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Diálogo entre Cristãos - Idolatria

Polêmica:

Assunto: Idolatria - "Achei o argumento sobre idolatria tão pobre, na verdade um daqueles sofismas falaciosos (...) Se me forem enviados alguns versículos das Sagradas Escrituras mencionado tal ensinamento, ou seja de veneração ou dos santos, me torno Católico Romano imediatamente.."

"(...) Então, Frederico, segundo os dicionários, venerar é o mesmo que adorar, prestar culto, etc.. (...) O que eu queria é que você me enviasse algum texto dizendo sobre aquele tipo de intercessão que os santos fazem depois que morrem, lá no céu. (...) os protestantes nunca rompemos com a Igreja fundada pelo nosso Senhor Jesus Cristo. (...)"

=-=-=

Protestante:

Achei o argumento sobre idolatria tão pobre, na verdade um daqueles sofismas falaciosos.

1. Quando se veneram (adoram) os santos, também  se reconhece implicitamente que os mesmos também possuem atributos divinos.

2. As Sagradas Escrituras também não autorizam, em nenhuma parte, a veneração dos santos, nem sequer que se interceda através dos mesmos.

3. Se nós é autorizado fazer imagens  (as do querubim, as da arca), quando Deus assim o permite (e só quando ele permite), o que dizer das que ele não autoriza nem permite: as de São José, São Benedito,  etc...? São elas autorizadas? Além do mais, se se "veneram" as imagens, como as de uma fotografia, o que se diria se alguém se prostrasse diante da fotografia de um ente querido e lhes  fizessem orações, e até flagelações.

Ora, se isto não é idolatria (culto aos ídolos), o que é então? Onde, por Deus, nas Sagradas Escrituras  nos é ensinado a  venerar as imagens dos santos?

Se me forem enviados alguns versículos das Sagradas Escrituras mencionado tal ensinamento,  ou seja de veneração ou  dos santos, me torno Católico Romano imediatamente.
G.

=-=-=

Católico:

G.,
Antes de responder às suas objeções, quero agradecer seu e-mail.

É bom que você se manifeste e faça as perguntas que fez.

Em primeiro lugar, devemos saber o que é uma idolatria.

Existem três tipos básicos de cultos possíveis: dulia, hiperdulia e latria. A latria é o culto que se deve somente a Deus e consiste em reconhecer nele a divindade. Ou seja, reconhecer que ele é o Senhor de todas as coisas e criador de todos nós, etc.

O culto de dulia ou hiperdulia é a veneração ou a hiperveneração, que consiste em reconhecer em outra pessoa virtudes exemplares e impetratórias (intercessão). O culto de hiperdulia se deve somente à Mãe de Deus, é claro.

Por acaso você sabe o que é, então, a idolatria?

A idolatria consistiria em achar que a divindade está em uma estátua, por exemplo. Ou seja, teríamos que colocar alimentos para as imagens, como faziam os romanos, os egípcios e os demais povos idólatras. Teríamos que achar que Deus e o santo são a mesma pessoa. No fundo, seria dizer que S. Benedito não é e nem foi S. Benedito, mas foi Deus, etc.

Nunca se ouviu algum católico defendendo que o Santo era Deus! Mesmo porque isso seria cair em um panteísmo (defendido por Calvino e Lutero em algumas de suas obras).

Ademais, sobre fazer imagens, onde você leu que elas só podem ser feitas com autorização de Deus? Você pede que eu mostre uma autorização, mas não me mostra onde ela é requerida! Ora, se Deus manda fazer imagens em pelo menos três passagens das Sagradas Escrituras e proíbe que se faça imagens em outra, de duas uma, ou Deus é contraditório ou fazer imagens não é idolatria!

Os Judeus, saindo da dominação egípcia, um povo idólatra, tinham muita tendência à idolatria. Basta ver o que aconteceu quando Moisés desceu do Monte Sinai com as Tábuas da Lei e encontrou o povo adorando o "Bezerro de Ouro" como se ele fosse uma divindade, um amuleto. É claro, como permitir que um povo tendente à idolatria fosse fazer imagens. Entretanto, o mesmo Deus mandou que se fizesse imagens em outras passagens.

Sobre os santos possuírem atributos divinos, devo dizer que há uma confusão de linguagem. Os santos não possuem atributos divinos, mas sim virtudes que os tornam "semelhantes" a Deus. Lembre-se que S. Paulo disse: "já não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim".

Já viu alguma imagem católica que representasse um vício ou defeito? É claro que não, pois elas são "imagens" de pessoas virtuosas. Virtude essa que provém da graça de Deus. O mesmo não se dava na idolatria, pois os povos idólatras representavam as virtudes e os vícios em seus ídolos.

O poder de interceder pelos vivos está expresso em diversas passagens das Sagradas Escrituras. Lembre-se das Bodas de Canaã, onde Nosso Senhor não queria fazer o milagre, pois "ainda não havia chegado Sua hora" e "o que temos nós a ver com isso (com a falta de vinho)?". Bastou Nossa Senhora pedir para que seu Filho fizesse o milagre, que Ele adiantou sua hora para atender à intercessão de sua Mãe Santíssima. Quer maior poder de interceder do que esse? Fazer com que Deus, por assim dizer, mudasse seus planos? É tal o poder de Nossa Senhora que a doutrina católica a chama de onipotência suplicante, ou seja, Aquela que tem, por meio de sua súplica a seu Filho, o poder onipotente!

Sobre os santos, também existem diversas passagens em que Deus só atende por meio da intercessão deles, como, por exemplo, no caso de Jó, em que Deus expressamente mandou que um dos que pediam a Ele pedisse através de seu servo Jó. Ou mesmo do discípulo de Santo Elias, que só fazia milagres quando pedia através do Deus de Elias.

Ora, é natural que Deus atenda àqueles que estão mais perto dele do que àqueles que estão mais distantes. Quanto maior a virtude de uma pessoa, tanto mais perto de Deus ela está e tanto mais pode interceder.

Quando a Sagrada Escritura diz que Nosso Senhor é o único caminho entre os homens e Deus, não quer dizer que entre os homens e Nosso Senhor não possa haver intercessores. É claro, só Nosso Senhor é o intercessor entre nós e Deus Pai, mas não significa que entre nós e Ele não existam degraus de pessoas que O conheceram, amaram e serviram de forma exemplar.

Sobre a fotografia, só seria idolatria alguém rezar diante de uma fotografia se o que reza pensasse que a foto fosse Deus ou que a pessoa fotografada fosse Deus. Fora isso, não há problema em se rezar para alguém, quem quer que seja, se a intenção é crescer em virtude ou alcançar alguma graça por intercessão dela.

O problema dos protestantes, Gilson, não é conhecer as respostas que estou dando (que são simples e básicas), mas é em reconhecer o orgulho que existe em quem rompe com a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Sofisma, quem faz são os protestantes, que se fecham para a Igreja, para Nossa Senhora e para a Eucaristia. Querem dizer que seguem a "Bíblia" e se esquecem que a Bíblia foi feita pela mesma Igreja que combatem. Uma Igreja que já existia há 1.500 anos quando apareceu o primeiro protestante. Uma Igreja que recebeu a promessa de que as "portas do inferno nunca prevaleceriam contra ela". E olhe bem, se não "prevaleceriam" é porque pareceriam prevalecer em algumas épocas históricas!

Gilson, espero que abra seus olhos, pois Deus é um só e não pode haver mais de uma religião verdadeira. Ele não teria vindo ao mundo para deixar os homens sem uma religião (pois todos os povos já tinham a sua) e perdidos no caos do "livre exame"!

As respostas às suas objeções foram dadas, espero que faça a sua parte. Se quiser, procure-me pessoalmente e conversaremos sobre qualquer dúvida que tenha.

Seu em Cristo e Maria,

F.V.

=-=-=

Protestante:

Prezado Frederico,

Li com toda atenção a resposta de seu e-mail sobre minhas perguntas referentes à questão da idolatria.

Gostaria de agradecer  pela prontidão e solicitude  dispensadas. Após ter enviado meu e-mail e obtido sua resposta, fiquei imaginando se seria lícito  participar deste tipo de controvérsia.

Achei que este tipo de discussão talvez pudesse acirrar os ânimos e esfriar o amor cristão que devemos nutrir  mutuamente. Relutei um pouco até que finalmente decidi enviar-lhe esta tréplica, digamos assim.

Todavia,  não gostaria que minha presente correspondência de alguma forma soasse como algum tipo de provocação ou ofensa. Quero expressar meu profundo respeito por você, e desde já, me considero seu amigo e irmão em Cristo e aceitar seu convite para nos conhecermos pessoalmente. Perdoe-me se, de algum modo, fui deselegante com você.
A Apologética e algo indispensável para o Cristianismo, e nosso diálogo pode se tornar algo extremamente enriquecedor.

Prezado Frederico,

Gostaria de começar com a palavra veneração. Antes de lhe enviar um e-mail, li um artigo em seu  site, cujo  título, se não me falha a memória, era: Respondida a Acusação dos Protestantes, ou algo assim. Tanto nesse artigo como em seu e-mail, fica bem claro que os católicos não adoram imagens, mas as veneram.

Como nos ensina a filosofia, antes de qualquer discussão profunda é imprescindível que se definam os termos. Por isso decidi consultar alguns dicionários  da língua portuguesa, os
que eu tinha à mão,  e  fiz a seguinte descoberta:

O Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Ed. Melhoramento, traz a seguinte definição:

Venerar: 1. Tratar com profundo respeito; Render culto
Adorar: Reverenciar Venerar, Idolatrar, Prestar Culto
Veneração: 1. Ato ou efeito de venerar. 1 Culto que se presta às pessoas, às divindades ou as coisas  sagradas

Dicionário Escolar da Língua Portuguesa:
Adorar: Render culto a; venerar...

O Dicionário Escolar das Dificuldades da Língua Portuguesa trás as seguintes definições
Adoração:  Acatamento, Veneração, culto, latria, honra, genuflexão.
Adorar: Idolatrar, cultuar, Venerar...
Veneração: Culto, latria.... adoração

E,  para não me prolongar muito, 0 Novo Dicionário Dinâmico da Língua Portuguesa:
Adoração: Culto a Deus, Veneração...
Adorado: Venerado

Então, Frederico, segundo os dicionários, venerar é o mesmo que adorar, prestar culto, etc...

Imagine se alguma autoridade, interrogando um  incendiário, lhe perguntasse:

- Você incendiou tal casa? E o mesmo respondesse:
- Não, senhor doutor, eu só a queimei.

Qual é a diferença entre incendiar, queimar e pôr fogo?

O mesmo se dá com estas palavras: Quando você diz que  venera  as imagens dos santos, ou os santos propriamente dito, na verdade está fazendo uma confissão de que os
adora. Adorar, prestar culto, venerar é a mesma coisa. Agora, com respeito as palavras dulia, hiperdulia e latria.

Em seu e-mail você disse:

“Existem três tipos básicos de cultos possíveis: dulia, hiperdulia e latria. A latria é o culto que se deve somente a Deus e consiste em reconhecer nele a divindade. Ou seja, reconhecer que ele é o Senhor de todas as coisas e criador de todos nós, etc. O culto de dulia ou hiperdulia é a veneração ou a hiperveneração, que consiste em reconhecer em outra pessoa virtudes exemplares e impetratórias (intercessão). O culto de hiperdulia se deve somente à Mãe de Deus, é claro.

Por acaso você sabe o que é, então, a idolatria?”

Sua definição de “douleia” é exata:  prestar culto. Gostaria  também de  explorar esta palavra. O Léxico do Novo Testamento Grego/ Português traz as seguintes definições para o substantivo “douleia” e seus verbos derivados:

“douleia”: Escravidão, sujeição :  Rm 8;15, 21, Gl 4:24 ; 5,1; Hb 2:15

“douleuo”: Ser escravo, estar sujeito a:  Jo 8;33; At 7:7; Gl 4.25, Rm 7,6. Com o caso dativo significa Servir a alguém como escravo, servo: Mt 6,24; Lc 15,29; 16:13; Rm 14, 18; Gl 5,13; Ef 6:7.

“Douleia” também significa prestar serviço ou culto, alias a palavra para culto em outras línguas, como o ingles, por exemplo, é serviço: “Service”.

Em João 8:33 lemos: “Responderam-lhe Somos descendência de Abraão, e nunca servimos (dedouleukamen)  a ninguém...”

Você disse, Frederico, que  latria é o culto que se deve somente a Deus. Isto é verdade.

Mas não só “latria” deve ser prestada somente a Deus.

“Douleia” também.

Em Romanos lemos: “Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos  (douleuein) em novidade de espirito, e não na velhice da letra”.

Ainda em Romanos: Por que quem nisto serve (douleuwon) a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Em São Mateus 6:24 Jesus nos faz a seguinte advertência:
“Ninguém pode servir  (douleuein) a dois senhores; porque ou há odiar a um e amar a outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro.”

Em Êxodo 20:4, temos o seguinte mandamento de Deus: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem das águas de baixo da terra. Não as adorará, nem lhes dará culto.”

No  hebraico a palavra é Tybdm (Tayabedem). A  Septuaginta traduz   esta palavra  como (douleia), servir ou prestar culto. Então, como você vê, quando se trata se  servir no sentido de prestar culto, as Escrituras nos ensinam que  devemos fazê-lo somente a Deus. Não consegui encontrar uma passagem sequer em nas Sagradas Escrituras em
que  nos é ensinado prestar culto (nem latria, nem douleia)  quer aos santos quer  aos anjos quer  a Maria, mãe do Senhor)  “Douleia”, quando se trata de prestar culto, também é sinônimo de latria e só é devida a Deus.

Novamente vejo o mesmo tipo de  “jogo semântico” e o mesmo “malabarismo teológico”. Em meu e-mail, pedi que você  me mandasse alguns versículos sobre a interseção dos santos.

Então você disse: “Sobre os santos, também existem diversas passagens em que Deus só atende por meio da intercessão deles, como, por exemplo, no caso de Jó, em que
Deus expressamente mandou que um dos que pediam a Ele pedisse através de seu servo Jó. Ou mesmo do discípulo de Santo Elias, que só fazia milagres quando pedia através do Deus de Elias.”

Prezado Frederico, acho que não me expressei bem. O que eu queria é que você me enviasse algum texto dizendo sobre aquele tipo de intercessão que os santos fazem depois que morrem, lá no céu. Acho que você sabe do que eu estou dizendo. Você usou um versículo, tratando de Maria, em que numa festa,  reclama junto ao Senhor Jesus da falta de vinho. Depois mencionou Jó e Elias. Veja que, em todos os casos, os santos estavam bem vivos e na terra.

Acho que você ainda continua me devendo. Por ventura existem algumas passagens em que  nos é ensinado  rogar alguma coisa aos santos em seu estado glorificado ou triunfante?
A Bíblia ensina que   só há um único mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem.

Fiquei muito triste com esse desabafo amargo que você fez sobre os protestantes: “O problema dos protestantes, Gilson, não é conhecer as respostas que estou dando (que são simples e básicas), mas é em reconhecer o orgulho que existe em quem rompe com a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo.” O Sofisma, quem faz são os protestantes, que se fecham para a Igreja, para Nossa Senhora e para a Eucaristia. Querem dizer que seguem a "Bíblia" e se esquecem que a Bíblia foi feita pela mesma Igreja que combatem. Uma Igreja que já existia há 1.500 anos quando apareceu o primeiro protestante. Uma Igreja que recebeu a promessa de que as "portas do inferno nunca prevaleceriam contra ela". E olhe bem, se não "prevaleceriam" é porque pareceriam prevalecer em algumas épocas históricas!”

Também achei  algumas impropriedades nesse desabafo. Em primeiro lugar Frederico, os protestantes nunca rompemos com a Igreja fundada  pelo nosso Senhor Jesus Cristo.
Se você verificar os documentos mais importantes do Protestantismo, como por exemplo: As teses de Lutero. A confissão de fé de Augsburgo (Luterana). A confissão de Fé de Westminster (Presbiteriana), O Livro de Oração comum da Igreja da Inglaterra (Anglicana) e outros escritos que resumem a fé professada pelos protestantes, você verá sempre que nunca nos desviamos dos ensinamentos católicos.

Eis uma coisa que une  todos os cristãos credais: Os ensinamentos católicos. O Credo Apostólico é sempre recitado em nossas igrejas protestantes, bem como pelos ortodoxos.
Nosso orgulho não é ter rompido com quem quer que seja,  antes, porém, é ter  guardado  a fé que uma vez foi dada aos santos. Nesse sentido  somos provas vivas de que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela (a Igreja). No período neo-testamentário, os cristãos eram conhecidos como “A seita do caminho”, “A seita dos Nazarenos” e, finalmente, em Antioquia, como cristão. O termo católico, do grego “Cat´ Hole”, segundo a maioria, foi forjado bem mais tarde como uma tentativa de os cristão combaterem os
ensinamentos heréticos de grupos  tais como os arianos, gnósticos, docetistas, adocionistas, pneumatômacos etc...

Havia várias igrejas espalhadas pela cristandade, então os bispos resolveram se reunir para elaborar um documento que resumisse os ensinamentos católicos. Assim, vários credos cristãos foram elaborados a fim de combater a apostasia. Então Frederico, a  igreja de Roma jamais pode ter sido a igreja fundada por Nosso Senhor. Bem antes de Roma  outras igrejas haviam sido fundadas. Foi em Jerusalém a primeira assembléia (ecclesia), organizada, não em Roma. A igreja de Roma era uma igreja local, por isto é uma redundância
chamar de universal  algo que é local. A Igreja de Roma pode fazer parte da igreja  católica (que é universal e invisível, formada por todo aquele que, pela fé, recebe Jesus como
único e suficiente  salvador) como qualquer outra.

Sobre abrir os olhos, Frederico, seria bom lembrar de outras igrejas locais que receberam reprimendas severas do próprio Senhor Jesus, como nos mostra o livro de Apocalipse:

À igreja de Éfeso, por exemplo, o Senhor recomenda: “Lembra-te, pois donde caíste e arrepende-te, e pratica as primeiras obras, quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não se arrependerdes.” Ap 2;5.

À igreja de Pérgamo ele disse: Mas umas  poucas coisas tenho contra ti: por que tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a lançar tropeços diante
dos filhos de Israel para que cometessem sacrifícios de idolatria...”Ap. 2:14

À igreja de Tiatira: “Mas tenho contra ti que tolerar Jezabel, mulher que se diz profetiza, e que ensinar e a enganar os meus servos para que prostituam e comam dos
sacrifícios da idolatria.” Ap.2:20

Prezado Frederico, tenho por mim que a igreja de Roma  não pode ser confundida com a Igreja fundada pelo Senhor Jesus, Católica e Invisível, o corpo de nosso Senhor.
Fico imaginando o que o Senhor estaria recomendando à igreja de Roma hoje em dia!

Para finalizar, Frederico,  já que o segredo é abrir os olhos, eis a recomendação que o Senhor fez à igreja de Laodicéia: “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: Oxalá fosses frio ou quente! Assim porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não
sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Ap. 3: 15-18.

Como você pode ver, o protestantismo (apelido dado por vocês romanos) tem sido um baluarte  na defesa dos ensinamentos católicos. Dele não tiramos nem acrescentamos absolutamente nada.

Várias pessoas  deram sua vida por esta causa a até foram  perseguidos, trucidados e queimados vivos. O que os protestantes combatiam , e combatem, é a apostasia,  o
monopólio do sagrado, as decisões caprichosas, as indulgência, a intolerância, a superstição, os ensinamentos  estranhos, que foram agregados ao Cristianismo ao longo dos tempos  e a  recrudescência da sede inquisitorial. É  esta a contribuição que o Protestantismo oferece para manter sempre viva a chama do Espírito, fazendo com que as portas do inferno não prevaleçam sobre a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Do seu em Cristo,
G. M. S.

P.S. Gostaria muito de  saber onde Lutero e Calvino ensinaram o panteísmo.

=-=-=

Católico:

Gilson,

Recebi seu e-mail com várias perguntas, que passo a responder esperando encontrar de sua parte a sinceridade que muitas vezes falta nos protestantes.

Vamos por parte.

Sobre os termos, os próprios dicionários por você citado deixam claro que a palavra adorar pode ter vários sentidos, assim como a palavra venerar.

Em um deles, coloca-se adoração como acatamento, veneração, culto, latria, honra, etc.

Ora, você realmente acredita que são sinônimos? O que o dicionário deixa claro é que o termo pode ser usado em vários sentidos. Por acaso seria sinônimo o "acatamento" e a "honra"? Ou a genuflexão seria o mesmo que acatamento?

Quando alguém diz que adora feijoada, ele está adorando em que sentido? É claro que não é no mesmo que se deve a Deus, apesar da palavra ser a mesma.

Foi o que eu já lhe havia respondido quando coloquei que a adoração é um ato interno e não externo. É verdade que esse ato se exterioriza em símbolos, mas ele é, essencialmente, um ato interno.

O culto de dulia é um culto de sujeição, mas não de adoração.

É a mentalidade errônea, espalhada pela revolução igualitária e atéia, de que toda a hierarquia é injusta. O serviço nada tem de errado, muito pelo contrário, é uma virtude ensinada por Nosso Senhor no "lava pés" e em diversas passagens de sua vida. Lembre-se que, após lavar os pés de seus discípulos, Nosso Senhor os convidou a fazer assim um para com os outros.

"Jesus Cristo aniquilou-se a sim mesmo, tomando a forma de escravo" (Filip. II, 7)

Ou como Nossa Senhora, que queria ser escrava da Mãe de Deus (o que equivalia a uma profunda humildade de reconhecer a grandeza daquela que "todas as gerações chamarão bem-aventurada".
 Em todas as passagens por você citadas, fica claro que a sujeição ao pecado ou à lei judaica estava terminada. Agora, desde o Novo Testamento, existe uma nova Lei trazida à terra por Cristo Senhor e transmitida através de sua Igreja.

Em grego, para ser mais exato, o termo douleuo significa "honrar" e não adorar. No sentido verbal, adorar (ad orare) significa simplesmente orar ou reverenciar a alguém.

A Sagrada Escritura usa o termo "adorar" em várias acepções, tanto no sentido de douleuo como de latreuo, como demonstrarei através da "Vulgata", Bíblia católica original e escrita em latim.

"Abraão, levantando os olhos, viu três varões em pé, junto a ele. Tanto que ele os viu, correu da porta da tenda a recebê-los e prostrando em terra os adorou (Gn. 18,2).

Eis os dois sentidos bem indicados pela própria Bíblia: adoração suprema, devida só a Deus; adoração de reverência, devida a outras pessoas.

A Igreja católica, no seu ensino teológico, determina tudo isso com uma exatidão matemática, como já dissemos no e-mail anterior sobre latria, dulia e hiperdulia.

Convém analisar as falsificações introduzidas na Bíblia após Lutero:

1)"E ele mesmo (Jacob) adiantando-se, o adorou (a Esaú) sete vezes, prostrado por terra, até chegar o seu irmão" ( Gn. 33, 3)

Texto adulterado: "inclinou-se à terra sete vezes"

2) Texto católico: "E José era o príncipe na terra do Egito, e, conforme a seu mando, se vendia trigo aos povos. E como o adorassem seus irmãos..." (Gn 42, 6).

Texto protestante: "Viera, e inclinaram-se a ele com a face na terra".

etc. etc., existem várias passagens no mesmo sentido.

A Bíblia, Gilson, foi escrita através da tradição. Quem confere veracidade ou não é a tradição. Nosso Senhor nunca mandou que se escrevesse um livro, muito pelo contrário: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura" (daí a palavra universal em oposição a uma igreja de um povo, de uma classe, etc). Pregar não é o mesmo que escrever, mas que falar, que transmitir oralmente, etc. Depois, apenas alguns discípulos é que escreveram as Sagradas Escrituras e muitos anos após a morte de Nosso Senhor.

"Em nome de Nosso Senhor, Jesus Cristo, mandamos que vos afasteis de todo irmão que se entrega à preguiça e não segue a tradição que de nós recebestes" (2 Tm 3,6).

"Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo, e o que de mim ouviste perante muita testemunha confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros" (2 Tm. 1-2). Eis aqui a tradição oral.
Depois, Gilson, nem tudo está na Bíblia:

"Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever (Jo 21,25).

S. Paulo: "Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer por escrita nossa (2 Tess 2, 15).

Ainda, a Bíblia condena o "livre exame"

A) "Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal" (2Pd, 1,20).

B) "Assim vos escreveu também o nosso caríssimo irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando-vos dessas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas há, porém, alguma coisa difícil de compreender, que as pessoas pouco instruídas ou pouco firmes deturpam, como fazem também com as outras escrituras, para sua própria ruína" (2Pd 3, 15-16).

C) "Muitas são as opiniões dos homens, e as más imaginações levam ao engano" (Eclo 3,24).

Como explicar que Deus deixaria o mundo ao "livre exame" em que cada um segue sua cabeça e justifica suas opiniões? E onde ficaria a frase de S. João: "Haja um só rebanho e um só pastor" (Jo 10, 16).

E só você folhear o Ato dos Apóstolos e verificar que a Igreja, desde o começo, seguia a um só pastor, isto é, o sucessor de S. Pedro (o primeiro Papa).

Chamou a Igreja por ele fundada de "Minha Igreja". E ainda: "Tu és Pedro e sobre esta pedra (Pedro e pedra é um só nome em aramaico: Kefas), edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino do céu (Mt 16, 18-19). E veja bem, ele mudou o nome de Simão e o nomeou Pedro, pedra sobre a qual se edificará a sua Igreja. É claro, a pedra angular é Nosso Senhor Jesus Cristo, mas a unidade e a chefia cabia a uma pedra visível, o Papa.

Logo após a morte de S. Pedro, veio S. Lino, S. Cleto, S. Clemente, Santo Evaristo, etc.

O primado de S. Pedro sobre os outros fica claramente expresso quando ele: 1) preside e dirige a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1,1-25); 2) É o primeiro a anunciar o evangelho no dia de Pentecostes (At 2, 14); 3) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo (At 10, 1); 4) Acolhe na Igreja o primeiro Pagão (At 10,1); 5) Fala primeiro no Concílio dos Apóstolos, em Jerusalém, e decide sobre a questão da circuncisão: "Então toda a assembléia silenciou"(At 15, 7-12), etc.

Todos os sucessores dos apóstolos atestam o primado de Pedro e dos seus sucessores, como, por exemplo: 1) Tertuliano: "A Igreja foi construída sobre Pedro"; 2) S. Cipriano: "Sobre um só foi construída a Igreja: Pedro"; Santo Ambrósio: "Onde há Pedro, aí há a Igreja de Jesus Cristo".

S. Mateus enumerando os apóstolos, confirma o primado de S. Pedro: "O primeiro, Simão, que se chama Pedro"(Mt 10, 2).

Dizer que a Igreja Romana se iniciou no século IV, é querer desconhecer a história, pois toda a sucessão de S. Pedro é clara e narrada em documentos católicos e pagãos.

Nas Sagradas Escrituras, é só folhear os Atos dos Apóstolos e verificar o crescimento da Igreja (a mesma e una) desde o início até os dias de hoje.

A Igreja cresceu rápida, veloz, ao ponto que S. Paulo pôde compará-la com "um edifício vastíssimo, tendo os apóstolos por alicerce e Cristo como pedra angular." (Ef. 2, 20)

Tertuliano se atrevia a escrever no seu Apologético, dirigido ao imperador romano: "Somos de ontem, e já enchemos as cidades, as ilhas, os castelos, os acampamentos, as aldeias e os campos; só deixamos vazios os vossos templos. Se nos retirassem, o império ficaria deserto".

A Igreja de Cristo vai crescendo e se espalhando, "multitudo ingens", diz Tácito, falando do tempo de Nero (Anais 15, 44), formando uma "imensa multidão", até que, afinal, dominando e vencendo a tirania dos imperadores pagãos, logre o reconhecimento oficial, com o reinado de Constatino Magno, primeiro imperador cristão.

Foi nesse tempo, em 325, que se reuniu o primeiro concílio dos bispos católicos, em Nicéia, ao qual compareceram 318 bispos, sob a presidência de Ósio, bispo de Córdova, assistido de dois legados do Papa (de Roma), S. Sivestre.

Portanto, a história, a bíblia, é clara ao narrar a expansão da mesma Igreja fundada por Nosso Senhor sobre S. Pedro. Lembremos das seguintes passagens: "Pedro, apascenta os meus cordeiros e apascenta as minhas ovelhas"(Jo 21, 15-17). "..., confirma os teus irmãos" (Lc 22, 32).

Jesus Cristo, fundando uma sociedade religiosa visível, que devia durar até ao fim do mundo, devia necessariamente nomear um chefe, com sucessão, para perpetuar a mesma autoridade: "Quem vos escuta, escuta a mim" (Mt 28, 18). Se assim não fosse, Nosso Senhor não teria podido dizer: "Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo"; devia ter dito que estaria apenas com S. Pedro até o fim de sua vida. Dessa forma, cumpre-se o que manda a Bíblia: "Um só senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef. 4, 5)

Sobre ídolos e demônios, que está por traz de uma afirmação sua: Ninguém pode servir da dois senhores". Cabe os seguintes esclarecimento.

Imagem não é o mesmo que ídolo. Chama-se ídolo: uma imagem falsa, um simulacro a que se atribui vida própria, conforme explica o profeta Habacuc (2, 18). Eis o que claramente indica Habacuc, dizendo: "Ai daquele que diz ao pau: Acorda, e a pedra muda: Desperta" (Hc 2, 19)

Já havia deixado claro que, para se dizer que os católicos adoram os santos (sua atual consulta), eles teriam que dizer que S. Benedito não é S. Benedito, mas Deus.

Ademais, você não havia pedido santos mortos ou em vida. De qualquer forma, isso não altera nada pois "Deus é Deus dos vivos ou dos mortos?", responderam-lhe os judeus que era Deus dos vivos. Então, conclui Nosso Senhor: "Logo, Abraão, Isaac e Jacob estão vivos". Ora, Gilson, muito maior é a intercessão dos santos quando estes gozam da "visão beatífica". No meu e-mail anterior, citei Santo Elias, que já estava no paraíso quando Eliseu pedia através do Deus dele.

Os Judeus sempre rogavam ao Deus de Abraão, Isaac e Jacob. E Deus, em várias passagens, se apresentava como o Deus de Abraão, Isaac e Jacob.

A intercessão de Nossa Senhora, quando em vida, já era perfeita. Após sua morte, ficou muito mais certa. Ou você acredita que após a morte o homem fica abaixo da terra até o juízo final? Então, Abraão, Isaac e Jacob não estariam vivos como afirmou Nosso Senhor. E mais, o bom ladrão, no alto da Cruz, após receber reconhecer que Nosso Senhor era justo, recebeu a seguinte resposta: "Em verdade, em verdade eu vos digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso". Quer maior prova da vida eterna do que estas duas passagens? Existem diversas outras que, de momento, não me recordo.
Sobre que várias Igrejas podem fazer parte da Igreja Católica:

Em relação à doutrina:

1) "Quem não está comigo é contra mim"(Mt 12,30)

2) "Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos" (Ef 4, 3-6)

3) "Não rogo apenas por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste"(Jo 17,20-21).

4) Recomendo-vos, irmãos, que tomeis cuidado com os que produzem divisões contra a doutrina que aprendestes. Afastai-vos deles" (Rm 16, 17).

5) Se alguém vos anunciar um evangelho diferente, seja execrado, isto é, seja excomungado"(G. 1,7-9).

Em relação ao culto:

1) "Porque há um só pão, um só corpo somos nós, embora muitos, visto participarmos todos do único pão" (1Cor 10,17)

2) "A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma"(At 4, 32)

3) "Esforçai-vos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz" (Ef. 4,3).

Em relação à unidade de Governo:

1) "Irmãos, conjuro-vos que sejais sempre perfeitamente unidos num só sentimento e num mesmo pensar" (1 Cor 1,10)

2) "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Estas tenho de reunir, e elas ouvirão a minha voz. E então haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo. 10,16; Mt 16, 15-16).

Gilson, convido-o a você - e aos seus - a seguirem essa voz que ainda espera a volta daqueles que um dia se afastaram da unidade da Igreja fundada por Nosso Senhor sobre S. Pedro.

Cabe a cada um a responsabilidade de procurar a verdade, isto é, procurar a verdadeira Igreja de Nosso Senhor. Encontrando-a, todo homem de reta intenção deve entrar nessa Igreja, ser membro vivo deste Igreja. Como o seu divino fundador, a Igreja católica tem aberta a porta da salvação para todo ser humano. Só não entra quem não quer, mas a culpa será pessoal.

Não seja como aqueles que "Tinham ouvidos e não ouviram, tinham olhos e não enxergavam".

Não sei se foi você quem escreveu a questão do grego, mas sei que, normalmente, o ser humano não busca a resposta às suas perguntas, mas quer justificar a doutrina que, em determinado momento de sua vida, ele aderiu. É muito raro uma pessoa ter a retidão de alma de reconhecer o equivoco de seus conceitos.

Gilson, caso tenha qualquer outra dúvida sobre a doutrina católica, sobre a unidade, sobre o erro do "livre exame", etc. mande-me outro e-mail que responderei o que puder. Lembre-se que Deus nunca recusa a graça a alguém que quer, verdadeiramente, entender o que Ele nos ensinou.

Seu em Cristo e Maria,

F.V.

PS: Sobre o panteísmo de Lutero, é preciso distinguir dois Luteros: um mítico e um histórico. Ordinariamente seus partidários não tratam senão do mítico, ornado com todas as perfeições. Contudo, bem outra é a realidade histórica que nos trazem os historiadores, alguns dos quais protestantes como Franz Funck-Brentano. Eis algumas frases de Lutero compiladas na obra de João Clá Dias, "Como Ruiu a Cristandade Medieval":

"Quem não crê como eu é destinado ao inferno. Minha doutrina e a doutrina de Deus são a mesma coisa. Meu juízo é o juízo de Deus" (Weimar, X, 2, Abt., 107)"; "Sim, eu digo: todas as casas de tolerância, que entretanto Deus condenou severamente, todos os homicídios, mortes, roubos e adultérios, são menos prejudiciais que a abominação da missa papista." (Werke, t. XV, 773-774)"; "Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela?", depois com Madalena, depois com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar antes de morrer." (Tischreden, nº 1472, ed. Weimer, 11, 107)".

Aliás, é interessante transcrever um pequeno trecho da biografia de Lutero, escrita pelo protestante Franz Funck-Brentano, em que transparecem os pontos essenciais da "concepção de mundo" do reformador:

"(...) Tendo sido censurado pelo doutor Jonas, por ter insultado Deus em seu salmo ‘Quore fremuerunt gentes’ Lutero responde:

- "Certamente, mas qual o profeta que não insultou a Deus?"

Em outro dia:

- "Se Deus não me perdoasse os pecados, eu os jogaria pela janela".

De resto, se Deus encheu de mal o mundo, se quis fazer o mundo infeliz, foi para que aspirássemos à vida futura. (...)

É verdade, diz Lutero, que seria quase lamentável que nós fizéssemos tudo o que Deus ordena, pois Deus faria isso por sua divindade; tornar-se-ia um mentiroso e não poderia manter-se no posto". A palavra de São Paulo aos romanos seria atirada na lama, quando diz: "Deus tudo ordenou sobre o pecado, a fim de que pudesse ter piedade de nós". O Padre-Nosso não serviria de nada, nem o Credo; a fé, a remissão dos pecados tornar-se-iam inúteis, supérfluas".

"Ah! mas eis que tudo vai bem! Pequemos no interesse de Deus".

"Deus está presente em todas as criaturas, na menor folha, na menor parcela de graveto". Argumento inesperado nos lábios de Lutero a favor desse panteísmo que excitava Calvino; essa grande doutrina panteísta, a de Plotino, de Giordano Bruno, de Miguel Servet, de Spinoza, de Retif de la Bretonne, de Goethe e de Hegel, que se encontraram na mesma forma de conceber o mundo, sem se terem combinado nem influenciado uns e outros. (...)

Arrebatado por esse declive, nosso doutor Martinho (sic) rola em enormidades, ousaríamos dizer, numa depravação intelectual que não foi ainda revelada, ao que parece, por nenhum de seus inúmeros biógrafos.(...)

Jesus Cristo amante da Samaritana, de Madalena, da mulher adúltera! Livres-pensadores, ateus, a quem citamos a passagem, assombraram-se. Seria para julgar que o doutor Martinho estava bêbado, quando se expandiu em semelhantes afirmações; mas não podemos admitir isso, pois, ao menos nesse dia, seus fiéis discípulo teriam evitado recolher-lhe piedosamente as palavras. (...)"

Funck-Brentano, Lutero, pp. 175 - 177, 180 - 181, 199 - 201, 212 a 218, apud. Dias, J. S Clá., op. laud. p 228.

=-=-=

Fonte: Frente Universitária Lepanto

 


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