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Nova proposta:

 

"PADRES PARA AMANHÃ"

por Fritz Lobinger

 

Em síntese: O autor propõe que cada comunidade de fiéis católicos tenha uma equipe de homens casados à sua frente para ministrar os sa­cramentos, ainda que passem por um período de formação que não deve durar mais de dois anos. Abre também a possibilidade de serem ordena­das mulheres.

*  *  *

O autor do livro acima é alemão, que foi trabalhar na África do Sul e se tornou Bispo de Aliwal Norte. Viajou muito para apurar como vivem paróquias sem pároco; em conseqüência concebeu uma proposta que vai explanada no livro "Padres para Amanhã. Uma proposta para Comu­nidades sem Eucaristia"; o livro foi traduzido para o inglês, donde foi feita a tradução portuguesa [[1]].

A seguir, analisaremos o conteúdo do livro, ao que acrescentare­mos alguns comentários.

 

1. O conteúdo do livro

O autor parte do postulado de que se deve reestruturar o sistema de paróquias hoje em dia vigente:

Visto que há várias paróquias sem padre numa diocese, sejam es­sas paróquias agrupadas com o nome de "comunidade" ou "assembléia". Um agrupamento de dez assembléias, por exemplo, teria três padres ce­libatários, dedicados à pastoral em regime de tempo integral. Esses pou­cos padres trabalhariam em cada comunidade devidamente amadurecida para formar (no máximo, em dois anos) homens casados (e talvez até mulheres), que seriam ordenados presbíteros comunitários para minis­trar ali os sacramentos e celebrar a Eucaristia. Esses padres de comuni­dade ficariam fixos na sua comunidade, ao passo que os presbíteros ce­libatários (que Lobinger chama "padres diocesanos") viajariam pelas co­munidades para cuidar aí da formação de novos presbíteros comunitários e atenderiam à pastoral não sacramentaria de cada comunidade.

Lobinger julga que tal regime não contribuiria para pôr fim ao celi­bato sacerdotal, mas, ao contrário, despertaria mais vocações para os Seminários diocesanos como hoje existem. Assim explica Lobinger a sua tese:

"A preparação dos sessenta candidatos (a presbíteros comunitári­os) para a ordenação não tomaria mais de dois anos, porque já estavam presidindo a liturgias e fazendo homilias durante muitos anos...

O período de treinamento significaria uma boa dose de trabalho novo e adicional para os três padres diocesanos, o que significaria, du­rante esse tempo, que teriam de abandonar uma parte de outros treina­mentos" (p. 92).

"E como seria a situação uns poucos anos mais tarde, quando qua­se todas as comunidades tiverem a sua própria equipe de padres líderes ordenados?... Os três padres diocesanos não vão se sentir desclassifica­dos? Será que ainda haverá jovens observando com respeito os padres diocesanos e dizendo: Eu quero ser como eles?

Visitando algumas paróquias, tem-se a impressão espontânea de que pouco ou nada vai mudar quando presbíteros comunitários forem ordenados, a comunidade há de se sentir feliz e os padres diocesanos hão de sentir-se bem no seu novo papel... eles hão de subir na estima do povo... É improvável que o povo vá concluir assim: ‘Já que agora há no altar sacerdotes casados, os padres diocesanos deveriam também fundar uma família e deixar de lado seus sublimes ideais.’ Pelo contrá­rio, é muito mais possível que aconteça o oposto... Os fiéis saberão que a sua paróquia só foi capaz de crescer porque havia um grupo central de padres diocesanos junto ao bispo; por isto hão de fazer ques­tão de que esses padres diocesanos permaneçam como de fato são e continuem inspirando os líderes paroquianos e presbíteros comunitári­os" (pp. 93s).

"Depois de alguns anos haverá cada vez mais candidatos para o seminário provenientes de paróquias que têm presbíteros comunitários. Terão sentido a sua vocação não primariamente como chamado para ad­ministrar sacramentos, mas vocação para evangelizar e para acompa­nhar os muitos outros carismas. Os seminários reagirão adaptando seus métodos de formação" (p. 197).

A leitura da obra de Longer, que é editada com uma Introdução à edição brasileira da autoria do Pe. Antonio José de Almeida, que em 63 páginas faz a apologia da obra, pode ser impressionante à primeira vista. Daí as reflexões seguintes.

 

2. Comentando...

Proporemos os quatro seguintes pontos:

1)   Lobinger se revela de um otimismo utópico ou fora da realidade; só o fato de crer que a sua proposta suscitaria mais vocações para o Seminário diocesano é um espécimen da inverissimilhança da tese. Lobinger, além disto, não leva em conta o individualismo anticomunitário de nossos dias. Vejamos, porém, outros tópicos:

2)   Dois anos de formação para um presbítero são insignificantes dado que o padre é também um pregador, que deve estar seguro do que transmi­te aos fiéis e não pode induzir seu rebanho ao erro. Ademais lex orandi lex credendi - oramos como cremos, o erro teológico do pregador ou mestre pode levar a sérias confusões na Liturgia. Um padre que celebra os sacra­mentos da Penitência, do Matrimônio, da Eucaristia, do Batismo não pode deixar de ser interpelado pelos fiéis sobre questões de consciência, tornan­do-se quase obrigatoriamente um conselheiro ou um diretor espiritual - o que requer sólida formação teológica, especialmente em nossos dias.

3)   É difícil sustentar que a ordenação de homens casados, de tem­po parcial, para o ministério sacerdotal, não diminua, mas favoreça o cle­ro celibatário, que teria mais vocações.

A tendência de muitos hoje em dia é a de abolir o celibato obrigató­rio; como manter essa obrigação, se se conferem as mesmas faculdades a homens casados?

4)   Lobinger quer, a todo custo, conservar o celibato do clero e, por isto, dedica uma secção inteira do seu livro a tal temática: "Salvaguardan­do o tesouro de dedicação total". Para o conseguir, sugere a formação de Comunidades de Padres Diocesanos, em que cada membro ajudaria os outros, seguindo todos a mesma Regra e fazendo os mesmos sacrifícios. Esta possibilidade parece um tanto alheia à realidade, pois os padres diocesanos dificilmente poderiam viver comunitariamente, visto que seri­am itinerantes, viajando pelas comunidades, a fim de formar os presbíteros comunitários. Lobinger mostra ter grande estima pelo celibato; não o quer ver extinto, mas não pode deixar de reconhecer que sua tese poria em sério perigo esta antiga tradição.

5)   Lemos à p. 61 na introdução assinada pelo Pe. Antonio José de Almeida: "A última questão é a ordenação de mulheres. Esta é, na verda­de, a única inovação, do ponto de vista histórico, na proposta de Lobinger. O argumento aqui está, de certa forma, de acordo com a consciência igualitária da moderna sociedade ocidental. O magistério da Igreja exclui as mulheres do ministério ordenado... de forma definitiva quanto ao presbiterado e ao episcopado" (p. 62).

É curioso que, ao abordarem essa temática, nem Lobinger nem o Pe. Almeida citem os documentos da Santa Sé sobre a ordenação de mulheres, rejeitada taxativamente em caráter definitivo; ver PR 492/2003, pp. 268s. Esta omissão está em contradição com as várias passagens em que Lobinger professa fidelidade à Escritura, à Tradição e ao magisté­rio da Igreja; cf. p. 11.

Ademais, igualdade não é o mesmo que identidade. Homem e mu­lher são iguais quanto à natureza, mas não são idênticos quanto aos predicados.

Também é de estranhar o silêncio de Lobinger e Almeida sobre os diversos documentos da Igreja que insistem na manutenção do celibato obrigatório. A Teologia não pode prescindir dos textos do magistério da Igreja, pois Teologia é "fides quaerens intellectum" (é fé que procura com­preender), o sujeito da Teologia é a fé ou a adesão à Palavra de Deus a nós transmitida pelo magistério da Igreja, à qual Jesus prometeu sua assistência infalível; cf. Mt 28, 20; Jo 14, 26.

 

3. Conclusão

São estas algumas ponderações que o livro de Lobinger sugere. Em vez de propor teses contrárias ao ensinamento da Igreja, é mais cons­trutivo aprofundar a orientação da Igreja e pedir a Deus que inspire a autoridade suprema da mesma. Entrementes hoje, mais do que nunca, faz-se necessário fomentar a formação doutrinária do povo de Deus, es­pecialmente a da juventude, para que compreenda o inestimável valor da vida una ou indivisa. O que falta realmente, é instrução religiosa.



[1] Ed. Paulus, São Paulo 2007, 206 pp.

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