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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 371 – abril 1993

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Fatos Candentes:

A ORDENAÇÃO DE MULHERES NA INGLATERRA

 

Em síntese: Aos 11/11/92 o Sínodo Geral da Comunhão Anglicana na Inglaterra resolveu admitir as mulheres à ordenação sacerdotal. A decisão ainda aguarda a confirmação do Parlamento e da Rainha, confirmação que é tida como altamente provável. Tal fato tem provocado agitação dentro do próprio Anglicanismo; este consta de Províncias Eclesiásticas autônomas, governa­das por um Sínodo Geral local, que não é obrigado a aceitar deci­sões de outros Sínodos (no caso: ... não é obrigado a aceitar a resolução do Sínodo da Inglaterra). O fato, porém, é que o movi­mento feminista se tem estendido dentro do Anglicanismo, pro­vocando posições acirradas, que ameaçam a Comunhão Anglicana mediante dissidências e cismas. Não poucos ministros anglicanos têm procurado a Igreja Católica, desiludidos com o rumo tomado pela sua denominação de origem. — A Igreja Católica julga que não lhe é lícito derrogar ao gesto de Cristo e à praxe de vinte sé­culos de Tradição, durante os quais não foi conferido o sacerdó­cio ministerial a mulher alguma. Ademais os ortodoxos orientais também se opõem à inovação — o que mostra como decisões unilaterais podem deteriorar as relações entre os cristãos.

 

De resto, a grandeza de alguém, lembra o S. Padre, não con­siste nas funções que exerce, mas na vivência da santidade; todos os ministérios existentes na Igreja têm em mira exclusiva promo­ver a santificação dos homens e das mulheres e a glória de Deus.

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A ordenação sacerdotal de mulheres tem sido um ponto ca­lorosamente debatido entre cristãos ocidentais, principalmente entre protestantes e anglicanos. A Igreja Católica tem-se pronun­ciado negativamente ante tal proposta: em 1976 a Congregação para a Doutrina da Fé explicou longamente os porquês dessa po­sição; em síntese, o procedimento de Cristo é decisivo; Ele não ordenou mulheres; não chamou alguma mulher para participar da Ultima Ceia, na qual Ele conferiu aos Apóstolos o ministério sa­cerdotal; cf. Mt 26, 17-26; Mc 14, 12-24; Lc 22, 7-20. - Os cris­tãos orientais ortodoxos também são contrários à ordenação de mulheres, por fidelidade à S. Escritura e à Tradição.

 

Entre os protestantes, o exercício do pastorado por parte de mulheres é mais compreensível, visto que negam o sacerdócio ministerial ou o sacramento da Ordem; só reconhecem o sacerdó­cio comum ou universal dos crentes, decorrente do Batismo. Ora todas as mulheres protestantes são batizadas, de modo que, entre os protestantes, não se vêem graves motivos para não permitir às mulheres o exercício de faculdades que o Batismo já lhes con­feriu.

 

O Anglicanismo pretende guardar o sacramento da Ordem, de modo que a ordenação de mulheres em tal ambiente deve en­frentar os mesmos obstáculos que existem no Catolicismo e na Ortodoxia oriental. Não obstante, aos 11/11/1992 o Sínodo Ge­ral da Comunhão Anglicana na Inglaterra resolveu aprovar a orde­nação de mulheres para o diaconato, o presbiterato e o episcopa­do. A decisão foi muito debatida, mas tornou-se um fato, que deixa perplexos não somente os demais cristãos, mas também muitos anglicanos contrários è sentença.

 

No presente artigo apresentaremos uma noção mais ampla do que seja a Comunhão Anglicana e do problema nela discutido. A seguir, apontaremos algumas etapas da mesma problemática tal como se coloca entre os protestantes em geral.

 

1. A COMUNHÃO ANGLICANA: QUE É?

 

Em 1534, há 459 anos portanto, o rei Henrique VIII na In­glaterra houve por bem separar da Igreja Católica o seu reino pelo fato de que o Papa Clemente VII em 1531 não lhe concedera o divórcio almejado ([1]). Tendo-se propagado para fora da Inglaterra, o Cristianismo inglês formou a chamada "Comunhão Anglicana" ou o Anglicanismo, que assimilou vários pontos doutrinários do protestantismo do continente europeu.

A Comunhão Anglicana é hoje um conjunto de "Igrejas" ou Províncias que gozam de comunhão entre si e a sede de Cantuária, considerada primacial porque fundada por S. Agostinho de Cantuária em 597. Não há sobre elas alguma autoridade central; são, pois, autocéfalas ou, de certo modo, autônomas entre si. Ca­da uma dessas "Igrejas" ou Províncias é governada por um Síno­do Geral ([2]), que se compõe de três Câmaras: Bispos, clero e leigos. De dez em dez anos reúnem-se em Lambeth (Inglaterra) todos os bispos anglicanos que estejam em comunhão com a sede de Can­tuária; esta guarda uma espécie de primado de honra, dada a sua antigüidade. Esta Conferência pode votar "resoluções", que, na verdade, não são senão recomendações; só obrigam as Províncias se o Sínodo Geral local as reexaminar e aprovar.

Estes dados ajudam a compreender o que está ocorrendo na Comunhão Anglicana.

 

2. COMUNHÃO ANGLICANA: ABERTURA AO SACERDÓCIO FEMININO

O sacramento da Ordem consta de três graus: o diaconato, o presbiterato e o episcopado. Consideremos os fatos ocorridos em relação a cada um desses graus na Comunhão Anglicana ([3]):

 

2.1. Diaconato

 

As Conferências de Lambeth em 1968 e 1978 pediram que o diaconato fosse amplamente concedido às mulheres. Várias Pro­víncias atenderam ao proposto, de modo que na Inglaterra as primeiras diaconisas foram ordenadas em 27/02/1987. Atualmen­te existem cerca de 1.300 diaconisas na Inglaterra, aguardando o sinal verde do Sínodo de sua Província para receber a ordenação presbiteral.

 

2.2. Presbiterato

 

A primeira ordenação presbiteral de mulher anglicana foi a da Sra. Li Tim Oi em Hong Kong, destinada a atender a uma co­munidade muito isolada por causa da guerra vigente em 1944. O bispo que a ordenou não podia, na época, comunicar-se com seus colegas. Sete anos após a ordenação, a ministra anglicana[4] teve que renunciar por efeito das pressões que sobre ela pesavam da parte dos bispos de Cantuária e York.

Em 1968 uma Conferência de bispos anglicanos rejeitou como improcedentes os argumentos contrários à ordenação de mulheres.

Em 1971, novamente em Hong Kong outro bispo ordenou uma presbítera, apoiando-se em um Parecer do Conselho Consul­tivo Anglicano, que carecia de autoridade[5].

Em 1975, quinze mulheres foram ordenadas em Filadélfia (U.S.A.) por bispos aposentados, sem autorização do Sínodo Ge­ral. Tais ordenações foram ilegais, mas válidas segundo a concep­ção anglicana.

Nesse mesmo ano a Província Anglicana do Canadá aprovou a ordenação de mulheres.

Ainda em 1975 foi levada ao Sínodo Geral da Província da Inglaterra uma pergunta, para a qual se deu a seguinte resposta: "Não há objeção contra a ordenação de mulheres, mas os tempos ainda não estão maduros".

Em 1976 o Sínodo Geral dos Estados Unidos aprovou o sa­cerdócio feminino e reconheceu as quinze mulheres ordenadas ilegalmente em Filadélfia.

Em 1977 a Província Anglicana da Nova Zelândia deu o si­nal verde.

Em 1978, quando se abriu a Conferência de Lambeth, esta­vam presentes algumas presbíteras na qualidade de jornalistas. A Conferência se viu diante de uma questão espinhosa: algumas Províncias haviam agido por conta própria, ordenando mulheres sem o consentimento de todos os bispos (ou, ao menos, sem o estudo do assunto por todos); outras Províncias haviam resolvido aguardar e outras não tinham ainda examinado a questão. O fato, porém, estava, em parte, consumado. Os calorosos debates dessa Conferência de Lambeth (1978) terminaram com a aprovação, por grande maioria, dos seguintes pontos: 1) aceitar a diversidade na unidade da fé é parte integrante da herança anglicana; 2) as Províncias, sendo autônomas, tinham o direito de tomar suas re­soluções próprias, mas sem esquecer o peso dos seus gestos sobre o conjunto da Comunhão; 3) as Províncias que tinham ordenado mulheres, haviam-no feito na convicção de que essas ordenações estavam na linha da história anglicana, que devia ser respeitada, ou seja, na linha do que foi chamado "uma tradição dinâmica".

 

Por ocasião da seguinte Conferência de Lambeth, em 1988, já as Províncias do Quênia, de Uganda e do Brasil haviam confe­rido o sacerdócio às mulheres. Naquela data sete Províncias re­presentavam aproximadamente 1270 mulheres ordenadas na Co­munhão Anglicana. Aliás, uma dentre elas era teóloga da Confe­rência.

 

Após 1988, outras Províncias tomaram ou dispuseram-se a tomar decisão semelhante: Irlanda, África do Sul, Austrália, País de Gales...

Finalmente, aos 11 de novembro de 1992, o Sínodo Geral da Província da Inglaterra, por sua vez, disse Sim à inovação. Para a aprovação da proposta, requeriam-se 2/3, ou seja, 66% dos vo­tos em cada Câmara; ora na dos bispos houve 33 Sim contra 13 Não, ou seja, aproximadamente 75% de votos favoráveis; na do Clero, houve 70% (176 x 74 votos), e na dos leigos 67% (169 x 82 votos, o que representa a mais exígua maioria).

 

As outras Províncias anglicanas já se haviam, em grande maioria, manifestado favoráveis à novidade, pois de 44 dioceses anglicanas apenas 6 ficavam avessas. Em 21/11/1992 a Província da Austrália, fragmentada pelos debates, resolveu seguir a orien­tação da maioria.

 

A decisão tomada pelas Câmaras da Inglaterra teve grande repercussão não só dentro da Comunhão Anglicana, mas também fora da mesma, afetando as relações do Anglicanismo com a Igre­ja Católica e com os ortodoxos orientais, como ainda se dirá adiante.

 

2.3. Episcopado

 

Uma vez concedido o "presbiterato" às mulheres, põe-se naturalmente a questão: E o episcopado...? — A Conferência de Lambeth em 1988 mostrou-se prudente a tal propósito. Todavia em setembro do mesmo ano foi escolhida uma mulher — Barbara Harris — para ser "bispa auxiliar" da diocese anglicana de Massachusetts (U.S.A.) e, em 1990, outra mulher — Penny Janneson — tornou-se bispa diocesana da Nova Zelândia. Aos 19/11/92 Jane Dixon foi constituída a terceira "bispa" anglicana, desta vez nos Estados Unidos.

Não se pode ainda deixar de dizer que a resolução tomada pelas Câmaras da Província da Inglaterra em 11/11/92 deve opor­tunamente (junho/julho 1993) passar pelo Parlamento Ingles ou, melhor, por uma Comissão Parlamentar destinada a assuntos eclesiásticos (o Anglicanismo está vinculado ao Estado e, de certo modo, depende dele). Tal Comissão constará de membros das duas Câmaras Legislativas: Câmara dos Comuns (Deputados) e Câmara dos Lords. Esta Comissão não tem o poder de emendar uma lei proposta pela Igreja; pode ou declará-la oportuna e sub­metê-la à assinatura da Rainha ou pode bloquear o texto, não o entregando à assinatura régia. É muito pouco provável que esta segunda alternativa ocorra. Como quer que seja, a exigência da Chancela da Rainha oferece aos hesitantes um certo prazo para tomar posição. Entrementes prosseguirão os debates, de modo a se evitarem adesões ou rupturas precipitadas.

 

3. CONSEQÜÊNCIAS

 

Graves tensões se originaram na Comunhão Anglicana. Nos Estados Unidos, alguns bispos (um já aposentado), vários presbí­teros e fiéis criaram pequenas comunidades, que queriam perma­necer em comunhão com a sede de Cantuária, mas não reconhe­ciam mulheres ordenadas nem os bispos que as quisessem orde­nar. O bispo anglicano aposentado de Londres parece ter apoiado esses núcleos; numa viagem feita aos Estados Unidos, manifestou-se-lhes favorável; ao regressar à Inglaterra, foi censurado pelo ar­cebispo de Cantuária.

Já antes da votação de 11/11/92 um presbítero foi ordena­do bispo numa dessas comunidades dissidentes norte-americanas, a fim de criar "uma diocese missionária da Igreja Anglicana da Inglaterra e do País de Gales". A Associação anglicana "Cost of Conscience" pretende fundar uma "Igreja Anglicana Tradicio­nal", paralela à Comunhão Anglicana.

Acontece assim que na Comunhão Anglicana, onde "a corte­sia amável era o 11o mandamento" (Time, 23 nov. 1992, p. 53), as brechas se abriram. Numerosos bispos e quase 3.000 dos 10.500 ministros anglicanos se declararam irredutivelmente opos­tos à mudança. Disse o vigário Christopher Colven, de Londres: "Deixamos de caminhar juntos passo a passo, embora ainda com­partilhemos pontos comuns e estejamos ligados uns aos outros pelo afeto". O bispo anglicano de Londres, Dr. Hope, declarou, por sua vez: "Quero permanecer bispo, mas não consigo sobrevi­ver numa Igreja em que me sinto marginalizado".

A legislação inglesa propicia, de certo modo, novos proble­mas. Os tradicionalistas, por exemplo, estão aborrecidos porque a lei permite que determinado bispo recuse a ordenação de mu­lheres em sua diocese, mas faculta ao seu sucessor reconhecê-la. O bispo anglicano de Londres, David Hope, disse em tom angus­tiado que os opositores "serão inevitavelmente cada vez mais ignorados e marginalizados". A Sra. leiga Elizabeth Miles, que chefia um grupo contrário às ordenações de mulheres, contando com 6.750 membros, nutre a esperança de que o Parlamento re­jeite o voto das Câmaras Eclesiásticas — o que é inverossímil.

De modo especial, na Austrália a Comunhão Anglicana está dividida: a maior diocese, que é a de Sidney, é francamente con­servadora. Os tradicionalistas, julgando que as mulheres não po­dem ser ordenadas validamente, não reconhecem os sacramentos por elas ministrados.

Também os membros da Church Union, que congrega mui­tos ministros de tendência anglo-católica, levantam sérias dúvidas sobre a sua permanência na Comunhão Anglicana, ao mesmo tempo que rejeitam qualquer decisão precipitada. Não poucos ministros dizem que não podem, em consciência, continuar o seu ministério, a tal ponto que vários já pediram admissão na Igreja Católica. A título de abono, o Sínodo Geral da Inglaterra tem concedido quantias monetárias aos ministros dissidentes.

O diálogo da Comunhão Anglicana com a Igreja Católica não cessará, mas certamente encontrará um obstáculo novo (em­bora não imprevisto). Ao Espírito Santo tocará esclarecer as men­tes e mover os corações para que a união de anglicanos e católi­cos, tão facilitada em outros pontos de doutrina, não venha a ser um sonho dissipado.

O Patriarcado de Moscou também lamentou oficialmente a decisão da Igreja Anglicana. Os russos ortodoxos, que a propósito compartilham a posição dos católicos, receiam que "o fosso exis­tente entre ortodoxos e anglicanos venha a se aprofundar".

O Cardeal Basil Hume, arcebispo católico de Westminster, declarou:

"Estou decepcionado, mas não surpreso, pela votação do Sí­nodo Geral hoje... A decisão do Sínodo não corresponde ao ensi­namento da Igreja Católica. A questão da ordenação de mulheres depende da compreensão que cada Igreja tem da sua identidade própria, dos sacramentos e do culto. Não se trata apenas de uma questão de igualdade ou de justiça; nem pode tal problema ser re­solvido exclusivamente em função da mudança de atitudes da sociedade em relação à mulher, por mais importantes que sejam. Comporta aspectos ponderáveis: qual o autêntico sentido da ordenação sacerdotal? ... Que é a Eucaristia? ... Em que consiste o papel singular do presbítero nesta celebração? ...A decisão da Igreja da Inglaterra não é o sinal de ruptura das relações ecumê­nicas. Permanece a comunhão real, mas parcial, entre cristãos uni­dos pelo mesmo Batismo. Continuaremos a rezar e trabalhar jun­tos, apesar do novo obstáculo criado pela Igreja da Inglaterra. Na Igreja Católica, a procura deve continuar em comum com outras Igrejas para se encontrar o modo de desenvolver o ministério das mulheres" (La Documentation Catholique, no 2063, 03/01/93, p. 47).

 

Como se vê, o cardeal Hume enfatiza que a temática não há de ser avaliada apenas à luz da promoção da mulher na socie­dade civil, pois há outros critérios — de fé — que pesam decisiva­mente no caso; trata-se de saber se as fontes da Revelação cristã autorizam a inovação.

 

Completemos estas notícias, acrescentando-lhes alguns da­dos sobre a designação de mulheres como pastoras no protestan­tismo não anglicano.

 

4. PROTESTANTISMO NÃO ANGLICANO

 

Os protestantes, como dito atrás, não admitem o sacramen­to da Ordem ou do sacerdócio ministerial, distinto do sacerdócio comum dos crentes derivado do Batismo. Daí ser-lhes menos difí­cil encarar o problema em foco.

 

Em 1853 Antoinette Brown, protestante congregacionalista, que depois se tornou protestante unitária, foi a primeira mulher a assumir funções de direção no protestantismo. O caso, porém, não deixou seqüelas durante quase um século.

Em 1948 os metodistas africanos (negros) nos Estados Uni­dos resolveram aceitar a ordenação de mulheres para o pastorado.

Em 1950/1 os metodistas e presbiterianos (brancos) decidi­ram tomar a mesma atitude nos Estados Unidos.

 

Em 1958 os luteranos da Suécia fizeram o mesmo.

 

Em 1980, entre os metodistas dos Estados Unidos, Marjorie Matthews tornou-se a primeira "bispa".

Em 1992 foram nomeadas as primeiras "bispas" luteranas: Maria Jepsen, aos 30/08 na Alemanha, e April Larson, aos 11/10 nos Estados Unidos.

 

Atualmente nos Seminários protestantes norte-americanos pode-se dizer que uma terça parte do recrutamento é feito entre mulheres.

Entre os mórmons, porém, todos os oficiais do culto são masculinos.

 

Merece referência ainda o fato de que também entre os ju­deus o problema foi colocado, de modo que em 1972 a primeira mulher rabina foi designada nos Estados Unidos.

 

5. CONCLUSÃO

 

O movimento pró-ordenação de mulheres tem suas raízes doutrinárias (que não são decisivas). Todavia não se pode deixar de reconhecer que, em grande parte, é incentivado pelo feminis­mo, que se tem avolumado nos últimos decênios. Os comentado­res do fato associam-no à tentativa de fazer nova tradução da Bí­blia, donde seriam eliminadas todas as expressões que sugiram um Deus masculino (propósito este que também tem suscitado ardentes debates). Assim, por exemplo, em vez de se dizer "Pai Nosso, que estais nos céus...", dir-se-ia: "Deus, nosso Pai e Mãe, que estais nos céus..."; em lugar de "Pai, Filho e Espírito Santo", usar-se-ia a expressão "Heavenly Parent", Parente Celeste... Tal modo de entender a Bíblia tem sido amplamente discutido, a ponto de julgarem alguns teólogos protestantes que se poderia assim mudar a própria religião.

A posição da Igreja Católica tem sido expressa em documen­tos sucessivos, dos quais o último é a Carta Apostólica "Sobre a Dignidade e a Vocação da Mulher", do Papa João Paulo II, data­da de 15/08/1988. O Sumo Pontífice aí põe em relevo o papel eminente da mulher na história passada e na sociedade contempo­rânea; exalta seus méritos na vida da Igreja e reafirma quanto foi dito pela Congregação para a Doutrina da Fé aos 15/10/1976 na Declaração "Inter Insigniores" sobre a admissão das mulheres ao sacerdócio ministerial: as funções do homem e da mulher não são idênticas, mas complementares entre si; à mulher tocam prerroga­tivas que aos homens não competem, e vice-versa. Ademais o exemplo de Cristo, a praxe da Tradição de vinte séculos desacon­selham a inovação em nossos dias. Acrescenta ainda o Santo Pa­dre importante observação: o que faz a dignidade de uma pessoa, não são os seus encargos, embora estes atraiam, porque conferem poder de ação; mas a grandeza de alguém está em suas virtudes ou em sua riqueza interior. Por isto não se devem transferir para den­tro da Igreja critérios de avaliação geralmente usuais em outras sociedades, onde a promoção e a chefia são por todos e todas almejadas:

 

"Evite-se transferir para a Igreja... critérios de compreensão e de julgamento que não dizem respeito à sua natureza. Mesmo que a Igreja possua uma estrutura hierárquica, esta se ordena inte­gralmente à santidade dos membros do Corpo Místico de Cristo. E a santidade é avaliada segundo o grande mistério em que a Es­posa responde com o dom do amor ao dom do Esposo" (no 27).

Nesta perspectiva da santidade, a mulher se destaca grandio­samente na história da Igreja e da humanidade. É para desejar que seu olhar de fé e amor não se deixe perturbar por categorias sociológicas e políticas estranhas à mensagem do Evangelho, mas continue a mostrar ao homem como deve responder a Deus, que se oferece como o Primeiro Amor.

Dom Estêvão Bettencourt



[1] O rei estava casado com Catarina de Aragão, que só lhe dera uma filha como herdeira; daí pleitear o divórcio para casar-se com Ana Bolena, da qual, aliás, Henrique VIII também haveria de se separar mais tarde.

[2]- Em algumas Províncias tal Sínodo pode ter outro nome, mas desempenha sempre as mesmas funções.

[3]- É de notar que a Igreja Católica, tendo examinado o modo co­mo foi reconstituída a hierarquia no Anglicanismo depois que a rainha Elisabete mandou extinguir a hierarquia católica, não reco­nhece a validade da ordenação dos bispos, presbíteros e diáconos anglicanos.

[4]- Os presbíteros anglicanos são chamados "ministros".

[5] Esse Conselho é constituído por representantes dos bispos, do clero e dos leigos de toda a Comunhão. Reúne-se de três em três anos unicamente para atender a consultas. Não tem poder de­cisório.


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