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UMA VEZ SALVO, SEMPRE SALVO?
SERIA VERDADEIRA ESSA PROPOSIÇÃO DE ALGUNS PROTESTANTES?

Fonte: MAGISTERIOTRADICAOESCRITURAS, julho 12, 2018
Nando Gomes

A salvação funda-se na ESPERANÇA que provém da fé, e na Misericórdia que emerge da Caridade de Deus. Ninguém pode afirmar antecipadamente um juízo que Deus ainda não emitiu: "Por isso, NÃO JULGUEIS ANTES DO TEMPO; ESPERAI QUE VENHA O SENHOR. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece." (I Cor 4. 3, 4 e 5)

O processo contínuo de aperfeiçoamento realizado na Graça, e que conduz o ser humano ao fim último para o qual fora criado que é a vida eterna com Deus, é o que chamamos SALVAÇÃO.

Mas a salvação deverá fundar-se na ESPERANÇA que provém da fé, e na Misericórdia que emerge da Caridade de Deus.

Logo, é certo que afirmar a certeza absoluta e irrevogável da salvação particular é um grave pecado que atua contra a Esperança, a Caridade e a Misericórdia Divina.

E esse pecado é o da PRESUNÇÃO.

Ninguém pode afirmar antecipadamente um juízo que Deus ainda não emitiu:

“Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, VINDO, DEPOIS DISTO, o JUÍZO. (Hebreus 9. 27) ”

“Por isso, NÃO JULGUEIS ANTES DO TEMPO; ESPERAI QUE VENHA O SENHOR. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece.” (I Cor 4. 3, 4 e 5)

Como  não existem os condenados inapelavelmente antes de lhes expirar a vida, também inexistem nesta condição os definitivamente salvos, exceto os predestinados[1].

Em razão disso, não nos é dado o direito de autoproclamarmos salvos ou eleitos.

Deus quer a salvação de todos, e então, a todos capacita e permite acesso as Verdades reveladas em seu Corpo Místico que é a Igreja.

Como não sabemos a hora da nossa morte, é importante que conservemos a fidelidade em Deus AGORA: 

“Venho em breve. CONSERVA O QUE TENS. (Apocalipse 3. 11)”

https://magisteriotradicaoescrituras.com/2018/08/15/a-perseveranca-e-a-salvacao/

Se o próprio São Paulo, mártir, apóstolo, e que testemunhou CRISTO num encontro face a face jamais ousou se autoproclamar salvo, quem somos nós para assim afirmar?

“Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a SER EXCLUÍDO depois de eu ter pregado aos outros” (1 Coríntios 9,27) ”

“Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia” (1 Coríntios 10,12)

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, suposto que permaneça fiel a essa bondade; do contrário, também tu SERÁS CORTADA.” (Romanos 11. 22) ”

https://magisteriotradicaoescrituras.com/2018/08/30/o-pecado-da-apostasia/

A heresia da “confissão positiva”[2] numa das suas tantas vertentes, que está na crença da possibilidade de alguém alcançar definitivamente a salvação eterna antes do fim da existência terrena, é fruto da soberba presunçosa que nodoa, perverte e vicia a Esperança.

Ensinou Santo Tomás de Aquino:

“A PRESUNÇÃO implica uma certa e imoderada Esperança. Por isso, diz as Escrituras: Deus humilha a quem presume de si mesmos. E tal presunção se opõe a Virtude da magnanimidade, que estabelece o justo meio, a ESPERANÇA. (Suma Teológica. Q 21, art. 1º DO PECADO DA PRESUNÇÃO, Livro IIIa)”

O que nos conduz a vida eterna é nossa ESPERANÇA, a qual nos move a esperarmos humildemente em servidão a recompensa no juízo final:

“Com a ESPERANÇA de conseguir a ressurreição dentre os mortos não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me EMPENHO EM CONQUISTÁ-LA, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para frente. PERSIGO O ALVO, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Filipenses 3,11-14)

“em vossa palavra ponho minha ESPERANÇA. (Salmos 118, 81)” 

“Quem me dera que meu voto se cumpra, e que Deus realize minha ESPERANÇA! (Jó 6, 8)

A herética enunciação “uma vez salvo, sempre salvo” nascida no meio evangélico protestante, é a torpe tentativa do juízo humano substituir ao Juízo Santo e Perfeito de Deus, o qual ainda nem se realizou.

Conforme ensinou o Apóstolo:

“NEM EU ME JULGO A MIM MESMO. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. MEU JUIZ É O SENHOR.” (I Cor 4. 3, 4 e 5)

“Coloca TUA ESPERANÇA no Senhor, ele te salvará. (Provérbios 20, 22)”

Não encontro socorro algum, qualquer ESPERANÇA DE SALVAÇÃO me foi tirada. (Jó 6, 13)” 

“terás confiança e ficarás cheio de ESPERANÇA: olhando em volta de ti, dormirás tranquilo; (Jó 11, 18)” 

Não há como confundir CONFIANÇA com CERTEZA.

Confiança é fruto da Esperança, sendo a expectativa (e não garantia) da salvação e recompensa futura, condicionada a conservação da fé que atua pela Caridade[3] e da Perfeição[4] que nos move à santidade, segundo a vontade do Coração de Deus.

“És minha ESPERANÇA. (Jó 31, 24)” 

“porque vós sois, ó meu Deus, MINHA ESPERANÇA. Senhor, desde a juventude vós sois minha CONFIANÇA. (Salmos 70, 5)

Somos todos réus aos olhos do juízo Divino.

Dar ao réu o poder de se julgar, afirmando sua própria absolvição para daí obter direito à recompensa celestial, implicaria colocar o que irá ser julgado na Função e Poder do Juiz que lhe julga.

Assim o ser humano se tornaria “deus” no Tribunal Celestial.

“Feliz o homem que pôs sua ESPERANÇA no Senhor, (Salmos 39, 5)” 

“abandona-te ao Senhor, põe tua ESPERANÇA nele” (Salmo 36,7)

Nossa salvação enquanto nesta vida nos é dada como PENHOR:

“O qual também nos SELOU e deu o PENHOR do Espírito em nossos corações”. (II Cor 1:22)

Penhor é espécie de seguro, depósito para garantia de pagamento futuro.

Mas o devedor só estará coberto do seguro vindo da repercussão do sacrifício de Cristo, mediante os seus efeitos práticos na fé, quais sejam, santidade e caridade:

“Aprenderiam, assim, a PÔR EM DEUS SUA ESPERANÇA, a não esquecer as divinas OBRAS, a observar as suas LEIS; (Salmos 77, 7)” 

Penhor ou empenho é promessa futura e condicional, distinguindo-se da certeza que é fato consumado e irrevogável.

Portanto, a garantia que decorre da PROMESSA DA SALVAÇÃO, não é absoluta, mas condicional, porquanto assim determinou o próprio Deus:

“Enquanto, pois, SUBSISTE A PROMESSA de entrar no seu descanso, tenhamos cuidado em que ninguém de nós CORRA O RISCO de ser EXCLUÍDO” (Hebreus 4,1)”

Do mesmo modo, selos são marcas perpétuas apenas aos que morrem na Graça de Cristo após encerrada a participação na vida terra.

Selar é encerrar definitivamente para o juízo final ou dia da redenção após a morte, desde que conservemos em nós as práticas da fé necessárias a validação desse selo:

“Exorto-vos, pois: – prisioneiro que sou pelo voto ao Senhor, que  LEVEIS UMA VIDA DIGNA DA VOCAÇÃO A QUAL FOSTES CHAMADOS. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais SELADOS PARA O DIA DA REDENÇÃO.” (Efésios 4.30)

A Esperança, junto com a Fé e a Caridade são as principais Virtudes Teologais.[5]

É pela Esperança que somos dispostos a alcançar um Bem Futuro que é a salvação, a qual não está ao nosso alcance e mérito.

Não se alicerça na Graça imutavelmente adquirida, mas na Graça que se alcança, e se conserva mediante a Misericórdia de DEUS, para assim chegarmos à vida eterna.

A heresia de se afirmar salvo definitivamente, inibe o temor a Deus, impedindo a confissão espontânea dos pecados, tornando ainda inútil o arrependimento.

Por isso, gravíssimo é o pecado da presunção da salvação.

Embora nenhum fator externo possa interferir para nos afastar da Comunhão com Deus,[6] é certo que o vínculo dessa Comunhão depende do LIVRE ARBÍTRIO[7] do ser humano.

Como ensinou Santo Tomás: “ perseverar no pecado, esperando o perdão, é próprio da presunção. (Suma Teológica, Q 22 art. 1. Da Presunção)”

A certeza presunçosa é, portanto, a perversão da reta Esperança.

________________________

[1] https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2016/12/predestinacao-eleicao-e-providencia.html

[2] A CONFISSÃO POSITIVA é heresia de matriz calvinismo, mas disseminada no meio dos pentecostais. Enquanto no calvinismo, tanto a salvação, quanto condenação são decretos exclusivamente de Deus, não cabendo ao ser humano escolher entre santidade ou pecado, na confissão positiva, o decreto não é de Deus, mas do próprio homem, pela “fé” por conta da interpretação errônea do texto paulino, onde se diz: – “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Rm 10.9)” Ora, a proclamação verbal está embasada na fé (creres de todo coração), e crer de todo coração significa permanecer na vontade perfeita e nos mandamentos santos de Deus. (Jo 14.21) A declaração desse grave erro doutrinário fora escrita pela primeira vez na Declaração de Fé dos Batistas, de 1.689, onde os teólogos confundiram a Virtude da Esperança com o Fato da Certeza da Salvação em vida: “ Esta certeza não é algo meramente conjectural, baseada numa esperança falível, mas uma infalível segurança da fé. “ (Da Segurança da Salvação, item 2)

[3] Gálatas 5.1-6

[4] I Tss 4,7

[5]  I Cor 13, 13

[6] As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos. Meu Pai, que me as deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai.” (S. João 10:27-29) “Ninguém pode arrebata-las das mãos do Pai.”

Isso não implica que a ovelha não tenha a liberdade para, inclusive, abandonar o seu pastor, em razão da LIBERDADE DO ARBÍTRIO.

[7] https://magisteriotradicaoescrituras.com/2018/07/13/o-livre-arbitrio-e-indispensavel-para-amar-a-deus/  

 


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