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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 349 – junho 1991

Paraíso?

Escandinávia: O Bem-Estar Que Não Satisfaz

 

Em síntese: Nestas páginas vai publicada a entrevista dada pelo Pe. Bartolome Menchén, estudioso da sociedade escandinava, sobre o "bem-estar" dos quatro países nórdicos da Europa: Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia. Aponta o suicídio de crianças, o aborto em alta escala, casais que se divorciam oficialmente, mas continuam a viver conjugalmente, porque o Estado dá uma pensão aos divorciados que fiquem com os filhos; alunos mal comportados na escola, que recebem pensão do Estado para que assistam às aulas e se comportem toleravelmente; a Igreja luterana esvaziada de muitos valores de fé; e machismo, no sentido de que a emancipação da mulher significa deixar de atender ao lar e aos filhos para ir trabalhar quase compulsoriamente fora de casa, como faz o homem.

Isto tudo decorre do materialismo subjacente ao "bem-estar" dos povos escandinavos. É claro que, ao lado das deficiências, o entrevistado reconhece os valores da sociedade escandinava; todavia o que lhe interessa, é dissipar a idéia de que a alternativa para o "paraíso" soviético é o "paraíso" escandinavo.

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A queda dos regimes marxistas do Leste Europeu dissipou as esperanças postas no paraíso comunista. Isto, porém, não significa que outros "paraísos" na terra possam satisfazer realmente ao homem, se baseados unicamente no gozo dos bens materiais. Na verdade todos os paraísos materialistas, sejam os de esquerda, sejam os do consumismo egoísta, são insuficientes para responder às aspirações humanas.

Ao modelo marxista tem sido apresentado como réplica o modelo escandinavo, onde a sociedade parece estruturada de modo a garantir aos seus concidadãos toda segurança e bem-estar. — Ora a revista espanhola PALABRA, em seu número 310, fevereiro 1991, pp. 41-46, publica a entrevista concedida a esse periódico pelo Pe. Bartolome Menchén, que se tem dedicado ao estudo dos países nórdicos e exerceu suas funções sacerdotais na Escandinávia durante os últimos anos. Transcreveremos abaixo, em tradução brasileira, o texto desse depoimento, muito revelador da situação daqueles povos nórdicos.

 

A ENTREVISTA

Dois exemplos

PALABRA: "É certo que, junto ao elevado nível de vida, existente nos países nórdicos, grande quantidade há de problemas humanos?"

BARTOLOME MENCHÉN: "É certo. A ponto mesmo de se poder dizer que, assim como, antes da queda do comunismo, era evidente que o sistema não tinha saída, assim há muitos indícios de que determinado modelo de sociedade ocidental está levando o homem a um beco sem saída e terminará por desmoronar.

 

Vou contar-lhe dois casos para exemplificar o que quero dizer.

Há anos, em Estocolmo verificou-se uma revolta que causou impacto à opinião pública. Num maravilhoso pôr-do-sol de verão, foi-se reunindo gente jovem numa Praça central, junto ao Palácio Real, essa é a zona comercial mais cara e elegante. Sem que alguém os provocasse, os jovens começaram a destruir veículos e vitrinas de casas comerciais, até que apareceram os policiais. Nos dias seguintes repetiram-se as concentrações e os quebra-quebras. A Polícia fez algumas detenções; os detidos declararam que não tinham motivo para protestar; simplesmente estavam fartos. Tentando aprofundar a questão, ficou claro aos investigadores que não se sabia de que estavam fartos; é certo, porém, que estavam fartos. O funcionário responsável do Governo declarou que, a seu modo de ver, o que se devia fazer era promover para esses jovens mais concertos de 'Rock'.

Algo de sério estava ocorrendo. É claro que tais manifestações coletivas são a soma de muitas crises pessoais.

Lembro-me também de que, numa ocasião, recebi em Helsinque o chamado telefônico de um desconhecido. Era um jovem que queria falar com um sacerdote. Tinha longa história em seu passado. Estivera em diversos países e fora encarcerado como chefe de movimentos juvenis comunistas. Depois de certo tempo em Moscou, solicitava asilo político na Finlândia. Dizia: 'Há pouco abandonei totalmente o comunismo. Foram anos em que vivi na mentira e na violência. Esperava encontrar outra coisa ao chegar aqui, mas, há dias, ao aproximar-me de um bêbado prostrado por terra, a fim de o ajudar, dei-me conta de que estava morto. As pessoas passavam ao seu lado com indiferença. Não sei o que fazer, nem o que pensar. .. Creio que saí de um inferno para cair em outro!'

Parece-me, retornando à idéia que eu queria exprimir, que somos pouco conscientes da situação em que nos encontramos, porque temos perdido a sensibilidade.

Proibido enamorar-se

PAL.: "Do ponto de vista da Moral, que na origem dessa perda de sensibilidade?"

B.M.: "O egoísmo, sem dúvida. O pensar apenas em si mesmo e medir tudo segundo os critérios da conveniência própria.

Chamou-me fortemente a atenção o fato de que a professora do grupo de estudo da língua sueca, de que eu participava, explicou que há pares de pessoas que vivem juntas (a convivência sem casamento é muito freqüente na Suécia), com a condição de não se enamorarem. Pode-se julgar que isto é desumano, e certamente o é. Mas faz-se mister reconhecer que também é lógico, dentro da lógica do egoísmo. Todo namoro é um laço e, quando a liberdade é tida como independência, os laços são vistos como armadilhas mortais, nas quais é preciso a todo custo evitar cair. Chega-se assim a uma indiferença angustiante em relação aos outros. Não é estranho por isto que, quando João Paulo II fala de recristianizar a sociedade, fale também de re-humanizar a sociedade."

PAL.: "E, do ponto de vista social, que ambientes manifestam mais claramente essa situação?"

B.M.: "Creio que todos os pontos nevrálgicos estão afetados: a vida, a família, a educação e a própria Igreja luterana. O socialismo nórdico empurrou decididamente as coisas nessa direção".

"Você tem o aborto garantido"

PAL.: "Vamos por partes. Que nos pode dizer V. R. sobre o respeito à vida?"

B.M.: "O Movimento Pró-Vida praticamente não existe nos países nórdicos. Na Finlândia alguns se apresentam para a batalha. Da Suécia lembro uma história muito significativa. Uma imigrante sul-americana, católica, esperava seu terceiro filho. Numa das entrevistas com a assistente social, que acompanhava a situação, esta lhe comunicou que já havia disposto todas as coisas para que fosse para o hospital. Com surpresa, já que estava passando muito bem, perguntou para que devia ir para o hospital. A resposta deixou-a emocionada: como já tivera dois filhos, supunha-se que queria abortar o terceiro e, por isto, já estava tudo preparado".

 

PAL.: "E a família?"

B.M.: "Logicamente sofre em cheio a crise que afeta o indivíduo. A família é constituída por pessoas e, se estas receberam educação individualista, transmitem as graves carências de que sofrem".

 

Assisti na TV sueca a cinco diálogos entre pais e filhos realmente lamentáveis. Na Suécia (trata-se de dados colhidos há poucos anos) uma entre quatro crianças precisa de atenção psiquiátrica antes dos quinze anos, e o número de suicídios infantis (127 por ano) é proporcionalmente o mais elevado do planeta.

 

Na Finlândia ouvi no ano passado uma série de programas de rádio que tratavam da conveniência de 'descansar' do cônjuge. Propunham que o marido e a mulher se separassem periodicamente um do outro e vivessem sem contatos durante um período mais ou menos longo, para evitar que chegassem a se entediar um do outro.

 

O número de divórcios, nesses países, triplicou nos últimos vinte anos. Na Suécia representa mais da metade dos casamentos. O sistema de subvenções encarrega-se de aumentá-lo, pois o Estado se obriga a pagar uma quantia conveniente à parte que fica com os filhos; mas, como os filhos podem viver alternativamente com o pai e com a mãe, ambos podem receber a subvenção.

 

A família separada encontra-se, portanto, em situação econômica mais favorável do que a unida. Há casos de pessoas divorciadas no papel, mas que continuam a viver juntas. Desta forma o orçamento é menos apertado. Pois a vida é muito cara e sustentar uma família numerosa supõe um desafio ao sistema e uma prova de valor.

 

Mas, mesmo quando não há uma família grande, a pressão social é tão forte que se torna muito difícil à mulher dedicar-se ao cuidado dos filhos e de sua casa. Na Suécia (em outros países nórdicos os índices são superiores) 90% das mulheres trabalham fora do lar. Não é estranho que Olof Palme tenha podido dizer: "A dona de casa morreu!" O que há de terrível, neste caso, é que não o tenha dito com preocupação, mas como quem proclama uma vitória.

Por conseguinte, a família está-se desintegrando há anos; e, dentro da família, especialmente a mulher, porque se trata de sociedades muito machistas".

Sociedade "machista"

PAL.: "Sociedades muito machistas? . . . Isto soa de modo um tanto surpreendente em países que se consideram vanguardeiros da emancipação feminina. Poderia explicar-nos o que quer dizer?"

B.M.: "Certamente pode parecer estranho acusar de machismo os regimes políticos da Europa Setentrional; mas creio que, se alguém não se deixa levar pelos estereótipos, isto é bastante claro. O dogma básico para as sócio-democracias nórdicas é a igualdade, ou melhor, o igualitarismo. Mas é a mulher que tem de se igualar ao homem e é pressionada de muitos modos para que o faça. Ocorrem às vezes situações pitorescas. Faz alguns anos, num Instituto do Sul da Suécia não se matriculara nenhuma aluna para um curso, se não me engano, de mecânica de motores. Mas sem a presença de um número mínimo de moças, prescrito por lei, o curso não podia começar. Então os alunos puseram-se a fazer campanha entre suas amigas, tentando convencê-las para que se inscrevessem, mas nada conseguiram; por isto as aulas não tiveram início.

Segundo pesquisas recentes, na Suécia, de 86% das mulheres que trabalham fora do lar, 70% desejariam ficar em casa e ocupar-se com os filhos; tal desejo, porém, é inexeqüível.

Além do mais, é preciso não esquecer que os movimentos feministas — talvez inconscientemente — ajudam e reforçam o planejamento machista. Entram no jogo da luta pelo poder, jogo que é da lógica típica masculina. Mas talvez seja este um assunto a explicar com mais vagar em outra ocasião".

 

Os maus estudantes recebem um subsídio

 

PAL.: "Passemos ao tema do ensino".

B.M.: "Toda a responsabilidade educacional foi transferida para o Estado ou, melhor, o Estado se apropriou dela. Praticamente não existe escola não estatal. Desde que nasce, o menino 'goza' dos desvelos do papai-Estado. Irá para uma instituição maternal a partir dos seis meses até começar a etapa escolar. A escola que ele freqüentar, lhe dará o mesmo tipo de ensinamento uniformizado e pragmático, ao qual não é necessário que preste muita atenção.

Recentemente na Suécia foi apresentado um plano-piloto original de 'subsídio escolar' para tentar superar os problemas causados pelos alunos rebeldes. A Delegacia Escolar de Perstorp paga uma quantia mensal aos maus alunos para que assistam às aulas e se comportem bem ou, ao menos, não se comportem agressivamente mal. O presidente do Conselho Superior de Ensino anunciou que, se o método der resultado, será introduzido em todas as escolas suecas.

Não deixa de ser significativo que haja recurso ao dinheiro para tentar superar profundos problemas humanos; talvez já se tenha perdido a confiança nos recursos éticos da sociedade".

 

Uma Igreja secularizada

 

PAL.: "E a Igreja Luterana não opôs um contrapeso a esse processo de desagregação moral?"

B.M.: "A Igreja Luterana sofre de profunda secularização. A sua situação varia nos diversos países, mas, em geral, não está em condições de ajudar muito no quadro comum da Escandinávia.

Lembro-me de que, há alguns anos, ao visitar uma paróquia luterana, tomei um folheto explicativo da Confirmação. Embora não a considerem sacramento, é uma cerimônia de que muito cuidam, e tem importante significado na pastoral paroquial. Aquele folheto animava os jovens à Confirmação e expunha as condições estabelecidas: perguntava se era necessário pertencer a alguma paróquia, à Igreja Luterana ou ser batizado. A tudo se dava a resposta negativa. Chegando à questão fundamental, perguntava se era necessário crer em Deus: a resposta também era negativa, porque 'cada um tem o seu conceito de Deus'. O único necessário, em conclusão, era unir-se ao grupo.

Logicamente há propostas mais inspiradas pela fé; não poucos dos mais inquietos sentem-se atraídos pela Igreja Católica. Em certa ocasião, passeando por Turku (a antiga capital da Finlândia) com um amigo, pastor luterano, falávamos da situação da Teologia. Dizia em tom convicto: 'Ainda resta bom número de pessoas antiquadas, mas, graças a Deus, há muitos progressistas'. Visto que eu tinha dificuldade para me situar adequadamente frente a esses progressistas, indaguei um pouco mais. Referia-se àqueles que procuravam o progresso numa visão interior e mantinham uma postura aberta e positiva diante da Igreja Católica".

 

PAL.: "Em resumo, o panorama não parece ser muito alvissareiro".

B.M.: "Depende de como se considera. Por certo, as coisas não vão bem; mas, como disse no começo, o muro do materialismo prático não se pode manter de pé; e para mim não é temerário crer que está perto da sua ruína. O que causa dó, é que, enquanto nessas sociedades muitos tentam procurar luz para sair do marasmo, os dirigentes nos encaminham alegremente para o precipício e ainda se aborrecem porque os Bispos dão o grito de alarme. Como quer que seja, há muita gente que está reagindo de maneira responsável e se sente feliz por ser chamada a obra de tanta envergadura como é a regeneração moral da sociedade".

 

* * *

 

O texto é um testemunho de que qualquer organização da sociedade que se confine aos bens temporais, é insatisfatória para o homem. Este foi feito para o Absoluto ou para Deus, e não descansa enquanto não se volta para Ele. A sociedade moderna transmite assim eloqüente lição aos cristãos, exortando-os a que não se deixem iludir pelo secularismo que os ameaça. "Vós sois o sal da terra. . . Se o sal perder o seu sabor, com que se há de salgar?" (Mt 5,13).

 

Dom Estêvão Bettencourt


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