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Compaixão e Lágrimas

MARIELLE FRANCO (in memoriam)

“Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna (...) É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim.” (Jo 12,24-32)

O que a vereadora Marielle Franco mais precisa agora, infelizmente, seu partido (PSOL) não lhe pode oferecer: orações a Deus por sua alma e pela vida eterna. Antes, membros e simpatizantes espoliarão seu nome e sua memória até o limite da vulgaridade ideológica, valer-se-ão das mais precipitadas acusações, de falsos recortes estatísticos (“mulher”, “negra”...) e de oportunismo político acerca de seu trágico assassinato para mais vivamente propelirem a agenda habitual de arrebentar com o verdadeiro arrimo dos pobres: a fé cristã e a família.

Todo professor que já frequentou um conselho de classe conhece e lamenta o impacto negativo da desestrutura familiar na vida de jovens de todas as classes sociais — bem como, ao contrário, celebra as vantagens de haver pais que, animados por um amor genuíno porque sacrificial, honram seus votos, superam surtos emancipatórios pessoais e prosperam nas dificuldades em prol da estabilidade do lar e da boa (leia-se, firme) educação da prole. Não há antídoto mais forte que este contra as desafiadoras adversidades que cercam o berço de um desafortunado, e não é senão pelo auxílio da fé cristã (ou de algum recorte ético que a tem por princípio, ainda que se o negue) que a exigente empreita de criar bons filhos, mental e moralmente sadios, pode ser levada a cabo.

Quando politicamente projetadas sobre a periferia, as instabilidades psíquicas e frivolidades liberalistas do progressismo burguês (drogas, gênero, feminismo, aborto, ativismo racial e LGBT...), todas frágeis em seus pressupostos, abalam ainda mais gravemente a fortificação familiar, lugar por excelência da inculcação do “bom dia”, do “obrigado”, do “desculpe”, do “com licença”... Enfim, das saudações básicas que desde cedo ensinam à criança elementos de civilização como a dignidade do outro e o respeito aos mais velhos, expressões cujo progressivo desaparecimento na boca adolescente acompanha a diluição do imaginário de pai e mãe como hierarcas naturais da mais legítima célula social na proteção dos indivíduos contra o vazio das ideologias e a vocação tirânica do Estado — a família. Sendo a natureza humana disposta de modo a renovar-se em cada novo ser humano a semente da barbárie, é pela reta e amorosa autoridade paterna e materna, unidas e fortificadas sob a Graça, tanto quanto possível, que se podem consolidar princípios morais sem os quais, sobretudo os mais desassistidos, naufragam na miséria espiritual que favorece os vícios, a corrupção da inteligência, a ruína moral, a criminalidade e a imobilidade social.

Marielle emergiu da favela, mas não falava em seu nome. O entorno da Maré, seu local de origem, rendeu-lhe apenas 5 mil de seus mais de 46 mil votos (menos de 4% da população daquela região). Com franqueza, é ela mesma quem confirma, em vídeo (1), ser vereadora da elite intelectual progressista de bairros nobres (2) da zona sul carioca (zonas mais votadas: Copacabana, Lagoa, Ipanema, Leblon e Gávea), a mesma elite que aquece o mercado de drogas ilícitas e domina quase inteiramente a educação, a cultura, o entretenimento e o jornalismo brasileiros há décadas (3). Como ela mesma diz, “é trabalho de formiga” convencer a favela das “liberdades familiares que a zona sul já compreende” (1). Devo discordar: é difícil convencer a combalida prudência proletária daquelas destrutivas relaxações ideológicas, importadas de quem herda gerações de estabilidade material sobre famílias estruturadas à moda antiga. Ícone do rock brasileiro, Cazuza podia ser “muito louco”, mas era rico e tinha pai e mãe aflitos atrás do rastro de sua autodestruição. Quando a AIDS exigiu, foi sua estrutura familiar que lhe bancou o tratamento em Boston (EUA). Um Cazuza da Maré estaria morto mais cedo.

Marielle Franco foi bolsista no curso de Ciências Sociais da PUC-RJ, uma universidade católica fundada sob os auspícios de gigantes como Cardeal Leme e Pe. Leonel Franca há quase 80 anos, honrando a tradição da Igreja tanto como criadora das universidades no Ocidente quanto difusora da caridade. A formação acadêmica de Marielle se viabilizou, portanto, pela caridade católica. Entretanto, e apesar do modo como se referiu à maternidade precoce e à própria filha em entrevista (4) ao jornal da universidade (“o que a Luyara me dá é uma estrutura, um sentido de que eu deveria ir estudar e conseguir sustentá-la e criá-la de uma maneira melhor”), Marielle saiu de lá socióloga e abortista (5).

Que a PUC se tenha tornado o celeiro esquerdista, anticristão, propagador de erros, fechado ao debate e à pluralidade de ideias que vemos hoje (6) é algo que se explica pela infusão marxista na Igreja por meio da Teologia da Libertação, a partir dos anos 1960, uma corrente que, contra as Escrituras, a Tradição e o Magistério, acaba por reduzir o “Verbo Encarnado” a mero agente político revolucionário. Essa distorção — que inverte e brutaliza o homem, ao comprimir e submeter sua natureza espiritual ao materialismo histórico e político — é um elemento-chave no surgimento e crescimento do PT (e do dissidente PSOL), como afirma Lula, em vídeo bastante conhecido, durante um voo em 2002 (7). Nesse vídeo, Lula se compara a Lech Walesa (líder sindical que personificou a resistência da Polônia ao jugo comunista) e deprecia a “Igreja Católica Conservadora” que, sob o apoio do papa São João Paulo II e sua homilia histórica em Varsóvia (1979), ajudou a livrar os poloneses da tutela de um regime sanguinário que ceifou mais de 100 milhões de pessoas no séc. XX. Para Lula, Igreja boa é a que abandona a verdade cristã para degenerar-se em instrumento político de projetos totalitários — como a Venezuela de seu companheiro de Foro de São Paulo, Hugo Chávez.

A desfiguração ideológica da PUC, portanto, deve-se à deletéria capilarização da Teologia da Libertação em seus departamentos ao longo dos anos. A vereadora Marielle, como tantos outros alunos, era filha acadêmica dessa corrupção intelectual e, como tal, juntamente com seu partido, figurava indiscutivelmente como adversária da cosmovisão verdadeiramente cristã, numa medida que a autoimunidade de sua condição talvez nem lhe permitisse avaliar. Na passagem do Evangelho que abre este texto, Jesus anuncia que “o chefe deste mundo vai ser expulso”, mas será “elevado da terra”. É com justiça, portanto, que a Igreja tantas vezes condenou o comunismo ateu (8): negar a redenção e ressureição de Cristo é expulsá-Lo de qualquer plataforma política que se julgue fiel a Seus ensinamentos — por mais justa e amorosa que pareça — e cortejar a barbárie. Nas palavras de Bernardo Pires Küster sobre as utopias materialistas, em artigo para o jornal católico repelido com violência por alunos da mesma PUC recentemente (6), “buscando plasmar o céu na terra, o inferno nos visitou.”

Sobretudo aos jovens uma coisa precisa ficar clara. Grosso modo, os últimos 300 anos podem se resumir no confronto entre basicamente duas cosmovisões: uma, que afirma os Dez Mandamentos (9) como a base da civilização ocidental, e outra, mutável e ramificada, que rejeita os três primeiros mas deseja a sociedade organizada segundo alguma conveniente combinação dos demais. A esta última falta alcançar, no entanto, que é só pelos três primeiros mandamentos que os demais se podem sustentar. Esse pacote foi-nos dado fechado pela Revelação.

Marielle e seu partido, portanto, encaixam-se no segundo caso. Como Marx, acreditam ser mais importante transformar o mundo que compreendê-lo. Toda a sua militância se presta a esse fim, daí prezarem tanto a hegemonia na cultura e na educação, pois por ela se pode melhor alterar e dirigir o comportamento da sociedade. Partindo-se do princípio de que Marielle acreditava sinceramente estar no “lado do bem” (e eu acho que ela era sincera), resta-nos concluir que a vereadora fora mais uma presa inconsciente a serviço do grande capital globalista. Sua projeção acadêmica e política deve muito à “Brazil Foundation” (10), organização milionária radicada nos EUA que, como outras fundações mantidas pelos empresários mais ricos do mundo, financiam a agenda progressista (desarmamento, feminismo, aborto, legalização de drogas...) em todo o mundo (11). O objetivo? Aproveitar-se da abundante mão-de-obra intelectual esquerdista — ideologicamente disposta a estigmatizar a família tradicional, dividir e atomizar a sociedade e ampliar o controle do Estado (“direitos” e burocracia) — para garantir a poucas e gigantescas fortunas (metacapitalistas) o oligopólio comercial da parceria futura com Estados agigantados e financeiramente insuficientes (como bem ilustrou o desbaratado esquema de corrupção entre o PT e grandes empreiteiras no Brasil).

É por essa cosmovisão que grande parcela dos jovens tem vendido a alma, sacrificado a inteligência e corrompido a vontade; é por metacapitalistas ocultos que ofertam seu ardor juvenil e se intoxicam de um paranoico belicismo ideológico enquanto pensam agir em prol da liberdade e do bem comum. Sua saúde mental tem sido comprada pela moeda mais antiga à disposição do mal: a fruição irrestrita dos próprios caprichos e paixões, a libertação plena de toda autoridade. Cazuza falava em uma de suas canções sobre um “museu de grandes novidades”. Eis aqui mais um. Conscientemente ou não, não se pode dissociar a trajetória da vereadora assassinada dessa estrutura que, como professor, considero um projeto de aniquilação da pessoa humana.

Nem por isso Marielle era menos humana e passível da misericórdia divina que ela, na prática, parecia dispensar. O Rio de Janeiro é uma cidade em que pessoas morrem e são mortas feito baratas há muito tempo, uma cidade vítima de seu próprio equilíbrio estável em torno da estúpida crença de que a “vida louca” tem o “direito” de também ser longa, de que o acolhimento irrestrito a todo tipo de desordem pessoal em nada prejudica as próprias pessoas e suas interações comuns da vida civil. Para a elite carioca descolada que “fecha” com o PSOL, se nos matamos tanto uns aos outros é porque nossos delírios egóicos, apesar de já amplamente estimulados e vividos, não gozam ainda de suficiente liberdade. Para a vulnerável e prudente faxineira da Maré, todavia, são as consequências urbanas dessa loucura os seus mais frequentes adversários de todos os dias — por isso ela não elege o PSOL. O bárbaro assassinato da vereadora é mais um na conta de uma cidade tão inebriante quanto irracional e maldita.

Se ainda é cedo para afirmar as reais circunstâncias em que Marielle foi morta, tampouco se justificam falsos testemunhos a fim de vilipendiar sua memória (pecado contra o 8º mandamento, agora prontamente acusado pelos psolistas), ainda que supostamente amparados pela habitual leniência de seu partido para com criminosos. Mais ainda: que se calem as bocas “cristãs” que, sem constrangimento, incorrem no pior pecado que se pode cometer contra Deus através do próximo: desejar-lhe o mal eterno da danação infernal. Já basta a carniça ideológica que seus correligionários haverão de manter exposta até a saturação dos olfatos. Para ambos os lados, aplicam-se as palavras de Lady Crawley, a Condessa de Grantham em Downton Abbey: “My dear, a lack of compassion can be as vulgar as an excess of tears." [“Querido, a falta de compaixão pode ser tão vulgar quanto o excesso de lágrimas”]

Creio que os equívocos de Marielle Franco jamais nos levariam a dividir uma cerveja, mas com ela cheguei a dividir a parca condição de pó que pensa, que só não é mais miserável porque Deus achou por bem conceder-lhe um amoroso sopro de vida. Que a justiça dos homens alcance os brutos autores deste e de tantos outros crimes. E que Deus tenha piedade de sua alma, bem como da de seu pobre motorista — pai de família.

Referências:

1 - Entrevista em que Marielle admite ter sido eleita pela zona sul:

https://youtu.be/gf07wv6jZdw

2 - Zonas eleitorais que mais votaram em Marielle Franco:

https://infograficos.oglobo.globo.com/…/a-votacao-para-vere…

3 - O esquerdismo das Organizações Globo nas telenovelas e no jornalismo:

https://youtu.be/FrbMREwhWnU

https://www.facebook.com/AlexandreBorrges/posts/1741032855954518

4 - Entrevista de Marielle para o Jornal da PUC, em que a abortista falava sobre o propósito de vida que sua filha lhe deu apesar da maternidade precoce:

http://jornaldapuc.vrc.puc-rio.br/…/cgilua.e…/sys/start.htm…

5 - Campanha pró-aborto de Marielle Franco:

https://youtu.be/u9mkTZLuHXA

6 - Exemplo de “pluralidade de ideias”, “alteridade” e “abertura ao diálogo” entre alunos na PUC:

https://www.facebook.com/cdbosco/videos/1780384288924543/

7 - Querendo “chegar logo ao poder”, Lula afirma que tem por trás de si a “base da Igreja Católica” (Teologia da Libertação) e se compara a Lech Walesa, um “pelegão” apoiado por uma “Igreja Católica conservadora” contra o comunismo na Polônia:

https://youtu.be/efkaaNgNI_c

8 - Condenações ao socialismo e ao comunismo a partir da Doutrina Social da Igreja:

http://www.veritatis.com.br/motivos-pelos-quais-um-catolic…/

9 - Os Dez Mandamentos comentados:

http://www.catolicoorante.com.br/10mandamentos.html

10 - Nota de pesar da Brazil Foundation:

https://brazilfoundation.org/nota-de-pesar-pela-morte-de-…/…

11 - “Dentre os principais financiadores (...) encontra-se a Brazil Foundation, organização com sede nos Estados Unidos que atua buscando doações para projetos no Brasil. Dentre os doadores da Brazil Foundation, destaca-se o ex-presidente do Banco Central e assessor do candidato Aécio Neves, Armínio Fraga, além do banco de investimentos Goldman Sachs e da Vanguard Capital, gestora de ativos norte-americana.”

https://spotniks.com/eles-formam-a-opiniao-da-esquerda-bra…/

Luciano Pires

 


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