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Pergunte e Responderemos - Apologética - Ciência e reencarnação - por Estêvão Bettencourt

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 539/Maio 2007
Apologética

Para além da morte:

CIÊNCIA E REENCARNAÇÃO

Em síntese: A revista PLANETA de fevereiro 2006, pp. 54-59, publicou uma reportagem favorável à reencarnação baseada na descoberta de que a consciência do homem não morre, mas sobrevive como mônada quântica. Dizemos que a sobrevivência da alma humana é fato notório aos olhos mesmos da razão e da filosofia. Os fenômenos que parecem comprovar a reencarnação são discutíveis e na verdade nada provam.
* * *
A revista PLANETA, fevereiro 2006, traz uma reportagem devida ao Sr Amit Goswami, professor indiano da Universidade de Diregiwsa. Trata da sobrevivência da "consciência", que o articulista julga poder ser tomada como base da teoria da reencarnação. Examinaremos, a seguir, o conteúdo do artigo para lhe dar uma resposta.

1. O conteúdo do artigo
A. Goswami começa lembrando que a Teosofia, fundada por Madame Blawatsky no século XIX, que tinha como pilastra capital a tese da reencarnação. Esta parece confirmada hoje em dia pela Física Quântica, que admite a sobrevivência da consciência também chamada "mônada quântica" e que se faz presente nas sessões espíritas, respondendo às interrogações propostas aos médiuns pelos familiares da pessoa "desencarnada". Manifesta-se também no fenômeno do "já visto"; pessoas que julgam nunca ter estado em determinado lugar, já o freqüentaram, como lhes parece, em encarnação anterior. Essa mônada quântica renasce neste mundo; como pode renascer? - Eis a resposta (aliás, assaz obscura): "É nossa intenção (no momento da morte), por exemplo, que transporta nossa mônada quântica de um corpo mais usado para outro" (p. 57).
O autor admite quatro corpos em cada ser humano: o físico, o vital, o mental e o intelecto, mas afirma que somente o corpo físico é localizado e estrutural.
Goswami cita ainda as experiências de pessoas que, em coma profundo, saíram de seus corpos e viajaram como dizem, pelo espaço. Refere-se aos anjos, dos quais fala a Bíblia e que são mensageiros do além para os homens na terra como foi Gabriel em relação a Maomé e ao Corão, como dizem. E termina o artigo nos seguintes termos: "Na linguagem de nosso mundo, esse tipo de anjo poderia ser uma mônada quântica desencarnada cuja participação no ciclo de nascimento e renascimentos já terminou" (p. 59).
Insinua-se assim ao leitor a tese da reencarnação.

Pergunta-se:
2. Que dizer?

Responderemos em quatro etapas.

2.1. O ser humano
Todo ser humano consta de corpo material e alma espiritual: há um só corpo, que é físico, e uma só alma ou princípio vital desse corpo, alma que responde por todas as manifestações vitais desse corpo (vegetativas, sensitivas e intelectivas).
A alma humana, sendo espiritual, é imortal. Quando o corpo está desgastado, ela o deixa e vai colher os frutos da semeadura realizada na sua vida terrestre. Ela não pode sair do corpo sem que este morra; não pode, portanto, passear pelos ares e voltar ao corpo. Os relatos de pessoas que fizeram a experiência "quase morte'' são explicáveis pelo fato de que existe em todo ser humano um arquétipo de paraíso extraterrestre ou também o anseio de voar para fora dos limites da corporeidade, dominando os espaços... Ver a propósito PR 522/2005, p. 531.
A alma humana não tem que ver com "mônada quântica", pois, sendo incorpórea, ela não é dimensionável ou não pode ser expressa em fórmulas matemáticas. Não é necessário, portanto, dizer que a ciência moderna dá provas da existência da alma humana; na verdade, desde o filósofo grego Aristóteles (t 322 a.C.), é conhecida a noção de morphé ou entelechia (forma e ato) do corpo humano. Há autores modernos que não usam a palavra "alma" porque esta lhes parece ter um sentido religioso.
Afirmando a composição de corpo e alma no homem, estamos voltando ao dualismo repudiado pela ciência? - Não. Esclareçamos os termos:
Dualismo é a existência de dois sujeitos antagônicos entre si; tais seriam matéria (má) e espírito (bom), segundo os maniqueus. Para evitar o dualismo, não é preciso professar o monismo, que pretende reduzir os dois termos à unidade. A sã filosofia afirma a dualidade; esta reconhece haver dois termos, não antagônicos, mas complementares entre si; tal é o caso de homem e mulher: são, sem dúvida, distintos e complementares. Assim também são distintos e complementares corpo e alma (estão em dualidade e não em dualismo).

2.2. O "já visto" ou a paramnésia
Muitas pessoas que vão, pela primeira vez, a determinado lugar têm a impressão de já haver estado aí, reconhecendo o ambiente com suas características. Pergunta-se: como explicar tal fenômeno, dito de paramnésia, se não pela reencarnação? Em vida pregressa, a pessoa já teria visitado tal lugar.
-A propósito, podem-se fazer quatro ponderações, que dispensam a reencarnação:

a) Às vezes a pessoa não esteve conscientemente no lugar, mas lá estava inconscientemente; ora o inconsciente (mesmo o de uma criança de colo) colhe impressões e as guarda latentes. Digamos, pois, que uma criança seja levada a uma praça pública ou a um cemitério; trinta anos mais tarde supostamente, essa pessoa volta a tal ambiente; compreende-se que o reconheça imediatamente. Afirmará conscientemente já ter visitado o lugar - o que será verdade, não, porém, numa encarnação anterior.

b) Pode acontecer também que a pessoa tenha visto imagens do lugar em fotografias de livros ou filmes - o que leva a crer que já tenha estado no lugar.

c) Existe também a explicação pela hiperestesia. Há pessoas cujo inconsciente é capaz de ler o inconsciente de outrem. Ora, se vou ao Japão pela primeira vez e tenho a impressão de já ter estado lá, posso perguntar-me se nunca me achei ao lado de uma pessoa que já tivesse estado no Japão. Caso positivo (o que é plausível), eu terei percebido inconscientemente o que o amigo vira conscientemente e trazia no seu inconsciente.

d) Acontece também que há muitos objetos e lugares semelhantes, de modo que, ao dizermos que já vimos algo, podemos estar confundindo esse algo com algum similar.

Em suma, há várias explicações possíveis para o fenômeno da paramnésia dotadas de base científica; a única destituída de fundamento seria o recurso à reencarnação.
Reencarnação é tema já várias vezes abordado em PR. Ver, por exemplo, 491/2003, p. 195; 390/1994, p. 494; 361/2002, p. 278; 360/2002, p. 215.

2.3. Comunicação com os mortos
Pergunta Goswami: "Como um médium se comunica com uma mônada quântica desencarnada?"
- Em resposta afirmamos que não há comunicação com as almas que deixaram esta vida terrestre. As respostas que o médium dá a quem o consulta, ele as lê no inconsciente do consulente: dados referentes à questão colocada. Assim, a quem lhe pergunta como vai o pai (do consulente) o médium poderá responder: "Teu pai se chamava N. N. Era homem muito bom, prestativo e amigo de todos. Já se refez do desastre de automóvel que provocou a desencarnação. Manda um grande abraço". Isto tudo é dito em conseqüência de leitura do inconsciente do consulente.
A Parapsicologia explica bem os casos "surpreendentes" de necromancia.

2.4. Reencarnação
A tese da reencarnação luta com a grande dificuldade de, em estado psíquico normal, ninguém ter consciência do que terá sido em alguma vida pregressa.
Ora, para quem ignora o motivo pelo qual está destinado a se purificar neste mundo (ou pelo qual se reencarnou), é vã a sanção ou a reencarnação. A justiça humana exige que o réu castigado saiba por que é punido; o bom senso se revolta contra uma punição que não tenha explicação. Para que eu me possa emendar dos erros pelos quais sou punido, devo saber quais foram. Até mesmo o cão que é castigado por ter sujado a casa é instruído a respeito da falta que cometeu.
Não obstante, certos pensadores apontam para “relatos de vida pregressa”.
Com efeito, há pessoas que, em sono hipnótico ou em transe, recebem a ordem de narrar sua vida pregressa e, de fato, relatam episódios ou mesmo enredos de vida que bem parecem corresponder a uma encarnação anterior. Nisto parece haver uma prova da reencarnação.
Que dizer?

As pesquisas sobre as narrações de vida pregressa feitas em sono hipnótico permitem dizer que se trata de fenômenos letárgicos, assim explicáveis: habitualmente temos consciente apenas 1/8 do conhecimento que adquirimos desde a infância; os 7/8 restantes ficam no inconsciente, como que ignorados. Contudo, por efeito de um choque psicológico forte, as noções latentes podem aflorar e combinar-se de muitas maneiras, dando ocasião a que o indivíduo fale e proceda como se houvesse mudado de personalidade. É o que se verifica, por exemplo, quando alguém é colocado em estado de transe: um hipnotizador que possua domínio sobre o seu paciente, pode sugerir-lhe que experimente as situações mais estranhas e ridículas: o hipnotizado sentirá então sucessivamente calor e frio com os sintomas típicos dessas situações; fará convictamente às vezes de soldado, de General e de Rei, de ricaço e de mendigo, de acordo com as sugestões que o operador lhe quiser incutir; retrocederá no tempo, comportando-se como criança, tomando voz infantil, mostrando-se tagarela e caprichoso; tentará engatinhar, escreverá com letra de aprendiz de escola primária. E, se o hipnotizador insistir, conseguirá que o seu paciente "ultrapasse o limiar da vida presente", contando episódios de uma vida anterior à atual, episódios que, uma vez analisados, se evidenciam como fatos ocorridos ao hipnotizado na existência atual, mas diversamente associados entre si pela fantasia. Da mesma forma, o operador poderá fazer que o paciente antecipe o futuro ou a velhice, tornando a voz rouca e trêmula de um ancião. Vale à pena registrar o seguinte: o hipnotizador que em Shreveport (Luisiana) conseguiu levar diversas pessoas a vidas pregressas, cometeu um descuido ao enfrentar o quarto paciente: em vez de lhe dizer: "Quero que você retroceda... mais... através do tempo... até outro lugar..., disse "mais... e mais até outro mundo". O paciente então anunciou imediatamente que era um ser estranho chamado "C", que vivia na Lua e que realizava viagens interplanetárias num disco voador!
Também é significativo este particular: em geral, as pessoas que dizem recordar-se de suas existências passadas, apresentam-se como personagens importantes. O observador, Douglas Home declarava que já tivera a honra de encontrar ao menos doze Marias Antonietas, rainha da França, seis ou sete Marias Stuarts, rainha da Inglaterra, multidão de São Luís e outros reis, uns vinte Alexandres e Césares, nunca, porém, se defrontara com personagem insignificante. Ora quem entra numa clínica de doentes mentais tem fácil oportunidade de conversar com muitos "vultos eminentes" da história passada. As pretensas afirmações de reencarnação não serão, pois, em vários casos, expressões requintadas da megalomania de indivíduos psicopatas ou do simples desejo de “ser grande”?

3. Conclusão
É muito alvissareiro o fato de que cientistas reconheçam a imortalidade da alma. Não o façam, porém, identificando a alma humana com uma mônada quântica. A razão, independentemente da fé, professa a existência da alma humana imortal.
Quanto á crença na reencarnação, ela entra em conflito com a Parapsicologia, que é ciência hoje mundialmente reconhecida.
Os anjos não sejam equiparados às almas dos homens e mulheres falecidos. São criaturas feitas para viver sem corpo ao serviço de Deus e de seu plano de salvação.
O artigo de PLANETA apresentado nestas páginas é interessante mas, uma vez mais, contribui para evidenciar quanto deixa a desejar a abordagem de temas filosófico-religiosos em nossas revistas ilustradas.

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