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“O satanismo aumenta porque se reza pouco”, diz exorcista

O satanismo está em alta. A razão, para este exorcista da Itália, é que “abandonamos a fé, as pessoas rezam pouco e de forma errada, muitas vezes”.

 

O satanismo está aumentando. A razão? "Abandonamos a fé, as pessoas rezam pouco e de forma errada, muitas vezes". As palavras de alerta são do padre italiano Ermes Macchioni, exorcista da diocese de Reggio Emilia, em entrevista a La Fede Quotidiana.

O sacerdote afirma que "o satanismo, com as consequências terríveis que traz consigo, efetivamente está em crescimento, e isso deveria levar-nos a fazer um exame de consciência":

"Cada vez mais, parece que perdemos a fé, a sociedade vive de modo pagão e podemos dizer que está em curso uma tentativa, ainda que difusa, de eliminar Deus da vida pública para substituí-lo pelo próprio 'eu'. Hoje o ser humano se sente autorreferencial, pensa que não precisa de Deus. Tudo isso leva a formas de idolatria, como o dinheiro, o sucesso, o poder custe o que custar, o sexo desordenado e contra o projeto de Deusa pornografia... Além disso, reza-se muito pouco e mal ainda por cima."

Mas por que se reza mal? O padre Ermes explica que tem notado muitas "adaptações pessoais" às orações. "Cada um acrescenta, retira e coloca o que bem entender", muitas vezes "sem levar em consideração a rica bagagem da Igreja e da sua Tradição".

A declaração desse exorcista faz-nos lembrar um adágio antigo, que vemos repetido no Catecismo da Igreja Católica (§ 1124), segundo o qual "lex orandi, lex credendi", isto é, "a lei da oração é a lei da fé". A liturgia católica, os sacramentos que celebramos, todos eles estão de acordo, adequam-se, por assim dizer, àquilo em que cremos — em atenção especial Àquele em quem cremos, "que não se engana nem nos pode enganar". Os fiéis, por sua vez, são chamados a aderir a essa fé, renunciando às suas opiniões privadas, aos seus gostos pessoais, a fim de entrar na unidade da Igreja. E isso transforma — ou pelo menos deveria transformar — todo o modo como eles rezam.

 

O que se percebe com muita frequência, no entanto, é justamente o que afirma o pe. Macchioni: as pessoas têm substituído Deus por uma religião "autorreferencial", na qual o objeto de suas preocupações, em última instância, são elas mesmas. Levamos as nossas vidas de maneira muito despreocupada, fazendo pouco caso dos Mandamentos, dos Sacramentos e do próximo, e gastamos todo o tempo que possuímos pensando só em nós mesmos. Quando as coisas começam a não dar certo, é então que nos voltamos para Deus. Mas seria por acaso essa "conversão" para chorarmos os nossos pecados? Para traçarmos um projeto de mudança de vida? Para nos comprometermos de verdade com Deus e com a sua Igreja? Não, de modo nenhum! Voltamo-nos para Deus... tão somente a fim de que Ele nos sirva. Nossa fé não é a Fé da Igreja, com "f" maiúsculo, virtude sobrenatural infundida por Deus em nossas almas. Cremos sim, mas em nós mesmos. Dizemo-nos cristãos, mas seguimos, na verdade, a religião do próprio "eu". Rezamos o "Pai nosso", mas é da boca para fora que dizemos: "Seja feita a vossa vontade", já que é a nossa vontade própria o que queremos ver satisfeita.

O que isso tem a ver com o aumento do satanismo? A resposta é: tudo! Todas as vezes, de fato, que o verdadeiro Deus é substituído em nossos corações, é em direção ao seu inimigo que caminham as nossas almas. Vale a pena lembrar, nesse sentido, uma lição de Santo Tomás de Aquino, na qual ele explica por que Satanás é cabeça de todos os maus, assim como Cristo é cabeça da Igreja:

"Cabe ao que governa conduzir os governados a seu fim. O fim do demônio é fazer a criatura racional voltar as costas para Deus. Por isso, desde o princípio, tentou remover o homem da obediência ao mandamento divino. Voltar as costas para Deus tem razão de fim enquanto é desejado sob a aparência de liberdade, segundo Jr 2, 20: 'Há muito quebraste teu jugo, rompeste teus laços, dizendo: Não servirei'. Portanto, enquanto pelo pecado alguns são levados a esse fim, incidem sob o regime e governo do demônio. E por isso ele é chamado sua cabeça."

Assim, para que o satanismo cresça no mundo, não é necessário — como muitos poderiam pensar — filiar-se a uma seita demoníaca e prestar culto aberto e declarado ao príncipe das trevas. Nós sabemos que, infelizmente, existem muitas pessoas que fazem isso, mas elas definitivamente não constituem a maioria do mundo — e estão longe de sê-lo. O problema maior são aquelas pessoas que foram batizadas, sentam-se nos bancos de nossas igrejas (às vezes, participam da Missa todos os domingos até!), mas têm vendidas as suas almas, pelo pecado mortal, ao inimigo de Deus. A expressão pode assustar, mas é exatamente isso o que diz Santo Tomás, quando comenta a petição dominical "Não nos deixeis cair em tentação""Ser tentado é humano", ele diz, "mas consentir é ter parte com o diabo."

 

Sempre portanto que, dando ouvidos aos apelos de nossa carne, cedemos àquele pecado de impureza na Internet, cobiçamos a mulher que está caminhando na rua, odiamos o próximo com olhares fulminantes, palavras e até agressões, é o reino de Satanás que vem a nós, e é para o inferno que se encaminha a nossa alma, caso não nos arrependamos e não procuremos depressa o sacramento da Confissão. A razão disso é bem simples: Deus e o diabo não podem conviver juntos na mesma casa, ou, para utilizar a linguagem do Evangelho, "ninguém pode servir a dois senhores" (Mt 6, 24).

Há muitos todavia que leem estas linhas — e Deus queira que não seja você uma dessas pessoas —, para as quais tudo o que aqui vai escrito não passa de "letra morta". No fundo de seus corações, esses indivíduos já declararam a Deus o seu "Não servirei". No começo, elas até se incomodavam com uma ou outra coisa errada que, sabendo ser má, se envergonhavam de cometer e de contar a alguém que praticaram. Depois, no entanto, adquirido o mau hábito, elas não só começaram a dormir tranquilamente em seus pecados, como passaram a incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo, numa tentativa patética de apagar de suas consciências o peso enorme que carregam todos aqueles que vivem sob o jugo do demônio.

 

Lá no fundo, no entanto, elas sabem que estão procurando a felicidade onde ela não existe; sabem que serão em vão todos os seus esforços para se verem livres de Deus. Dentro de seus corações permanece o chamado de Cristo à sua alma, silencioso mas audível, convidando-as à conversão e a uma autêntica mudança de vida.

Sim, é possível mudar de vida e, com a graça de Deus, começar tudo de novo! Se você ainda não tem vida de oração, comece agora mesmo a cultivá-la, pedindo Àquele que é todo-poderoso as graças necessárias para levar, de agora em diante, uma vida totalmente diferente da que você tem levado até este momento. Se as suas orações até aqui têm sido tão somente pedidos fúteis de riquezas, conforto e felicidade passageira neste mundo, mude o foco da sua oração e comece a rezar bem! Deus quer atender às nossas orações, mas Ele, muito mais do que nós, sabe o que nos é conveniente e não nos dará senão o que nos ajudar a conseguir a nossa eterna salvação. Peçamos insistentemente a Ele, portanto: "Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu", pois só assim conseguiremos opor resistência ao terrível avanço do mal que vemos no mundo.

 

Por Equipe Christo Nihil Praeponere


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#0•A3962•C928   2017-07-10 11:10:18 - Convidado/[email protected]
Um excelente artigo, no entanto, não vejo uma auto-reflexão da própria igreja quanto à promiscuidade em que estamos envolvidos. Vivemos dias como aqueles em que os judeus viviam quando Jesus esteve entre os mortais. Todos se achavam "certos", fariseus, saduceus, sacerdotes, etc. No entanto Jesus diz que eles eram túmulos caiados, podres por dentro, só a casca não serve, precisamos de conteúdo. Não se pode querer o bem pregando mentiras e ecumenismos. E Igreja está mesclada de práticas da umbanda, candomblé, espiritismo, etc. Festas religiosas, por darem lucro, são mais faladas do que o próprio......

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Se Cristo veio ao mundo para salvar e não para condenar (cf. Jo 3,17), a existência da Igreja visível de Cristo não poderia ser motivo de condenação para a maioria do gênero humano, que talvez não lhe pertença visivelmente, mas certamente lhe pertence invisivelmente.
Dom Estêvão Bettencourt

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