Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 555/Setembro 2008

Livros em Destaque

 

Nova proposta:

 

"PADRES PARA AMANHÃ"

por Fritz Lobinger

 

Em síntese: O autor propõe que cada comunidade de fiéis católicos tenha uma equipe de homens casados à sua frente para ministrar os sa­cramentos, ainda que passem por um período de formação que não deve durar mais de dois anos. Abre também a possibilidade de serem ordena­das mulheres.

*  *  *

O autor do livro acima é alemão, que foi trabalhar na África do Sul e se tornou Bispo de Aliwal Norte. Viajou muito para apurar como vivem paróquias sem pároco; em conseqüência concebeu uma proposta que vai explanada no livro "Padres para Amanhã. Uma proposta para Comu­nidades sem Eucaristia"; o livro foi traduzido para o inglês, donde foi feita a tradução portuguesa [[1]].

A seguir, analisaremos o conteúdo do livro, ao que acrescentare­mos alguns comentários.

 

1. O conteúdo do livro

O autor parte do postulado de que se deve reestruturar o sistema de paróquias hoje em dia vigente:

Visto que há várias paróquias sem padre numa diocese, sejam es­sas paróquias agrupadas com o nome de "comunidade" ou "assembléia". Um agrupamento de dez assembléias, por exemplo, teria três padres ce­libatários, dedicados à pastoral em regime de tempo integral. Esses pou­cos padres trabalhariam em cada comunidade devidamente amadurecida para formar (no máximo, em dois anos) homens casados (e talvez até mulheres), que seriam ordenados presbíteros comunitários para minis­trar ali os sacramentos e celebrar a Eucaristia. Esses padres de comuni­dade ficariam fixos na sua comunidade, ao passo que os presbíteros ce­libatários (que Lobinger chama "padres diocesanos") viajariam pelas co­munidades para cuidar aí da formação de novos presbíteros comunitários e atenderiam à pastoral não sacramentaria de cada comunidade.

Lobinger julga que tal regime não contribuiria para pôr fim ao celi­bato sacerdotal, mas, ao contrário, despertaria mais vocações para os Seminários diocesanos como hoje existem. Assim explica Lobinger a sua tese:

"A preparação dos sessenta candidatos (a presbíteros comunitári­os) para a ordenação não tomaria mais de dois anos, porque já estavam presidindo a liturgias e fazendo homilias durante muitos anos...

O período de treinamento significaria uma boa dose de trabalho novo e adicional para os três padres diocesanos, o que significaria, du­rante esse tempo, que teriam de abandonar uma parte de outros treina­mentos" (p. 92).

"E como seria a situação uns poucos anos mais tarde, quando qua­se todas as comunidades tiverem a sua própria equipe de padres líderes ordenados?... Os três padres diocesanos não vão se sentir desclassifica­dos? Será que ainda haverá jovens observando com respeito os padres diocesanos e dizendo: Eu quero ser como eles?

Visitando algumas paróquias, tem-se a impressão espontânea de que pouco ou nada vai mudar quando presbíteros comunitários forem ordenados, a comunidade há de se sentir feliz e os padres diocesanos hão de sentir-se bem no seu novo papel... eles hão de subir na estima do povo... É improvável que o povo vá concluir assim: ‘Já que agora há no altar sacerdotes casados, os padres diocesanos deveriam também fundar uma família e deixar de lado seus sublimes ideais.’ Pelo contrá­rio, é muito mais possível que aconteça o oposto... Os fiéis saberão que a sua paróquia só foi capaz de crescer porque havia um grupo central de padres diocesanos junto ao bispo; por isto hão de fazer ques­tão de que esses padres diocesanos permaneçam como de fato são e continuem inspirando os líderes paroquianos e presbíteros comunitári­os" (pp. 93s).

"Depois de alguns anos haverá cada vez mais candidatos para o seminário provenientes de paróquias que têm presbíteros comunitários. Terão sentido a sua vocação não primariamente como chamado para ad­ministrar sacramentos, mas vocação para evangelizar e para acompa­nhar os muitos outros carismas. Os seminários reagirão adaptando seus métodos de formação" (p. 197).

A leitura da obra de Longer, que é editada com uma Introdução à edição brasileira da autoria do Pe. Antonio José de Almeida, que em 63 páginas faz a apologia da obra, pode ser impressionante à primeira vista. Daí as reflexões seguintes.

 

2. Comentando...

Proporemos os quatro seguintes pontos:

1)   Lobinger se revela de um otimismo utópico ou fora da realidade; só o fato de crer que a sua proposta suscitaria mais vocações para o Seminário diocesano é um espécimen da inverissimilhança da tese. Lobinger, além disto, não leva em conta o individualismo anticomunitário de nossos dias. Vejamos, porém, outros tópicos:

2)   Dois anos de formação para um presbítero são insignificantes dado que o padre é também um pregador, que deve estar seguro do que transmi­te aos fiéis e não pode induzir seu rebanho ao erro. Ademais lex orandi lex credendi - oramos como cremos, o erro teológico do pregador ou mestre pode levar a sérias confusões na Liturgia. Um padre que celebra os sacra­mentos da Penitência, do Matrimônio, da Eucaristia, do Batismo não pode deixar de ser interpelado pelos fiéis sobre questões de consciência, tornan­do-se quase obrigatoriamente um conselheiro ou um diretor espiritual - o que requer sólida formação teológica, especialmente em nossos dias.

3)   É difícil sustentar que a ordenação de homens casados, de tem­po parcial, para o ministério sacerdotal, não diminua, mas favoreça o cle­ro celibatário, que teria mais vocações.

A tendência de muitos hoje em dia é a de abolir o celibato obrigató­rio; como manter essa obrigação, se se conferem as mesmas faculdades a homens casados?

4)   Lobinger quer, a todo custo, conservar o celibato do clero e, por isto, dedica uma secção inteira do seu livro a tal temática: "Salvaguardan­do o tesouro de dedicação total". Para o conseguir, sugere a formação de Comunidades de Padres Diocesanos, em que cada membro ajudaria os outros, seguindo todos a mesma Regra e fazendo os mesmos sacrifícios. Esta possibilidade parece um tanto alheia à realidade, pois os padres diocesanos dificilmente poderiam viver comunitariamente, visto que seri­am itinerantes, viajando pelas comunidades, a fim de formar os presbíteros comunitários. Lobinger mostra ter grande estima pelo celibato; não o quer ver extinto, mas não pode deixar de reconhecer que sua tese poria em sério perigo esta antiga tradição.

5)   Lemos à p. 61 na introdução assinada pelo Pe. Antonio José de Almeida: "A última questão é a ordenação de mulheres. Esta é, na verda­de, a única inovação, do ponto de vista histórico, na proposta de Lobinger. O argumento aqui está, de certa forma, de acordo com a consciência igualitária da moderna sociedade ocidental. O magistério da Igreja exclui as mulheres do ministério ordenado... de forma definitiva quanto ao presbiterado e ao episcopado" (p. 62).

É curioso que, ao abordarem essa temática, nem Lobinger nem o Pe. Almeida citem os documentos da Santa Sé sobre a ordenação de mulheres, rejeitada taxativamente em caráter definitivo; ver PR 492/2003, pp. 268s. Esta omissão está em contradição com as várias passagens em que Lobinger professa fidelidade à Escritura, à Tradição e ao magisté­rio da Igreja; cf. p. 11.

Ademais, igualdade não é o mesmo que identidade. Homem e mu­lher são iguais quanto à natureza, mas não são idênticos quanto aos predicados.

Também é de estranhar o silêncio de Lobinger e Almeida sobre os diversos documentos da Igreja que insistem na manutenção do celibato obrigatório. A Teologia não pode prescindir dos textos do magistério da Igreja, pois Teologia é "fides quaerens intellectum" (é fé que procura com­preender), o sujeito da Teologia é a fé ou a adesão à Palavra de Deus a nós transmitida pelo magistério da Igreja, à qual Jesus prometeu sua assistência infalível; cf. Mt 28, 20; Jo 14, 26.

 

3. Conclusão

São estas algumas ponderações que o livro de Lobinger sugere. Em vez de propor teses contrárias ao ensinamento da Igreja, é mais cons­trutivo aprofundar a orientação da Igreja e pedir a Deus que inspire a autoridade suprema da mesma. Entrementes hoje, mais do que nunca, faz-se necessário fomentar a formação doutrinária do povo de Deus, es­pecialmente a da juventude, para que compreenda o inestimável valor da vida una ou indivisa. O que falta realmente, é instrução religiosa.



[1] Ed. Paulus, São Paulo 2007, 206 pp.

Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 9825530)/DIA
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?87.74
Diversos  Prática Cristã  3780 Os pecados mortais mais comuns27.51
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação16.00
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo14.49
Aulas  Doutrina  1497 Ser comunista é motivo de excomunhão?14.06
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?13.50
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino12.93
Vídeos  Testemunhos  4175 Professor de Harvard se converte11.91
Diversos  Prática Cristã  3185 Anticonceptivos são Abortivos?11.63
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas11.45
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia10.66
Diversos  Apologética  3729 Desmascarando Hernandes Dias Lopes9.94
Vídeos  Testemunhos  3708 Terra de Maria8.96
PeR  O Que É?  0565 Lei Natural, o que é? Existe mesmo?8.67
PeR  Escrituras  2389 O Pai Nosso dos Católicos e dos Protestantes8.38
Diversos  Ética e Moral  2832 Consequências médicas da homossexualidade8.20
PeR  O Que É?  1372 Eubiose, que é?8.01
PeR  Prática Cristã  1122 As 14 estações da Via Sacra7.82
PeR  Filosofia  0085 De Onde Viemos? Onde Estamos? Para Onde Vamos?7.60
PeR  História  2571 Via Sacra, qual a origem e o significado?7.48
PeR  Testemunhos  0450 Eu Fui Testemunha de Jeová6.87
Diversos  Apologética  3960 Deus não divide sua glória com ninguém?6.66
Diversos  Anjos  3911 Confissões do demônio a um exorcista6.50
Diversos  Testemunhos  3465 Ex-pastor conta como fazia para converter católicos6.46
Uma cruz sem Cristo não diz nada. Cristo na cruz diz tudo.
Claudio Maria

Católicos Online