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O Estado Confessional e a Inquisição

Estado confessional não tem relação com intolerância e/ou perseguição religiosa. Quem pensa assim sinto informar, mas já sofreu lavagem cerebral sem notar. Inclusive há vários exemplos concretos e atuais demonstrando isso. Reino Unido, por exemplo. O nosso Império brasileiro idem. Ninguém sofreu qualquer tipo de intolerância religiosa injusta por não professar a religião oficial, o catolicismo. Com razão, protestantes não recebiam isenção fiscal e não podiam ter templos com forma exterior de culto. Equiparar à verdadeira religião com as falsas é uma grave injustiça para com Deus.




O contrário é válido: favorecer a verdadeira religião é um dever de justiça para com Deus. Não existe DIREITO ao erro. Leiam a Carta Encíclica Quanta Cura em que Sua Santidade, o Papa Pio IX, condena de forma dogmática a liberdade de expressão e culto, compreendidos de forma maçônica, liberal. Por outro lado, ninguém poder ser forçado a aderir à verdade. A adesão é um ATO LIVRE. Por isso, o erro e o mal podem ser tolerados (tendo em vista a preservação de um bem maior, evitar guerras, clima de intolerância desmedida etc.), mas jamais equiparado em direitos ao bem, à verdade. A heresia ou uma falsa religião somente seriam combatidas pelo Estado confessional católico, em nossa sociedade atual, caso, de alguma forma, prejudicassem valores caros à sociedade como um todo. Ferissem o Direito Natural e valores que dizem respeito ao bem comum de todo cidadão de bem. Exemplo histórico que poderíamos tomar como exemplo: os cátaros. A Inquisição medieval surgiu justamente para combater esses doidos. Quem eram os cátaros?

Cátaros vem do grego "puros". Eram dualistas, acreditavam que a matéria era um mal, criada por um "deus do mal". Somente o espírito seria um bem, criado por um "deus do bem".

Devido a essa crença dualista, os cátaros consideravam o matrimônio e a procriação um mal, pois a geração de uma nova vida seria para eles a perpetuação da matéria. Procriar seria prender novamente a partícula divina na matéria. Por causa disso, eles consideravam as mulheres grávidas possessas do demônio e muitas vezes matavam as grávidas desferindo facadas em suas barrigas. A presença de cátaros num vilarejo era sentida muitas vezes justamente por conta dessas “mortes misteriosas”. Muito comum a prática. Queridos eles, não?

O povo se revoltava contra os hereges, com razão. Coloque-se no lugar. Se um grupo aparecesse no teu bairro pregando essas ideias e pior, as colocando em prática, o que tu farias?

Os cátaros pregavam que o juramento, base dos contatos na época, não tinha valor algum. Imagina isso na época. O Estado teria que tolerar isso? Será?

Pregavam também que a riqueza era um mal, que deviam todos viver na pobreza. Todos, não somente alguns por vocação especial de Deus, como ensinava a Santa Igreja. Sem contar que a pobreza vai além do sentido meramente material. Cristo fala em "pobres de espírito". Nesse sentido, um rico pode ser pobre. E um pobre, pode ser rico. Rico de si mesmo. Arrogante, prepotente, orgulhoso. São vícios da alma que podem atingir a todos.

Cátaros diziam que os Sacramentos da Igreja todos não tinham valor, pois todo Sacramento envolve matéria também, como pão e vinho, a água do batismo etc. Ninguém possui direito ao erro. E, naquela época, muito menos. Não havia a heresia da "liberdade religiosa". A loucura de dar ao erro direitos. De dar aos agentes do mal o DIREITO de ofender a Deus e desfruir a verdade, o bem, a justiça. O mal pode ser tolerado. Ter direitos não. Muito menos em pé de igualdade com o bem.

Pregavam o suicídio como um valor, fazendo apologia dessa prática.

Esses são alguns exemplos da doutrina catara.

Pois bem. O povo fazia justiça com as próprias mãos contra os hereges, evidente. Estado idem, com todo o direito perseguia esses doidos, pois suas ideias ameaçavam o bem comum, a sociedade da época. Uma sociedade que recém havia se estruturado, se formado, após a invasão bárbara. Uma civilização que a Igreja recém havia criado, saída do forno, por assim dizer.

Somente muitas décadas depois, a Igreja entrou na história, criando um tribunal para julgar suspeitos de heresia, dando a eles direito a arrependimento, perdão, além de defesa, contraditório.

Antes do tribunal da Igreja, era aplicado aos hereges o direito romano, de caráter ACUSATÓRIO. Ou seja, não havia inquérito. Imagina hoje alguém acusado de furto. Já viraria réu, dentro dessa ideia. Não haveria inquérito para apurar nada. Antes do tribunal da Igreja, vigorava a Lei do Suspeito. Isso voltou a ocorrer com a Revolução Francesa. Suspeitos eram guilhotinados, sumariamente. Não havia processo, contraditório.

Na época dos cátaros, antes da inquisição, uma simples denúncia já acabava num processo que, via de regra, terminava em condenação. Com o tribunal da inquisição não. Veio a fase inquisitória, investigação, direito de defesa, um tribunal competente para julgar (clérigos, que conhecem do assunto religião). Antes do tribunal da Igreja, muitas brigas de vizinho acabavam em condenações injustas. Um vizinho delatava um desafeto acusando-o de praticar catarismo. O sujeito nem era dessa seita.

Preciso dizer que poucos casos acabavam em pena capital (morte na fogueira, conforme o costume germânico de punição). Maioria dos casos terminava em arrependimento ou penas típicas de confessionário (orações, peregrinação, esmolas, penitência etc.).

Como se pode ver, a perseguição a esses hereges foi totalmente legítima em seu tempo. E não teve relação com o Estado ser confessional, pois o Estado era confessional desde muitos séculos.... desde o imperador Teodosio, para ser mais exato. Constantino deu liberdade de culto, cessando a perseguição aos católicos. E Teodosio tornou a Igreja Católica a religião oficial do Império. A heresia cátara surgiu séculos depois da criação do Estado confessional. Lembrando que "proteger a religião oficial" é muito diferente de "ser intolerante com outras religiões" ou mesmo "perseguir outras crenças".

Os imperadores católicos, antes da heresia cátara, sempre trataram de "proteger a religião oficial". Consideravam-se até mesmo "Bispos fora da Igreja". Mentalidade da época. Mas a "intolerância" (justa, no caso) e a perseguição aos hereges cátaros teve razões muito mais sérias, muito além de um mero "pensar diferente".

Os Pais da Igreja ensinavam que a heresia devia ser combatida com o exemplo e a pregação. Logo, a intolerância com os cátaros, além de justificável, não tinha relação propriamente com o fato de o Estado ter uma religião oficial. Isso é mentira e facilmente desmascarada, basta conhecer um pouco de história.

Aplicando a nossa realidade, cito como exemplo os muçulmanos. O Estado teria que ser mais enérgico, por conta do extremismo, do radicalismo, do terrorismo e do projeto que eles possuem de destruir o Ocidente e sua cultura, incluindo o Cristianismo. Isso atenta conta o BEM COMUM, contra nossos valores familiares, portanto, o Estado confessional católico teria obrigação de proibir a entrada no país de novos muçulmanos, por que não? Afinal de contas, eles não querem se integrar a nossa cultura. Muito menos se sujeitariam a ficar professando sua crença errônea somente em ambiente privado.

Didacus Hff

Fonte: Facebook




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