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Diálogo com o mundo contemporâneo:

 

“PENSAR E VIVER A NO TERCEIRO MILÊNIO”

por Bernard Sesboüé SJ([1])

 

Em síntese: O autor procura apresentar as verdades da fé ao homem contemporâneo levando em conta as objeções que o pensamento moderno levanta contra o Credo Católico. A tarefa é válida, mas o autor se desvia, mais de uma vez, dos ensinamentos do magistério da Igreja fazendo concessões ao racionalismo ou a correntes de pensamento não aceitas; assim no tocante à antropologia (não distingue entre corpo e alma), a escatologia (não distingue tempo, evo e eternidade), ao pecado original (seria o pecado do mundo)... A exposição doutrinária de Sesboüé carece, às vezes, de clareza, o que dificulta a leitura da obra.

* * *

O famoso teólogo Pe. Bernard Sesboüé oferece ao público um grosso volume em que procura apresentar ao leitor contemporâneo a fé católica levando em conta as objeções que a mentalidade de muitos contemporâneos levanta contra ela. A Intenção é louvável, mas a execução da tarefa não satisfaz, como se verá a seguir.

 

1. O Problema

Exporemos os pontos mais importantes abordados por B. Sesboüé.

1.1. O homem moderno

O homem contemporâneo "encontra-se numa espécie de deserto, onde nada mais tem sentido... Viver sem ideal, sem objetivo transcendente torna-se impossível" (p. 9).

"São reticentes... aos ensinamentos do Papa, especialmente em matéria de Moral. Será que crer tem a ver com tudo isso? Eles são sensíveis ao mercado comum das religiões. Finalmente onde está a verdade e o que é a verdade!" (p. 11).

O autor descreve muito vivazmente a angústia do homem que vive sem saber por quê e lembra-lhe que é inevitável crer: crer nos outros, crer no médico, crer nos meios de comunicação social,... crer nas verdades que ultrapassam os limites do alcance da razão humana ou crer em Deus que se revela.

E quais seriam os pontos nevrálgicos que a fé propõe?

Sesboüé quer ser fiel ao Credo da Igreja, mas, para facilitar a aceitação do homem contemporâneo, adapta certos artigos à mentalidade moderna, alterando o sentido que a fé lhes atribui.

1.2.  Corpo e alma

A título de rejeitar o dualismo platônico, Sesboüé rejeita a distinção de corpo e alma como se fossem dois elementos antagônicos: o primeiro mau, o segundo bom; cf. p. 167: "o corpo é o Ser humano visto segundo sua condição e sua fragilidade. A alma é o mesmo ser visto sob o ângulo da sua dimensão espiritual, inteligente e livre".

A réplica será proposta sob o título 3 deste artigo.

Tal concepção antropológica repercute na doutrina escatológica.

1.3.  Escatologia

Já que corpo e alma não se distinguem, morre o homem todo e, para não haver hiato na existência dessa pessoa, dá-se logo a ressurreição corpórea:

"Podemos dizer que haverá dois tempos na ressurreição: um primeiro ainda inacabado e invisível, e um segundo tempo de realização plena da ressurreição de todos aos olhos de todos...

A fé cristã pensa sempre em termos de ressurreição e nunca em termos de imortalidade da alma...

Mas então o que resta para a ressurreição final? Enquanto houver homens sobre a terra não ressuscitados, a ressurreição permanece inacabada... O que nós chamamos fim do mundo terá por conseqüência uma ressurreição total de todos os homens e de cada um e mesmo de cada um com todos" (p. 632s).

Seria desejável mais clareza.

O autor não conhece meio-termo entre tempo e eternidade, de modo que professa a passagem direta do tempo para a eternidade:

"O defunto abandona a ordem da temporalidade para cair no Reino eterno de Deus, isto é, na da ressurreição. Deste ponto de vista tudo lhe é presente: vive já o fim geral do tempo no momento da sua morte e participa já na ressurreição" (p. 632).

Ora aí há um equívoco. Com efeito, o tempo é a duração que começa e acaba (dia, semana, mês...); a eternidade é, ao contrário, a duração que não começa e não acaba (é privativa de Deus só). Por não ter começo, não tem entrada e ninguém entra na eternidade. Pergunta-se agora: e como se define a duração dos que começam, mas não acabam, como a alma humana e os anjos? Certamente não o tempo nem a eternidade, mas deve se tratar de outro tipo de duração que é chamado "o evo".

Na base do que diz Sesboüé, a alma do defunto que morre hoje vê logo o fim dos tempos e o juízo final, juízo de pessoas que ainda não nasceram nem fazem algo que possa ser julgado - o que é inconcebível. Por conseguinte após a morte ainda há um futuro, não o futuro da temporalidade, mas o do evo. As almas dos fiéis defuntos acompanham a história dos irmãos na terra e aguardam o fim dos tempos para presenciar o juízo final.

1.3. Pecado original e pecado do mundo

Por pecado original não se entende a culpa especial que tenha repercutido nas gerações posteriores. Mas trata-se do pecado do mundo no qual a criança nasce, incitada para o mal pelo ambiente em que ela se encontra. Alguém terá começado a pecar, e tal pecado tornou-se uma bola de neve, que se foi avolumando por provocar novos e novos pecados através dos séculos. Assim escreve Sesboüé:

"O pecado de Adão é a expressão figurada e simbólica de um acontecimento misterioso de liberdade pelo qual a humanidade recusa o dom de Deus e se orienta contra ele... O pecado de Adão torna-se a figura do drama humano na sua generalidade; é a representação simbólica do acontecimento originário que constitui o ponto de partida" (p. 243).

Mais ainda:

"O pecado é universal, isto é, está em qualquer lugar e em qualquer tempo... Em qualquer tempo significa desde sempre, desde o princípio. Mas a origem não pode ser alcançada de modo direto pelo saber humano. É preciso, portanto, exprimi-la sob forma de uma narração' (p. 241).

Assim são deixadas de lado as definições do Concílio de Trento (1545-1563) e outras declarações conciliares proferidas desde a época de S. Agostinho e dos pelagianos (século V) até os tempos do janseísmo (séc. XVIII).

São estes os pontos mais significativos em que a obra em questão se apresenta falha. Em suma, pode-se dizer que é mais desconcertante do que concertante, pois levanta uma série de objeções às quais não dá resposta clara, deixando perplexo o leitor despreparado.

 

2. Refletindo

2.1. De modo geral

São dignos de louvor os estudiosos que se preocupam com o desembargo dos caminhos que levam à fé, oferecendo aos seus semelhantes um por que e um para que viver, em lugar do vazio que Sesboüé registra. Algumas tentativas famosas já foram feitas no sentido de adaptar a fé católica ao pensamento moderno; tais foram

-   a obra de Teilhard de Chardin, que, apresentou o mundo em evolução, mas silenciou a distinção entre matéria e espírito e a realidade do pecado original.

-   o propósito de teólogos holandeses que tentaram logo após o Concílio tornar mais compreensível ao homem moderno a conversão eucarística designada classicamente como "transubstanciação". Tal vocábulo, tido como demasiado estranho aos ouvidos contemporâneos, deveria ser, segundo esses teólogos, substituído por "transfinalização" ou "transignificação". A proposta gerou confusão e suscitou a encíclica Mysterium fidei do Papa Paulo VI;

-   o Pe. Bernard Sesboüé empreende semelhante tarefa sem lograr pleno êxito. Não se pode esquecer que a palavra do Evangelho é loucura para os gentios e escândalo para os judeus, conforme São Paulo em 1 Cor 1. O apologeta da fé deve procurar mostrar que essa loucura e esse escândalo vêm a ser suma sabedoria divina, mas não pode apagar tudo o que haja de discordante para o "bom senso" humano nesses dois predicados da fé.

2.2. Sobre a escatologia em particular

Eis o que a Igreja professa mediante a Carta Recentiores episco-porum da Congregaão para a Doutrina da Fé (17.5.1979)

A Congregação para a Doutrina da Fé, nesta carta (aprovada e mandada publicar pelo Papa), remetida aos presidentes das conferências episcopais, fez eco das tendências modernas de suprimir a escatologia intermediária.

Texto: AAS 71 (1979) 941.

1. A Igreja crê na ressurreição dos mortos.

2. A Igreja entende que esta ressurreição se refere ao homem todo; para os eleitos, ela não é senão a extensão aos homens da própria Ressurreição de Cristo.

3. A Igreja afirma a sobrevivência e a subsistência [continuationem et subsistentiam] depois da morte, do elemento espiritual dotado de consciência e de vontade, de tal modo que subsista [subsistat] o "eu humano", ainda que temporariamente privado do complemento do próprio corpo. Para designar este elemento a Igreja usa o termo "alma" [anima], consagrado pela Sagrada Escritura e pela Tradição. Embora não ignore que na Sagrada Escritura este termo tome significados diversos, julga, no entanto, que não há motivos válidos para rejeitá-lo, e o considera, além disso, um instrumento verbal absolutamente necessário para sustentar a Fé dos cristãos.

4. A Igreja exclui toda forma de pensamento ou de expressão que torne absurda, ou incompreensível à inteligência, sua oração, os ritos fúnebres, o culto dos mortos: todas estas coisas que, quanto à sua substância, constituem lugares teológicos.

5. A Igreja, segundo as Sagradas Escrituras, espera a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tm 6, 14; Tt 2, 13), que no entanto crê distinta e futura [dilatam] com relação à condição dos homens logo após a morte.

6. A Igreja, em seu ensinamento sobre o destino do homem depois da morte, exclui toda explicação que esvazie o sentido da Assunção da Virgem Maria no que ela tem de singular; isto é, no sentido de que a glorificação corporal da Virgem antecipa aquela glorificação que é destinada a todos os outros eleitos.

7. A Igreja, aderindo fielmente ao Novo Testamento e à Tradição, crê na bem-aventurança dos justos, que um dia estarão com Cristo. Ela crê também que o pecador será punido com o castigo eterno [poena aeterna], ficando privado da visão de Deus, e ainda numa repercussão desta pena em todo o ser do próprio pecador. Quanto aos eleitos, a Igreja crê, além disso, que pode haver uma purificação prévia à visão de Deus, que no entanto é completamente distinta da pena dos condenados. É isto o que entende a Igreja quando fala do inferno e do purgatório.

Donde se vê que a Igreja proclama, entre outros, quatro pontos importantes que vêm ao caso:

1)  A dualidade, não o dualismo, de corpo e alma. O corpo é matéria, a alma é espírito imortal; complementam-se entre si. Para tal tese há fundamento tanto na Filosofia tomista quanto na Escritura; cf. Mt 10, 28.

2)  Existe a escatologia intermediária ou um intervalo entre a morte do indivíduo e o juízo final na consumação dos tempos.

3)  A ressurreição da carne ocorrerá no fim dos tempos, por ocasião a segunda vinda de Cristo e logo antes do juízo final.

4)  Existem o céu, o inferno e o purgatório.

Sobre o pecado original ver PR 272/1984, p. 21; PR 476/2002, p. 3.



[1] Tradução de Manuel Rühurí. - Ed. Gráfica de Coimbra, Portugal, 679pp.

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