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Maria ama seu corpo

 

Na minha coluna anterior, falei sobre o grande “mistério esponsal” do Natal. Ele é baseado na idéia – derivada da Bíblia e tantas vezes referida pelos santos e místicos – que Deus quer se “casar” conosco. Ele quer viver conosco para sempre em uma união eterna de amor que a Bíblia compara com o matrimônio. E, ainda mais, Deus quer encher sua esposa (a Igreja) com vida divina.

Como diz o Catecismo, “O sentido esponsal da vocação humana em relação a Deus é realizado perfeitamente na maternidade virginal de Maria” (505). E isso é o que celebramos no Natal. Deus se “casou” conosco para sempre ao mandar Seu Filho, nascido de uma mulher.

Minha própria experiência, de quem cresceu na Igreja – e aprendeu com as experiências de milhares de outros católicos ao redor do mundo em minhas palestras e viagens – me ensinou que muitos católicos possuem o que chamo de idéia “hiper-espiritual” sobre a Santa Virgem Maria. É como se o título “virgem” por si mesmo nos levasse a acreditar que Maria é de algum modo oposta às realidades corporais, ou que sua pureza imaculada a faz uma puritana ou mesmo um ser “assexuado”. Mas tais impressões de Maria só podem vir da projeção de nossa própria humanidade decaída nela.

Primeiramente, pureza não significa aniquilar nossa sexualidade – mas levá-la à perfeição. Longe de ser “assexual” Maria é a única mulher que já experimentou o plano original de Deus para a sexualidade em sua plenitude. A sexualidade não deve ser equiparada ao comportamento sexual. Maria permaneceu virgem. Mas a virgindade não deve ser igualada com “assexualismo”. A virgindade, a partir da perspectiva cristã, não é a negação da sexualidade, mas a aceitação do sentido e fim últimos da sexualidade – nos levar à união com Deus. Deus nos fez homem e mulher, e chamou ambos a se tornarem “uma só carne” como um sinal sacramental de uma realidade muito, muito maior – o matrimônio entre Cristo e a Igreja (ver Efésios 5, 31-32).

Esse é o significado original e fundamental da sexualidade humana e é assim que Maria deve ter experimentado sua feminilidade, sua sexualidade – como um desejo ardente de união com Deus. Através do dom da redenção, podemos começar a resgatar para nós essa verdade original, porém, mesmo para o mais santo de nós ela permanece manchada pela nossa condição decaída. Reconhecer Maria como “a Imaculada” é reconhecer que sua sexualidade nunca foi manchada pela nossa condição decaída. Pois ela experimentou a plenitude da redenção desde o primeiro momento de sua concepção.

Isso significa que a pureza de Maria lhe permitiu experimentar sua sexualidade em plenitude – como um desejo profundo de comunhão total com Deus em Cristo. É por isso que ela não teve relações sexuais com José: não porque a união conjugal seja “pecaminosa”, mas porque ela já estava vivendo a união superior à união sexual – a união com Deus. Sem querer menosprezar José, mas a união sexual terrena com ele teria sido, para Maria, um passo atrás. Ao contrário, Maria levou José um passo à frente com ela, em direção à realização de todo desejo.

E ela quer nos levar um passo à frente com ela também, em direção à plenitude da união com Deus. Mas para essa jornada é necessário reformularmos todas as nossas idéias e imagens distorcidas acerca de nossos corpos e de nossa sexualidade. Pois a união com Deus passa pelo caminho da redenção e da cura da sexualidade. E não há nenhuma rota alternativa. Aqui Maria, também, serve como perfeita guia e ajuda.

Como diz o Pe. Donald Calloway, “Maria nos mostra como aceitar o dom de nossa corporeidade, e isso inclui o sexo do corpo, recebido de Deus. Nisso é importante notar que o exemplo de Maria do que significa aceitar o dom do próprio corpo quer dizer que o corpo não é um obstáculo a ser transposto, mas, ao contrário, um dom a ser vivido. Maria nos deleita em sua corporeidade, especialmente no sexo que recebeu de Deus: a feminilidade. É precisamente em seu dom de ser uma mulher que Maria foi modelada e chamada a ser a “Theotokos” (mãe de Deus). O dom de seu corpo é exatamente o que lhe ajuda a se tornar a “Theotokos”. Pense no que teria acontecido se Maria tivesse se rebelado contra o dom de seu corpo feminino! Estaríamos em uma situação muito diferente hoje. (“Mary and the Theology of the Body”, pp. 55-56).

Maria, toda pura Mãe de Deus, mostrai-nos a beleza de vossa feminilidade e ensinai-nos, vos pedimos, a abraçar a beleza de nossa humanidade como homem e mulher feitos à imagem de Deus

 

Christopher West

 


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Claudio Maria

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