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Relativismo, porta para anarquia.

 

Sergio Sebold

Economista e Professor Independente

[email protected]

 

 

Antes de adentrar no tema proposto é necessário entender algumas palavras, para melhor se situar no tema. A hierarquia está presente em todos os cantos da sociedade. Consiste de uma estrutura ordenada de distribuição de poderes com subordinação sucessiva de uns com outros. Nos manuais de administração adquire a forma de um organograma, para facilitar sua orientação e sua lógica. Entretanto ela está presente em qualquer ambiente independente de estrutura formal. Neste contexto o ser humano vive assim desde os tempos da caverna. As hierarquias mais tradicionais que facilmente vem a nossa mente estão a militar, a eclesiástica, a urbana etc. onde se estabelece os níveis de poder e importância, de forma que as posições inferiores são sempre subordinadas a uma superior.

 

O homem não consegue sobreviver sem esta característica. Não sobrevive sem uma liderança. As manifestações recentes de massa nas grandes cidades em todo o Brasil, embora tenha sido de caráter espontâneo não compulsório, ela só teve sucesso, diante de alguma organização liderada por alguém ou entidade, mesmo que seja por trás da rede virtual. Caso contrário seria o fracasso e todos se dispersariam. Ninguém sobrevive sem uma liderança legitima.

 

Na contramão da hierarquia temos a “anarquia”, também oriunda dos filósofos gregos em termos e conceitos.  A expressão já faz parte de nosso cotidiano tal a sua força de expressão; visa eliminar totalmente as formas de governo e por efeito do Estado. Anarquia significa ausência de coerção e não ausência de ordem. Sem entrar na discussão filosófica, a anarquia é o sinônimo de caos, quando se considera a linguagem moral.  Os anarquistas, pela utópica ideia de que quando não há autoridade (hierarquia), pressupõe um alto grau de solidariedade pelo auxilio mútuo.  Sem perda de generalidade entende-se anarquia a perda de referência ou de ordem para todas as formas de comportamento. Desta forma vivemos no Brasil uma “anomia” sem objetividade e perda total de identidade provocado pelas contínuas e intensas transformações que ocorrem no mundo social de hoje.

 

Durkheim, 1974, considerava a anomia um estado de desorganização da sociedade que enfraqueceria a integração dos indivíduos, que não mais sabem que normas devem seguir. O Brasil está entrando nesse estágio.

 

O brusco rompimento com valores tradicionais gerou um vazio de significado, principalmente aqueles ligados a concepção religiosa. O espírito da modernidade, com suas mudanças, não oferece novos valores em substituição aos antigos, ficando um sentimento de “barco a deriva”.

O iluminismo que rompeu com as sagradas tradições da religião cristã, permitiu mudar o eixo teocêntrico para o antropocêntrico.  O homem se sentiu seguro para seguir agora seu próprio destino. O abandono de uma referência transcendental, para dentro do próprio homem, começou a mostrar um homem perdido em relativismo que não terá mais fim.

 

O relativismo é um sistema filosófico que se baseia na relatividade do conhecimento, repudia qualquer verdade, ou um valor absoluto. Qualquer opinião pode ser válida(*). Não há mais valor absoluto, que na tradição cristã era Deus onde está toda a verdade.

 

Para pisarmos no chão vejamos alguns casos onde o relativismo leva a confundir a cabeça de todos nós. A pretensão igualitarista sobre o gênero humano, racial, social, sexual a qualquer preço, antinatural, tudo são pretextos de combater as desigualdades “injustas”. Sob a lógica social é impossível buscar ou forçar uma igualdade que a própria natureza criou em desigualdade, como racial, sexual, por exemplo. Entretanto, na busca de poder, grupos minoritários ideológicos procuram contaminar com esta falácia, para garantir suas posições de dominação. As diferenças que ocorrem no mundo social o foram criadas pela cultura, onde a pobreza é uma delas.  Esta sim deve ser combatida.

 

Segundo pesquisas de opinião (é o que menos falta neste país) a maioria do povo brasileiro pede e quer a redução da maioridade penal; ora se a menoridade de 16 anos pode votar, por que não assumir suas responsabilidades? Aqui começa toda uma confusão relativista, quando se defende um direito não justo no lugar de uma reflexão sem correlação. Os direitos humanos, pela forma aludida pela mídia, dizem que é necessário defender os direitos dos bandidos, dos adúlteros, dos terroristas, dos invasores da propriedade alheia, esquecendo os direitos primordiais das vítimas. A punição pelo mal causado fica em segundo plano. Por trás daqueles direitos afirmados, deixa claro a insinuação de que não há pessoas más, mas que foram vitimas induzidas, arrastadas por circunstâncias invencíveis. Elas merecem complacência, não mais punição. Por este viés, não se busca mais a justiça, nos valores absolutos, na razão, mas sim nos sentimentos de ocasião.

 

Entende-se finalmente como ser moral o homem dotado de uma natureza com poderes que o capacita a agir, que pode dar certo ou errado segundo alguma convenção estabelecida. Nestes poderes estão implícitos o intelecto ou razão, o sentimento e a vontade; na conexão destas faculdades está a atividade da consciência. Logo, o enfraquecimento da autoridade moral, gera a oportunidade do relativismo moral, que por sua vez levará a anarquia, ao caos social. A violência que está se pronunciando no Brasil, por conta da anomia, é uma pequena amostra do que está por vir, a não ser que tenhamos uma reviravolta radical, moral e ética nas elites políticas.

(13/05/16)

 

(*) Veja nosso artigo neste site: “Relativismo, o mal do século.”


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