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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 504 – agosto 2004

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INFALIBILIDADE DA IGREJA E VIDA PÓSTUMA

 

 

Em síntese: O artigo responde a perguntas recebidas por e-mail, versando sobre aspectos particulares da mensagem cristã: infalibilidade da Igreja, limbo dos pais, inferno...

*   *   *

A comunicação eletrônica tem sido um canal fecundo de intercâmbio com amigos. Muitas perguntas que assim chegam a PR, são de interesse geral. Eis por que abordaremos algumas nas páginas subseqüentes.

1. Infalibilidade da Igreja

1. "Compreendo bem que a Igreja - Papa. Magistério e Bispos em comunhão - são infalíveis em matéria de fé. Ainda não compreendo bem a infalibilidade em matéria de costumes (morai), já que são tantas as culturas com respectivos e diversos costumes dos do catolicismo. Fico constrangido de afirmar sua iliceidade".

Em resposta notamos: o amigo aceita o magistério da Igreja no tocante à fé porque a fé não se discute; é algo que a pessoa pode não aceitar, mas que, uma vez aceito, é aceito como tal (se o fiel quer ser coerente).

O amigo, porém, duvida da validade do magistério em matéria de Moral, porque há tantos sistemas de Moral e tantos modos de vida humana sobre a Terra que parece temerário oficializar ou canonizar um só.

A propósito observamos que a Moral católica - e, por conseguinte, o magistério da Igreja - se fundamenta sobre duas bases que lhe conferem inabalável firmeza: a doutrina da fé e a lei natural.

A Moral católica é a conseqüência prática das verdades da fé. Quem adere a Jesus Cristo, propõe a si mesmo seguir Jesus Cristo; isto pode implicar até mesmo a vivência dos conselhos evangélicos (cf. Mt 19, 21). Está claro que esta fundamentação bíblica só é válida para quem tem fé.

A outra base da Moral católica é a lei natural, inscrita no íntimo de cada ser humano: não matar, não roubar, não adulterar, não caluniar... É a lei natural, e não somente o Evangelho, que rejeita o divórcio, o aborto, a prática do homossexualismo...

Quando a Igreja se pronuncia em público sobre alguma questão de Moral, ela o faz na base da lei natural, que é a lei de Deus impressa na consciência do homem. O fato de haver muitos sistemas de Moral e muitas concepções éticas diferentes não relativiza a Moral católica, pois a verdade é uma só e não se decide por plebiscito; a lei natural não é postulado de alguma escola, mas é um princípio objetivo que todo ser humano pode reconhecer.

1.2. Galileu estava certo: a Igreja estava errada. Onde fica a infalibilidade?

A infalibilidade da Igreja versa apenas sobre questões de fé e de Moral, não sobre ciências naturais. O debate suscitado por Galileu discutia o binômio "geocentrismo ou heliocentrismo?". Verdade é que os teólogos da época (século XVII) julgavam ser o geocentrismo ensinado pelas Escrituras (ver especialmente Js 10, 7-15, passagem que narra "o estacionamento do sol" a pedido de Josué). Naqueles tempos não se conheciam os gêneros literários. Ver análise do texto de Js 10, 7-15 às pp. 364s deste fascículo. Notemos, aliás, que não somente católicos, mas também os protestantes lutaram até o século XIX para aceitar o heliocentrismo.

2. Vida póstuma

2.1. A alma humana é espiritual (criada assim por Deus), portanto imortal. As almas dos justos que faleceram antes da descida de Jesus à "mansão dos mortos" não gozavam de bem-aventurança?

Os justos falecidos antes de Cristo não podiam gozar da visão de Deus face a face, pois esta é o prêmio que Jesus nos obteve por sua vitória final. Achavam-se num estado que chamamos "limbo" ou "o limbo dos Pais" para diferenciá-lo do limbo das crianças (estado em que, segundo S. Anselmo de Cantuária, estariam as almas das crianças mortas sem Batismo). Pouco sabemos a respeito do limbo dos pais; é de crer que proporcionava a alegria da fidelidade a Deus, sem que possamos descer a mais pormenores.

Os livros mais antigos da Bíblia falam de cheol como sendo uma região subterrânea na qual estariam localizados os refaim ou o núcleo inconsciente e adormecido da personalidade de cada indivíduo que deixasse este mundo. A concepção primitiva devia ceder à de uma justa retribuição póstuma, como aparece na parábola de ricaço e de Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). O vocábulo "limbo" vem do latim "limbus", que significa orla. A orla do cheol seria, segundo as concepções do judaísmo, o local dos justos falecidos antes de Cristo. Os cristãos não reconhecem essa topografia do além; entendem que céu, inferno e purgatório são estados de alma.

 

2.2. Ante o Bem supremo não se tem escolha. Como entender a possibilidade do inferno?

Na verdade, a vontade humana foi feita para o bem,... e o bem em toda a sua amplidão, o Bem Infinito. Ora Deus é o Bem Infinito. Visto face a face, ninguém pode deixar de lhe aderir, e aderir irrevogavelmente. É isto que se dá com as almas dos justos na Bem-aventurança celeste. Contemplam e amam a Deus insaciavelmente, como diz S. Agostinho.

Outra, porém, é a condição das criaturas humanas na Terra. Vêem a Deus indiretamente ou através do espelho das criaturas; esse modo de ver deixa ocasião a que a pessoa não se sinta atraída por Deus: é invisível aos olhos da carne, ao passo que o dinheiro e os prazeres sensíveis parecem mais reais e promissores: Deus pode até implicar um desmancha-prazer a alguns e ser preterido em favor de bens imediatos materiais cujo cultivo pode levar à perdição póstuma. Ao falar de inferno, é oportuno recordar que ninguém sabe o que ocorre à alma do pecador mais obstinado na hora da morte; pode acontecer que se arrependa e peça perdão a Deus, logrando assim a salvação eterna.

A fé requer um coração puro, sem paixões desregradas. "Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus" (Mt 5, 8).

 

APÊNDICE

Josué e o milagre do sol

Em Js 10, 7-15 parece descrito o estacionamento do sol a pedido de Josué - episódio que muito ocupou os estudiosos no decorrer da história. Procuravam explicar o fenômeno como se a Terra tivesse parado ou por um reflexo do sol numa nuvem situada no horizonte ou por uma chuva de meteoros (ou de corpos celestes), ou por relâmpagos que teriam iluminado extraordinariamente a noite...

Hoje em dia estas explicações são postas de lado, pois os estudiosos verificam que há um mal-entendido na base das mesmas: o texto sagrado não quer insinuar um milagre tão extraordinário. - Com efeito, quem lê atentamente Js 10, 7-15, toma consciência de que há aí duas narrações paralelas provenientes de duas diversas fontes: uma em prosa, devida ao autor mesmo do livro, que abrange os vv. 7-11; e outra, em poesia, citação transcrita de outro livro (12-13b) e ornada de breve comentário (13c-14). O versículo 15 é comum às duas narrações.

De fato, o v. 11 refere ao leitor já o fim da batalha com a vitória de Josué; Israel foi nesta campanha ajudado por violenta tempestade de granizo, que "o Senhor desencadeou" (o que parece insinuar uma intervenção extraordinária de Deus). Após o v. 11, poderia seguir-se o v. 15, ou seja, a menção da volta de Josué ao acampamento. Ora entre os vv. 11 e 15 há um episódio (12-14), que reconduz o leitor às peripécias da batalha; vê-se que é um enxerto. Os vv. 12-13a referem a oração de Josué:

"Sol, detém-te sobre Gabaon,

E tu, lua, sobre o vale de Ajalon.

13a E o sol parou, a lua se manteve imóvel,

Até que o povo se tivesse vingado dos seus inimigos".

O v. 13b indica a fonte donde foram transcritos os versos poéticos anteriores: o Livro dos Justos, também citado em 2Sm 1,17s; tal livro era uma coleção de cantos poéticos de Israel, que exaltavam os grandes feitos dos heróis nacionais. Os vv. 13c e 14 são um comentário em prosa da segunda parte do texto citado; devem-se ao autor da transcrição.

Esta análise nos mostra que os vv. 12-14 se referem à batalha descrita em 7-11, realçando em estilo poético o que ela teve de glorioso.

Pergunta-se agora: que significa a parada do sol no estilo poético?

Os judeus julgavam que a Terra era recoberta por um firmamento ou uma abóbada cristalina, sobre a qual o sol e a lua giravam. Quando fazia mau tempo ou tempestade, diziam que o sol se retirava para sua tenda no firmamento e lá ficava escondido e imóvel durante a tempestade (ver a propósito Hab 3, 11). Por conseguinte, quando o texto sagrado diz que Josué pediu o estacionamento do sol, quer significar que Josué pediu uma tempestade para ajudá-lo a vencer os adversários. O texto diz-nos que Josué também pediu o estacionamento da lua..., a menção da lua ocorre unicamente para atender à lei do paralelismo poético (quem mencionasse o sol, mencionaria também a lua, no estilo poético). A tempestade deve ter sido longa ("quase um dia inteiro", diz o v. 13c). Tão longa tempestade terá sido especialmente permitida por Deus para atender a Josué, que implorara auxílio na batalha.

Conforme esta interpretação, vê-se que o propalado estacionamento do sol de que fala Js, não é senão o desencadeamento de violenta e demorada tempestade de granizo. Duas narrativas - uma em prosa, devida ao autor de Js, e outra em poesia, citada de outra fonte e inserida no livro - referem essa tempestade; enquanto o primeiro relato usa estilo liso, o segundo recorre a uma imagem familiar aos antigos orientais.

 

Dom Estêvão Bettencourt


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Dom Estêvão Bettencourt

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