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Batismo infantil no cristianismo – Uma prática Bíblica?

A circuncisão judaica era uma sombra do batismo cristão, o apóstolo São Paulo nos diz que a Lei era uma “apenas uma sombra dos bens futuros” (Hb 1,10 – sei que há controvérsias acerca da autoria da epístola aos Hebreus, mas ficarei com a interpretação mais aceita de que foi São Paulo o seu autor). Em Colossenses 2,11-12 ele faz o paralelo direto entre a circuncisão judaica e o batismo cristão. Enquanto que a circuncisão marcava para o judeu a entrada na aliança mosaica, no "povo eleito de Deus", para o cristão o batismo marca a entrada da pessoa na comunidade, na Igreja do Senhor Jesus Cristo. A analogia é tão clara que ele (São Paulo) chama o batismo de “circuncisão de Cristo”.

Sendo a circuncisão judaica um paralelo do batismo cristão, surge a pergunta inevitável: os judeus circuncidavam seus filhos em qual fase da vida ? Na vida infantil, e para ser mais preciso, no oitavo dia de vida (ver em Gn 17,11).

Se a circuncisão marcava a entrada do judeu no chamado “povo eleito de Deus”, na Antiga Aliança, e que ela é, na interpretação canônica de São Paulo uma sombra do batismo cristão, que marca a entrada da pessoa na Igreja e na aliança do Novo Pacto, e que tal procedimento era feito na infância, qual a razão de rejeitar a ideia de que o batismo pode – e deve – ser ministrado igualmente nas crianças recém-nascidas?

 

O que é o Batismo ?

O batismo é para a Igreja um sacramento, um mandamento expresso de Jesus Cristo para aqueles que desejam entrar na vida cristã e na própria vida eterna. “...em verdade te digo: quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3,5). “Ide pois, e ensinai a todas as nações: batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28,19). “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16,16).

Todas essas palavras são atribuídas ao próprio Jesus Cristo. Sendo assim, o batismo não é uma brincadeira. Também não é algo “opcional”, algo que o cristão pode considerar fazer ou não. É uma ordenança, que deve ser cumprida. Afinal, a Igreja, desde os tempos primeiros do cristianismo entendeu a relevância da admoestação de Jesus e reconheceu o batismo como sacramento, o ritual de entrada na comunidade cristã.

Vemos claramente que Jesus Cristo deu a este sacramento o efeito de produzir um “Renascimento”, uma “Regeneração Espiritual” (João 3,5 e Tito 3,5-7), que tem o condão de perdoar até mesmo o pecado original e outros, se houverem, comunicando à alma a graça divina e santificante (Efésios 5,26-27). Que o pecado original é trazido no homem desde o nascimento há pouca margem para dúvida. A epístola de São Paulo aos Romanos no capítulo 5, nos versículos 12-14 e 19 mostra os efeitos do pecado original no homem. E São Pedro destaca em Atos 22,16 acerca da possibilidade de lavá-los no batismo: "E agora, porque te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele." O sacramento do batismo aparece na Sagrada Escritura como tendo este poder – dado por Cristo, é claro – de lavar os pecados daquele que é batizado. Lembremos também a ocasião em que São Pedro anunciou enfaticamente: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados.” (At 2,38-39). Alguém ainda pode duvidar que o sacramento do batismo lava o cristão do pecado original ?

E o ladrão da cruz, precisou de batismo para se salvar ?

Muitos gostam de destacar as exceções como se estas devessem ser consideradas como regras. É evidente que o ladrão da cruz não foi batizado, e mesmo assim Jesus garantiu a ele que naquele dia ainda estaria com ele “...no paraíso” (Lc 23,43). Temos de considerar dois fatores nesta passagem: primeiro, Cristo nem sequer havia morrido naquele momento. A Antiga Aliança ainda estava em pleno vigor. A Nova Aliança só começou a vigorar e ter pleno efeito após a ressurreição do Senhor. E você lembra o que marcava a entrada de alguém na velha aliança ? Sim, a circuncisão. Mas, devemos considerar também que quem estava na cruz próximo ao “bom ladrão” era ninguém mais, ninguém menos que o próprio Deus encarnado. Ele não somente tinha o poder como a capacidade de salvar a quem ele bem entendesse.

A regra que deve ser considerada pelo cristão está bem expressa na Sagrada Escritura: o batismo é condição básica para alguém ser considerado cristão.

E as crianças que morrem sem batismo, estão perdidas ?

Creio que esta pergunta fica bem respondida com o texto dos evangelhos, que diz em suma “Deixai as crianças virem a mim, e não as impeçais, porque o Reino dos céus pertence a tais como estes.” (Mateus 19,14, Marcos 10,14, Mateus. 18,2-5 e Lucas 18,16)

As crianças são seres que ainda não foram contaminadas, do todo, pela maldade. Elas têm, é claro, o pecado original, se não tiverem sido lavadas dessa sujeira no sacramento do batismo. Contudo, Deus, em sua infinita misericórdia, saberá tratar com esses seres inocentes que morrerem sem cumprir o seu mandamento, porém, sem carregarem a culpa por isso. Como poderíamos imputar culpa a uma criança que depende muitas vezes de seus pais para tudo ? Mas aqui façamos um paralelo. Na Antiga Aliança, deixar de circuncidar o filho homem no oitavo dia era algo impensável para os judeus. Deixar de fazê-lo significaria uma desobediência grave ao preceito da Lei por parte dos pais. Por mais irônico que possa parecer, o próprio Moisés quase foi morto pelo Senhor enquanto estava reticente em circuncidar seu filho (por favor, leia Êxodo 4,24). Dai vemos a gravidade em deixar de cumprir um mandamento expresso do Senhor.

Se o batismo infantil era o padrão, por que Jesus se batizou somente depois de adulto ?

Antes de considerarmos essa questão, devemos lembrar que Jesus Cristo viveu e cumpriu integralmente a Velha Aliança, para então inaugurar a Nova. O sacramento do Batismo não era a regra quando do nascimento do Salvador. Na verdade, ele só faz parte do ministério de Jesus quando o mesmo se iniciou, quando ele tinha 30 anos, através das mãos de João Batista, aquele que veio para “preparar o caminho do Senhor”. Sendo assim, como Jesus poderia ser batizado se ainda seu ministério e a Nova Aliança sequer havia iniciado? Os ritos da lei mosaica só deixariam de valer após a ressurreição de Cristo (cf. Mt 26:61). Mas, nunca é demais recordar que Jesus foi apresentado no templo quando criança, pois este preceito da lei mosaica ainda estava em plena validade, enquanto que o batismo ainda não. Veja que os ritos de iniciação da religião judaica nunca excluíram as crianças: tanto a circuncisão, para os filhos varões, quanto a consagração no templo eram feitos quando a criança era recém-nascida. Por qual razão o batismo, o ritual de iniciação cristã por excelência, deve deixar de fora aqueles a quem Jesus tanto frisou para deixar virem a ele?

A Bíblia mostra o batismo de famílias inteiras, não há nenhuma razão para acreditarmos que as crianças eram excluídas. Aliás, as palavras usadas na Sagrada Escritura as inclui quase de forma explícita

“Deixai as crianças virem a mim, e não as impeçais, porque o Reino dos céus pertence a tais como estes.” (Mt 19,14; Mc 10,14; Mt. 18,2-5 e Lc 18,16). Quando São Pedro diz em Atos 2:38-39, que a promessa do batismo é “para você e seus filhos, e aqueles muito longe.” A palavra grega empregada para denotar “filhos” é teknon. Esta é a mesma palavra usada em Atos 21,21 para descrever crianças de oito dias de idade (a mesma idade da circuncisão judaica). Sendo assim, São Pedro afirma que o batismo é tanto para crianças quanto para adultos. Além disso, em Atos 16,15, lemos que Lídia e “sua casa ou lar” foram batizados. A palavra para ”casa ou lar” aqui é éoikos, e sua definição incluía lactentes e crianças. “Naquela hora da noite, o carcereiro levou-os consigo para lavar as feridas causadas pelos açoites. A seguir, foi batizado com todos os seus. (At 16,33)” “Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo. (At 18:8)” “Ah! Sim. Batizei também a família de Estéfanas. Além deles, não me lembro de ter batizado nenhum outro de vocês” (1 Cor 1,16). Devemos lembrar que na cultura judaica as famílias eram, via de regra, grandes. E certamente incluía crianças de todas as idades, inclusive recém-nascidos. O batismo de famílias inteiras só reforça a tese de que as crianças que faziam parte delas estavam inclusas no arranjo cristão.

É importante salientar que se a prática do batismo infantil fosse ilícita, como alguns querem dar a entender, era de se esperar que a Sagrada Escritura a proibisse explicitamente, principalmente para conter os judeus da aplicação de Batismo para seus filhos, como faziam com a circuncisão. Mas o silêncio encontrado no Novo Testamento e nos escritos dos Patriarcas é retumbante, um silêncio que é muito profundo e ao mesmo tempo significativo.

 

O testemunho dos primeiros cristãos e dos pais da Igreja

O cristianismo existe há mais de dois mil anos. E o mais impressionante é que a história de nossa religião é ricamente documentada. É uma pena que para muitos cristãos, a Igreja parece ter congelado no tempo após São João ter escrito o último ponto do apocalipse. Nada mais longe da verdade. Os apóstolos deixaram sucessores em cada Igreja que fundaram pessoalmente. Homens que aprenderam deles as tradições cristãs e os instruíram a conservá-las (1 Tm 6,20). Muitos deixaram escritos que foram preservados e que estão à nossa disposição ainda hoje, mostrando um retrato inconfundível de como era a fé dos primeiros cristãos.

Acerca do batismo, não são poucos os testemunhos escritos e até achados arqueológicos acerca da prática de incluir as crianças recém-nascidas neste sacramento. Vejamos alguns exemplos patentes.

Irineu, que viveu entre os anos 130-200 d.C, escreve acerca do batismo cristão:

“Pois Ele [Jesus] veio para salvar a todos através de Si mesmo – tudo, eu digo, que através Dele nasceram de novo a Deus – bebes e crianças, e meninos, e jovens e velhos” (Contra heresias, 2, 22, 4).

Clemente de Alexandria, que viveu entre 155-225 d.C escreveu que o batismo se destina:

"a crianças pequenas" (O pedagogo 3,11, 195 d.C)

Hipólito, que viveu entre 169-235 d.C, recomenda:

"Sejam batizadas, primeiramente as crianças" (Tradição Apostólica - 215 d.C)

Orígenes, que viveu entre 185-255 d.C escreve:

“A Igreja recebeu dos Apóstolos a Tradição de dar batismo também aos recém-nascidos” (Ad Rom. 5, 9)

Cipriano, bispo de Cartago, na África, que viveu no segundo século da era cristã, escreveu:

“A graça do batismo não deve ser apartada de ninguém e especialmente das crianças. Pois os Apóstolos, a quem foram confiados os segredos dos mistérios divinos, sabiam que há em todos, as manchas do pecado original, que devem ser lavados através da água e do Espírito”. (Comentários Sobre Romanos 5,9)

Santo Agostinho, respeitado tanto por católicos quanto por protestantes, também dá um testemunho fundamental acerca da questão.

“Este [o batismo infantil], a Igreja sempre teve, sempre manteve, o que ela recebeu da fé dos nossos antepassados; isso, ela guarda perseverantemente até o fim” (Sermão. 11, De Verbo Apost)

“Quem é tão impiedoso ao desejar excluir as crianças do reino dos céus proibindo-as de ser batizadas e nascidas de novo em Cristo?” (Sobre o pecado original 2, 20)

Além desses exemplos temos vários outros de concílios regionais e ecumênicos, mas as referências aqui alistadas já são suficientes para mostrar o ponto que a Igreja primitiva foi praticamente unânime no tocante à licitude da prática do batismo infantil.

Achados arqueológicos reforçam o batismo infantil

Em Maio de 2005 tivemos uma grande descoberta no campo da arqueologia. Foi encontrada em Jerusalém o que se acredita ser a mais antiga Igreja cristã já vista. Nas escavações feitas para a ampliação de um presídio no vale do Megido tivemos a grata surpresa. Transcrevo abaixo um trecho de um artigo da internet:

“Durante os primeiros trabalhos para a construção de mais um setor da cadeia foi achado junto do local um mikveh, ou seja uma pia batismal” (fonte:https://www.cafetorah.com/achados-arqueologicos-impression…/ ). Quero chamar a sua atenção para um detalhe: a mikveh, ou pia batismal.

Além disso, as catacumbas de Roma, onde eram realizadas as primeiras missas, quando a Igreja sofria forte perseguição do Império Romano, temos uma singela pintura na parede. A pintura de uma criança sendo batizada, por aspersão, por um adulto.

Concluindo, como Jesus mesmo disse, é necessário ao cristão "nascer da água e do espírito" (Jo 3,5). Na Igreja Católica, o nascimento na água é representado pelo batismo, geralmente feito nas crianças, para retirar a mancha do pecado original. Porém, existe um segundo sacramento, ministrado somente após a idade da razão - ou seja, após os 15 anos e por opção pessoal do candidato - chamado de Crisma. Este sacramento consiste na confirmação do Batismo pelo Espírito Santo, na qual o fiel crismando é enviado ao mundo para testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo em atos e palavras. Vemos assim que a objeção apresentada para invalidar o batismo católico por retirar da pessoa a possibilidade de escolha de seu caminho espiritual não tem nenhuma base sólida.

 

Figura pintada na parede de uma Igreja primitiva (início do século II):

Batismo infantil

 

Pedro Lima Neto, ex-protestante converso ao catolicismo, http://pedrofln.blogspot.com.br/…/batismo-infantil-no-crist…


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