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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 518 – agosto 2005

Surpresa:

 

UM PAPA NA SINAGOGA

 

Em síntese: O artigo relata pormenores da visita do Papa João Paulo II à sinagoga de Roma: o Grão-rabino Elio Toaff, que o recebeu, era conterrâneo do Papa e lhe devia um grande favor.

 

Tem grande significado a visita do Papa João Paulo II à sinagoga de Roma em 13 de abril de 1986. O relato deste evento, com seus pormenores interessantes, foi redigido pelo Sr. Julival Moraes, que o cedeu a PR, pelo que a Redação da revista lhe é muito grata. - Eis o texto em pauta:

1. Antecedentes

Na Polônia, os judeus sempre foram discriminados e sitiados em guetos. Karol Wojtyla nasceu na cidade de Wadovice. Após a morte de sua mãe Emília, seu pai Karol, militar aposentado, passou a exercer o papel de pai e mãe do menino de oito anos.

Em Wadovice havia um rabino e duas sinagogas, e a população judaica era muito numerosa, cerca de vinte por cento, razão pela qual havia mais tolerância e não estava confinada em um gueto.

O pai de Karol alugou o segundo andar de uma casa pertencente a um judeu, o que levou o menino a ter um relacionamento mais estreito com crianças judias. Situando-se essa casa próximo à sinagoga, podiam-se ouvir os belos cantos cerimoniais judaicos por ocasião das festividades.

O pequeno Karol gostava muito de futebol e jogava como goleiro no time católico, mas, quando faltava goleiro no time judeu, ele era chamado para substituí-lo. Este íntimo contato lhe permitiu superar a intolerância existente entre as duas comunidades na Polônia. Certa vez um célebre cantor se apresentou na sinagoga no dia do Yom Kippur e seu pai o levou para ouvir o Kol Nidre. Durante toda a sua vida Karol continuou o relacionamento com judeus e alguns de seus colegas e melhores amigos eram dessa religião.

2. O convite

No dia 18 de fevereiro de 1981 Karol, já Papa e Bispo de Roma, por ocasião de visita pastoral à paróquia de São Carlos ai Catinari, no

Trastevere, teve um primeiro encontro com o Rabino-Chefe Elio Toaff, que então contou o seguinte:

"Durante a segunda Guerra Mundial, um casal de judeus poloneses foi deportado para um campo de extermínio. Tinham eles um filho pequenino, que conseguiram salvar entregando-o a um casal de vizinhos cristãos da cidade de Cracóvia, os Yakowiczowa. A senhora se afeiçoou muito ao menino e o amava como a um filho.

Quando souberam que os pais do menino haviam sido mortos no campo de extermínio de Auschwitz, decidiram adotá-lo. Depois da guerra, dirigiram-se a um jovem sacerdote católico para que batizasse o menino já com oito anos. O sacerdote, considerado como homem inteligente e aberto, pediu à senhora que lhe contasse por que razão essa criança tinha chegado àquela idade sem ter sido batizada. A senhora explicou que o menino era filho de um casal judeu que tinha sido executado num campo de extermínio.

"A senhora conhece a última vontade dos pais dessa criança?" -indagou o Padre. "Sim, respondeu ela, sua mãe disse a meu marido e a mim: se nós não voltarmos, lembre-se de que ele é judeu, e judeu queremos que continue sempre e que faça o possível para partir para Israel".

"Nesse caso, concluiu o sacerdote, eu não posso batizá-lo. É essa a lei da Igreja Católica e a senhora deve respeitar a vontade dos pais". Dito isto, o Grande Rabino acrescentou: "Esse menino, de oito anos era eu, e o jovem sacerdote polonês se chamava Karol Wojtyla, hoje o Papa João Paulo II, que tenho diante dos meus olhos".

Somente pelo fato dessa recusa, pôde Elio Toàff continuar a ser educado na religião judaica por parentes nos Estados Unidos, e mais tarde concluir seus estudos em Israel, vindo a se tornar o Rabino-Chefe de Roma.

O Papa, comovido, desejou retribuir-lhe a visita, surgindo daí o convite do Rabino-Chefe, que finalmente se concretizou.

3. A visita

A visita ocorreu às 17 horas do dia 13 de abril de 1986. Ao chegar ao Lungotevere dei Cenci, o antigo gueto romano, João Paulo fez portanto o que nenhum outro Pontífice jamais fizera na história da Igreja. O Papa, usando solidéu e hábito brancos, foi recebido ao som da música de Haendel e abraçado fortemente pelo Rabino-Chefe Elio Toaff, que usava o tradicional chapéu de oito pontas e trazia nos ombros um tallit de faixas azuis e brancas.

O cortejo, tendo à frente o grupo de Rabinos e o encarregado do cerimonial, foi saudado pelo cântico do Aleluia. Os dois lugares de honra, na parte alta da Tevá, que é a área sagrada do templo, foram ocupados pelo Papa e pelo Rabino-Chefe.

Depois da leitura de um trecho do Gênesis, em hebraico e em italiano, coube ao Presidente da Comunidade Israelita saudar o Papa.

Ao responder às diferentes homenagens, João Paulo II, reproduzindo a Declaração Conciliar Nostra Aetate, lamentou os ódios, as perseguições e as manifestações anti-semíticas dirigidas contra os judeus, enfatizando "por qualquer pessoa". "Sois os nossos irmãos prediletos e, de certo modo, poderei dizer que sois os 'nossos irmãos mais velhos'".

A importância dessa visita pode ser avaliada por ter sido o nome do ex-Rabino-Chefe Elio Toaff, atualmente com quase 70 anos, um dos três nomes de pessoa citados pelo Papa no seu Testamento Espiritual.

4. Conclusão

João Paulo II visitou o campo de extermínio de Auschwitz, onde rezou pelas vítimas do Holocausto, e em 1989 aprovou o documento da Pontifícia Comissão de Justiça e Paz intitulado "A Igreja e o Racismo -em direção a uma sociedade mais fraternal". Esse documento qualificou o anti-semitismo como "O grande pecado contra a humanidade. Não se pode ser anti-semita e cristão ao mesmo tempo".

No dia 12 de março de 2000, quando de sua peregrinação à Terra Santa, o Papa visitou o Memorial do Holocausto - Yad Vashen - em Jerusalém, e afirmou: "Não há palavras suficientemente fortes para deplorar essa terrível tragédia".

Um dos momentos de maior emoção de sua estada em Jerusalém foi o seu reencontro com o amigo de infância Jerzy Kluger, com o próprio Elio Toaff, e com a senhora Edith Tzier, a quem Wojtyla, provavelmente, salvou da morte.

Edith, nos meses finais da segunda guerra, em janeiro de 1945, tinha 14 anos e fora recém-libertada do campo de extermínio de Skarzysko - Kamienna. Por estar muito enfraquecida e doente, ao ser encontrada por Karol Wojtyla, seminarista de 24 anos, teve de ser alimentada e depois carregada por ele a uma distância de aproximadamente três quilômetros, para poder ser embarcada num trem de ajuda humanitária.

"Vim a Yad Vashen render homenagem aos milhões de judeus que, privados de tudo e principalmente de sua dignidade, foram assassinados durante o Holocausto", disse o Papa em Jerusalém. E acrescentou: "Mais de meio século se passou, mas as lembranças permanecem".

 

João Paulo também deplorou "o ódio, os atos de perseguição e as suas manifestações de anti-semitismo perpetrados por cristãos contra os judeus, em qualquer época e em qualquer lugar".

No memorial do "Holocausto Yad Vashen" há, desde então, uma vitrine que exibe fotografia do Papa rezando junto ao Muro das Lamentações, local símbolo do judaísmo, juntamente com o original do documento que Sua Santidade colocou numa greta desse Muro, tal como fazem os judeus.

Nesse bilhete está escrito: "Deus de nossos pais, Vós escolhestes Abraão e seus descendentes para divulgar Vosso Nome às Nações; profundamente pesarosos pelo comportamento dos que no decurso da história fez sofrer vossos filhos e pedindo Vosso perdão, assumimos o compromisso de uma genuína fraternidade com o Povo da Aliança. Jerusalém, 26 de março de 2000".

Agora que João Paulo II se retirou para a casa do Pai, cumpre honrar esse compromisso.

Ao ser divulgado dia 5 de abril o testamento de João Paulo II, redigido em polonês, em trechos escritos entre 1979 e 2000, o Rabino-chefe emérito de Roma, Elio Toaff, uma das pessoas vivas citadas nominalmente pelo Papa, declarou-se "comovido, muito comovido por essa citação. Jamais poderia esperar ver meu nome escrito no testamento do Papa".

 

Dom Estêvão Bettencourt


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