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Valei-me, S. José!

 

A cada ano, durante o tempo da Quaresma, a Igreja interrompe o seu ciclo penitencial para celebrar com júbilo duas importantes solenidades: a Anunciação de Maria (25/03) e S. José(19/03). Depois de Maria, ninguém esteve mais intimamente unido ao mistério de Cristo – e, portanto, de sua redenção – do que S. José. Não sabemos exatamente quando terminou os seus dias; a opinião mais aceita (segundo S. Bernardino de Sena, S. Boaventura, Suárez, Gerson) é que isto se deu logo após o batismo de Jesus no rio Jordão. Segundo antiga tradição, os gregos prestavam culto a S. José já no século II. No século IV Santa Helena mandou construir uma capela em sua honra em Belém da Judéia. Sua presença discreta, mas altamente significativa, na história da salvação nos é recordada em vários números do Catecismo da Igreja Católica(1997).

 

Com efeito, José foi chamado pelo Senhor para acolher Maria, a fim de que Seu Filho Jesus pudesse: nascer “na descendência messiânica de Davi” (Catecismo, n. 437), receber dele o nome de “Jesus” (n. 1846) e crescer no seio de uma família humana (n. 1655). Em sonho o Senhor esclarece a S. José que não deve temer a obra que está-se realizando em Maria (n. 497). Ambos apresentarão o menino Jesus no Templo, sinal de sua piedade religiosa (n. 583). Jesus dará um exemplo de humildade e obediência sendo submisso a José e Maria, cumprindo assim o 4º mandamento da lei de Deus (n. 532); ao mesmo tempo, José (e Maria) testemunham sua submissão à vontade divina, acolhendo as palavras inspiradas do ainda adolescente Jesus, no Templo (n. 534). O Catecismo não fala da “predestinação” de José para ser pai adotivo de Jesus, mas isto podemos deduzir do ensinamento da Igreja sobre a predestinação de Maria (cf. n. 488) e da reflexão dos santos doutores, como p. ex. S. Francisco de Sales (cf. Bertolin, José Antônio, São José, fiel vocacionado, Curitiba, 1984, p. 37). A Igreja, por fim, nos recorda que a festa de hoje é especial para o calendário católico (n. 2177) e nos encoraja “à preparação da hora de nossa morte” através da entrega de nossa vida aos cuidados de S. José, “padroeiro da boa morte” (n. 1014; cf. 1020).

 

Nos últimos 3 séculos o Magistério oficial da Igreja tem recuperado o lugar de destaque que merece S. José em nossa fé cristã. Em 1714 o Papa Clemente XI compôs um ofício especial para S. José. 11 anos depois o seu nome foi incluído na ladainha de todos os santos pelo Papa Bento XIII. Com o decreto Quemadmodum Deus Iosephum, de 8/12/1870, o Bem-aventurado Papa Pio IX elevou S. José à categoria de Padroeiro da Igreja, acolhendo a petição de inúmeros bispos presentes naquele ano ao Concílio Vaticano I. Anos depois (15/08/1889) escreveria a Encíclica Quamquam pluries, que sublinha o lugar relevante de S. José na história da salvação, dada a sua profunda comunhão com Cristo e Maria (DS 3260). 100 anos depois (15/08/1989) o Papa João Paulo II publicou a Exortação apostólica Redemptóris cústos(“O guarda do Redentor”), sobre a pessoa e a missão de S. José. É o mais importante documento papal da história da Igreja sobre o pai adotivo de Jesus. Resgata o lugar de relevo que ocupou a figura de S. José desde os primórdios da Igreja, pois a ele Deus “confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos”, Jesus e Maria, citando as palavras do Papa Leão XIII. O “núcleo central da verdade bíblica sobre São José” se encontra em sua especial participação no mistério de Cristo (nn. 1f; 2b; 5b). Depois de Maria, José é o maior exemplo de “obediência da fé” (Rm 1,5), aceitando Maria e Jesus (n. 4c). Viveu o matrimônio em sua essência, ou seja, no amor que une os corações e no desvelo pela sua família (n. 19c). S. José “aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção” (n. 22) e cultivou o silêncio, fruto da consciência do mistério divino presente em sua casa (n. 25).

 

Os grandes santos nutriram um particular amor pela figura de S. José – S. Margarida de Cortona, Sta. Brígida, Sta. Gertrudes, Sta. Teresa d´Ávila, S. Afonso de Ligório etc. Dentre estes se destaca S. Faustina Kowalska, cujo centro da vida espiritual era o mistério da misericórdia divina. Há várias referências a S. José em seu Diário. “Vovô” era o nome que S. Faustina costumava dar a S. José (nn. 608; 846), em sintonia com a tradição que lhe vê como um homem já de certa idade. Em 1936 Faustina teve 2 visões em que S. José aparecia, sempre junto de Nossa Senhora (nn. 608; 846). No ano seguinte escreveu: “São José pediu que eu tivesse incessante devoção a Ele. Ele mesmo me disse que eu rezasse diariamente três orações e uma vez o “Lembrai-vos”. Olhava com muita bondade e deu-me a conhecer o quanto é favorável a essa obra. Prometeu-me a sua especial ajuda e proteção. Todos os dias rezo as orações recomendadas e sinto a Sua especial proteção” (D. 1203). A referida oração fazia parte da espiritualidade diária da Congregação de S. Faustina, que tinha S. José como um dos seus padroeiros (cf. 1174, nota). Aliás, “J.M.J.” – “Jesus, Maria, José” – era um dos símbolos da Congregação (ver, p. ex, D. 3). A Festa de S. José era precedida de uma Adoração ao SSmo. Sacramento de 40 horas (D. 433). Para a santa polonesa, a celebração do Natal era outra ocasião propícia para se unir espiritualmente a Jesus, Maria e José, por que esta era a vontade de Deus (cf. D. 795; 1442).

 

Não deixemos de recorrer a S. José, que entre os Anjos e Santos ocupa o principal lugar, logo após a Virgem Maria! Em nosso opúsculo Guia da Devoção à Misericórdia Divina, n. 5, você poderá encontrar diversas orações a este grande santo, invocado dentre outros como “Terror dos demônios”!

 

Valei-nos, S. José!

Pe. Jonas Eduardo, MIC

 


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