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O milagre de São Charbel

Gregorio Vivanco Lopes

 

S. Charbel Maklouf

Dafne Gutiérrez, mãe de família de origem hispânica, residente em Phoenix (Arizona-EUA), estava completamente cega devido à malformação chamada “síndrome de Arnold Chiari”, que lhe fora diagnosticada já na adolescência.

Em janeiro de 2016 ela foi rezar diante das relíquias de São Charbel Maklouf, que peregrinavam pela cidade, confessou-se e comungou. Pouco depois estava curada. A reportagem em que nos baseamos foi publicada em 3 de fevereiro último no conceituado portal espanhol de notícias “Religión en Libertad”.

Segundo o relato, aos 13 anos os médicos descobriram que Dafne sofria da referida síndrome. Com o tempo a doença foi progredindo, chegando a formar um edema papilar que acabou por atingir o nervo ótico, provocando a consequente cegueira. Uma intervenção cirúrgica revelou-se inútil.

No outono de 2014 ela perdeu a visão do olho esquerdo, que já vinha se debilitando. Em novembro de 2015 foi a vez do olho direito, de modo que não conseguia ver sequer um raio de luz. Com 30 anos de idade, casada e mãe de três filhos, sua cegueira, segundo os médicos, era irreversível.

A Sra. Dafne Gutiérrez pensava em retirar-se num instituto de cegos, a fim de não constituir um peso para sua família, quando soube que uma relíquia de São Charbel visitava a paróquia maronita de Phoenix. Tratava-se de um fragmento ósseo, contido numa ampola de cedro.

Animada por amigos e paroquianos, foi à igreja venerar a relíquia e pedir a cura. Era um sábado. Confessou-se. Voltou no domingo, dia 17 de janeiro, assistiu à Missa no rito maronita e comungou.

Ao comungar, ela conta: “Não voltei a sentir meu corpo igual. Não via nada, mas sentia o corpo diferente. Perguntei-me ‘o que está acontecendo comigo, o que eu sinto?’”. E voltou para casa.

No dia seguinte, segunda-feira, às 5 horas da manhã, despertou com grande ardência nos olhos e forte pressão na cabeça e nas órbitas oculares. Acordou seu marido, ainda com o quarto às escuras. “Eu disse a ele ‘doem-me os olhos, tremem, doem’. Ele me disse que sentia um odor como de carne queimada”. O marido então acendeu um abajur e Dafne, emocionada, disse-lhe que podia vê-lo com ambos os olhos. “Meus filhos gritavam: ‘mamãe pode ver! Deus curou mamãe’”.

Três dias depois, um exame oftalmológico constatou a cura. Até agora, cinco médicos examinaram Dafne e não encontram explicação científica. Segundo o médico que a vinha acompanhando, em 40 anos de exercício da medicina nunca havia registrado qualquer exemplo de uma cura deste tipo. Tecnicamente “não é possível”, afirmou.

* * *

Quem foi esse santo libanês, chamado Charbel Maklouf? Sobre ele escreveu Plinio Corrêa de Oliveira:

“Charbel Maklouf, santo contemplativo de uma Ordem religiosa do rito melquita, no Líbano, falecido em 1898, entrou muito jovem no convento, tendo vivido em isolamento e meditação completos.

“Tem-se a impressão, observando-se seus olhos, de que eles são duas janelas abertas para o Céu. Olhos de um escuro profundo — ou talvez castanho, mas muito escuro — que refletem profundidade; e no fundo dessa profundidade há algo de sublime e celestial. Vê-se que ele olha para o Céu, o qual se reflete em seu olhar, e que peregrinando dentro do olhar dele encontra-se o Céu. É uma verdadeira maravilha [...] São Charbel Maklouf é como um verdadeiro cedro do Líbano!”. (Catolicismo, fevereiro/2005).

Em uma época de ateísmo como a nossa, não seria altamente benfazejo que milagres como o de São Charbel — e como os que ocorrem habitualmente em Lourdes — fossem muito difundidos? Por que não os divulga a grande imprensa? Por que não os tornam conhecidos as Conferências Episcopais, os Bispos, os padres?

É um silêncio, tão acabrunhador como incompreensível!

 (*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM


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