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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 345 – fevereiro 1991

Uma Carta Clandestina:

"Eu Vos Escrevo do Inferno da Albânia"

 

Em síntese: Um jovem estudante da Albânia (capital Tiranay escreveu uma carta clandestina a um periódico da Itália. Narra as bárbaras façanhas cometidas pelo Governo comunista em represália à população, que no primeiro semestre de 1990procurou democratização e liberdade: vários tentaram atravessar as fronteiras às ocultas e outros (5.000) foram pedir asilo nas Embaixadas dos países ocidentais. O Governo massacrou muitos jovens. Para evitar que ficassem vestígios de seus cadáveres, mandou dinamitar o estômago dos mesmos! — Os intelectuais, que tentaram um diálogo de conciliação com o Governo, foram autoritativamente repelidos.

O autor da carta pede aos leitores ocidentais queiram solidarizar-se com os três milhões de albaneses submetidos ao mais duro de todos os regimes comunistas.

=-=-=

A democratização do mais severo e ateu dos regimes comunistas, que é o da Albânia, ainda não ocorreu. Ao contrário, por ocasião de manifestações democráticas no Leste Europeu, o povo albanês procurou também reconquistar sua liberdade. Em vão, porém. No mês de julho de 1990, cinco mil pessoas procuraram asilo nas Embaixadas de países ocidentais situadas em Tirana, capital do país. Em conseqüência, o Governo de Ramiz Alia desencadeou a mais violenta repressão aos cidadãos que manifestavam descontentamento. Isto criou um clima de terror mortal na Albânia.

Ora um jovem, dito Dashir R. (pseudônimo?), conseguiu enviar clandestinamente uma carta a um periódico da Itália, relatando algo da difícil situação do povo albanês subjugado e pedindo a solidariedade dos demais povos. Dashir R. é estudante, filho de família muito chegada ao regime de Tirana; já foi preso duas vezes por causa de suas atitudes destemidas; além de ter assistido aos fatos de julho 1990 (fuga de 5.000 pessoas para as Embaixadas e violenta réplica governamental), conhece episódios que não chegaram aos ouvidos da opinião pública ocidental.

A sua carta clandestina é um depoimento de imenso valor e um brado de socorro aos irmãos que gozam de alguma liberdade para ajudar o povo albanês. Publicamos o texto a seguir, em tradução portuguesa feita a partir do publicado em Famiglia Cristiana, de 10/10/1990, pp. 70-72.

A CARTA

"Agradeço ao vosso jornal ter aceito o testemunho da terrível situação na qual hoje eu e todos os albaneses nos encontramos. Já não nos é possível viver sob o punho do horrendo sistema que, em quase meio-século, já destruiu com força paranóica tanto o ser humano quanto a sua própria identidade de indivíduo. Peço desculpas porque me dou conta de quanto esta carta pode perturbar a vida cotidiana de um cidadão da comunidade-européia; com efeito, aqui vai o depoimento de uma tragédia que já não tem sentido nem mesmo no contexto do monstruoso comunismo do Leste Europeu. O meu desespero é o de um homem que, enquanto se afoga, tenta agarrar-se a um fio de erva na ilusão de ter encontrado um salva-vidas.

 

Como quer que seja, na felicidade ou na desgraça, enquanto perdura a vida, existe a esperança. Possam estas linhas servir ao menos para alimentar a nossa esperança!

Nestes últimos tempos, o regime satânico que Deus escolheu para governar a Albânia, (1) está fazendo abertamente aquilo que durante quarenta anos ele realizou às ocultas, isto é, vai matando gente inocente sem se preocupar com a extinção dos sinais desses crimes.

(1) Deus não quer (ou não escolhe) o mal, mas Ele permite que os homens escolham o que a sua liberdade de arbítrio prefere. Deus acompanha tais desmandos com a sua Providência. A última palavra da história dos homens será a Palavra de Deus e daqueles que Lhe forem fiéis até o fim. (Nota do Tradutor).

Antes da grande fuga para as Embaixadas Ocidentais em julho pp., quando 5.000 pessoas procuraram asilo, ao menos uns cinqüenta jovens de Tirana (talvez mais, certamente não menos), tendo entre 17 e 25 anos de idade, foram mortos ao longo das fronteiras, de maneira tal que só pode honrar o mais obscurantista dos regimes comunistas.

Após ter aprovado uma lei que reduzia as penas infligidas a quem tenta ilegalmente atravessar as fronteiras, o próprio Governo, violando essa mesma lei, mandou encher de chumbo (de balas) os corpos desses infelizes rapazes, alguns dos quais foram mortos depois de ter sido presos. A seguir, carros desconhecidos descarregaram os seus cadáveres ante as portas das respectivas residências, aos pés dos genitores; muitos cadáveres estavam atravessados por arames para se manterem inteiros, já que haviam sido horrendamente esquartejados.

Nenhum processo, nenhuma explicação oficial se fez ouvir. Mas houve, sim, mil pessoas presentes aos funerais de um jovem assassinado pelo Exército Popular. Em recompensa de uma façanha desse tipo, cada soldado desse Exército poderoso e cheio de iniciativas recebia a licença de passar dez dias em casa com sua família, levando no bolso 10.000 lek. Em Scutari, por ocasião dos funerais de um desses rapazes, cerca de 400 jovens tomaram sobre os ombros o caixão do amigo assassinado e durante todo o percurso em direção ao cemitério gritaram slogans contra o Governo, contra a viúva de Hoxha e, pela primeira vez, contra Ramiz Alia, presidente da República e Secretário-Geral do Partido Albanês do Trabalho.

A Polícia acompanhou o longo desfile sem intervir, mas, com uma câmara oculta à distância, filmou muitos semblantes. . . Estes na mesma noite foram exterminados aos socos nas dependências do Departamento de Assuntos do Interior. A maior parte dos que então foram presos, recuperaram a liberdade em três dias não para voltar à casa, mas para ir para o hospital. No hospital morreu um rapaz ao qual quebraram uma vértebra durante a tortura que lhe infligiu, com muito afinco, o Vice-Ministro do Interior, Zylyftar Ramizi. Todos os outros que a filmagem caracterizou como indivíduos indesejáveis, ainda estão presos nas celas do Ministério.

Pouco depois disto, houve a grande fuga para as Embaixadas, onde para desgraça nossa, muitos destes fatos bárbaros não eram conhecidos. Muitas pessoas que tiveram que ser recolhidas num hospital após o tiroteio daquela tremenda noite, desapareceram. Diz-se que não há mais notícias de 400 pessoas e que sobre a "Montanha das Fossas" os camponeses encontraram túmulos coletivos de cidadãos anônimos. Após esta casual descoberta de túmulos, as fossas comuns não são mais utilizadas: para quem deve desaparecer sem deixar vestígio, aplica-se agora a dinamite no estômago.

Sobreveio o grande terror para os jovens: cabelos cortados enquanto viajavam pelas estradas, braços quebrados, olhos arrancados segundo método especial destinado a 'domesticar' os anticonformistas, meninas dilaceradas como objetos gastos e, por último, foram arrancadas com violência as poucas cruzes que pendiam ao pescoço daquela gente em memória dos dois meses de democracia.

Depois disso tudo, houve a grande 'manifestação da unidade entre Partido e povo'. Para prepará-la, a Polícia limpou as estradas, retirando daí os presumidos desordeiros da ralé que teriam ficado soltos. Este gesto teve como conseqüência um duro protesto em Kavaja, durante o qual os soldados mataram um jovem de 17 anos. 0 Ministro do Interior foi pessoalmente à casa dos pais da vítima para convencê-los de que o filho fora assassinado por alguns anticomunistas que queriam impedir a marcha do progresso da Albânia. 0 pai do jovem, porém, expulsou de sua casa o Ministro. Dos funerais do mesmo participaram 30.000 pessoas. Dois dias depois, sempre em Kavaja, houve outro enterro, o de um Chefe de Polícia, assassinado, ao qual compareceram vinte pessoas! Tal era o mais eloqüente* testemunho de unidade entre Partido e povo!

Nos últimos tempos (fato excepcional) começaram a mover-se os intelectuais do Cinestudio 'Albania Nova'. No dia seguinte ao da fuga para as Embaixadas, os cineastas exprimiram, por carta, ao presidente Alia o desejo de ajudar o processo de democratização do país; punham em dúvida, porém, entre outras coisas, a eficácia do Politburo e criticavam os comentários oficiais feitos sobre a fuga para as Embaixadas Ocidentais; acima de tudo, os intelectuais se declaravam em desacordo com a intenção de classificar como bandidos e capangas violentos os 5.000 cidadãos que desesperadamente procuraram a liberdade.

Há poucos dias, chegou a clamorosa resposta de Alia, lida na assembléia do Cinestudio pelo Secretário ideológico do Comitê Central: Foto Canir. Alia dizia que não estava, em absoluto, disposto a pensar como os intelectuais, porque chegara o momento da unidade e porque a realidade não era aquela que os cineastas tinham descrito.

Então os signatários da carta se levantaram um por um e falaram durante quatro horas aproximadamente, formulando perguntas que muitas vezes deixaram em apuros o enviado de Alia. Eis algumas das interrogações e suas respostas:

— 'Quem matou os jovens nas fronteiras?'

Resposta: 'Não se preocupem com dez bandidos!’

'Estás certo de não ter esquecido um zero?'

Resposta: 'Não tem importância um zero. No mundo inteiro matam-se aqueles que querem atravessaras fronteiras ilegalmente!

 

'Ainda não compreendestes que perdestes todo liame conosco?

 

Silêncio.

 

O ponto mais importante da conversa foi aquela pergunta de um jovem regente de orquestra:

Vós que procurais o diálogo com a Sérbia a respeito do problema de Kossovo, por que não procurais o diálogo também conosco?

Resposta: 'Nenhum de vocês deve sonhar com o pluralismo na Albânia. Conquistamos o poder com sangue e com sangue o defenderemos!.'

Detenho-me aqui, sobre as palavras de um homem que não só não derramou uma gota de sangue, mas que ousa também declarar coisas que, ainda há pouco tempo, seriam tidas como absurdas na boca de um dirigente do Governo da Albânia.

Eis por que é preciso que alguém encontre os meios de revelar estes fatos. O que acabo de contar, é apenas uma pequena parte da angústia que estamos vivendo. Para os albaneses, haveria a condenação definitiva se o Ocidente esquecesse que na Europa Central existem três milhões de seres humanos que não podem assinar uma carta para dizer a verdade, em virtude do medo de que toda uma família seja destruída a fim de defender o último 'castelo do absurdo' que ficou na Europa. Dashir R."

2. Refletindo. . .

 

Realmente a carta é impressionante e sugere algumas considerações:

1)  Talvez os cidadãos ocidentais não tenham plena consciência dos horrores que em nossos dias mesmos vão sendo infligidos a populações sujeitas ao comunismo em países da Europa, da Ásia e da África. Os próprios cristãos libaneses têm sido vítimas de agressões e massacres bárbaros em nome de ideologias, e não por comportamento desonesto.

2)  Os irmãos perseguidos e angustiados pelos regimes ideológicos se queixam, não raro, de que os ocidentais não os ajudam devidamente. Poderiam lembrar-nos a parábola de Lc 16,19-31: Jesus apresenta um ricaço bem vestido e bem nutrido no primeiro andar de uma casa; à porta desta, jazia um pobre chamado Lázaro, recoberto de úlceras, que os cães lambiam; queria comer das migalhas que caíssem da mesa do ricaço, mas nem isto lhe acontecia. Observemos que Jesus não diz que o pobre pedia esmola ao ricaço e este, inclemente e duro, não lha dava. 0 Senhor quis apenas chamar a atenção para o contraste entre duas situações: a da fartura e a da miséria. A fartura do ricaço era tanta que ele podia ignorar o que se dava à porta de sua casa; não precisava de pensar em coisa alguma fora do seu pequeno mundo, tão aprazível era este. O quadro de vida "gostosa" o embotava e lhe fechava os olhos para os outros. — Ora diz o Senhor Jesus que ambos morreram e, depois da morte, as sortes se inverteram. O ricaço morreu sem fome e sem sede materiais — o que lhe tirou a fome e a sede de bens espirituais (tinha tudo tão "bom" na terra que não aspirava a outra coisa). Por isto nada tinha a receber no Além. Ao contrário, o pobre morreu com fome e sede materiais, que lhe aguçaram a fome e a sede de bens espirituais; por isto pôde receber a sua resposta no Além.

Não seja a imagem do ricaço farto e displicente ou despreocupado a imagem dos cristãos do Ocidente! Ao contrário, aproveitem dos bens que o Senhor lhes concede para socorrer aos irmãos atribulados que lhes dirigem seu apelo.

Somos impelidos a procurar alguns meios de contribuir para amenizar o clima de terror que afeta três milhões de irmãos nossos na Albânia. Quem sabe se, dentre os recursos viáveis, não está a remessa de cartas de protesto à representação diplomática da Albânia em Brasília?!

 

Estêvão Bettencourt


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