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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 370 – março 1993

Uma crônica precisa:

A Conferência de Santo Domingo

 

Em síntese: O Sr. Bispo de São João da Boa Vista (SP), D. Dadeus Grings, membro participante da IV Conferência do Episcopado Latino-ameri­cano em Santo Domingo, apresenta uma resenha do desenrolar e das conclu­sões dos trabalhos efetuados naquele certame. Põe em relevo a configuração da Assembléia, as dificuldades enfrentadas e o termo final dos debates. Res­salta as novidades do Documento final da Conferência, inspirado por profunda fé "em Jesus Cristo ontem, hoje e sempre" (Hb 13,8). - A Direção de PR agradece a D. Dadeus a elaboração desta interessante Crônica.

 

De 12 a 28 de outubro realizou-se, em Santo Domingo, na Repúbli­ca Dominicana, a IV Conferência do Episcopado Latino-americano. Esta terra foi o berço do anúncio de -Jesus Cristo ao Novo Mundo. Tinha como objetivo celebrar os 500 anos de evangelização da América Latina e des­cobrir novas estratégias pastorais para os próximos anos, prosseguindo e aprofundando as conclusões de Medellín e Puebla.

A Assembléia contou com um total de 355 participantes, entre membros, convidados, peritos e observadores. Aos 24 Cardeais e 200 re­presentantes do Episcopado Latino-americano se juntaram 13 represen­tantes da Cúria Romana, 21 sacerdotes, 4 diáconos permanentes, 15 Reli­giosos/as e 15 leigos/asm além de 11 Superiores Maiores. Estavam tam­bém, como convidados, 5 Núncios Apostólicos e 19 representantes de Conferências Episcopais de outros continentes. Além destas figuras de destaque, encontrou-se ali um verdadeiro exército de pessoas para os mais diversos serviços.

A IV Conferência do Episcopado Latino-americano pode ser vista sob muitos enfoques: na sua preparação, ao longo de vários anos, em to­do o continente; no seu contexto em Santo Domingo; na sua espirituali­dade; na participação dos delegados; no conteúdo de seus documentos; na dinâmica de seus trabalhos e na continuidade de seu impulso.

Convém, desde o inicio, destacar a presença do Papa. Foi quem convocou a Assembléia e a abriu com um discurso programático, que ser­viu de base para as reflexões dos participantes. Esteve, além disso, uma tarde toda, na Assembléia, ouvindo as intervenções. Quis, após a inau­guração dos trabalhos, cumprimentar cada bispo em particular, presenteando-o com uma cruz peitoral calcada sobre a da evangelização da América Latina. No segundo dia fez questão de dar a mão aos leigos que ali serviram com um carinho digno de nota.

 

1. O Ambiente em Santo Domingo

A Igreja de Santo Domingo se esmerou na preparação deste im­portante evento. Fez do melhor para acolher o Santo Padre e os delega­dos da Conferência. Não dispunha de um local único para hospedar tan­tas pessoas e ali fazer reuniões plenárias e em grupos menores. Colocou por isso os seus hóspedes nos grandes hotéis da cidade e os transportou diariamente para o local das concentrações, no Seminário, em cujo recinto realizavam as celebrações litúrgicas, as assembléias e as refeições do almoço e do jantar. As 30 comissões que foram criadas para os diver­sos assuntos se reuniram, inicialmente, na Universidade Católica, um pouco mais distante dali, com maior número de salas disponíveis. Como, porém, a locomoção atrapalhava os trabalhos, preferiu-se, depois, conti­nuar só no Seminário.

A cidade de Santo Domingo encontra-se em zona tropical. O calor é intenso. Mas, apesar dos dois milhões de habitantes, a capital da Repú­blica Dominicana, vista de cima, parece um bosque: há muito verde e as construções são baixas. Isto, se, de um lado, proporciona um ambiente mais humano, torna, de outro lado, tudo mais distante e difícil. De noite, a cidade é bastante escura e não é costume caminhar pelas calçadas, mal cuidadas e mal iluminadas. A água das torneiras não é potável. Havia também muito receio de atentados, de inspiração estrangeira, que pu­dessem atingir algum membro da Conferência. Por isso foram tomadas rigorosas providências de segurança, destacando-se um considerável número de pessoas para garantir a incolumidade dos participantes.

Se houve uma insatisfação, principalmente da parte brasileira, esta foi no sentido de reclamar do excessivo conforto que se tentou propor­cionar, por não se coadunar plenamente com a opção preferencial pelos pobres. Mas a explicação para estas medidas foi: primeiro, a generosida­de e a delicadeza de quem hospedava; segundo, a preocupação pela se­gurança de todos; e terceiro, o cuidado de proporcionar aos delegados as condições mais favoráveis possíveis, para que se pudessem dedicar to­talmente, e de modo tranquilo, ao trabalho da própria Conferência. Isto tudo lembrava a rainha das abelhas, que é tratada com geléia real exclu­sivamente para produzir o que lhe é próprio.

 

2. A Grande Opção

O grande objetivo desta IV Conferência foi celebrar Jesus Cristo, nos quinhentos anos de seu anúncio neste Continente. Por isso se rea­firmou a fé em Jesus Cristo, ontem hoje e sempre (Hb 13,8), colocando-o na base de toda a vida. Unindo todos a mesma fé, esperança e amor, sob a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, assumiu-se o compromisso de uma nova evangelização de nossos povos. A esta tarefa todos são chamados, destacando-se a participação dos leigos e dos jovens. Far-se-á através da educação e celebração da fé, que deve expandir-se além das próprias fronteiras. Realça-se assim a dimensão catequética, litúrgica e missionária.

O segundo compromisso se refere à promoção integral do povo la­tino-americano, tendo em vista a situação dos pobres, a serviço da vida e da família.

Como terceiro compromisso está a evangelização inculturada, que penetre mais profundamente as nossas cidades, se encarne nas culturas indígenas e afro-americanas, por meio de uma comunicação moderna.

 

3. A Espiritualidade da IV Conferência

Já que a IV Conferência do episcopado latino-americano, em Santo Domingo, tinha como objetivo principal celebrar os 500 anos da evangeli­zação deste continente, a espiritualidade deveria, evidentemente, ocupar lugar de destaque. Toda a Igreja se preparou para este acontecimento por meio de intenso estudo, debates em diversos níveis, publicações es­pecializadas e, particularmente, por meio da oração em todas as comunidades eclesiais.

Nove anos atrás, o Papa, também numa viagem ao Novo Mundo, inaugurou o novenário de preparação para esta celebração. Foram nove

anos dedicados ao desenvolvimento deste tema e de pedidos a Deus para que iluminasse os trabalhos desta Conferência. O próprio Santo Padre elaborou uma oração que foi amiúde recitada pelos cristãos e suas co­munidades.

 

3.1. As Celebrações Litúrgicas

As atividades de cada dia da Conferência iniciavam-se com a Santa Missa, concelebrada por todos os participantes, na capela do Seminário, a terminavam com a oração da tarde, rezada e cantada no auditório dos trabalhos. O Departamento de Liturgia do CELAM editou um livro espe­cial de 450 páginas, como Missal para as celebrações. Como o continente compreende várias línguas, é óbvio que elas também fossem tomadas em consideração. A maior parte das celebrações se serviu do espanhol, algumas do português, uma do francês e uma do inglês. Foram feitas preces em diversas línguas nativas.

Cada dia apresentou-se um tema litúrgico especial. No dia 12 o Santo Padre abriu a Conferência com um discurso programático e oração inicial. No dia 13, como início dos trabalhos, foi apresentado Jesus Cristo, Salvador do mundo. O dia 14 celebrou o Espírito Santo, que chama os povos da América à fé. No dia 15 a Igreja viveu os conselhos evangélicos, era a festa de Santa Teresa; após a homilia, os Religiosos e Religiosas re­novaram, diante da Assembléia dos Bispos, seus compromissos de se­guimento de Cristo. No dia 16, comemoração do aniversário de eleição do Papa João Paulo II, foi a vez dos leigos e leigas renovarem seu com­promisso batismal. No dia 17, festa de Santo Inácio de Antioquia, os Mi­nistros ordenados, bispos, presbíteros, diáconos renovaram seus com­promissos assumidos na ordenação. No dia 19 de outubro foi lembrado o compromisso missionário da Igreja: os missionários, tanto os que vieram de outros continentes para cá, como os que daqui se dispõem a ir para outras plagas, receberam especial destaque, com a gratidão e o envio; cantou-se o hino do quinto centenário: "América do índio, América do branco, América do negro, América do canto, América cristã, há qui­nhentos anos". O dia 20 trouxe à ribalta a Igreja que cresce e amadurece na fé, com a ação dos catequistas, educadores e das CEBs. O dia 21 des­tacou a família, considerando a igreja como defensora da vida; foi a vez de os casais presentes renovarem seus compromissos matrimoniais. O dia 22 lembrou o mistério do sofrimento na vida cristã, comemorando os enfermos, os encarcerados, os pobres, as vítimas do ódio e das divisões e todos os necessitados. O dia 23, sexta-feira, celebrou a Igreja como sinal de reconciliação; foi o dia penitencial, quando se pediu perdão ao Senhor por todo o mal cometido ao longo de cinco séculos, no continente latino-americano. No dia 24 contemplamos nossos Santos, ou seja, a Igreja co­mo testemunho de santidade; era a comemoração de Santo Antonio Maria Claret; iniciou-se com a ladainha de Nossa Senhora, invocada pelo título que lhe é próprio em cada nação; depois, foram invocados os apóstolos e evangelistas, e pediu-se a intercessão dos santos que atua­ram e iluminaram, com sua santidade, nosso continente. O dia 26 de ou­tubro destacou a Igreja como promotora da justiça e da paz. O dia 27 di­rigiu o olhar a Maria Santíssima para dizer que, com Maria, os povos da América encontram a Jesus. O dia 28 concluiu a série solenemente na catedral de Santo Domingo, com Jesus Cristo, Senhor da História "on­tem, hoje e sempre".

 

3.2. A participação popular

Os dois domingos que ocorreram durante a Conferência, foram deixados livres para as iniciativas dos participantes. Grande parte dos Bispos fez contatos com as paróquias da cidade e ali celebrou a Santa Missa. Eu mesmo fui, no primeiro domingo, até a paróquia de S. Barto­lomeu, cujo pároco é um diácono permanente e por isso sai cada semana à cata de algum padre para celebrar nas duas paróquias que estão aos seus cuidados. No segundo, fui à paróquia de São Paulo da Cruz, onde celebrei Missa campal, porque ainda não há igreja, nem qualquer lugar de celebração que não seja ao ar livre. A paróquia está confiada a um lei­go, engenheiro, que deixou sua profissão para se dedicar a este ministé­rio. Em cada paróquia, após a Missa, houve uma conversa mais longa com as lideranças e, depois, o almoço numa casa de família, com mais alguns convidados.

Além da oração dos bispos delegados da Conferência, devemos re­gistrar a da população local. Todos os dias grupos especiais participavam das celebrações. Mais importante foi a adoração constante ao Santíssimo, onde, de hora em hora, se revezavam grupos paroquiais, numa capela especialmente montada para isso, perto do recinto da Conferência.

E preciso recordar também a oração de toda a América Latina, que invocou as bênçãos e luzes durante todo o tempo da Conferência.

Ademais convém lembrar o clima de fraternidade de todos os parti­cipantes no grande evento. Estavam, ali reunidos, os mais destacados expoentes religiosos da América Latina. Este encontro, por si só, enri­quece a cada um que participa. Mesmo com visões muito diferentes, por­que as próprias realidades são diferentes, unia-os o mesmo espírito. Vendo essas personalidades, percebe-se a força de Cristo. Todos eles, pessoas de altas capacidades, deixaram tudo para O seguir. Nenhum de­les teve a mínima dúvida em afirmar que Cristo é sua única opção e Sal­vador. O problema apenas é como fazer chegar este testemunho e esta fé a todos e a cada um dos habitantes de tão grande continente.

 

4. A Preparação da Conferência

A Conferência de Santo Domingo reuniu os principais responsáveis religiosos do continente para um estudo da mais alta significação.

O tema proposto pelo Papa era tríplice: nova evangelização, pro­moção humana e cultura cristã. Seu estudo se intensificou nos dois últi­mos anos, em todo o Continente. Foram pedidas sugestões para o tema. Elaborou-se inicialmente, em 1990, um instrumento de trabalho com o título "Elementos para uma reflexão pastoral em preparação à IV Confe­rência Geral do Episcopado Latino-americano". Com as contribuições de todo o episcopado, editou-se, em 1991, um segundo "Documento de Consulta", com mais de 200 páginas. Seguiram-se outros debates e se chegou ao "Documento de Trabalho" de 1992, com igual número de páginas, mas profundamente reelaborado. Pensava-se que seria este o texto a ser aprovado pelos Bispos em Santo Domingo.

 

4.1. As Conferências Anteriores

Em 1955 ocorreu a Primeira Conferência do Episcopado Latino-americano, com sede no Rio de Janeiro. Seu objetivo era "salvaguardar o patrimônio da fé católica" neste continente. Deu-se especial ênfase aos agentes, de modo particular ao clero. Os leigos apareciam apenas como auxiliares.

Medellín reuniu, em 1968, a II Conferência. Seu objetivo era atuali­zar a Igreja latino-americana segundo as normas do Concílio Vaticano II. Teve profunda repercussão no contexto da Conferência a encíclica de Paulo VI "Populorum Progressio". O acento predominante foi o homem latino-americano, enfatizando-se a necessidade de seu desenvolvimento integral.

Puebla, em 1979, acolhe a III Conferência. Tem como pano de fun­do a Exortação Apostólica "Evangelii Nuntiandi". A palavra-chave foi "comunhão e participação". Seguiu, na elaboração de seu documento, o método "ver-julgar-agir". Mas já se havia dado conta de que o "ver" de­veria ter uma conotação própria. Não bastaria uma visão puramente so­ciológica ou psicológica. Por isso deu por título à primeira Parte: "Visão pastoral da realidade latino-americana". A segunda Parte, para o julgar, foi intitulada "Desígnio de Deus sobre a realidade latino-americana"; a terceira Parte, correspondente ao agir: "Evangelização na Igreja da Amé­rica Latina: Comunhão e participação". A quarta Parte continua o mesmo tema com as opções preferenciais.

 

4.2. O Documento de Trabalho

Foi preparado, com muito cuidado e participação de todo o conti­nente, uma espécie de anteprojeto para a Conferência de Santo Domin­go. Seguiu o mesmo esquema geral de Puebla. A primeira Parte apre­sentava a visão pastoral da realidade latino-americana. A segunda Parte trazia como título: "Iluminação teológico-pastoral, Jesus Cristo ontem, hoje e sempre". A terceira Parte apresentava as "Propostas Pastorais". Terminava com a sugestão de opções novas: pela vida e missão dos lei­gos; pela evangelização da cultura; por uma nova comunicação; pelas culturas ameríndias e afro-americanas e outras opções como: a missão "ad gentes", a Igreja defensora da vida e a Igreja em face aos novos gru­pos religiosos.

 

O esquema estava claramente calcado no método ver-julgar-agir. A perspectiva o colocava como texto de discussão a ser, eventual­mente, corrigido, ampliado, ou simplesmente aprovado.

 

 

5. Os Debates do Episcopado

Quando os Bispos chegaram à IV Conferência, em Santo Domingo, traziam consigo ampla bagagem espiritual e intelectual. Neles como que se encarnou o resultado de todas as orações, feitas por milhões de pes­soas pelo feliz êxito da Assembléia, bem como toda a pesquisa feita e publicada em sua preparação. Em plenário, foram proporcionados mais cinco documentos, como o discurso inaugural do Santo Padre e quatro conferências, respectivamente sobre "Jesus Cristo, ontem, hoje e sem­pre" a "Nova Evangelização", a "Promoção Humana" e a "Cultura cris­tã".

 

Com todo este material nas mãos, os participantes da IV Conferên­cia do Episcopado latino-americano estavam plenamente aparelhados para iniciar o grande debate. E o fizeram com total liberdade, sem outro compromisso que não o da fidelidade à própria consciência, à fé cristã e ao povo latino-americano. Não se limitaram, pois, a trabalhar sobre um texto, mas colocaram livremente seus pontos de vista, traçando inclusive os objetivos e a dinâmica de suas atividades, dentro do tema proposto pelo Santo Padre.

 

5.1. A Proposta de Temas

Na convocação da Conferência, o Papa indicou três grandes as­suntos a serem tratados: a Nova Evangelização, a Promoção Humana e a Cultura Cristã. Dentro deste grande panorama se perguntava, inicial-mente, aos participantes quais os temas específicos que deveriam ser incluídos na pauta dos trabalhos. Apareceram dois grandes capítulos: a realidade eclesial e a realidade social. Na primeira se situaram cinco te­mas básicos: a santidade na Igreja, o profetismo, a comunhão, a celebra­ção e a diaconia. Na segunda foram colocados seis temas: uma introdu­ção histórica, a dimensão ética, social, econômica, política e cultural. Cada um destes 11 temas foi subdividido em vários subtemas.

Feitas estas propostas pela Assembléia, a Direção criou trinta Co­missões. Cada participante se inscrevia livremente naquela em que se sentisse mais preparado, indicando também segunda ou terceira opção, de modo que cada Comissão contasse cerca de dez membros.

As trinta Comissões especializadas se reuniram em torno dos se­guintes temas: 1. Preâmbulo; 2. Realidade Histórica; 3. A Santidade na Igreja; 4. Profetismo; 5. Família e Demografia; 6. Comunidades Eclesiais, Paróquia, Igreja particular, Movimentos Apostólicos e Pastoral Orgânica; 7. Vida Consagrada; 8. Ecumenismo, Diálogo Inter-religioso, Seitas e No­vos Movimentos Religiosos; 9. Celebração; 10. Leigos na Igreja e no Mundo; 11. Ministério Ordenado: Bispos, Comunhão Pastoral, Formação permanente dos Sacerdotes e Diáconos; 12. Promoção das Vocações à Vida Sacerdotal e Formação nos Seminários e Casas Religiosas; 13. Igreja Missionária para dentro e para fora; 14. Ética; 15. Infância, Adolescência e Juventude; 16. Mulher; 17. Trabalho; 18. Migrações e a Mobilidade Hu­mana; 19. Pobreza e empobrecimento. Economia informal e Economia da solidariedade; 20. Economia, nova ordem econômica internacional, e economia de mercado; 21. Terra; 22. Ecologia; 23. Democracia, Igreja e Estado; 24. Integração latino-americana e mundial; 25. Direitos Humanos; 26. Unidade e Pluralidade das Culturas: culturas indígenas, culturas afro­americanas e culturas mestiças; 27. Educação; 28. Secularização e Indife­rentismo; 29. Nova Cultura (modernidade, pós-modernidade). Cultura urbana; 30. Comunicação Social e Cultura.

 

5.2. A Metodologia

Pela vastidão e importância destes temas e em vista das pessoas destacadas para estudá-los, percebe-se o alcance da Conferência. Antes de ir para o trabalho em Comissões, foi necessário estabelecer também o método e a dimensão do documento que se desejava. Foi votado que o documento deveria ser sensivelmente mais breve que o de Puebla e que o método deveria ser invertido: iniciar cada tema com a iluminação teo­lógica, depois detectar os desafios e por fim traçar as linhas pastorais. Em outras palavras, começar-se-ia com o plano de Deus: o que Ele quer e revelou acerca de cada tema. A seguir, examinar-se-ia a resposta huma­na a este plano, para constatar eventuais divergências. Surgiria então a necessidade da ação da Igreja portadora da Redenção de Cristo, a fim de se chegar novamente ao plano original de Deus, de acordo com a obra de Cristo.

 

Isto significa que houve opção por uma nova metodologia. Cons­tatou-se, de fato, certa contradição na aplicação do método ver-julgar-agir.

 

O ver cristão não pode ser o do sociólogo ou o do psicólogo, que prescindem da fé. Nem professamos a ideologia positivista. Por isso já Puebla, bem como o Documento de Trabalho de Santo Domingo, não referiam apenas um simples ver a realidade, mas calcavam no adjetivo "pastoral", a "visão pastoral" se faz a partir de certos pressupostos. Aliás ninguém vê nada sem determinados pressupostos, que nem sempre são explicitados e muitas vezes nem são conscientes. Prendem-se, em gran­de parte, a ideologias.

 

Nada mais coerente, pois, que se inicie um estudo com a exposição dos pressupostos, ou da perspectiva na qual se quer ver algo. E esta perspectiva, para o cristão, é a fé. A fé apresenta seus conteúdos a partir da Revelação divina.

 

A opção metodológica de Santo Domingo é, pois, profundamente teológica. Não despreza as ciências, principalmente as humanas, mas as põe no segundo plano. Elas nos revelam os desafios. Mas os desafios só se vêem claramente à luz da fé. Assim, por exemplo, não posso definir o homem apenas pela constatação sociológica ou psicológica dos seres humanos. Necessito de um modelo, que, para nós cristãos, é Jesus Cristo. A partir dele vemos cada homem e descobrimos sua inalienável dig­nidade.

 

A metodologia de Santo Domingo se pauta, pois, pelo esquema da dialética. Inicia-se com a tese, que nos é proposta não pelas ciências humanas, mas pelo próprio Deus; continua pela antítese, colocando a tese no contexto que pretendemos estudar, e conclui com a síntese, no empenho de transformar esta realidade que destoa do plano de Deus e causa tantos dissabores, para levar-lhe a salvação trazida por Cristo.

 

6. As Conclusões de Santo Domingo

As trinta Comissões trabalharam intensamente, vendo sob vários enfoques seu tema. Tendo determinado que o documento deveria ser relativamente breve, ficou estabelecido que os resultados de cada grupo seriam resumidos num máximo de três páginas. Eu pessoalmente parti­cipei da Comissão que estudou o tema da família.

O assunto foi várias vezes ao plenário e voltou para as Comissões para novas precisações. Não fosse a decidida opção pela brevidade, já nos primeiros dias o documento teria ultrapassado o meio-milhar de páginas. O esquema geral foi votado por toda a assembléia e sofreu várias modificações, ficando porém sempre o esqueleto fundamental, que tem Jesus Cristo como início, meio e fim.

Alguém disse, numa das assembléias, que não nos falta a luz, mas o caminho. Ou seja: todos conhecemos muito bem a doutrina católica, mas não sabemos como aplicá-la concretamente. Divergimos não na fé cristã, mas na prática pastoral. Ninguém dos Pastores duvida da opção por Jesus Cristo, mas todos sentem a dificuldade de transmiti-la e tor­ná-la vida para nosso Povo.

 

A esta dificuldade o próprio Cristo responde: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). Ele não é só a Luz, ou seja, a Verdade, mas também o Caminho. Num mundo de tantas incertezas percebemos, hoje mais claramente, que só Ele é o caminho, que nos leva à verdade e que só esta verdade, que Ele é e nos revela, proporciona vida plena.

 

6.1. Jesus Cristo

A Conferência de Santo Domingo não quer deixar dúvida de que Jesus Cristo é sua grande opção. E Ele, e não nós, o Salvador. Por isso só a fé nele salva. E verdade que esta fé deve manifestar-se em obras. O grande desafio que se enfrenta na América Latina é o divórcio entre fé e vida. Santo Domingo estuda as estratégias para traduzir a fé na vida. Mas antes e acima disso quer deixar claro o próprio princípio da fé: Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, é o Salvador.

O Documento de Santo Domingo, como expressão da fé e da refle­xão da IV Conferência, está pois estruturado sobre Jesus Cristo. A pri­meira e a terceira partes são respectivamente a introdução e a conclusão do documento. A primeira olha o passado e a terceira o futuro: o aspecto histórico e o empenho de construção, respectivamente. A primeira Parte tem como título: "Jesus Cristo, Evangelho do Pai". Representa a grande profissão de fé, que engloba o Pai a enviar seu Filho ao mundo; a realiza­ção do Reino por Jesus Cristo, a presença do Espírito Santo e a Igreja. Não esquece a dramática situação do pecado, como origem dos males individuais e coletivos que lamentamos na América Latina. Lembra tam­bém a figura maternal de Maria, como educadora do povo latino-ameri­cano.

A terceira Parte: "Jesus Cristo, vida e esperança da América Latina" apresenta as linhas pastorais prioritárias: uma nova evangelização de nossos povos; uma promoção integral dos povos latino-americanos e caribenses; e uma evangelização inculturada.

A segunda Parte apresenta "Jesus Cristo Evangelizador vivo em sua Igreja". É o núcleo central e ocupa 80% do documento.

Como se vê pelos títulos, nada se pensa sem Jesus Cristo. Tudo é visto à sua luz. Ele não é apenas apresentado como a verdade, mas também como o caminho. Em outras palavras, tenta-se superar toda dico­tomia, bem como a metodologia que situasse Cristo apenas numa fase do processo, como se Ele apenas fosse o Mestre que iluminasse e depois deixasse à responsabilidade dos homens sua execução. Ele é a verdade que ilumina, mas também o caminho que leva à execução.

Nas assembléias, de vez em quando, voltava a admoestação acerca do pelagianismo, que pretende reduzir a ação de Cristo à iluminação. Esta heresia crê que Jesus nada mais fez que dar o bom exemplo e trazer uma doutrina que nos ajude a discernir do falso o verdadeiro. A Confe­rência, ao contrário, quer enfatizar que Cristo também executa a salvação, em nossos dias e em nosso continente, se não encontrar resistências.

 

6.2. O tríplice desafio

A segunda Parte do documento, sob o título "Jesus Cristo Evange­lizador vivo em sua Igreja", trata dos três grandes temas da IV Conferên­cia: a nova evangelização, a promoção humana e a cultura cristã.

No primeiro tema situa a Igreja. Mostra como Ela está convocada para a santidade. Realiza-se em comunidades vivas e dinâmicas em qua­tro esferas, dentro da catolicidade: a diocese, chamada igreja particular, a paróquia, a comunidade eclesial de base e a família. Cada esfera merece especial consideração, com maior destaque da paróquia e da família.

A consideração deste tema desce depois para os agentes: "na uni­dade do Espírito e com a diversidade dos ministérios e carismas". E o lu­gar dos ministérios ordenados; das vocações ao ministério presbiteral e dos seminários; da vida consagrada; dos fiéis leigos; das mulheres; dos adolescentes e jovens.

Estes agentes têm como missão anunciar o Reino a todos os Povos Fala-se então da missão aos pagãos; da necessidade de vivificar a fé dos batizados que estão afastados; de reunir todos os irmãos em Cristo; de dialogar com as religiões não-cristãs; de convocar os sem-Deus e os in­diferentes.

O segundo tema põe a promoção humana como dimensão privile­giada da Nova Evangelização. Quer romper o divórcio entre fé e vida. Apresenta os novos sinais dos tempos em grandes desafios à evangelização: os direitos humanos; a ecologia; a terra, como dom de Deus; o em­pobrecimento e a solidariedade humana; a ordem democrática; a nova ordem econômica; a integração latino-americana.

Põe, depois, em destaque a família e a vida, considerados como de­safios de especial urgência. Define a família como santuário da vida e propõe os grandes problemas neste campo.

O terceiro tema, o da "cultura cristã", inicia-se colocando Cristo como medida de nossa conduta moral. Fala depois das culturas de nosso continente, destacando as indígenas, afro-americanas e as mestiças. Mostra, a seguir, a face da nova cultura: é moderna e urbana.

Neste tema entra a ação educativa da Igreja e a atuação da comuni­cação social.

 

7. A Mensagem aos Povos da América Latina

O V Centenário da América Latina suscitou muitas discussões. E que ele envolve vários aspectos, nem todos positivos. Alguns preferiram realçar os aspectos negativos, que a história de qualquer pessoa e de qualquer povo certamente registra prodigamente. Nada é perfeito neste mundo. E, se na América Latina tudo fosse perfeito, não teria sido neces­sário convocar uma Conferência Episcopal para estudar novas estratégias de evangelização. Teria bastado reunir um certo grupo de pessoas num único dia em Santo Domingo para uma solene celebração de ação de graças pelos quinhentos anos de presença do Evangelho neste continen­te.

É preciso saber distinguir do mal o bem, do falso o verdadeiro. Não se pode condenar globalmente nem aceitar indiscriminadamente qual­quer situação. De um lado, poder-se-ia considerar o descontentamento dos índios pela invasão de suas terras por parte dos brancos; e,de outro lado, a revolta dos negros pelo translado forçado, arrancados que foram de suas terras para serem escravizados no Novo Continente. Acontece que há mais de um século não existem mais, nestas terras, nem invasores nem escravizadores. Estas condições, graças a um ingente esforço con­junto, foram superadas há várias gerações. Os que hoje vivem neste con­tinente, que continua sendo chamado o "Continente da Esperança", nas­ceram aqui, livres e iguais. Todos são cidadãos de seus respectivos paí­ses, com plenos direitos e deveres recíprocos.

 

Por isso a IV Conferência de Santo Domingo, constatando alguns resquícios e ressentimentos do passado, lança sua grande mensagem aos povos da América Latina e do Caribe, apontando para a "grande Pátria" que todos devemos construir. "Estamos efetivamente persuadidos de que o futuro com as raízes cristãs e católicas comuns a nossos países dará à América latina a unidade desejada".

 

Para que isto aconteça, a IV Conferência oferece os elementos ne­cessários. São quatro: 1) a reconciliação, pela qual se superam antigas e novas discórdias, se dá o perdão recíproco por antigas e novas ofensas e se restaura a paz; 2) a solidariedade para carregar com os outros os pesos e repartir com eles os sucessos; 3) a integração, que vença as barreiras, discriminações e o isolamento; 4) a comunhão que leve a uma política de progresso e bem-estar.

 

7.1. Os caminhos de Deus

O Cardeal Gantin, natural do Benin, África, Prefeito da Congrega­ção para os Bispos, em Roma, e presidente da Comissão para a América Latina, num discurso significativo e comovente, falou da primeira evangelização da costa ocidental da África. Agradece à América Latina a se­mente do Evangelho na África. Qualificou-a como ironia da História e sa­bedoria da Providência. Negros transportados para o Brasil, como escra­vos, após sua libertação, voltaram para suas terras levando consigo a fé católica, que difundiram entre seus concidadãos. Eram, pois, leigos os primeiros evangelizadores da África. Souberam distinguir o regime da escravidão, que para eles já era coisa do passado, o sofrimento que lhes fora infligido, da fé cristã que receberam. No Brasil deixaram as lembran­ças do negativo e levaram consigo, de regresso para a África, o que en­contraram de bom: o Evangelho de Jesus Cristo. Levaram também a arte culinária da Bahia... Vieram para o Brasil escravos e voltavam para a África como libertos do Senhor.

Uma novidade de nomenclatura aparece na IV Conferência. E é sintomático. A Conferência do Episcopado Latino-americano ocorreu na República Dominicana, que pertence ao Caribe. Ora o Caribe, segundo a denominação geográfica, não pertence à América Latina. Trata-se de um conjunto de ilhas, sendo que as maiores são Cuba, a ilha da República Dominicana e do Haiti, Jamaica e Porto Rico. Algumas delas são de lín­gua francesa e outras de língua inglesa. Suas Igrejas, porém, participam das Conferências do Episcopado Latino-americano. Sendo realizada a IV Conferência em Santo Domingo, no Caribe, tornou-se necessário acres­centar, em todos os documentos, a expressão "América Latina e Caribe".

A atitude é significativa, exatamente nesta Conferência, porque quer atender às diversas culturas e integrar todo o continente, especial­mente os mais afastados. A assembléia não quis que ficasse marginaliza­da do enorme esforço latino-americano uma pequena porção do Povo de Deus.

A atitude é tão nova que se sentiu até dificuldade em designar seus habitantes em português. O espanhol os denomina "caribeños". Em português deverão ser chamados "caribenses".

 

7.2. Uma mensagem de esperança

A IV Conferência se serve do episódio dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) para ilustrar a mensagem da Nova Evangelização na América Latina.

Começa mostrando como Jesus vai ao encontro da humanidade que caminha. Busca as pessoas e caminha com elas, para assumir suas alegrias e esperanças, dificuldades e tristezas. Dá a entender assim em que consiste a promoção humana: tornar-se o bom samaritano que atende aos doentes, aos idosos, às crianças abandonadas, às vítimas das injustiças, aos marginalizados e aos que sofrem de outras formas de opressão, como a violência, a pornografia, as drogas, o terrorismo etc.

Jesus ilumina, com as Escrituras, o caminho dos homens, de­monstrando assim o lugar da cultura na vida humana. O drama dos ca­minhantes era que tinham perdido a esperança. Este desencanto se ilu­minou com a explicação das Escrituras. Jesus corrige os erros de um messianismo puramente temporal e os erros das ideologias que escravi­zam o homem. Hoje a Doutrina Social da Igreja cumpre esta missão. Ela faz parte integrante da mensagem cristã.

Jesus se dá a conhecer na fração do pão. A explicação das Escritu­ras não foi suficiente para abrir os olhos dos discípulos. Tornou-se ne­cessário abrir a porta para quem era peregrino. E ali, na intimidade, na sua atitude de repartir, reconheceram Aquele que durante toda a sua vida não fez senão dar-se aos irmãos.

 

Surge, em conseqüência, um novo ardor nos discípulos. Saem ale­gres para a tarefa missionária. Deixam sua aldeia para ir ao encontro dos outros discípulos. A vivência da fé se realiza em comunidade e traz em

seu bojo a missão de difundi-la.

A síntese da Mensagem de Santo Domingo aos Povos da América Latina e do Caribe é que Jesus Cristo - o mesmo ontem, hoje e sempre está conosco. A fé nele nos salvará.

 

 

8. As Novidades de Santo Domingo

A curiosidade humana sempre está atenta ao novo. Era de praxe, na defesa de uma tese, o professor perguntar ao doutorando: que traz tua tese de novo? Para simplesmente reeditar o que já se disse, não há necessidade de fazer grande pesquisa, nem reunir uma assembléia conti­nental.

 

Pergunta-se então: que é que a Conferência do episcopado latino-americano de Santo Domingo nos traz de novo? Trata-se da IV Confe­rência do gênero. Há inegáveis valores e avanços nas três precedentes, que marcaram decididamente nosso continente. Houve por isso receios, que muitas vezes se transformavam em pressões, de que Santo Domingo não seguisse a mesma linha. Não faltou quem pensasse que a IV Confe­rência não deveria senão reeditar as opções das anteriores e, eventual­mente, acrescentar alguma outra.

 

Ora os Bispos em Santo Domingo tiveram plena consciência de serem protagonistas numa história que não começa com eles. Logo se percebeu que não há necessidade de reeditar tudo o que já foi dito, o que não significa menosprezá-lo. Pelo contrário; se já foi dito, não é preciso repeti-lo. Mas é preciso deixar claro que se trata de uma nova Conferên­cia. Podemos reduzir sua novidade a três grandes perspectivas.

 

8.1. A Opção Básica

Quando se lançou a questão das opções prioritárias, estava-se dentro da perspectiva de Medellín e Puebla. As sugestões pulularam.

Além das já firmadas nas Conferências anteriores, apresentaram-se mais algumas dezenas. E cada uma com argumentos contundentes.

Houve um momento como que de perplexidade. Acolher todas era inviável, porque não priorizaria nada. Optar por alguma seria postergar outras. A votação em plenário, que pareceria a solução, não seria de molde a entusiasmar ninguém.

Foi nesta hora que soprou o Espírito. D. Luciano Mendes apresen­tou uma proposta da Comissão de redação, que mudava totalmente o enfoque e de imediato agradou a todos. Trocou a expressão "opção pre­ferencial" para "linhas pastorais prioritárias". A grande e única opção é a fé em Jesus Cristo, "ontem, hoje e sempre". O resto são compromissos de trabalho, que se põem dentro dos três grandes temas da Conferência: para uma nova evangelização, para uma promoção integral do povo lati­no-americano e caribense e para uma evangelização inculturada. Não são, pois, anexos, que se põem à parte do Documento. Constituem o próprio Documento.

8.2. A Metodologia

A superação das ideologias beneficiou também o trabalho da Igre­ja. Não é mais a sociologia, mas a teologia que ocupa o primeiro lugar. E preciso sempre começar com o Plano de Deus e, nesta perspectiva, ver a realidade.

A primeira vista, isto poderia parecer um afastamento da realidade concreta e levar a um distanciamento dos problemas reais de nossos po­vos. De fato, se alguém ficasse na consideração teológica e se enclausurasse em reflexões sobre a Palavra de Deus, dentro de seu gabinete, correria este risco. Mas, depois de se inteirar plenamente do Plano de Deus, que Ele mesmo nos revelou, o fiel é instado a examinar os desafios que a realidade concreta põe ao ideal divino. E são muitos. Vendo-os exatamente à luz do Plano de Deus, o fiel é capaz de percebê-los com maior profundidade e - por que não o dizer? - com maior realismo. Ven­do-os assim, entende também melhor o sentido da redenção de Cristo e se empenha para que ela aconteça em cada caso concreto. Fluem, pois, dos desafios, vistos à luz do Plano de Deus, as grandes linhas pastorais, que devem animar os agentes. Assim evitamos os perigos das ideologias e organizamos uma pastoral verdadeiramente eclesial. Temos algo espe­cífico para este mundo, que é a redenção de Cristo. Devemos ter isto claro em toda a dinâmica metodológica: é sempre Cristo quem salva. Nós somos apenas operários seus. À sua luz vemos a realidade, e sua graça, que age em nós, a transforma.

8.3. A centralidade dos fiéis leigos

Uma das acusações, que mais freqüentemente se ouvem contra a Igreja Católica, é que ela é demasiadamente clerical. Ninguém, eviden­temente, põe em dúvida a necessidade do clero na Igreja. Trata-se de uma categoria especial de pessoas, baseada no sacramento da Ordem, pelo qual seus ministros se conformam de modo especial a Cristo-Pastor e são investidos de poderes divinos de salvação, a serviço do Povo de Deus. Mas o clero não constitui os únicos membros e agentes da Igreja.

 

Acontece que a Igreja é um organismo vivo, que S. Paulo compara ao corpo. Puebla calcou a "comunhão e participação" de todos. Medelin e Puebla propõem a opção preferencial pelos pobres. Santo Domingo dá um passo adiante e concretiza estas linhas-mestras. Fala do "especial protagonismo dos leigos" na nova evangelização, na promoção humana e na inculturação da fé.

Quem olha a lista dos desafios que Santo Domingo propõe à nossa pastoral, não terá dúvidas sobre este protagonismo. Lembremos os de­safios da vida e da família, os desafios das culturas, os desafios da cidade, da ecologia, da terra, da mobilidade humana, da ordem democrática e da ordem econômica, da integração da América Latina...

São problemas políticos? Insistindo no protagonismo dos fiéis lei­gos, quer-se, primeiramente, evitar que estes desafios sejam tratados ou resolvidos na base de certas ideologias, ou então que se busque uma solução puramente técnica ou até legal. Santo Domingo nos quer, antes de tudo, mostrar que existe um Plano de Deus. Portanto estas realidades desafiam os fiéis, ou seja, interpelam aqueles que crêem em Cristo. É preciso superar o divórcio entre fé e vida. O fiel leigo - e não o leigo que não é fiel - sente o compromisso de sua fé na sua ação no mundo.

Santo Domingo procura, pois, levar ao concreto o que se estabele­ceu nas Conferências anteriores. Mantém a expressão "evangélica e re­novada opção preferencial pelos pobres" e a concretiza: "a serviço da vi­da e da família". Mostra assim o que significa optar pelos pobres e quais são estes pobres: são aqueles que não vivem plenamente em si e não convivem amorosamente numa família. A pobreza se liga à vida. Cristo veio para que os homens tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10,10).

Entre os leigos, a IV Conferência realça duas categorias, quer por­que particularmente necessitados de apoio, quer porque eminentemente ricos de dinamismo pastoral: as mulheres e os jovens. São fiéis leigos dos quais se espera especial protagonismo na evangelização e para cujas lu­tas, no sentido de dignificação humana e crescimento espiritual, se hipo­teca maior solidariedade.

 

9. Questões Espinhosas

A IV Conferência do Episcopado Latino-americano, reunindo os maiores expoentes católicos do Continente, teve evidentemente também momentos difíceis e enfrentou divergências. Nenhuma dificuldade se verificou no plano da fé e da doutrina. Mas na questão da metodologia e das estratégias pastorais as coisas não foram pacíficas. É que a própria realidade da América Latina e do Caribe apresenta muitas diferenças e as mentalidades dos pastores certamente não coincidem entre si.

A primeira discussão se formou em torno do Documento a ser pro­duzido: sobre sua utilidade e características. Chegou-se ao consenso de que deveria ser sensivelmente mais breve que o de Puebla, redigido nu­ma linguagem "impactante" e simples.

Outra discussão que movimentou bastante a Assembléia, foi a da metodologia. Alguns bispos brasileiros, acostumados ao sistema da di­nâmica da CNBB, mostraram amarguras quanto ao regimento adotado. Houve modificações da dinâmica no decorrer dos próprios trabalhos, so­licitadas pela Assembléia e aceitas pela presidência.

 

9.1. Fé e Vida

Alguém disse, com muita propriedade, que a Península Ibérica trouxe para o Novo Continente a fé católica, mas a impregnou com a moral e os costumes árabes. É bom lembrar que na época do descobri­mento fazia pouco que Portugal e Espanha se haviam subtraído ao jugo maometano e firmado na fé católica. O mesmo não aconteceu no plano moral, que marcou muitas gerações peninsulares. É sabido que alguns mandamentos da Lei de Deus inexistem na religião muçulmana, mor­mente do 5º  ao 10º. Daí o divórcio, em nosso continente, entre fé e vida. A fé é cristã, mas a vida, em grande parte, continua moldada pelos costumes árabes.

9.2. Protagonismo dos Leigos

É certo que a terminologia se presta a equívocos. Vista de modo isolado, poderia dar a entender que, de agora em diante, quem vai dirigir a Igreja são os leigos, ou que eles devem ocupar um espaço maior junto ao altar. Na Assembléia das Igrejas particulares de São Paulo, CNBB Sul 1, realizada nos dias 6, 7 e 8 de novembro de 1992, em Itaici, uma leiga palestrante expôs em público a mágoa de seus colegas. Na hora da co­munhão, os bispos e padres haviam comungado no altar e a eles a Euca­ristia fora servida fora do presbitério. Julgaram-se com isto diminuídos e marginalizados. Faltava só pedir que também se desse aos leigos vez para presidir a celebração eucarística...

Acontece que, quando votaram pelo protagonismo dos leigos, os Bispos tinham bem claro que se referiam ao campo específico deles. Querem que os leigos assumam realmente aquilo que lhes é próprio: sua índole secular. Ninguém pensou em transformá-los em clero.

O protagonismo se prende, evidentemente, à formação. Não se trata de conceder indistintamente algum poder especial ao leigo na Igre­ja. Hoje mais do que nunca se exige, em qualquer setor, competência. Vivemos num mundo em que as pessoas são reconhecidas por sua qualifi­cação e seu preparo e não por eventuais delegações. Portanto o prota­gonismo está ligado a um esforço maior de formação dos fiéis leigos, de modo que eles tenham um conhecimento religioso e científico tal que possam exercer uma verdadeira liderança no mundo de hoje.

 

9.3. Inculturação

A palavra "inculturação" é um neologismo que não deixa de criar certos embaraços, tanto no conteúdo como na forma. No segundo caso, quem não está acostumado ao seu uso e entende o "in" como negativo, poderia ficar com a impressão de que inculturar seria tornar inculto. No caso de conteúdo, poderia pensar inculturação como um sincretismo, em que se misturassem todas as culturas e valores. Neste sentido se pediria que "um pai de santo" faça sua celebração na Igreja Católica para desta­car "inculturação", ou a abertura da Igreja a todas as culturas.

O documento de Santo Domingo, com o Santo Padre, propõe a in­culturação como centro, meio e objetivo da nova evangelização. E projeta uma tríplice luz: o Natal, que aponta o caminho da encarnação; a Páscoa, que apresenta a necessidade da purificação; e Pentecostes, que possibilita entender, nas diversas línguas, as maravilhas de Deus.

O Documento de Santo Domingo define a inculturação do Evan­gelho como um processo que supõe o reconhecimento dos valores evan­gélicos, que se mantêm na cultura atual; o reconhecimento de novos valores, que coincidem com a mensagem de Cristo; e a incorporação de valores evangélicos ausentes ou obscurecidos desta cultura. E determina:

"a fé, ao encarnar-se nestas culturas, deve corrigir seus erros e evitar os sincretismos" (n. 230).

9.4. A Pastoral da Família

A família mereceu destaque especial. Ela é apontada como santuá­rio da vida. "A Igreja anuncia, com alegria e convicção, a Boa Nova sobre a Família, pela qual passa o futuro da humanidade" (n. 210).

A IV Conferência lança os grandes desafios da família e da vida e lhes responde com novas linhas pastorais. Sublinha a prioridade e cen­tralidade da Pastoral Familiar. Avança para "buscar, seguindo o exemplo do Bom Pastor, caminhos e formas para estabelecer uma Pastoral orien­tada aos casais em situações irregulares, especialmente aos divorciados e aos que voltaram a se casar no civil" (n. 224). Isto não é fácil. Exige muito estudo, discernimento e coragem.

Convidam-se também os teólogos, cientistas e casais cristãos a co­laborar para maior esclarecimento da paternidade responsável, tanto no que diz respeito ao número de filhos quanto aos métodos.

Receberam especial menção as mulheres e os jovens. Tergiversou-se acerca da melhor colocação. Para muitos parecia bem situá-los na fa­mília. Mas prevaleceu a opinião que eles deveriam receber um destaque à parte, dentro do capítulo dos ministérios e carismas, para entendê-los no contexto de sua missão na Igreja e no mundo.

 

9.5. As Missões

Não se poderia esquecer o grande desafio, assumido pela Confe­rência de Santo Domingo, como grande propósito do jubileu dos 500 anos: o empenho missionário. Até agora, ao longo destes cinco séculos, a América Latina e o Caribe receberam inúmeros missionários, que im­plantaram a fé no Continente. Hoje os fiéis daqui constituem mais de 40% dos católicos do mundo. Acontece, porém, que, dos cerca de 200.000 missionários da Igreja, somente 2.000 provêm de nosso continente. Ape­nas 1%. Está na hora de despertar para o ardor missionário. Dando da própria pobreza, a América Latina e o Caribe certamente se enriquecerão com novas e mais generosas vocações.

 

9.6. O Consenso Final

Apesar de todas as discussões e divergências ao longo dos traba­lhos, chegou-se ao final, com 201 participantes aprovando o Documento, nenhum contra e 5 abstenções. Se, por acaso, alguém contatar um dos cinco que se abstiveram, colherá reticências acerca das conclusões. Mas é bom saber que se trata apenas de 2,5%. 97,5% dos Bispos estão satisfei­tos e aprovam o Documento. É um consenso expressivo de tantas lide­ranças religiosas de alta capacidade no continente jubilar.

 

 

10. A Nova Evangelização

Podemos concluir estas considerações sobre a IV Conferência do Episcopado Latino-americano com aquilo que foi sua característica e constitui como que seu espírito, dinâmica e espinha dorsal: a Nova Evangelização. Cristo é apresentado como Evangelho e Evangelizador. Após enfocar a Nova Evangelização nos seus agentes e finalidades, aponta a promoção humana como sua dimensão privilegiada e a inculturação co­mo seu método indispensável. Todo o documento gira, pois, em torno da Nova Evangelização.

 

10.1. O Ponto de Partida

A Nova Evangelização parte da certeza de que em Cristo há uma ri­queza imperscrutável (Ef 3,8). Nenhuma época ou cultura a consegue esgotar. A ela podem os homens sempre recorrer para se enriquecer.

Hoje estamos diante de novos desafios, que os 500 anos de evan­gelização da América Latina trazem à tona. Trata-se, pois, de buscar no­vas luzes no mesmo e único Evangelho de Jesus Cristo para os novos problemas. A Nova Evangelização quer trazer uma resposta aos desafios que a realidade deste Continente apresenta, em virtude do divórcio exis­tente entre a fé e a vida. Este divórcio vem provocando clamorosas situa­ções de injustiça, desigualdade social e violência (cf. Conclusões de Santo Domingo n. 24).

A Nova Evangelização é, pois, operativa e dinâmica. Constitui um apelo à conversão e à esperança, que se apoia nas promessas de Deus e na certeza da Ressurreição de Cristo. Aí se encontra "o primeiro anúncio e a raiz de toda evangelização, o fundamento de toda promoção humana, e o princípio de toda cultura cristã autêntica" (n. 24).

 

10.2. A Finalidade

A Nova Evangelização pode também ser definida como um novo ambiente vital, "onde a acolhida do Espírito Santo faz surgir um povo re­novado, constituído por pessoas livres, conscientes de sua dignidade e capazes de fazer uma história verdadeiramente humana" (n. 24).

E, por fim, a Nova Evangelização "é o conjunto de meios, ações e atitudes aptos para colocar o Evangelho em diálogo ativo com a moder­nidade e o pós-moderno, tanto para interpretá-los como para se deixar interpelar por eles. E também o esforço de inculturar o Evangelho na si­tuação atual das culturas de nosso continente" (n. 24).

O sujeito da Nova Evangelização é toda comunidade eclesial: todos os que constituem o Povo de Deus, Bispos, presbíteros, diáconos, Reli­giosos, Religiosas e fiéis leigos (n. 25).

A finalidade é: 1) formar pessoas e comunidades maduras na fé; 2) dar resposta à nova situação em que vivemos, provocada pelas mudan­ças sociais e culturais da modernidade, como p. ex. urbanização, a pobreza e a marginalização; o materialismo, a cultura da morte, a invasão das seitas e outras propostas religiosas; 3) atingir os grupos e ambientes de vida e de trabalho, marcados pela ciência, pela técnica e pelos meios de comunicação social; 4) levar as pessoas batizadas, afastadas da prática da fé, ã uma adesão pessoal a Jesus Cristo e à Igreja (n. 26).

O conteúdo da Nova Evangelização é Jesus Cristo. Nele tudo ad­quire sentido. Ele rompe o horizonte estreito do secularismo, devolvendo ao homem e à mulher sua verdade e dignidade de filho e filha de Deus. A força renovadora está na fidelidade à Palavra de Deus, acolhida na co­munidade eclesial, sob a ação do Espírito Santo, que cria na unidade a diversidade, alimenta a riqueza carismática e ministerial e impele ao compromisso missionário (n. 27).

 

10.3. O Método

A Nova Evangelização distingue-se por uma tríplice novidade, defi­nida pelo Papa: novo ardor, que brota de uma radical conformação com Jesus Cristo, o primeiro Evangelizador. "Supõe uma fé sólida, uma cari­dade pastoral intensa e uma fidelidade inquebrantável, que, sob a ação do Espírito Santo, gera uma mística, um entusiasmo contagiante na ta­refa de anunciar o Evangelho, capaz de suscitar a credibilidade de acolher a Boa Nova da Salvação" (n. 28).

Novos métodos para as novas situações. Destaca-se o testemunho e o encontro pessoal, a confiança no anúncio salvador de Jesus e na ati­vidade do Espírito Santo. Apela-se para a criatividade, bem como para a audácia na utilização dos meios que as ciências e a técnica nos propor­cionam. E, por fim, novos métodos para atingir as raízes da cultura, fa­zendo penetrar o Evangelho no centro da pessoa e da sociedade (n. 29).

Novas expressões que tornem o mesmo Evangelho de sempre mais próximo das realidades culturais de hoje. Pense-se nos ambientes marcados pela cultura urbana e nas novas formas de cultura que se vão criando continuamente. E preciso inculturar-se nos modos de ser e viver de nossas culturas, falar de acordo com a mentalidade e cultura dos ou­vintes; de acordo com suas formas de comunicação e dos meios que estão em uso. Fala-se, por isso, de uma "conversão pastoral da Igreja", ca­paz de abranger tudo e todos: na doutrina, na consciência e na práxis pes­soal e comunitária, nas relações de igualdade e autoridade, com estrutu­ras e dinamismos mais claros e eficazes, como sinal eficaz da salvação para todos.

A IV Conferência de Santo Domingo, antes de constituir um con­junto de normas e de técnicas, quer proporcionar uma nova mística. In­clui tudo o que já se propôs nas Conferências anteriores, e tudo o que a Igreja ensina, dentro de um novo espírito. Não se trata apenas de um entusiasmo, eventualmente passageiro, que se queira suscitar. Vai-se, pelo contrário, à fonte, para firmar a fé em Jesus Cristo e centrar tudo nele: a iluminação doutrinária, bem como a execução.

Crendo em Jesus Cristo, recebemos o Seu Espírito, que é o Conso­lador, o Espírito da Verdade, o Espírito Santificador. A partir dele temos um novo dinamismo, porque é, em nós, uma fonte que borbulha para a vida eterna.

A partir de Cristo, "Caminho, Verdade e Vida", vemos a América Latina e enfrentamos os desafios que ela nos apresenta. Não nós, mas o Espírito de Deus que está em nós. Sem este Espírito, toda obra que eventualmente se encetasse, não passaria de um "bronze que soa ou címbalo que retine". Mas com Ele, pela fé em Jesus Cristo, "ontem, hoje e sempre", se operam maravilhas e se constrói um mundo novo. É Ele quem renova continuamente a face da terra.

 

Dom Dadeus Grings


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