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INTRODUÇÃO A JOÃO

O quarto Evangelho, pela feição particular que o caracteriza, afasta-se dos Evangelhos sinóticos. Seu fim principal, como o nota o próprio autor (20,31), é fazer ressaltar a divindade de Cristo, e para tal fim convergem tanto a elevação dos discursos, reproduzidos com os mesmos milagres narrados e o prólogo admirável, que se refere ao "Verbo que se fez carne, e nós vimos a sua glória como de filho unigênito do Par (1,14).

Por causa desse caráter transcendente que o reveste, os antigos Padres chamaram o quarto Evangelho com um termo próprio: Evangelho espiritual; os gregos, por sua vez, deram a João o título de Teólogo.

Não é que a figura de Jesus nele delineada seja diferente da que dele traçam os sinóticos, pois, ainda que o quarto Evangelho realce mais o aspecto divino, não se descuida do seu aspecto humano e aquele seu Jesus combina perfeitamente em tudo com o dos sinóticos.

Da leitura de muitas de suas páginas, como, por exemplo, de alguns milagres como a cura do cego de nascença, a ressurreição de Lázaro etc., escritas com tão admirável simplicidade e vivacidade de colorido, que revelam a testemunha ocular, surge bela, eloqüente a figura humano-divina de Jesus, todo bondade e misericórdia, como o dos sinóticos. Aí encontramos identificada a doutrina com as mesmas verdades e os mesmos preceitos, ainda que mais desenvolvida e mais elevada. Ê que cada um dos evangelistas escolheu e narrou o que da vida e dos ensinamentos do Mestre interessava ao seu objetivo, sem pretender esgotá-lo sob todos os aspectos.

Compare-se o seguinte quadro do quarto Evangelho com os que apresentamos nos três precedentes estudos.

Prólogo. O Verbo divino que se faz carne (1,1-18).

1-parte - Jesus manifesta sua divindade e é reconhecido pelos homens de boa vontade (1,19-4,54).

Pregação de S. João Batista e seu testemunho a respeito de Jesus (1,19-35); primeiros discípulos de Jesus (1,36-51).

Primeiro milagre de Jesus nas bodas de Caná (2,1-12). Em Jerusalém, Jesus purifica o templo (2,13-22); faz milagres e muitos crêem nele (2,2325); instrui Nicodemos (3,1-21). Na Judéia com os discípulos, que batizam; novo testemunho de João Batista (3,22-36).

Colóquio com a samaritana (4,1-42) e volta à Galiléia; cura o filho de um oficial (4,43-54).

II-parte - Oposição dos judeus à pregação de Jesus (5-12).

Em Jerusalém: cura do paralítico (5, 1-9); os judeus são pela observância do sábado (5,10-16). As ações de Jesus, Filho do Pai (Deus) e tríplice testemunho em seu favor (5,17-47).

Na Galiléia, Jesus multiplica uns poucos pães para 5.000 homens (6,1-15) e em Cafarnaum profere um sermão às turbas sobre o pão que desce do céu (promessa da eucaristia; 6,16-60); defecção de muitos de seus discípulos (6, 61-7,1).

Em Jerusalém, na festa dos Tabernáculos; pregação no templo e hostilidade dos judeus (7,2-52); acusação e absolvição da mulher adúltera (7,53-8,11). Jesus é a luz do mundo (8,12-20), o Salvador e Filho de Deus (8,21-59). Cura do cego de nascença e irritação da oposição (9). O bom pastor (10,1-18). Dissensões entre os judeus (10,19-21).

Em Jerusalém, na festa da Dedicação (10,22-39). Na Peréia (10,40-42), Jesus ressuscita Lázaro (11,1-46); os judeus deliberam fazê-lo morrer (11,47-57). A ceia em Betânia, seis dias antes da Páscoa (12,1-11). Ingresso triunfal em Jerusalém (os Ramos: 12,12-19); pressentimento da paixão (12,20-28); último apelo à (12,29-36). Causas da incredulidade dos judeus (12,37-50).

III-parte - Paixão, morte e ressurreição de Jesus (13-21).

Ultima ceia: Lava-pés (13,1-20); saída de Judas (13,21-32); longo sermão após a ceia (13,33-16,33); oração de Jesus ao Pai (17).

No horto, Jesus é capturado (18,1-12), levado a Anás e depois a Caifás, é negado por Pedro (18,13-27). Jesus no pretório de Pilatos; primeiro interrogatório, flagelação e coroação de espinhos (18. 28-19,3). Segundo interrogatório e condenação (19,4-16).

No Calvário: crucifixão e morte (19, 17-30); golpe de lança no lado de Jesus e sepultura (19,31-41); aparições de Jesus ressuscitado: à Madalena (20,1-

18); aos discípulos, na ausência de Tomé (20,19-23); ainda aos discípulos, com Tomé (20,24-31); às sete pessoas perto do lago de Tiberíades (21,1-14). Confirmação do primado a Pedro (21,15-19). Destino e veracidade do evangelista (21, 20-25).

Procurou o autor conservar-se anônimo, mas ocultou seu nome sob um véu tênue e transparente, que se intui com toda a facilidade. Com efeito, por um exame atento resulta que o autor é judeu, que conhece, até mesmo nos mínimos particulares, as instituições judaicas e os acidentes topográficos da Palestina e de Jerusalém, no tempo  de  Cristo.

Desse exame resulta ainda ser o escritor um judeu de origem, que, escrevendo em grego vulgar, revela-se judeu no estilo, no desenrolar dos períodos, em muitas locuções próprias das línguas semíticas, no paralelismo que usa quando se lhe apresenta a ocasião e na modalidade mesma dos conceitos. Essas características — cumpre notá-lo — oferecem-nos valioso argumento para afirmar a unidade do quarto Evangelho, sem eruditos acréscimos de vários elementos hauridos de fontes diversas e também sem descontinuidade de pensamento e de finalidade, como pretenderam certos críticos, guiados por seus preconceitos apriorísticos.

Resulta outrossim ser o autor um judeu que afirma com insistência, para garantir a verdade do que narra, ter sido testemunha ocular dos fatos (1,14; 19, 35), como o afirma também o autor da primeira epístola atribuída a S. João, a qual é como que a introdução e o complemento do seu Evangelho (cf. 1Jo 1, 1-3).

Resulta, além disso, que o autor é um discípulo de João Batista, que se tornou um dos primeiros discípulos de Jesus; que pertence ao colégio apostólico e que foi o discípulo predileto de Jesus. Coisa estranha: ele jamais fala dos dois filhos de Zebedeu, Tiago e João. Ora, dos três discípulos que Jesus amava mais, o autor do quarto Evangelho não pode ser Pedro, pois mais de uma vez se percebe que é distinto dele. Tiago, irmão de João, também não pode ser, pois foi condenado à morte por Herodes Agripa (no ano 43).

Todos os dados apresentados verificam-se com exatidão no apóstolo S. João, confirmando plenamente a voz autorizada da tradição. Aos testemunhos implícitos, isto é, às citações anônimas do quarto Evangelho, que se encontram nalguns Padres apostólicos e que remontam aos primeiros decênios do século II, poucos anos após ter sido escrito, unem-se os testemunhos explícitos das várias Igrejas do Oriente e do Ocidente, representadas por nomes e documentos autorizados, como Papias, Polícrates, Irineu, Justino, Teófilo de Antioquia, o Fragmento muratoriano, para falarmos somente dos mais antigos.

Esse conjunto de testemunhos implícitos e explícitos ê unânime em afirmar que o quarto Evangelho foi escrito pelo apóstolo João, o discípulo predileto de Jesus.

Pela leitura do quarto Evangelho vemos que João já supõe conhecida pelos seus leitores a vida de Jesus, antes narrada pelos sinóticos e que ele quer completar o que aqueles escreveram. Quando o escreveu, o cristianismo já se achava amplamente difundido, de modo especial no império romano, e o clima religioso da Igreja bastante mudado em relação ao tempo em que os evangelistas escreveram os sinóticos.

Na Ásia Menor tinham começado a pulular os multiformes erros do gnosticismo, que negavam a divindade de Cristo e sob o rótulo aparente de ciência superior, tentavam insinuar-se nas comunidades cristãs. Para combater esses erros sedutores e estabelecer as bases irrefragáveis da divindade de Jesus Cristo, João escreve então o seu Evangelho. Com essa finalidade, ele narra muitos discursos de Jesus e alguns milagres que projetam mais luz sobre a divindade do Salvador. Não nos deve causar admiração o fato de Jesus ter dirigido discursos mais elevados aos escribas e aos fariseus do que os que dirigiu às turbas da Galiléia, e que esses discursos — não referidos pelos sinóticos por não se enquadrarem com o seu escopo — proferidos à maneira de perguntas e respostas, com sentenças curtas e pejadas de conceitos, como era então costume fazer-se entre os rabinos, tenham ficado indelevelmente impressos na mente de João, que os meditava diariamente e repetia com freqüência, em suas catequeses aos primeiros cristãos. Reproduziu-os, por isso, fielmente no seu Evangelho, pelo menos quanto à substância, e o mais das vezes também com as próprias palavras que o Mestre pronunciou.


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