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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 398 – julho 1995

Sagrada Escritura

 

Que houve?

OS MAGOS E JESUS

 

Em síntese: O episódio de Mt 2,1-12 suscita o descrédito de alguns críticos. O artigo abaixo mostra que foi vasado em estilo de midrash, gênero literário que apresenta um núcleo realmente histórico redigido de modo que se possa perceber o seu conteúdo teológico. Além do quê, fica evidente a verossimilhança do episódio dos magos se se consideram textos antigos que falam tanto da expectativa de um Salvador por parte de povos orientais como da crueldade do rei Herodes.

* * *

Em dois dos Evangelhos (Mt e Lc) encontramos os episódios referentes à origem de Jesus. Constituem os chamados "Evangelhos da infância"; cf. Mt 1-2 e Lc 1-2.

Ora, como reconhecem os exegetas, esses relatos têm tais características de estilo e redação que não podem ser analisados e explicados como as demais secções do Evangelho; merecem ser tratados à parte, pois supõem um gênero literário próprio e um aprofundamento teológico. Pode-se dizer que, logo depois da Ascensão de Jesus, os Apóstolos e discípulos voltaram sua atenção para o mistério de Páscoa e da Redenção, ou seja, para a vida pública e a consumação da obra do Senhor. Só depois se detiveram no mistério da Encarnação, ou seja, nas origens do Senhor, considerando-o com um olhar profundamente teológico, à luz do mistério de Páscoa.

O gênero literário próprio de Mt 1-2 e Lc 1-2 se depreende claramente de uma de suas características: a ênfase dada ao maravilhoso. - Note-se que nos episódios da vida pública de Jesus os anjos não intervêm, a não ser na tentação de Cristo (segundo S. Mateus 4,11 e S. Marcos1,13) e no horto das Oliveiras (segundo S. Lucas 22,43). Não há menção de sonhos pelos quais Deus se manifeste. As cenas decorrem entre personagens humanos, se bem que os milagres freqüentemente se dêem. - Ao invés, nas narrativas da infância de Jesus, não se registram propriamente milagres (derrogações às leis da natureza), mas fatos maravilhosos: Zacarias, José, Maria, os pastores, os magos entram em comunicação com o mundo celeste por meio dos anjos. A história da infância de Jesus é uma história desta terra, mas o invisível nela se torna continuamente visível de maneira extraordinária; é uma história real, cujos atores, porém, são movidos pelo céu.

Estas observações de modo nenhum pretendem lançar descrédito sobre os "Evangelhos da infância" nem sobre a existência dos anjos. Na conclusão deste artigo ver-se-á a mensagem que (segundo os exegetas modernos) tais secções transmitem.

E à luz de tais observações gerais sobre os "Evangelhos da infância" que os estudiosos têm analisado o episódio dos magos em Mt 2.

 

1. HERODES, OS MAGOS E JESUS (MT 2)

Os exegetas verificam que o episódio de Mt 2 parece ter sido redigido sob o influxo das narrativas do Antigo Testamento e dos rabinos referentes à vida de Moisés, principalmente ao nascimento e aos primeiros dias deste homem de Deus. Isto, aliás, não surpreende, pois Mateus, em mais de uma página do seu Evangelho, procura apresentar Jesus como novo Moisés.

 

Ora, no tocante ao nascimento de Moisés, os judeus narravam o seguinte:

a) Faraó, o monarca do Egito, teve certa noite um sonho estranho. Chamou então quem lho pudesse interpretar: Janes e Jimbres, segundo algumas fontes literárias, ou um dos príncipes da corte, ou, segundo mais outras fontes, Balaã, filho de Beor, ou um dos eunucos do rei. Os intérpretes disseram a Faraó que tal sonho significava o nascimento de uma criança israelita que destruiria o Egito e tiraria Israel do cativeiro.

Outros escritos da tradição rabínica referem que foram os astrólogos que revelaram a Faraó o nascimento do Salvador de Israel, sem, porém, poder precisar se tal Salvador seria um israelita ou um egípcio.

Conforme Flávio José, historiador judaico do séc. I depois de Cristo, um dos escribas sagrados da corte (sem menção de sonho) anunciou ao Faraó o nascimento do Libertador de Israel, o qual haveria de humilhar os egípcios e libertar os israelitas. Do seu iado, Amram, o pai de Moisés, teve um sonho, que lhe anunciava a natividade e a missão de seu filho; este haveria de libertar o povo hebreu do cativeiro do Egito (cf. Antigüidades Judaicas II, IX 3. 212.215s).

b) Os egípcios encheram-se de terror quando tiveram notícias de tais predições.

c) Faraó consultou a propósito seus sábios e astrólogos, resolvendo, em conseqüência, mandar matar os meninos nascidos das famílias dos hebreus.

d) Moisés, porém, escapou ao morticínio.

Estes diversos dados da tradição judaica são evidentemente midrashim; exploram e ampliam em estilo maravilhoso os episódios narrados em Ex 2-4 a respeito de Moisés, a fim de mais incutir os desígnios de Deus concernentes ao Legislador de Israel.

Quem compara os dizeres rabínicos referentes a Moisés com o texto de Mt 2, verifica inegáveis semelhanças.

Mais ainda: entre o livro do Êxodo e Mt 2 registram-se pontos de contato.

 

Assim, em Ex 4, 19s, lê-se:

"O Senhor disse a Moisés em Madiã: 'Vai, volta ao Egito, porque todos aqueles que atentavam contra a tua vida estão mortos'. Moisés tomou consigo sua mulher e seus filhos, fê-los montar em jumentos e voltou para o Egito".

 

Compare-se com Mt 2, 19-21:

"Quando morreu Herodes, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e lhe disse: 'Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra o vida do menino'. Levantou-se José, tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel".

Neste texto do S. Evangelho, chama a atenção a forma de plural "morreram os que atentavam contra a vida do menino". Na verdade, como nota o Evangelho pouco antes, Herodes é que atentava contra Jesus e morrera. Por que então terá usado S. Mateus a forma de plural? - Não se pode dizer que o texto de Ex 4,19 (onde o plural é mais compreensível) influenciou diretamente a redação da passagem de Mt 2.20?

 

Note-se também a afinidade entre Ex 2,15 e Mt 2,13.14.16:

Ex 2,15: "Faraó, sabendo do ocorrido, procurou matar Moisés, mas este fugiu para longe de Faraó. Retirou-se então para a terra de Madiã, e sentou-se junto de um poço".

Mt 2,13.14.16: "Apareceu em sonho a José o anjo do Senhor e lhe disse: "Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; permanece lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar”. Levantou-se José e, ainda sendo noite, tomou o menino e sua mãe e retirou-se para o Egito, onde permaneceu até a morte de Herodes... Percebendo Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou irritadíssimo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e nas redondezas..."

Além destes pontos de afinidade entre Mt 2 e a tradição judaica, notam-se as dessemelhanças entre um e outra:

a) O sonho de Faraó não tem paralelo em Mt. É José, o esposo de Maria, quem recebe em sonho a notícia não do nascimento de Jesus, mas de que Jesus havia de ser o Salvador do povo (cf. Mt 1,20s).

b) Os sábios da corte de Faraó, consultados ou não pelo monarca, deram-lhe notícia do nascimento do menino, assim como sugestões a fim de evitar a ruína do Egito. - No Evangelho, Herodes convoca os escribas ou sábios da Lei para que lhe digam onde o Messias havia de nascer.

c) A ordem de Faraó para que fossem mortos todos os meninos dos judeus aparece como algo de necessário nas narrativas judaicas, já que o monarca não teve ulteriores notícias a respeito do Salvador dos judeus (apenas lhe disseram que nascera ou estava para nascer). - Ao contrário, no Evangelho Herodes só manda matar os pequeninos de Belém e arredores depois de ter tramado um plano de morticínio direto: este plano fora frustrado por não terem os magos voltado a Jerusalém.

Ao ponderar as semelhanças e as dessemelhanças existentes entre as narrativas judaicas e Mt 2, os estudiosos formulam a seguinte hipótese:

Antes da redação escrita do Evangelho de Mateus, formou-se na tradição cristã uma narrativa referente a Jesus, os magos, Herodes e os inocentes. Essa narrativa referia-se a acontecimentos realmente ocorridos após o nascimento de Jesus; utilizou, porém, traços dos midrashim judaicos concernentes a Moisés. Recorrendo a esses traços relativos a Moisés, os antigos cristãos queriam significar que Jesus consumara a obra do primeiro Legislador e Libertador de Israel; em Cristo a figura de Moisés reaparecera em toda a sua plenitude. O evangelista, após decênios de tradição cristã, recebeu essa narrativa e dela fez uma das fontes do seu Evangelho da infância; não se pode determinar a maneira exata como o evangelista utilizou tal tradição cristã; os estudiosos admitem que a tenha retocado, pois o Evangelho de São Mateus apresenta estilo muito próprio ou muito marcado pela personalidade do seu autor.

Estas conjeturas explicam que o episódio dos magos em Mt 2 tenha seu cunho de "maravilhoso" (sonhos, curso extraordinário da estrela...). A mensagem desse trecho é principalmente teológica, a saber: Jesus = novo Moisés e Consumador da libertação, reconhecido pelos gentios pagãos e rejeitado pelos seus conacionais. Os pormenores do episódio não devem ser considerados de per si ou isoladamente, mas hão de ser interpretados em função do conjunto, pois a função principal desses pormenores é realçar a afirmação teológica do evangelista.

Não será necessário repetir que estas considerações dos estudiosos de modo nenhum significam que Mt 2 seja mito ou ficção. A substância do texto conserva seu valor histórico.

Nas páginas seguintes examinaremos justamente alguns traços da literatura e da história antigas que concorrem para ilustrar o fundo histórico de Mt 2.

 

2. O TESTEMUNHO DOS DOCUMENTOS PROFANOS

A quem quisesse negar a autenticidade histórica de Mt 2, não bastaria dizer que esse episódio nos foi transmitido com traços aparentemente imaginários ou lendários. Deveria outrossim evidenciar que o episódio em sua substância não pode ter ocorrido na história real do Oriente antigo.

Ora o estudo da história fornece indícios de verossimilhança da narrativa dos magos, de sorte que quem conhece o ambiente do Oriente de outrora não julga impossível o acontecimento referido por Mt 2. Notem-se os seguintes dados:

 

1) Herodes e a Judeia. Herodes era um tirano sanguinário.

 

Beduíno de sangue misto (semi-judeu apenas), parecia comprazer-se na crueldade. Por suas próprias mãos, afogara o cunhado, o formoso Aristóbulo, Sumo Sacerdote, aos 17 anos de idade, o qual se tornara muito popular. Sucessivamente mandou matar seu outro cunhado, José; Hircano II, rei octogenário da dinastia dos hasmoneus; Mariamna I, sua esposa, neta de Hircano II; Aristóbulo e Alexandre, seus próprios filhos... Ainda cinco dias antes de morrer, mandou decapitar seu terceiro filho Antipáter... Todo o seu reinado (de 40 a 4) foi assinalado por ondas de sangue. Não recuou nem diante das execuções em massa: por terem derrubado a Águia de Ouro, ídolo desonroso que o tirano quisera colocar na fachada do Templo, quarenta homens foram queimados vivos. Já em sua frenética agonia, ordenou fossem assassinados todos os principais personagens da comunidade judaica, a fim de que houvesse lágrimas por ocasião dos funerais do rei.

O Imperador César Augusto, a propósito de Herodes, usava de trocadilho muito significativo: "Mais vale ser o porco (em grego, hys) de Herodes do que ser o seu filho (hyiós)"!

Estes dados históricos insinuam que o morticínio dos santos inocentes não deve ser tido como algo de exótico dentro do quadro do reinado de Herodes.

Além disto, observa-se que a aldeia de Belém (situada a 8 Km de Jerusalém) e suas vizinhanças não devia contar mais do que dois mil habitantes. Em conseqüência, julga-se que o número de vitimas causadas por Herodes, segundo Mt 2, 16, pode ser estimado em vinte e cinco crianças aproximadamente (somente os meninos, e não as meninas, foram condenados).

2) Os magos e o Messias. Vários testemunhos de autores pagãos atestam que a expectativa de um Messias, própria do povo de Israel, encontrava eco profundo em regiões afastadas da Judeia; foi, sem dúvida, levada para o Oriente peios judeus por ocasião do exílio (séc. VI a. C.) e após este (tenha-se em vista que as histórias bíblicas de Tobias e Ester se deram na Pérsia). Em Alexandria (cidade fundada no séc. IV a. C.) estabeleceu-se próspera colônia judaica que, por meio de escritos diversos, difundia a sua espiritualidade e as suas crenças religiosas.

É o que explica os seguintes textos e fatos antigos:

a) A quarta écloga de Virgilio (+ 19 d. C.) assim reza:

"Eis que vêm os últimos tempos marcados pelo oráculo de Cumes:

A longa série dos séculos recomeça,

Eis que volta a virgem, volta o reino de Saturno,

Eis que desce do céu uma raça nova.

Ao menino recém-nascido, que eliminará a geração de ferro

E suscitará por todo o mundo uma geração de ouro,

Dai acolhida..."

b) Tácito (+ 120 d. C), por muito ufano que fosse de sua linhagem romana, escreveu:

"Os homens estavam geralmente persuadidos, à luz da fé de antigas profecias, de que o Oriente ia tomar a vanguarda e, dentro em breve, se veriam sair da Judeia aqueles que governariam o universo" (Hist. V. 23).

c) Zarathustra (séc. VI/VII a. C.) na Pérsia professava uma tradição, provavelmente de origem judaica, segundo a qual o princípio do Bem triunfaria do Mal graças a um Aliado, "verdade encarnada", que devia nascer de uma "virgem que nenhum homem tivesse tocado".

d) Não se pode esquecer que Balaão, o adivinho pagão impelido pelo Senhor, havia profetizado:

 

"Sai uma estrela de Jacó; de Israel ergue-se um cetro" (Nm 24,17).

Estes testemunhos da história dão a ver que no Oriente antigo havia sábios ou pensadores preparados para receber e compreender o aviso que, conforme Mt 2, o Senhor lhes quis dirigir por ocasião do nascimento de Jesus. - De resto, para um historiador cristão não é absurdo admitir que a Providência tenha, por um sinal celeste congruente, comunicado aos pagãos que se cumprira a expectativa de um Salvador acalentada pelos judeus.

 

3) O uso dos textos do Antigo Testamento em Mt 2

Sabe-se que Mt 2 cita algumas passagens do Antigo Testamento para ilustrar os episódios narrados. Assim

em Mt 2,6 o evangelista se refere a Mq 5,1, em combinação com 2 Sm 5,2 e1 Cr 11,2;

em Mt 2,15, é citado o texto de Os 11,1;

em Mt 2,18 ocorre Jr 31,15:

em Mt 2,23 a citação é vaga, envolvendo Is 11.1 e 53.2.

Ora os textos mencionados, por si mesmos, não se relacionam com os episódios descritos pelo evangelista, mas, sim, com fatos diversos. Assim as crianças que Raquel pranteia, em Jr 31,15, são os seus descendentes (os israelitas) deportados para a Assíria no séc. VIII. O filho que Deus faz voltar do Egito, em Os 11,1, é o povo de Israel. O texto de Mq 5,1 combinado com o de 2 Sm é citado por Mateus sob forma que difere tanto do original hebraico como da famosa tradução grega dos LXX...

Destas observações se depreende que Mateus (de acordo, aliás, com os usos rabínicos da época) adaptou os textos da Bíblia aos acontecimentos descritos; não forjou nem inventou acontecimentos para ilustrar a veracidade dos textos do Antigo Testamento; ao contrário, viu-se diante de fatos, e procurou colocar esses fatos dentro da perspectiva da história da salvação descrita nos livros sagrados de Israel.

Por conseguinte, as citações do Antigo Testamento em Mt 2 são mais um indício de que esta secção do Evangelho não é lenda imaginária, mas história real, apresentada, porém, em perspectiva teológica, ou seja, em vista de um ensinamento religioso.

 

Feitas estas ponderações, podemos passar a uma

 

 

3. CONCLUSÃO

O assunto abordado nestas páginas, quando proposto fora dos círculos de especialistas, arrisca-se a provocar perplexidade. Esta se origina geralmente do fato de se ampliar o alcance de certas afirmações ou de se dar a hipóteses o valor de sentenças definitivas. Por conseguinte, a fim de que o leitor possa avaliar serenamente a questão, seja aqui resumido o ponto de vista da sadia exegese católica contemporânea.

1) Os estudos modernos evidenciaram a existência de traços semelhantes em Mt e nas narrativas judaicas (bíblicas e extra-bíblicas) referentes a Moisés.

 

2) Diante desta evidência, é preciso evitar dois excessos:

a) de um lado, deduzir de tais semelhanças que a narrativa evangélica é mera adaptação de textos judaicos pouco fidedignos ou concluir que a secção evangélica não passa de mera fábula dependente da fantasia dos antigos;

b) de outro lado, outro excesso seria o de não querer reconhecer a existência em Mt 2 de um gênero literário próprio, um tanto livre, dito midrash, gênero que os judeus usavam em suas escolas de maneira honesta e com finalidade didática.

 

3) Distanciando-se destes dois extremos, o fiel católico pode dizer o seguinte:

Em Mt 2 há um núcleo histórico, a saber: os magos do Oriente, admoestados por Deus, foram adorar Jesus recém-nascido em Belém, o que deu origem a cruel morticínio da parte de Herodes irado por saber que nascera o novo "Rei dos judeus"; Jesus escapou incólume, fugindo para o exílio. Este núcleo histórico, porém, é ornamentado com artifícios ou traços maravilhosos familiares aos israelitas, a fim de se pôr em realce o sentido teológico do fato histórico.

4) Torna-se muito difícil estabelecer os limites precisos entre o fato real e os pormenores que lhe foram acrescentados na tradição catequética dos cristãos. Pergunta-se, por exemplo: o espanto de toda a cidade de Jerusalém ao saber que o Messias havia de nascer (ou nascera) em Belém terá sido fato real ou, antes, a cópia do espanto que acometeu os egípcios ao saberem que um libertador dos judeus estava para nascer (ou nascera)?

5) Além de narrar fatos históricos, Mt encerra profunda mensagem teológica, justamente realçada pelo estilo da secção:

 

a) Jesus é o novo Moisés por excelência;

b) O Messias foi reconhecido pelos gentios (representados pelos magos), mas rejeitado pelo seu próprio povo (representado por Herodes).

 

Estas duas teses, aliás, dominam todo o Evangelho de São Mateus.

6) De resto, para ilustrar os artifícios de Mt 2, pode-se citar o episódio das tentações de Jesus, em Mt 4, 1-11. Nesta passagem, o evangelista coloca Jesus no quadro do Deuteronômio, apresentando-o a reviver o que Israel vivera no deserto. Além disto, usa de traços "midráxicos", como seria a apresentação de todos os reinos do mundo a Jesus colocado sobre uma alta montanha...

 

A fé não se opõe a que se aceitem tais proposições da moderna exegese de Mt 2.


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