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80% da População Mundial Sujeita a Restrições na Liberdade Religiosa

“A Santa Sé mantém constante preocupação no sentido de que seja preservada a liberdade religiosa em todo e qualquer Estado e em qualquer situação política. Em particular a situação dos cristãos no Oriente Médio e na África, assim como a situação na Síria e na Ucrânia e várias outras regiões do mundo”.

Cardeal dom Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano (1).

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou no dia 15 de agosto de 2017, o relatório que avalia o grau de liberdade religiosa em 199 países e territórios do mundo. Entre as maiores ameaças à liberdade religiosa encontram-se o Estado Islâmico e alguns grupos religiosos apoiados por países aliados de Washington, como Arábia Saudita, Turquia e Bahrein.

“Quase 80% da população mundial vive sujeita a restrições à sua liberdade religiosa ou a hostilidades que a afetam. Quando não se protege a liberdade religiosa, a instabilidade, os abusos dos direitos humanos, o extremismo violento tem mais opções para prosperar”, observou o Secretário de Estado estadunidense Rex Tillerson.

“Ninguém deveria viver com medo, ter que praticar sua religião em segredo ou enfrentar discriminações devido às suas crenças”, acrescentou Tillerson ao apresentar o relatório.

“Genocídio”

Pela primeira vez o Secretário de Estado decidiu empregar o termo “genocídio” - já usado pelo seu antecessor John Kerry em março de 2016 – ao referir-se aos crimes cometidos pelo grupo jihadista Estado Islâmico contra diferentes grupos religiosos no Iraque e na Síria. “O Estado Islâmico é claramente responsável pelo genocídio cometidos contra yazidis, cristãos e muçulmanos xiitas, em áreas que estão ou estiveram sob seu controle”, destacou o Secretário de Estado. “O Estado Islâmico também é claramente responsável por crimes contra a humanidade e limpeza étnica contra os mesmos grupos, e em alguns casos contra muçulmanos sunitas, curdos e outras minorias. A proteção destes grupos – e outros atacados pelo extremismo violento – é uma prioridade da Administração Trump”, garantiu ele.

Esta é a segunda vez que os Estados Unidos faz uma acusação de genocídio durante um conflito em andamento. A primeira foi em relação aos assassinatos de massa no Sudão em 2004 e o Governo de Barack Obama decidiu usar a expressão em 2016 com o objetivo de contribuir para uma eventual investigação internacional sobre os crimes do EI. Diante da dificuldade de processar o EI por seus crimes, os Estados Unidos estão respondendo à “obrigação moral” de fazer algo diante desse genocídio mediante suas ações militares contra o grupo, segundo explicou Michale Kozak, alto funcionário do Escritório da Democracia e Direitos Humanos do Departamento de Estado.

Sanções

O informe apresentado na terça-feira é elaborado anualmente por ordem do Congresso estadunidense e instrui o Secretário de Estado na decisão que deve tomar num prazo de 90 dias em relação à existência ou não de algum país que apresente uma “preocupação especial” em relação à falta de liberdade religiosa, o que pode levar à restrição da ajuda econômica a essa nação.

Arábia Saudita

Não obstante, o Secretário de Estado pode decidir incluir algum país nesta lista sem, porém não aplicar nele sanções, caso isto não for de interesse dos Estados Unidos, como tem ocorrido nos últimos anos em relação à Arábia Saudita. Tillerson exortou os líderes sauditas a garantirem um grau mais amplo de liberdade religiosa para todos os cidadãos, mostrando-se preocupado pelo “contínuo padrão de preconceitos sociais e a discriminação contra os xiitas” no país sunita.

Turquia

Ele também criticou outro país, que como a Arábia Saudita é um aliado fundamental na luta contra o terrorismo na região, a Turquia, onde as autoridades “limitam os direitos humanos de algumas minorias religiosas”, em especial dos muçulmanos não-sunitas.

Bahrein

Em Bahrein, sede da 5ª Frota Naval dos EUA, “o Governo segue investigando, detendo e prendendo” os muçulmanos xiitas. Tillerson, neste sentido, exortou o pequeno Reino a “deixar de discriminar” aqueles que professam esse ramo do islã.

China e Paquistão, Irã e Sudão

O informe também atribui notas ruins para países com os quais os Estados Unidos mantêm uma relação mais complicada, como é o caso da China e do Paquistão, assim como a outros que costuma condenar regularmente, como Irã e Sudão. “Na China o governo tortura, detém e prende milhares de pessoas por praticarem suas crenças religiosas”, alertou o Secretário de Estado.

“A liberdade religiosa está sob ataque no Paquistão, onde mais de 200 pessoas estão no corredor da morte ou condenadas à prisão perpétua, acusadas de blasfêmia”, sublinhou.

No Irã os cristãos e outras minorias “são perseguidos por sua lei” e “condenados à morte por vagas leis sobre a apostasia”, enquanto no Sudão “o Governo prende, detém e intimida membros do clero e da Igreja”.

O informe apresenta graves denúncias relativas à América Latina, referindo-se aos sete sacerdotes mortos no México em 2016 e aos outros que foram submetidos a “extorsão e ameaças de morte”. Ao mesmo tempo, o informe considera que em Cuba, “o ambiente de liberdade religiosa melhorou” nos últimos anos (2).

Conclusão

Nenhuma era foi de capital importância pensar profundamente o sistema religioso como a nossa. É desastrosa a conexão da religião com a política e o poder economia.  Tendo em vista a ideologia de controlar, manipular e governar nos ditames das leis sagradas resultando na centralidade de determinar o paraíso para seus fieis seguidores e o inferno para os infiéis opositores. A vivência é a prática de uma ditadura escravocrata de seus crentes e pena de morte para os rebeldes. Se a religião é boa porque tanta proibição e perseguição? O ser humana por sua natureza pecaminosa torna a religião em fatores violentos ou a religião faz no ser humano desencadear atitudes violentas por sua natureza pecaminosa?

Os países ditos religiosos são antros de violência, imoralidades, desigualdades sociais, separação de clérigos e leigos, tantos classes sociais, como de castas, escolaridade e gêneros. Para tais, as explicações teológicas são abundantes, no entanto, não mudam em nada. O ser humano criou a religião, seus deuses, seus dogmas, seus templos, a sua hierarquia, seus livros sagrados, sua economia e o medo foi implantado como forma de aprisionar seus seguidores prometendo o céu e o inferno. Não há maior intolerância, ou requinte de crueldade quando uma pessoa cai em desgraça diante do sistema religioso. A liderança hierárquica desafiada pelo poder que exerce em nome do divino torna-se a mais impiedosa em sua sentença. Para uma mente pensante e justa, não enxerga o bem, a humildade, a justiça, a verdade e a fé naqueles que se dizem representantes de Deus ou deuses.

Haja radical liberdade em prol da bondade, do ecumenismo, da justiça, de crença cujo fundamento é o amor pelo próximo, da paz universal e o total respeito pela dignidade da pessoa humana.

Frei Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja

Sociólogo em Ciência da Religião

Doutor em História do Cristianismo

Professor convidado da Faculdade Norte do Paraná

E-mail: [email protected]

 

Notas:

(1)https://pt.zenit.org/articles/o-cardeal-parolin-em-russia-preservar-a-liberdade-religiosa-em-qualquer-estado-do-mundo/

(2)http://br.radiovaticana.va/news/2017/08/17/80_da_popula%C3%A7%C3%A3o_mundial_sujeita_a_restri%C3%A7%C3%B5es_na_liberdade/1331359


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