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ABUSO DA DIVINA MISERICÓRDIA

 

Por Santo Afonso Maria de Ligório.

 

Lê-se na parábola do joio que, tendo crescido num campo essa má erva juntamente com a boa semente, os servos quiseram arrancá-la (“Vis, imus, et colligimus ea?” Mt 13,29). O Senhor, porém, lhes objetou: “Deixai-a crescer; mais tarde a arrancaremos para lançá-la ao fogo – In tempore messis dicam messoribus, colligite primum zizania, et alligate ea in fasciculos ad comburendum.” (Mt 13,30). Infere-se desta parábola, por um lado, a paciência de Deus para com os pecadores, e por outro o seu rigor para com os obstinados.

 

Diz Santo Agostinho que o demônio seduz os homens por duas maneiras: “Com desespero e com esperança – Desperando, et sperando”. Depois que o pecador cometeu o delito, arrasta-o ao desespero pelo temor da justiça divina; mas, antes de pecar, excita-o a cair em tentação pela esperança na divina misericórdia. É por isso que o Santo nos adverte, dizendo: “Depois do pecado tenha esperança na divina misericórdia; antes do pecado tema a justiça divina - Post peccatum spera misericordiam; ante peccatum pertimesce iustitiam”. E assim é, com efeito. Porque não merece a misericórdia de Deus aquele que se serve da mesma para ofendê-lo. A misericórdia é para quem teme a Deus e não para o que dela se serve com o propósito de não temê-lo.

 

Aquele que ofende a justiça — diz o Abulense — pode recorrer à misericórdia; mas a quem pode recorrer o que ofende a própria misericórdia?

Será difícil encontrar um pecador a tal ponto desesperado que queira expressamente condenar-se. Os pecadores querem pecar, mas sem perder a esperança da salvação. Pecam e dizem: Deus é de misericórdia; mesmo que agora peque, mais tarde confessar-me-ei. “Bonus est Deus, faciam quod mihi placet”, assim pensam os pecadores, diz Santo Agostinho (Tract. 33. in Io.). Mas, meu Deus, assim pensaram muitos que já estão condenados.

 

“Não digas — exclama o Senhor — a misericórdia de Deus é grande: meus inumeráveis pecados me serão perdoados com um ato de contrição – Et ne dicas: miseratio Domini magna est, multitudinis peccatorum meorum miserebitur” (Ecl 5,6). Não faleis assim — nos diz o Senhor — e por quê? “Porque sua ira está tão pronta como sua misericórdia; e sua cólera fita os pecadores – Misericordia enim, et ira ab illo cito proximant, et in peccatores respicit ira illius” (Ecl 5,7). A misericórdia de Deus é infinita; mas os atos dela, ou seja, os de comiseração, são finitos. Deus é misericordioso, mas também é justo. “Sou justo e misericordioso Ego sum iustus, et misericors — disse o Senhor a Santa Brígida, — e os pecadores só pensam na misericórdia – peccatores tantum misericordem me existimant”. Os pecadores — escreve São Basílio — só querem considerar Deus pela metade: “O Senhor é bom; mas também é justo. Não queirais pensar Deus pela metade – Bonus est Dominus, sed etiam iustus; nolite Deum ex dimidia parte cogitare”. Tolerar quem se serve da misericórdia de Deus para mais o ofender — dizia o Padre Ávila — fora antes injustiça que misericórdia.

 

A misericórdia foi prometida a quem teme a Deus e não a quem abusa dela. “Et misericordia eius timentibus eum” (Lc 1, 50), como cantou a divina Mãe. A justiça ameaça os obstinados, porque, como diz Santo Agostinho, Deus que não mente nas promessas, também não mente em suas ameaças. “Qui verus est in promittendo, verus est in minando”.

 

Acautelai-vos — diz São João Crisóstomo — quando o demônio (não Deus) vos promete a misericórdia divina com o fim de que pequeis – Cave ne unquam canem illum suscipias, qui misericordiam Dei pollicetur” (Hom. 50. ad Pop. Antioch.)

 

Ai daquele — acrescenta Santo Agostinho — que para pecar confia na esperança!...: “Sperat, ut peccet; væ a perversa spe” (In Ps. 144). A quantos essa vã ilusão tem enganado e levado à perdição. “Dinumerari non possunt, quantos hæc inanis spei umbra deceperit”.

 

Desgraçado daquele que abusa da bondade de Deus para ofendê-lo mais!... Lúcifer — como afirma São Bernardo — foi castigado por Deus com tão assombrosa presteza, porque, ao rebelar-se, esperava não ser punido. O rei Manassés pecou; converteu-se em seguida, e Deus o perdoou. Mas para Amon, seu filho, que, vendo quão facilmente seu pai havia conseguido o perdão, entregou-se à má vida com a esperança de também ser perdoado, não houve misericórdia. Por essa causa — diz São João Crisóstomo — Judas se condenou, porque se atreveu a pecar confiando na clemência de Jesus Cristo – “Fidit in lenitate magistri”. Em suma: se Deus espera com paciência, não espera sempre. Pois, se o Senhor sempre nos tolerasse, ninguém se condenaria; ora, é larga a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele – “Lata porta et spatiosa via est, quæ ducit ad perditionem, et multi intrant per eam” (Mt 7,13). Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, “é um escarnecedor e não um penitente – irrisor est non pœnitens”, diz Santo Agostinho.

 

Por outra parte, afirma São Paulo que de “Deus não se pode zombar – Deus non irridetur” (Gl 6,7). E seria zombar de Deus continuar a ofendê-lo, sempre que quiséssemos e depois pretender ir para o paraíso. Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que o eterno castigo no inferno – “Quæ enim seminaverit homo, hæc et metet” (Gl 6,8). O laço com que o demônio arrasta quase todos os cristãos que se condenam é, sem dúvida, esse engano com que os seduz, dizendo-lhes: “Pecai livremente, porque, apesar de todos os pecados, haveis de salvar-vos”.

O Senhor, porém, amaldiçoa aquele que peca na esperança de perdão – “Maledictus homo qui peccat in spe”.

 

A esperança depois do pecado, quando o pecador deveras se arrepende, é agradável a Deus, mas a dos obstinados lhe é abominável - Et spes illorum abominatio” (Jó 11. 20).

Tal esperança provoca o castigo de Deus, assim como seria passível de punição o servo que ofendesse a seu patrão, precisamente porque é bondoso e amável.

(Preparação para a morte, Consideração XVII, Ponto I)

 


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