nossa Senhora é o novo filão esotérico, prestes a desbancar a mania dos anjos (o que, aliás, só confirma o estupendo radar de Paulo Coelho nessa área, uma vez que Na margem do Rio Piedra é justamente sobre a imagem feminina de Deus)".

[3] Os mestres da vida espiritual chamam a atenção para o caráter ambíguo que podem ter os fenômenos extraordinários, tão almejados por mu itas pessoas religiosas. Não raramente (embora nem sempre) provêm da fantasia do fiel, instigada talvez por alguma tendência doentia ou pela vaidade, a curiosidade... Eis o que a propósito escreve São João da Cruz:

"Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não os queiram admitir nem ter segurança neles; antes, é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. Com efeito, é mais próprio de Deus comunicar-se ao espírito e nisto há para a alma mais segurança e lucro do que aos sentidos fonte de freqüentes erros e numerosos perigos... Há tanta diferença entre a sensibilidade e a razão como entre o corpo e a alma e, na realidade, o sentido corporal é tão ignorante das coisas espirituais como um jumento o é das coisas racionais, e mais ainda" (A Subida do Monte Carmelo, I. //, cap. XI, 2).

"É melhor padecer por Deus do que fazer milagres" (Ditos de Luz e Amor, n. 181).


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