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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 345 – fevereiro 1991

Falam os Bispos do Oceano indico:

Católico e Maçom?

 

Em síntese: Os Bispos das comunidades católicas das ilhas do Oceano Indico, tendo em vista a propaganda maçônica local, acobertada pela alegação de que não há oposição entre Maçonaria e Catolicismo, pronunciaram-se a respeito. Puseram em relevo os traços da Maçonaria que não se coadunam com a mensagem cristã: o deísmo ou a profissão de fé num Deus reconhecido apenas pela razão natural, a concepção antropológica que ignora o plano de Deus a respeito da história e da humanidade, e o segredo, que pretende vincular o maçom até a morte, mesmo que a sua consciência seja violentada pela gradativa aprendizagem maçônica. Apesar de tudo, os Bispos não recusam colaborar com a Maçonaria em prol do bem comum da sociedade, desde que isto não implique relativismo filosófico-religioso.

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Não é raro perguntar se um católico pode ser também maçom, principalmente quando a Maçonaria parece oferecer aos seus membros filiados vantagens de ordem profissional e política, sem lesar os princípios do Cristianismo. — A Igreja tem-se pronunciado a respeito, incutindo a inviabilidade de tal aliança. A última Declaração é datada de 26 de novembro de 1983, proveniente da Congregação para a Doutrina da Fé por ocasião da promulgação do novo Código de Direito Canônico; ver PR 275/1984, pp. 304s.

A seguir, publicamos pronunciamentos de outras fontes, condizentes com tal tomada de posição. Ver PR 281/1985, pp. 300-307 ; 305/1987, pp. 470s; 323/1989, pp. 166-175; 284/1986, pp. 20-24; 291/1986, pp. 347-356.

Ora aos 02/05/1990 os Bispos da Conferência Episcopal do Oceano Indico (Ilhas Maurício, da Reunião, das Seychelles e de Comores) houveram por bem chamar a atenção dos seus fiéis para a incompatibilidade existente entre Maçonaria e Catolicismo. — É o texto desse documento que passamos a transmitir em tradução portuguesa.(1)

1 Tradução do texto francês publicado em La Documentation Catholique no 2013, 07/10/1990, pp. 871s.

 

1. A Declaração

1. Em nossa região, assistimos atualmente a tentativas de apresentação e divulgação da Franco-Maçonaria sob diversas formas. É de notar que as diferenças entre as diversas correntes maçônicas não são claramente expressas; além do quê, as campanhas de propaganda apresentam a Franco-Maçonaria como uma dinâmica de iniciação ao desenvolvimento do homem e à harmonização da sociedade mediante espiritualidade e auxílio mútuo. Afirmam também que não há incompatibilidade entre a Franco-Maçonaria e as religiões e que é possível ser maçom e católico sem problemas.

 

Incompatibilidade

2. Na verdade, há problemas. Há incompatibilidade. Com efeito, a 'perfeição cristã' e a 'perfeição maçônica' são diametralmente opostas, tanto no modo de conceber a perfeição quanto na escolha dos meios de a realizar. Existe uma diferença fundamental entre a 'iniciação cristã' e a 'iniciação maçônica'.

3. A 'iniciação cristã' consiste em consagrar continuamente todo o ser do cristão na seqüela de Jesus Cristo mediante o Batismo, a Crisma e a Eucaristia. O Batismo só se realiza plenamente por ocasião da morte real, que é passagem para a ressurreição pessoal, ressurreição que terá lugar quando todos os mortos ressuscitarem no fim dos tempos. Esta concepção não é inventada pelos homens. É transmitida e acolhida mediante a Revelação de Deus aos homens por Jesus Cristo. Ora a noção de Revelação é inaceitável a um maçom, assim como lhe é inaceitável a idéia de dogmas decorrentes da Revelação de Deus. A Igreja tem o depósito dessa Revelação e os sacramentos são os sacramentos da Igreja!

4. Isto não é apenas uma questão teológica. Os fundamentos do ser e do agir cristão estão em causa. Na iniciação maçônica, os atos rituais funcionam na base daquilo que o maçom lhes atribui. O homem se dá ao homem. Na iniciação cristã, é o Cristo vivo que age como tal através do ser humano que Lhe serve: Deus vem ao homem para que o homem vá para Deus. Para os maçons — quaisquer que sejam as suas correntes e mesmo para aquelas que estão bem dispostas em relação à Igreja —, não pode haver verdade objetiva vinda de Deus ao homem.

5. Ora Jesus Cristo é essa revelação fundamental, que ilumina a natureza humana com uma luz particular e a abre ao diálogo real com Deus. É o coração da Revelação cristã, que é também o coração da nossa fé. Se não fosse isto, não haveria senão um subjetivismo espiritual, que, como opinião, poderá coexistir com outras opiniões. Mas a certeza da fé desapareceria, . . . dessa fé que permite ao homem humanizar-se, tornando-se filho de Deus em Jesus Cristo. Não se pode fazer do homem um conceito qualquer subjetivo, pois o homem tem uma natureza que lhe é dada por Deus. Todo homem, em seu mistério profundo, é criatura de Deus e tende a voltar para Deus. Tal é a nossa fé.

A fonte da fraternidade

6. A Igreja Católica não faz polêmica contra a Maçonaria nem contra os maçons. Ela apenas deseja preservar a identidade da sua fé para cumprir a sua missão específica e colaborar para o futuro da humanidade. Ela quer ajudar todos os seus membros a permanecer fiéis à fé recebida dos Apóstolos. Ela se recorda constantemente de que a sua razão de seresta num relacionamento vivo com Jesus Cristo vivo, Jesus Cristo que se torna o caminho de iniciação de todo homem para Deus 'nosso Pai'. Jesus mesmo disse: 'Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida' (Jo 14,6). Esta revelação que Ele nos fez de Deus, nos revela a nós mesmos, mostrando-nos que somos irmãos no seio do nosso gênero humano.

7. Como se pode falar corretamente de fraternidade, como nos podemos chamar 'irmãos' sem fazer referência a um mesmo Pai, que é a fonte da vida? Isto não implica em cair no infantilismo ou no paternalismo. É, antes, recusar simplesmente a pretensão de ser Deus ou de confundir as Trevas e a Luz. Em Deus, as relações humanas permanecem abertas: nunca terminarei de descobrir o outro, porque nunca poderia compreender Deus. Hoje ainda Ele faz que todas as coisas existam no sopro do seu Espírito por Jesus ressuscitado, sua Palavra de vida. A fé da Igreja não é uma crença vagamente deísta num Ser Superior, ao qual se daria um nome qualquer. O único Deus Criador de todos os universos, nós o chamamos Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus em três Pessoas.

Juízo da Igreja e Interesse Pastoral

8. Compreende-se então por que, em conseqüência da publicação do Código de Direito Canônico em 1983, a Congregação para a Doutrina da Fé declarou:

'O juízo negativo da Igreja sobre as associações maçônicas permanece inalterado, porque os princípios da Maçonaria sempre foram considerados como incompatíveis com a doutrina da Igreja; por isto o inscrever-se nessas associações continua sendo proibido pela Igreja. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas, estão em pecado grave e não podem ter acesso á Santa Comunhão'.

9. Exprimimos a nossa preocupação pastoral a respeito dos católicos que, com toda a boa fé, pensam que é possível ser simultaneamente católico e maçom. Segundo a lógica da fé, isto não é viável. A princípio, as duas iniciações parecem compatíveis. Mas vem um momento em que o compromisso com Cristo passa para um segundo plano por causa do caminhar e da solidariedade maçônica, que, para o maçom, são de primeira importância. Ademais o segredo maçônico não é apenas um segredo de iniciação: é também uma maneira de garantir solidariedade e pertença a um grupo em que os compromissos vão sendo tomados de maneira progressiva em vista de uma adesão total até a morte.

Diálogo e Formação

10.Convidamos os católicos a viver plenamente os valores de generosidade e fraternidade sem fronteiras com os homens de condições sociais, políticas, filosóficas ou religiosas diversas. Pode existir uma perspectiva de atividades comuns entre católicos e maçons, como também com outros membros de comunidades filosóficas ou religiosas. Mas, para dialogarmos e levarmos nossa contribuição à construção da nossa sociedade, é preciso que sejamos nós mesmos. É indispensável que aprofundemos a nossa identidade religiosa, a fim de fazer valer uma contribuição especificamente cristã, tanto no nível da reflexão como no da ação.

11.Por isto, exortamos os católicos a aplicar o seu tempo à sua formação cristã e à busca de alimentar as suas atividades com seiva evangélica. Em nossas dioceses, há programas concebidos com este escopo. Podem-se constituir grupos para encontros e partilha sobre os diversos assuntos. Nunca esgotaremos a riqueza da afirmação segundo a qual no corpo de Cristo habita a plenitude da Divindade. Nele tudo recebemos em plenitude (cf. Cl 2,9).

 

Rodrigues, aos 2 de maio de 1990

Os Bispos da Conferência Episcopal do Oceano Indico (CEDOI)

Cardeal Jean Margeot, Bispo de Port-Louis, Ilha Maurício

Mons. Gilbert Aubry, Bispo de Saint-Denis, Ilha da Reunião, Presidente da CEDOI

Mons. Félix Paul, Bispo de Porto Victoria, Seychelles

P. Jean Peault, Administrador Apostólico, Comores".

 

2. Reflexão

Os Bispos da CEDOI mostram mais uma vez a incompatibilidade existente entre Maçonaria e Catolicismo, chamando a atenção para os seguintes pontos:

1)  A fé cristã ensina que Deus se revelou aos homens. Por conseguinte, a fonte de conhecimentos sapienciais e religiosos que o homem tem, não é simplesmente a razão humana, mas é a Palavra de Deus transcendente; o homem compartilha o modo de ver o universo e a história (a cosmovisão) que Deus possui. — Ora a Maçonaria é deísta, ou seja, pretende conhecer Deus através da razão apenas.

2)  Conseqüentemente a Maçonaria Regular chama Deus "O Grande Arquiteto do Universo", ou seja, o Autor da Ordem do Universo, mas não atinge Deus no âmago da sua vida, que é a de Pai, Filho e Espírito Santo (um só Deus em três Pessoas). Existe também um ramo da Maçonaria dito "Irregular", que nega Deus e os valores religiosos, chegando a combater a estes; é óbvio que tal corrente é francamente incompatível com a Igreja; é responsável por perseguições à Igreja Católica na América Latina do século XIX.

3)  Quando Deus se revelou, revelou também o homem ao homem. Este não é um mero ser biológico, jogado no universo e dependente das leis da Física e da Química, mas é um ser que, por sua espiritualidade, traz a dignidade de imagem e semelhança de Deus. Por isto não se pode compreender plenamente o homem senão à luz da fé e da Revelação.

4)  O segredo maçônico vincula o indivíduo de maneira rigorosa até a morte. A pessoa perde assim a sua liberdade, e a perde por motivos meramente humanos, e não propriamente para servir a Deus. Ora isto é aberrante. Além do quê, o segredo maçônico é uma maneira de criar solidariedade do indivíduo com a sua Loja, . . . solidariedade em terreno conhecido e desconhecido — o que sujeita o maçom a surpresas talvez assustadoras e decepcionantes.

5)  Apesar das diferenças radicais existentes entre Catolicismo e Maçonaria, a Igreja julga que pode haver relações de amizade e fraternidade entre católicos e maçons, desde que se preservem sempre a identidade e a integridade da fé e da Moral católicas.

A Declaração dos Bispos da CEDOI é oportuna também no contexto do Brasil. Em nosso país vários fiéis católicos são convidados a ingressar na Maçonaria e se sentem inseguros quanto à resposta que hão de dar. Na verdade, não pode haver dúvida sobre qual deva ser a posição do fiel católico no caso.

Dom Estêvão Bettencourt


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