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O TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO PÔS UM FREIO NOS LINCHAMENTOS PÚBLICOS
Edmilson Silva

Se você é daqueles que acha que a Igreja matou milhões na fogueira na Idade Média, então fique sabendo que não foi bem assim!

POIS:

Foram as autoridades seculares (não-religiosas) que determinaram que a heresia era uma ofensa a ser punida com morte, não a Igreja.

E MAIS...

Na verdade, o Tribunal da Inquisição foi montado para… salvar os hereges da morte! Sim, é isso mesmo que você leu: a inquisição poupou muitas vidas.
Eu sei, eu sei, deve ter muita gente aí levantando a sobrancelha… Isso acontece porque não vivemos na Idade Média e, por isso, não imaginamos o contexto corretamente. Naquela época não havia Estado como conhecemos hoje, e as pessoas faziam justiça da maneira que lhes desse na telha. Como acusar pessoas de um crime, prender e linchar sem julgamento, por exemplo.

A primeira coisa é entender que naquele tempo os territórios eram divididos em feudos. Não tinha essa de o PT mandar no país todo. Aliás, o conceito de país era irrelevante, porque o que interessava mesmo era quanto se plantava, quanto se comia e quanto se conseguia negociar com os vizinhos. Ah… e qualquer coisa que desse errado era resolvido com as próprias leis do senhor do feudo. Claro, se não existia nem país, imagine código penal e polícia!

A outra coisa para entender é: foi a Igreja que reuniu os cacos da Europa após a queda do Império Romano. Assim, um ataque contra a religião era visto pela população como um ataque contra a própria sociedade, contra a sua estrutura e valores. Por isso, uma heresia era um crime terrível, que ameaçava a ordem nos reinos.
Ok. Agora que você já entendeu essas coisas vamos aos fatos: os nobres nos feudos puniam por crime de heresia quem lhes desse na telha, promovendo linchamentos públicos. O bicho pegava porque cada um tinha lá o seu conceito de heresia. Hoje já é assim, imagine naquele tempo em que você não tinha O Catequista pra ler…

Os desmandos dos senhores feudais “justiceiros” só tiveram fim quando a Igreja reclamou para si o direito exclusivo de julgar os supostos hereges, já que os padres eram os únicos que possuíam a formação teológica necessária para fazer a devida avaliação. Então, os tribunais da Inquisição surgiram, justamente, para pôr freio à barbárie, oferecendo aos acusados de heresia um julgamento justo.

Bem diferente do que a Tia Cocota te ensinou na escola, o fato é que “A Inquisição não nasceu da vontade de esmagar a diversidade ou oprimir o povo, era mais uma tentativa de acabar com as execuções injustas”.

TUDO ISSO SE PROVA COM FONTES E COM DOCUMENTOS

A Heresia era um crime contra o Estado. O direito romano no Código de Justiniano tornou-a uma ofensa capital. Governantes, cuja autoridade se acreditava vir de Deus, não tinham paciência para os hereges. Nem as pessoas comuns, que os viam como foras-da-lei perigosos que trariam a ira divina. Quando alguém era acusado de heresia no início da Idade Média, eram trazidos ao senhor local para julgamento (…). O resultado é que milhares de pessoas em toda a Europa foram executadas por autoridades seculares, sem julgamentos justos ou uma avaliação competente da validade da acusação.

“A resposta da Igreja Católica para este problema foi a Inquisição, instituída primeiramente pelo papa Lúcio III em 1184. Ela nasceu da necessidade de fornecer julgamentos justos para os hereges acusados, usando as leis de provas, e presididos por juízes capacitados. Do ponto de vista das autoridades seculares, os hereges eram traidores de Deus e do rei e, portanto, mereciam a morte. Do ponto de vista da Igreja, no entanto, os hereges eram ovelhas perdidas que se afastaram do rebanho. Como pastores, o papa e os bispos tinham o dever de levá-los de volta ao redil, assim como o Bom Pastor lhes havia ordenado. Assim, enquanto líderes medievais seculares estavam tentando salvaguardar seus reinos, a Igreja estava tentando salvar almas. A Inquisição providenciou um meio para os hereges escaparem da morte e retornarem para a comunidade.”

ENFIM:

Como nenhum empreendimento humano é perfeito, houve certamente maus inquisidores, que praticaram abusos e injustiças. Porém, as evidências históricas testemunham a favor da Inquisição, apresentando-a como uma instituição que “salvou milhares de incontáveis inocentes (…), pessoas que de outra forma teria sido torradas por senhores seculares”

POR OUTRO LADO... a caça às bruxas deve-se muito à Inquisição Protestante que a maioria desconhece!

 

Do artigo A Inquisição Protestante de Fernando Nascimento:

A quantidade de registros literários dos próprios protestantes é vasta, porém, estranhamente ocultada pelos livros escolares, pela imprensa e mídia em geral. Muitas vezes vemos o que é omitido pelo lado protestante sendo, por esses veículos, atribuídos maldosamente à Igreja Católica.

O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta, dizia: “(…) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, Leonel, S.J. A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, 1952, 6ª ed. Pág. 200).

Uma vez no protestantismo, já ensinava Lutero aos protestantes: “Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da igreja (luterana).” (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).

Logo a mentira, a omissão e o falso testemunho se tornaram as colunas das doutrinas dos pseudo “reformadores” protestantes.

A crueldade foi especialmente severa na Alemanha protestante. As posições de Lutero, contra os anabatistas, causaram a morte de pelo menos 30.000 camponeses (4). Foram as palavras de Lutero: “Eu, Martinho Lutero, exterminei os camponeses revoltados, ordenei-lhes os suplícios, que o seu sangue recaia sobre mim, mas o faço subir até Deus, pois foi ele quem me mandou falar e agir como agi e falei”. Centenas de rebeldes, segundo Goethe, foram torturados, empalados, esquartejados e queimados vivos. A Alemanha, disse o autor de Hermann e Dorothéia, “parecia um açougue onde a carne humana tinha preço vil”.

Calvino, pai dos presbiterianos, mandou queimar o espanhol Miguel Servet Grizar, médico descobridor da circulação sanguínea. Acusado de heresia, Servet foi preso e julgado em Lyon, na França. Conseguiu evadir-se da prisão e quando se dirigia para a Itália, através da Suíça, foi novamente preso em Genebra, julgado e condenado a morrer na fogueira, por decisão de um tribunal eclesiástico sob direção do próprio Calvino. A sentença foi cumprida em Champel, nas proximidades de Genebra, no dia 27 de outubro de 1553. Puseram-lhe na cabeça uma coroa de juncos impregnada de enxofre e foi queimado vivo em fogo lento com requintes de sadismo e crueldade. (5)

O luterano Benedict Carpzov, legista brilhante e figura esclarecida, até hoje ocupa lugar destacado na história do Direito Penal. Mas perdia a compostura contra a bruxaria, que considerava merecedora de torturas três vezes intensificadas com respeito a outros crimes, e cinco vezes punível com pena de morte. Protestante fanático, afirmava, quando velho, ter lido a Bíblia inteira 53 vezes. Assinou sentença de morte contra 20.000 bruxas, apoiando-se principalmente na “Lei” do Antigo Testamento. Não compreendendo o verdadeiro significado da Bíblia, considerava o Pentateuco como lei promulgada pelo próprio Deus, Supremo Legislador. Carpzov, para condenar a morte, usava (Lv 19,31; 20,6.27; Dt 12,1-5), citava de preferência o Êxodo (22,18);“Não deixarás viver a feiticeira”. (6)

Outro famoso perseguidor de bruxas na Alemanha foi Nicholas Romy, considerado grande especialista e que escreveu um longo tratado sobre bruxaria, teve sobre sua consciência a morte de 900 pessoas. (7)

Já Froehligh, reitor da Universidade de Innsbruck e catedrático de Direito, que chegou a ser chanceler da Alta Áustria, insistia em que não só as supostas bruxas fossem condenadas, senão também seus filhos! E não se precisava muito para ser considerada bruxa, pois o seria qualquer pessoa que não tivesse um olhar franco.(8)

Naquele ambiente de superstição, crueldade e pânico perante as bruxas, foi possível o aparecimento de um Franz Buirmann, pervertido magistrado protestante e degenerado inimigo da bruxaria. Era um juiz itinerante. Referindo-se a ele dizia seu contemporâneo Hermann Loher: “Preferiria mil vezes ser julgado por animais selvagens, cair numa fossa cheia de leões, de lobos e ursos, do que cair em suas mãos”.

Deste impiedoso juiz se afirma que somente em duas incursões que realizou por pequeninas aldeias ao redor de Bonn, que perfaziam um total de 300 pessoas contando-se crianças e velhos, queimou vivas nada menos que 150 pessoas! Consta que ao menos em duas oportunidades (da viúva Boffgen e do Alcaide de Rheinbach), o juiz se apoderou de todos os bens dos condenados à fogueira (o Alcaide de Rheinbach era seu inimigo político. . .).(9)

Em Bamberga, sob a administração de um bispo protestante, 600 pessoas foram queimadas. Na Genebra protestante, 500 pessoas por Calvino. (10)

Se os protestantes do passado nenhum valor davam a essas muitíssimas vidas ceifadas no fogo, muito menos valor dão os protestantes de hoje, que por ignorância, orgulho ou omissão, se escusam de um simples pedido de perdão, para não ter que admitir as iniquidades que falaciosamente atribuem aos outros.

A técnica é a mesma do gatuno que bate uma carteira e grita: “pega ladrão!!!” Baseados no grito do gatuno, as mal informadas e ou mal intencionadas editoras de livros didáticos, a imprensa e a mídia, fazem o resto do trabalho sujo. Tudo contribui para a perdição do que não busca conhecer a verdade.

Dizia Marcus Moreira Lassance Pimenta: “Ao ignorante, basta uma mentira bem contada para que a tenha como verdade. E ao sábio, não há mentira que o impeça de buscar a verdade”.


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