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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 345 – fevereiro 1991

Obra de grande sucesso:

"Brida"

de Paulo Coelho

 

Em síntese: O livro Brida de Paulo Coelho relata as etapas de iniciação de uma jovem irlandesa nos segredos da magia. Ê obra altamente fantasiosa, a ponto de carecer de nexo lógico e incidir em contradições. O autor se vale de concepções panteístas, animistas, reencarnacionistas. . . , dando-lhes por vezes um rótulo cristão e bíblico, que pode iludir muitos leitores.

O êxito desta e das outras obras de Paulo Coelho se deve, em grande parte, ao fato de que toca uma fibra nevrálgica da sociedade contemporânea: os homens parecem estar cansados do materialismo e do tecnicismo; não vêem solução para graves problemas que afligem o mundo; por isto são propensos a aceitar a proposta de soluções maravilhosas ou mágicas, mesmo que venham apresentadas em discurso ilógico e incoerente; o emocional prevalece não raro sobre o racional em nossos dias.

O cristão é consciente dos males que afligem a sociedade, mas não se desliga da razão e da fé. Sabe que existe a Providência Divina e que esta jamais abandona "a obra de suas mãos"; Deus sabe tirar dos males que o homem comete, bens ainda maiores (S. Agostinho). Por isto o cristão pede a Deus as graças necessárias para o mundo de hoje, ciente de que a oração associada a uma conduta de vida fiel e santa é o tesouro mais valioso de que o mundo precisa.

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Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro em 1947. Aos 25 anos de idade, após certo período vivido nas funções de ator e diretor de teatro, resolveu dedicar-se inteiramente à música e ao jornalismo. Editou em 1972 a revista 2001, que retratava o estilo de vida e o pensamento da década de 1970. A partir desta data, iniciou os estudos de Magia e Ocultismo, que o levaram a ingressar em diversas "Ordens Místicas" e participar de Seminários no mundo inteiro. Em 1986, depois de percorrer a pé a rota medieval de Santiago de Compostella, escreveu O Diário de um Mago; no ano seguinte, lançou o livro O Alquimista, em 1990 Brida. Estas obras têm tido edições sucessivas e enorme divulgação, tornando-se um fenômeno da literatura brasileira contemporânea.

Deter-nos-emos sobre o volume BRIDA, que narra o caminho de iniciação na magia percorrido ficticiamente por uma jovem irlandesa chamada Brida. Trata-se, como dito, de ficção, mas ficção que vem chamando a atenção do grande público, como se estivesse propondo verdades desconhecidas e extraordinariamente gratificantes.

 

1. Alguns traços do livro

A iniciação da bruxa Brida O' Fern na magia faz-se na escola de outra bruxa, chamada Wicca, e na de um mago da montanha de Folk.

As etapas desse processo são acidentadas; implicam visões, regressão no tempo, leitura de cartas do Taro, etc. A fantasia se esmera por descrever cenas de clareira de floresta, de alto de montanha, de penetração em catedral, em biblioteca de subsolo, ritos de cristal de quartzo, de pequena ametista, nudez. . .

As concepções filosófico-religiosas subjacentes ao enredo do livro são as do panteísmo revestido de alusões esdrúxulas à Bíblia, como se esta pudesse coadunar-se com aquele:

 

"Somos eternos" (p. 87).

"Deus se manifesta em tudo, mas a palavra é um dos seus meios favoritos de agir" (p. 92).

 

"As palavras eram Deus" (p. 93).

Não obstante, o autor fala de criação (p. 46), conceito que supõe Deus distinto do mundo e não identificado com o mundo.

As almas se dividem ou repartem, de modo a explicar o aumento da população mundial. Por isto cada indivíduo tem uma Outra Parte ou Outras Partes, que lhe correspondem e que se derivaram da mesma alma inicial; As almas ou as partes de alma se encarnam em sucessivas encarnações (pp. 43s).

Há, porém, criaturas que descendem dos anjos (p. 69). "O resto da humanidade só conseguirá a união com Deus se, em algum momento, em algum instante de sua vida, conseguir comungar com a sua Outra Parte" (p. 69).

As florestas são regidas por espíritos, que "gostam de gentilezas ou do pedido de licença daqueles que desejam penetrar nos seus bosques" (p. 7).

Afinal de contas, "tudo no Universo tem vida; procure estar sempre em contato com esta vida. Ela entende a sua linguagem" (p. 68). — Isto supõe o animismo ou a animação das criaturas irracionais por espíritos superiores.

 

Todo esse ecleticismo filosófico-religioso é acompanhado de linguagem e conceitos da Bíblia e do Cristianismo. Assim o Evangelho (Lc 15,8s) é citado em folha de rosto; o salmo 90, à p. 31; o livro do Gênesis, às pp. 45 e 273. A "Noite Escura" de São João da Cruz é constantemente citada para indicar o processo de iniciação na Magia (cf. p. 26.63.279). O Anjo da Guarda aparece às pp. 30s.

A Magia é definida como "uma ponte. . . , uma ponte que permite a você andar do mundo visível para o invisível. E aprender as lições de ambos os mundos" (p. 24). Ora é precisamente o contato com o mundo invisível e seus segredos ou seus mistérios que Brida quer conseguir e que os bruxos lhe ensinam. Quem é iniciado na Magia, "pode gozar de poderes extraordinários, como o de mudar a direção do vento, abrir buracos em nuvens, utilizando apenas a força do pensamento. Brida, como todo o mundo, era fascinada por prodígios dessa natureza" (p. 28).

Não falta a referência ao amor, vocábulo escrito com A maiúsculo, mas em termos confusos:

"A essência da Criação é uma só. . . E esta essência se chama Amor. O Amor é a força que nos reúne de volta, para condensar a experiência espalhada em muitas vidas, em muitos lugares do mundo" (p. 46).

2. O que dizer?

Proporemos três pontos de reflexão.

 

2.1. Ficção ilógica

1.  Paulo Coelho é um artista de teatro e conserva esta sua vocação mesmo no exercício da sua obra literária: gosta de escrever poeticamente, recorrendo copiosamente à ficção e à imaginação.

2.  Infelizmente, porém, faltam ao autor os princípios da lógica e noções fundamentais de Filosofia, de modo que ele cai freqüentemente em contradições e aberrações. Pode ser que P. Coelho entenda essa incoerência de raciocínio como expressões poéticas, que não devem ser levadas a rigor. O fato, porém, é que o livro, destinado como é ao grande público, vem a ser uma escola poderosa de confusão mental e obscurantismo filosófico-religioso.

 

Veja-se, por exemplo, o seguinte: no tocante à origem dos homens: está dito ora que são eternos (como só Deus), ora que são descendentes de anjos (criaturas), ora que resultam de reencarnação de almas que se partem para explicar o crescimento demográfico! — Aliás, a suposição de que as almas humanas se dividem como células para permitir o aumento da população é ilógica; o espírito não tem partes e, por isto, não se pode repartir.

 

A teoria de que tudo no universo tem vida é chamada "animismo"; vem a ser uma das formas mais primitivas e imperfeitas de Filosofia Religiosa. Prende-se à concepção de que os bosques, os rios, as montanhas, os mares. . . têm seus espíritos tutores e governadores.

 

2.2. A Confusão religiosa

 

A mistura de concepções que Paulo Coelho apresenta, se torna mais grave desde que se considere que ele envolve elevados valores do Cristianismo como se fossem condizentes com tais noções. Com efeito; é certo que a Bíblia é contrária ao panteísmo, à reencarnação (cf. Hb 9,27; Jo 1,21), à iniciação em segredos reservados a poucos privilegiados, à superstição das cartas ou do Taro.

 

A "noite escura" de que fala São João da Cruz, nada tem que ver com as etapas de iniciação mágica. Mas é a fase de desprendimento das coisas sensíveis e das consolações pela qual passa o cristão que vai progredindo na vida de oração.

 

Na verdade, embora P. Coelho pareça querer "combater o Bom Combate e manter a fé", como exorta São Paulo em 2Tm 4,7 (ver "Réplica" em O GLOBO), ele não o faz como cristão; nem pode ser tido pelos leitores como arauto de uma determinada modalidade do Cristianismo. As concepções de suas obras não são cristãs; deve-se mesmo dizer que não se filiam a nenhuma corrente de pensamento, porque implicam contradições e incoerências: o que é afirmado em alguma página do livro, é explícita ou implicitamente negado em outra página.

 

2.3. Magia

A definição de Magia como ponte entre o visível e o invisível não é específica da Magia. Ela se aplica propriamente à Mística (= ascensão do visível ao invisível). Tal processo de ascensão é altamente cristão; a mensagem do Evangelho consiste precisamente em dizer-nos que "Deus se fez visível aos olhos humanos, para que, a partir da intuição de Deus encarnado, os homens se deixassem levar ao amor dos bens invisíveis" (cf. Liturgia do Natal).

Magia, segundo o Dicionário de Aurélio, é "arte ou ciência oculta com que se pretende produzir, por meio de certos atos e palavras e por interferência de espíritos, gênios e demônios, efeitos e fenômenos extraordinários, contrários às leis naturais". — Com outras palavras: Magia é a arte, conhecida apenas pelos iniciados, de forçar ou dobrar a Divindade mediante a execução de rituais ou receitas secretas. Isto difere bem da Mística, que supõe sempre humildade e devoção da criatura a Deus, que é Pai providente.

A procura de magia ou de soluções maravilhosas para os problemas que a ciência e a tecnologia não conseguem resolver está muito em voga nos nossos dias. A humanidade parece estar cansada do materialismo e decepcionada pelo cientificismo; vê-se a braços com problemas de fome, doenças, analfabetismo, miséria. . . , que os peritos e técnicos não conseguem resolver. Há exígua confiança nos homens que regem os destinos dos povos (visto que os problemas são altamente complexos). Por isto surge espontaneamente no psiquismo dos homens contemporâneos a expectativa de soluções mágicas ou maravilhosas, descobertas em redutos ainda não explorados, como seriam as escolas de Ocultismo e Esoterismo.

É esta sede, muito emocional e pouco racional, que explica o sucesso dos escritos de Paulo Coelho. O autor toca em ponto nevrálgico da sociedade contemporânea, pois apresenta o modelo de alguém que, com êxito, procura os poderes de "mudar a direção do vento, abrir buracos em nuvens, utilizando apenas a força do pensamento. Brida, como todo o mundo, era fascinada por prodígios dessa natureza" (p. 28). Estas palavras do autor são de grande importância para se entender a repercussão de sua obra: "Todo o mundo" gostaria de mudar as realidades adversas pela simples força do seu pensamento! A proximidade do ano 2000 contribui para aguçar a expectativa de uma irrupção do Divino e de um outro mundo no mundo presente.

É preciso, porém, que o raciocínio exerça uma crítica serena e sadia sobre tal proposta de Paulo Coelho. A inteligência deve preponderar sobre as emoções, penetrando-as, de modo que não se tornem ilógicas ou infantis. — O cristão, de modo especial, é interpelado pelo livro de Paulo Coelho: ele reconhece a inclemência dos tempos atuais, mas crê e confia na Providência Divina; sabe que o Senhor não abandona as criaturas que Ele fez com tanto carinho. As desgraças que atualmente afligem a humanidade, estão englobadas num plano sábio e santo de Deus. Este tira dos próprios males que os homens cometem, bens ainda maiores, como diz S. Agostinho. Por conseguinte, é na fé e na fidelidade a Deus que o ser humano encontra reconforto e esperança neste momento.

Não há segredos reservados a poucos privilegiados. Não há receitas de efeitos maravilhosos, detidas por chefes de grupos iniciáticos. Afirma o Senhor Jesus:

"Nada há de encoberto que não venha a ser descoberto, nem de oculto que não venha a ser revelado. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; o que vos édito aos ouvidos, proclamai-o sobre os telhados" (Mt 10,26b-27).

Os anjos existem, sim, mas não há como os forçar a exercer ação benéfica ou maléfica sobre os homens mediante procedimentos mágicos.

A Magia, portanto, corresponde a um sonho inspirado pela hybris (arrogância) do homem, que, no seu íntimo, gostaria de ser como Deus (cf. Gn 3,4s)!

Dom Estêvão Bettencourt


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