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INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS ROMANOS

 

Entre todas as epístolas que nos restam do apóstolo Paulo, esta, escrita aos romanos, ocupa no consenso universal, o lugar mais eminente. Com ampla visão, com vigor de pensamento, de estilo, ele expõe nesta epístola o Evangelho de Cristo, que, já por longos anos, vem pregando em suas viagens missionárias pelo mundo greco-romano: o fiel, seja pagão seja judeu, com a fé no Evangelho participa da justiça de Deus, justiça que nele vai crescendo sem cessar, tornando-se sempre mais perfeita (cf. 1,16).

Desenvolve o Apóstolo a sua tese com demonstração progressiva e bem concatenada, na qual não procede à maneira de mestre especulativo, frio e sistemático, e sim, na própria exposição doutrinal, revela o seu caráter ardente, a sua aguda sensibilidade, o seu coração que vibra de entusiasmo por Cristo, a sua inteligência exuberante de idéias que fluem numa seqüência rápida e como que a se atropelarem. Nada há de mais pessoal do que as epístolas de S. Paulo.

Na Epístola aos Romanos não trava polêmicas, nem pretende refutar algum erro em particular ou combater os costumeiros judaizantes, que lhe criavam obstáculos à pregação. Parte notável da comunidade cristã de Roma compunha-se de cristãos oriundos do paganismo. Muitos dentre eles, escravos ou libertos, eram de condição servil. Alguns pertenciam a classes mais elevadas. Havia, outrossim, certo número de judeus convertidos. Paulo dirige-se, por esse motivo, de modo especial aos fiéis de proveniência judaica, mas com facilidade passa de um a outro grupo.

Dispôs a Providência que Paulo, quando prisioneiro, apelasse para César, na presença do governador Festo (At 25,12), razão por que foi remetido para Roma, algemado, onde permaneceu durante dois anos completos, dando testemunho de Cristo (At 28,30-31). Dessa forma, teve ele, juntamente com S. Pedro, a honra de ser fundador da Igreja de Roma.

A Epístola aos romanos foi escrita em Corinto, como se pode concluir de muitos indícios, mesmo que se não tome em conta o c. 16. Dirigira-se o Apóstolo para essa cidade, passando pela Macedônia, depois do levante provocado contra ele pelos ourives efésios (At 19,21--20,1). Encontrava-se, nesse tempo, já em preparativos para seguir a Jerusalém, a fim de levar as esmolas coletadas pelas Igrejas da Acaia e pelas da Macedônia, que se destinavam aos pobres daquela comunidade cristã. Deve-se, portanto, fixar como data para essa carta o fim da terceira missão apostólica e, com toda a probabilidade, os primeiros meses do ano 57, antes da Páscoa.

Não obstante haja sido negada por alguns hiper críticos, a autenticidade manifesta da Epístola aos Romanos já não comporta discussão, pois os argumentos extrínsecos, e intrínsecos são tantos, que sua demonstração alcança plena evidência.

Sumário

Introdução (1,1-17). Cabeçalho (1, 1-7). Paulo e a Igreja de Roma (1,8-15). Tema da epístola: a salvação para todos consiste em ter fé no Evangelho (1, 16-17).

I parte, dogmática (1,18-11,36).

I. Necessidade do Evangelho para a justificação (1,18-4,25).

1.   Sem fé em Jesus Cristo não há salvação (1,18-3,20). Os pagãos, privados da fé, descambaram, por própria culpa, para as mais abomináveis aberrações (1,18-32). Mas os judeus, ainda que se gloriem da lei, são pecadores como os pagãos (2,1-16); transgridem a lei e não têm o espírito da circuncisão (2,17-29). Conseqüentemente, todos os homens, tanto pagãos como judeus, são pecadores (3,1-20).

2.   A justificação por meio da fé em Jesus Cristo (3,21-4-25). Quem crê, é justificado gratuitamente, sem as obras da lei (3,21-31). Essa verdade foi ensinada pela lei e pelos profetas. Exemplo de Abraão, justificado por meio da fé, e não mediante a lei, nem pela circuncisão (4,1-25).

II. Frutos da justificação (cc. 5-8),

1.   Paz e reconciliação com Deus e esperança certa da glória futura (5,1-11), Adão, com sua desobediência, foi causa de pecado para todos (5,12-21).

2.   Libertação da escravidão do pecado mediante o batismo. Mortos para o pecado, devemos viver para Deus (c 6).

3. Libertação da escravidão da lei, que era ocasião de pecado para o homem privado da graça, pois ela levava a conhecer o mal, sem que proporcionasse a força para o evitar (c. 7).

4. Filiação adotiva concedida por Deus e herança certa da vida eterna (8,1-30). Hino final ao amor de Cristo (8,31-39).

 

III. Problema da incredulidade dos judeus (cc. 9,11) .

1.   Tristeza do Apóstolo (9,1-5). Deus não falhou em suas promessas, nem pode ser acusado de injustiça (9,6-18). Há um mistério em sua maneira de agir, mistério que para nós é impenetrável. Deus é senhor de seus dons (9,19-29).

2.   Os judeus são responsáveis por sua reprovação, porque não quiseram compreender que a salvação está na fé em Jesus Cristo, anunciado através do Evangelho (9,30-10,21).

3.   A reprovação dos judeus é parcial e temporária (11,1-24); também eles hão de se converter, quando tiver chegado a seu termo a conversão dos pagãos (11,

25-32). Hino à sabedoria, bondade e onipotência de Deus (11,33-36).

 

II parte, moral (cc. 12,1-15,13).

1.  Deveres dos cristãos em suas relações recíprocas, fundadas sobre a vontade de Deus e reguladas por ele (c. 12).

2.  Deveres para com as autoridades (13,1-7). O mandamento da caridade, resumo de todos os deveres sociais (13, 8-10). Exortação à vigilância (13,11-14).

3.  Deveres para com os cristãos fracos na fé (14,1-15,13).

 

Epílogo: Intenção de Paulo (15,14--33). Recomendações e saudações (16, 1-24). Doxologia final (16,25-27).

 


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