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AUMENTO DA POPULAÇÃO E APOSTOLADO

 

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 065 – maio 1963

 

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

APÓSTOLO (São Paulo): «O aumento extraordinário da população mundial poderia sugerir algumas normas para o apostolado católico nos próximos tempos ?»

 

A explosão demográfica tem preocupado as autoridades civis do mundo inteiro; com razão procuram conceber planos para impedir calamidades maiores nos setores do abastecimento, da economia, da habitação, da educação, etc.

 

As autoridades da Igreja também se mostram solicitas pelos problemas que o fenômeno suscita. Principalmente o aspecto religioso do quadro as interessa, pois á S. Igreja tem, antes do mais, uma tarefa missionária no mundo, tarefa que se deve desenvolver de maneira consentânea com os movimentos é as circunstâncias que caracterizam cada época. O Concilio Ecumênico do Vaticano n voltou, e voltará, sua atenção para os modos mais eficazes de exercer o apostolado no mundo moderno.

 

A ação dos Padres conciliares conta com a colaboração de todos os fiéis católicos — clérigos e leigos. Evidentemente, para que uma atividade mais e mais frutuosa possa ser exercida, faz-se mister que todos tenham em vista o ritmo exato de crescimento da população nas diversas partes do globo.

 

Eis, portanto, abaixo um dos quadros mais completos que a tal respeito têm sido elaborados. Deve-se à Organização das Nações Unidas, que em 1958 o publicou no estudo: «Accroissement de la population mondiale dans PAvenir». Nations Unies, ST/SOA Ser. A/28.

 

O trabalho é meticuloso ; baseia-se em previsões de natalidade e mortandade, levando em conta as tendências que nesses setores se têm manifestado entre as diversas populações do globo.

 

Para evitar conclusões errôneas, os autores consideraram fatores diversos que possam influir em tais tendências. Dai três resultados: o forte, o médio e o fraco.

 


 

AUMENTO DA POPULAÇAO DO GLOBO

QUADRO I

Por continentes e regiões (1)

 

1960

1970

1980

1990

.2000

Porcentagem (2)

Mundo forte média fraca


2.920 2.910 2.900


3.500 3.480 3.350


4.280 4.220 3.850


5.360 5.140 4.370


6.900 6.280 4.880 •



252

Ásia forte média fraca


1.620

1.610


1.980

1.890


2.480 2.470 2.200


3.200 3.090 2.540


4.250 3.870 2.890



281

África forte média fraca


237
235
234


294
278
274


375
333
318


492
410
366


663
517
420



260

Oceania forte média fraca


16,3

16,3


19,4

19,2


22,5
22,5
21,7


26
25,7
24,2


30,2
29,3
26,8



224

URSS forte média fraca


215

214


254

249


297
297
282


344
339
311


399
395
333



209

América do Sul forte média fraca



140

139



179

172



234
234
210



314
304
253



432
394
298




353

América Setentr. e Centr. forte média fraca




262

261




311

303




370
369
344




444
434
384




544
510
421





233

Europa fraca média fraca

 


424

423


457

447


496
495
469


540
532
483


592
568
491



144

 

(1) O cálculo foi feito na base dos milhões.

(2) Tomam-se por termos de comparação a estimativa média do ano de 2000 e a população real do ano de 1950 (= 100).


 

QUADRO II

Estimativa do aumento da população por países e territórios (1)

 

1965

1960

1965

1970

1975

 

ÁSIA

 

 

 

 

 

1.

Ilhas Bahrein

120

132

146

163

182

2.

Irã

21.800

24.300

27.200

30.500

34.300

3.

Iraque

5.730

6.480

7.300

8.220

9.230

4.

Israel

1.750

2.270

2.800

3.310

3.780

5.

Jordânia

1.430

1.610

1.820

2.050

2.300

6.

Kuwait

203

222

244

271

304

7.

Líbano

1.420

1.620

1.830

2.070

2.320

8.

Mascate e Omã

550

560

582

623

687

9.

Qatar

35

41

47

55

61

10.

Arábia Saudita

4.140

4.840

5.590

6.380

7.210

11.

Síria

4.140

4.840

5.590

6.380

7.210

12.

Omã sob tratado

80

86

93

102

114

13.

Turquia

24.000

27.500

31.300

35.500

40.000

14.

Iêmen

3.000

3.000

3.190

3.400

3.700

15.

Colônia de Aden

140

183

226

268

306

16.

Protetorado de Aden

426

459

500

552

616

17.

Cipro

532

575

628

694

774

18.

Zona de Gaza

325

366

412

464

522

19.

Afeganistão

12.000

12.800

13.800

15.100

16.900

20.

Butão

624

689

762

851

951

21.

Ceilão

8.680

9.850

11.100

12.600

14.100

22.

Índia

386.000

417.000

456.000

504.000

563.00

23.

Ilhas Maldivas

80

76

77

/79

88

24.

Nepal

8.600

9.400

10.500

11.600

13.100

25.

Paquistão

83.200

92.200

102.000

114.000

128.00

26.

Índia portuguesa

644

667

708

765

848

27.

Birmânia

19.400

20.700

22.400

24.600

27.400

28.

Camboja

4.360

4.720

5.180

5.740

6.410

29.

Indonésia

81.900

89.300

98.300

109.000

122.00

30.

Laos

1.420

1.570

1.750

1.950

2.170

31.

Vietnam

26.300

29.100

32.300

36.000

40.400

32.

Tailândia

20.500

22.900

25.600

28.600

32.100

33.

Filipinas

22.100

24.400

27.200

30.400

34.100

34.

Brunei

65

75

88

100

112

35.

Malásia

6.070

6.990

7.980

9.050

10.200

36.

Bornéu do Norte

373

427

486

551

619

37.

Timor português

469

511

560

621

695

38.

Sarawak

614

678

751

839

939

39.

Singapura

1.220

1.470

1.700

1.940

2.200

40.

Nova Guiné Oc.

700

714

749

784

858

41.

China

600.000

654.000

720.000

799.000

894.00

42.

Taiwan

8.910

10.400

12.100

13.800

15.600

 

(1) O cálculo é leito na base dos milhares e na hipótese média.


 

1955

1960

1966

1070

1975

43.

Coréia

29.000

31.500

34.700

38.400

43.000

44.

Rep. Pop. Mongol

1.000

1.070

1.160

1.280

1.440

45.

Macau

199

217

239

265

297

46.

Japão

89.100

95.100

102.000

109.000

116.000

47.

Ilhas Ryu-kyu

89.100

95.100

102.000

109.000

116.000

 

ÁFRICA

 

 

 

 

 

1.

Egito

23.000

26.000

29.500

33.500

38.300

2.

Líbia

1.100

1.210

1.340

1.500

1.700

3.

Algéria

9.470

10.400

11.500

13.000

14.700

4.

Ceuta e Melila

143

149

158

173

195

5.

África Oc. Espanhola

83

88

96

106

120

6.

Tunísia

3.740

4.120

4.600

5.180

5.900

7.

Marrocos

9.730

10.800

12.100

13.600

15.500

8.

Etiópia

11.600

12.200

12.800

13.500

14.400

9.

Libéria

1.280

1.320

1.370

1.440

1.520

10.

Sudão

10.100

10.500

10.900

11.500

12.200

11.

Angola

4.280

4.490

4.730

5.000

5.310

12.

Congo (ex-belga)

12.600

13.900

15.200

16.500

17.600

13.

Cameron (brit.)

1.500

1.610

1.730

1.850

1.970

14.

Cameron (franc.)

3.150

3.380

3.620

3.860

4.120

15.

Ilhas Cabo Verde

172

193

214

233

251

16.

África Eq. Franc.

4.680

4.970

5.290

5.620

5.980

17.

Somália franc.

63

66

69

74

79

18.

África Ocid. franc.

19.000

20.200

21.700

23.200

24.700

19.

Gâmbia

298

309

323

340

360

20.

Gana

4.620

4.980

5.340

5.720

6.100

21.

Quênia

6.050

6.530

7.020

7.520

8.030

22.

Madagas. e Comores

4.950

5.430

5.900

6.360

6.810

23.

Ilha Maurício

566

649

727

797

855

24.

Moçambique

6.030

6.390

6.780

7.200

7.660

25.

Nigéria

31.300

34.000

36.800

39.600

42.300

26.

Rodésia e Niassa

7.070

7.920

8.730

9.480

10.200

27.

Guiné Portug.

540

572

606

643

684

28.

Reunião

278

302

326

351

374

29.

Ruanda-Urundi

4.280

4.640

5.000

5.370

5.730

30.

Sta. Helena

5

5

5

5

5

31.

S. Tomé e Príncipe

58

58

58

61

63

32.

Seychelles

38

41

44

47

51

33.

Sierra-Leoa

2.100

2.210

2.330

2.470

2.630

34.

Somália ital.

1.280

1.320

1.370

1.440

1.520

35.

Somália brit.

523

552

582

615

653

36.

Guiné espanh.

207

218

230

245

259

37.

Tanganica

8.320

8.960

9.620

10.300

11.000

38.

Togo

1.080

1.160

1.250

1.340

1.430

39.

Uganda

5.510

.5.890

6.290

6.700

7.140

40.

Zanzibar e Pemba

278

289

303

319

338

41.

União Sul-Africana

13.700

15.200

17.000

19.200

21.900

42.

Bassutolândia

627

676

741

827

937

43.

Betchuanalândia

328

362

404

455

517


 

 

1955

1960

1965

1970

1975

44.

Sudoeste africano

458

520

591

674

770

45.

Suazilândia

223

253

288

329

375

 

OCEANIA

 

 

 

 

 

1.

Austrália

9.340

10.300

11.200

12.200

13.000

2.

Nova Zelândia

2.150

2.360

2.572

2.780

2.970

3.

Samoa

22

25

29

32

36

4.

Salomão

103

107

114

123

136

5.

Cook

16

17

19

20

23

6.

Fiji

339

392

449

508

568

7.

Domínios franceses

69

78

87

98

109

8.

Ilhas Gilberto-EUice

41

44

49

54

60

9.

Guam

65

72

79

88

98

10.

Havaí

560

635

716

804

897

11.

Nauru

4

4

4

4

4

12.

Nova Caledônia

65

68

72

78

86

13.

Nova Guiné

1,250

1.370

1.510

1.670

1.860

14.

Ilhas Pacíf. (U.S.A.)

64

74

84

95

106

15.

Papua

446

497

554

617

793

16.

Tonga

54

61

68

76

84

17.

Samoa Ocidental

95

112

129

147

165

 

U. R. S. S.

197.000

215.000

234.000

254.000

275.000

AMÉRICA DO SUL

 

 

 

 

 

1.

Bolívia

3.190

3.440

3.800

4.270

4.910

2.

Brasil

59.200

67.100

76.700

88.200

102.000

3.

Colômbia

12.700

14.300

16.200

18.600

21.600

4.

Equador

3.610

4.150

4.790

5.550

6.440

5.

Peru

9.400

10.500

11.800

13.600

15.700

6.

Venezuela

5.830

6.760

7.830

9.100

10.600

7.

Guiana brit.

484

560

649

753

875

8.

Guiana franc.

28

30

32

35

41

9.

Suriname

238

261

292

331

382

10.

Argentina

19.300

21.300

23.200

25.200

, 27.200

11.

Chile

6.560

7.070

7.610

8.180

' 8.790

12.

Paraguai

1.560

1.730

1.900

2.070

2.230

13.

Ilhas Falkland

2

2

2

2

2

14.

Uruguai

2.620

2.830

3.050

3.290

3.530

AMÉRICA CENTRAL

 

 

 

 

 

1.

Costa Rica

951

1.120

1.320

1.550

1.810

2.

Salvador

2.190

2.570

3.000

3.510

4.090

3.

Guatemala

3.260

3.790

4.400

5.120

5.960

4.

Honduras

1.660

1.930

2.250

2.620

3.040

5.

México

29.700

34.200

39.600

45.900

53.300

6.

Nicarágua

910

1.040

1.200

1.390

1.610

7.

Panamá

910

1.040

1.200

1.390

1.610


 

 

1955

1960

1965

1970

1975

8.

Honduras brit.

79

93

108

126

147

9.

Zona do canal

53

58

64.

72

82

10.

Cuba

6.110

6.810

7.610

8.540

9.600

11.

Rep. Dominicana

2.400

2.710

3.060

3.440

3.880

12.

Haiti

3.300

3.560

3.880

4.280

4.790

13.

Ilhas Bahamas

96

114

133

152

173

14.

Guadalupe

230

240

255

277

309

15.

Barbados

229

253

280

313

352

16.

Jamaica

1.560

1.720

1.910

2.140

2.400

17.

Ilhas Sob o Vento

128

146

165

187

211

18.

Martinica

240

252

269

294

328

19.

Antilhas holand.

182

204

230

259

292

20.

Porto Rico

2.260

2.360

2.520

2.750

3.060

21.

Trindade e Tobago

721

819

929

1.050

1.180

22.

Ilhas Virgens (USA)

24

25

26

28

31

23.

Ilhas do Vento

313

354

401

452

510

AMÉRICA DO NORTE

 

 

 

 

 

1.

Canadá

15.900

17.600

19.300

20.800

22.300

2.

Estados Unidos

166.000

179.000

191.000

204.000

217.000

3.

Alasca

208

250

286

319

345

4.

Ilhas Bermudas

42

47

53

56

60

5.

Groenlândia

26

28

29

32

34

6.

S. Pedro e Miquelon

5

5

5

5

5

 

EUROPA

 

 

 

 

 

1.

Bélgica

8.870

9.090

9.330

9.620

9.961

2.

Dinamarca

4.470

4.630

4.780

4.950

5.140

3.

Finlândia

4.240

4.440

4.620

4.800

4.980

4.

França

43.300

44.500

45.900

47.400

49.100

5.

Islândia

157

17Ô

180

190

198

6.

Irlanda

2.910

2.870

2.870

2.910

2.990

7.

Luxemburgo

309

320

331

343

355

8.

Mônaco

20

21

22

22

23

9.

Holanda

10.800

11.300

11.800

12.300

12.800

10.

Noruega

3.420

3.570

3.700

3.850

4.000

11.

Suécia

7.260

7.490

7.730

7.990

8.280

12.

Inglaterra

51.000

51.600

52.400

53.700

55.500

13.

Ilhas Anglo-Norm.

101

101

101

102

106

14.

Ilha de Man

56

59

62

64

66

15.

Áustria

6.970

7.030

7.120

7.280

7.520

16.

Tchecoslováquia

13.100

13.700

14.300

14.900

15.500

17.

Alemanha

71.000

73.000

75.200

77.700

80.500

18.

Hungria

9.800

10.200

10.600

11.100

11.500

19.

Liechtenstein'

15

15

16

17

17

20.

Polônia

27.300

29.400

31.300

33.000

34.400

21.

Suíça

4.980

5.230

5.470

5.700

5.920

22.

Sarre

992

1.040

1.080

1.120

1.170

23.

Albânia

1.390

1.550

1:690

1.820

1.920


 

 

1955

1960

1965

1970

1975

24.

Andorra

5

5

5

5

5

25.

Bulgária

7.550

7.820

8.150

8.500

8.900

26.

Grécia

7.970

8.360

8.780

9.220

• 9.690

27.

Itália

48.000

49.500

51.300

53.500

56.100

28.

Portugal

8.770

9.120

9.520

9.970

10.500

29.

Romênia

17.400

18.500

19.600

20.200

21.700

30.

S. Marinho

14

14

15

16'

17

31.

Espanha

29.000

30.000

31.300

32.800

34.400

32.

Iugoslávia

17.700

19.000

20.200

21.400

22.600

33.

Gibraltar

25

24

24

25

27

34.

Malta e Gozo

314

316

323

334

349

 

 

I. As listas assim concebidas sugerem as seguintes reflexões:

 

1) O aumento de população não se produz do mesmo modo em toda e qualquer parte do globo. É especialmente forte na América Latina. O máximo de crescimento se registra na Ásia, cuja população no ano de 2000 se terá triplicado em relação à de 1950 (de 1.232.000.000 de habitantes passará a cerca de três bilhões e meio, o que é muito mais do que a própria população do globo em nossos dias [1963]). — O aumento mínimo se verifica na Europa, onde a população em 2000 não será acrescida de mais da metade do que em 1950.

 

2) No tocante à evangelização do mundo, daí se segue que (na medida em que a vida cristã se transmite pela família)

 

a)      ganhar para Cristo uma alma na América Latina é assegurar três ou até quatro cristãos para o ano 2000;

b)      o mesmo se diga no concernente ao apostolado na Ásia e na África;

c)      na Europa Ocidental a proporção seria de 1,5 para 1 ou de 3 para 2 pessoas apenas.

 

Donde se vê que os esforços feitos para aprofundar as convicções religiosas na América Latina, na Ásia e na África terão fecundidade muito maior do que os esforços feitos em outros continentes (suposto que haja igual receptividade e conservação em toda parte). Negligenciar, pois, hoje os países da América Latina em particular é deixar que se multipliquem pagãos e cristãos medíocres nas gerações futuras.

 

3) Verifica-se que os elementos de evangelização na América Latina são insuficientes para a respectiva tarefa: faltam sacerdotes, apóstolos leigos, instalações técnicas de apostolado, etc. Os missionários na América Latina precisam absolutamente de reforço do estrangeiro. Eis, porém, que um dos seus mais ricos mananciais de colaboradores e auxílios é a Europa, onde justamente as perspectivas se delineiam menos grandiosas no tocante ao aumento da população; nos países europeus a população cresce duas vezes menos do que nos países aos quais os europeus têm prestado seu valioso socorro. Resta a esperança de se obter maior número de missionários norte-americanos.

 

4) O esforço missionário a ser prestado não somente é de grande vulto, mas também de grande urgência..

Sim; o aumento demográfico prossegue em ritmo quase vertiginoso; cada ano que se dedica a mero planejamento ou à previsão dos modos de ação é um ano em que a problemática se avoluma.

 

«É para já, sem demora, que se requer ação enérgica. Os especialistas que redigiram o relatório da ONU sobre o aumento dá população no mundo, o dizem com razão; o que importa, não são somente as dimensões do trabalho, mas também a rapidez com que deve ser prestado. O ano 2000 não dista, no futuro, de nós hoje mais do que o ano de 1924 no passado» (C. Mertens, Accroissement de la population mondiale. Réflexions et commentaires, artigo publicado na revista «Christ au monde» 4/1962, pág. 546).

 

5) A hora presente, portanto, requer não somente distribuição de forças e renovação constante de contingentes missionários nos países mais necessitados disto, mas também que os elementos locais, a própria gente de cada nação seja mobilizada, a fim de colaborar nos variados setores do apostolado; há tarefas diversíssimas, abertas a todos os tipos de pessoas, ou seja, a todos os que queiram cooperar: simples leigos e grupos de fiéis aos quais até hoje não se fez apelo. É importante despertar essas energias latentes nas próprias populações da América Latina, da Ásia e da África.

 

6) Todo o esforço missionário nos países novos terá que ser realizado sem detrimento da cura de almas e mesmo da evangelização dos países europeus (cuja vida cristã é mais antiga). Também nesses territórios os problemas religiosos se multiplicam e impõem cuidados aos pastores de alma. Os esforços de evangelização, portanto, se devem efetuar simultaneamente, e com grande intensidade, em duas frentes.

 

7) As cifras propostas pelas estatísticas de população não representam, para o católico, apenas dados materiais ou quantitativos, mas, sim, almas que Cristo anuncia e propõe ao zelo de todos, para que todos se interessem pela sua salvação. Quão grande é a messe ! Quão urgente a necessidade de operários !

 

 

II. As observações acima poderiam talvez sugerir alguma ponta de desânimo ou abatimento em leitores amigos do Reino de Deus. Como fazer frente a tão sérias perspectivas ? Como acudir a tão graves exigências da hora presente e dos próximos tempos?

 

Contudo quem reflete serenamente sobre tais perguntas, não pode deixar de se tranquilizar.

Na verdade, o cristão não se perturba nem perde ânimo e entusiasmo mesmo diante das dimensões da tarefa que o aguarda. E isto... porque sabe que

 

a) o Senhor da Igreja é o próprio Deus; Ele é o «dono» dos tempos, dos acontecimentos do mundo e dos valores que depositou na sua S. Igreja. Ora, não há dúvida, Ele sabe o que faz, sabe por que a história caminha como caminha... Vemos aspectos parciais da realidade, aspectos sombrios e aflitivos; o Senhor Deus, porém, tudo vê, e não permite que um avanço do mal ou um desastre se produzam sem que estejam devidamente englobados dentro de um plano geral de beneficência e amor.

 

b) Além das vias evidentes e oficiais de salvação (os sacramentos e os sacramentais), que o Senhor Deus Oferece aos homens por meio da sua S. Igreja, existem vias ocultas que somente a Providência Divina conhece ; de mil maneiras o Senhor atrai as criaturas, mesmo quando não lhes dá explicitamente a mensagem do Evangelho ou a possibilidade de receber os sacramentos. Ê pela consciência que Deus fala a cada indivíduo, de modo que, se alguém atende sinceramente à sua consciência, pertence à única Igreja de Cristo, embora não conheça a Igreja e a Igreja não conheça tal alma. O sangue de Cristo, portanto, é aplicado à salvação dos homens; mesmo quando não o vemos. Cf. «P. R.» 1/1958, qu. 7.

 

c) Estas considerações, porém, não podem servir de pretexto aos fiéis católicos para cruzarem' os braços ou diminuírem o seu zelo missionário. O Senhor mandou os discípulos ao mundo inteiro a fim de pregarem e batizarem (cf.Mt 28, 19s). Resta, pois, a todos os que estão de posse explícita do Evangelho e dos meios oficiais de salvação, a incumbência de os difundir fervorosamente entre todos os povos até os confins da terra. O Senhor quis incluir a atividade missionária e catequética dos discípulos dentro do seu plano geral de salvação do gênero humano. Cf. «P. R.» 39/1961, qu. 4 e 5.

 

d) Será preciso igualmente lembrar que, além das atividades missionárias, o cultivo da vida interior tem valor eminentemente apostólico. O pequeno número dos fiéis de Cristo, se for zeloso e fervoroso, contribuirá muito mais para o bem espiritual e a salvação do gênero humano do que um grande número de cristãos tíbios. A qualidade tem muito mais importância do que a quantidade ; é este um adágio popular, que a Sabedoria Divina tem confirmado de múltiplas maneiras. O Senhor Deus, no decorrer da história, mostrou .descaso pelas estatísticas e os números (que nós tanto valorizamos; cf. «P. R.» 39/1961, qu. 4 e 5), ao passo que sempre inculcou aos homens a necessidade de serem integralmente o que eles devem ser ou de serem até o extremo fiéis ao seu ideal.

 

Eis a propósito alguns abalizados testemunhos.

 

São Francisco de Sales (+1622), por exemplo, escrevia:

«Um só cristão que se avantaja em fervor e zelo e, por conseguinte, nutre a séria vontade de se santificar, dá a Deus maior glória do que mil cristãos ordinários, e, quanto maior for o número de tais almas fervorosas, tanto mais eficazmente se promoverá a salvação das almas».

 

Poucos, porém, são aqueles que podem dizer que são fervorosos como deveriam ser... Ora, mesmo os cristãos fracos, contanto que não se conformem com a mediocridade, mas aspirem seriamente à perfeição, são profundamente valiosos para a salvação do mundo (a tendência tenaz á perfeição já é traço de perfeição). Assim terá falado o próprio Senhor a S. Teresa de Ávila:

 

«Uma só alma, mesmo que não seja ainda perfeita, mas que pelo menos se esforça por tornar-se perfeita, tem aos meus olhos mais valor do que mil outras cujas aspirações não ultrapassam a mediocridade».

 

S. Afonso Maria de Ligório (+1787) fazia eco a tais palavras, escrevendo no seu opúsculo «Praxis confessarii»:

«Uma só alma que tenda à perfeição cristã, é mais agradável a Deus do que mil pessoas imperfeitas, que continuam sua vidinha de piedade na mediocridade».

 

O Bem-aventurado Pe. De La Colombière S. J. (séc. XVII), diretor espiritual de S. Margarida Maria Alacoque, por sua vez, afirmava:

«Um só cristão que com todas as veras da alma aspira à santidade, glorifica a Deus mais do que um milhão de cristãos imperfeitos. Haverá então maior felicidade do que a de auxiliar uma alma a enveredar-se pelo caminho da verdadeira santidade?».

 

Por fim, ainda lembraremos os dizeres enfáticos de Pallavicini, famoso mestre de espiritualidade:

«Um homem de vida interior prestará mais serviços à Igreja e ao próximo em duas horas do que um outro que não tenha vida interior, em muitos anos».

 

Às almas de vida interior, portanto, é que o Senhor quis confiar a feliz solução dos grandes problemas que assaltam a S. Igreja e o mundo na hora presente. Multipliquem-se essas almas! Serão «sal» e «fermento» em prol da Cristandade e do gênero humano.

 

Temos consciência de que as previsões da ONU publicadas em 1958 foram ultrapassadas pela realidade dos últimos anos: em. meados de 1982, conforme a mesma ONU, a população mundial era de 3 115 000.000 habitantes. A quota total se acresce anualmente de mais de 50 milhões de almas. Em toda a história da civilização, a população do globo jamais aumentou tanto como atualmente; a proporção de crescimento é agora avaliada em 1,7% ao ano. Se este ritmo se prolongar sem alteração, o número de habitantes sobre a terra chegará a mais de 6 bilhões em quarenta anos apenas.

 

Quanto ao Brasil, a sua população vai crescendo no ritmo de 3,4% ao ano — o que é surpreendente. Nesta proporção, a cifra total dos nossos compatriotas se terá duplicado em 21 anos.

 

Estes recentíssimos dados numéricos em nada alteram (ao contrário, só contribuem para confirmar) as conclusões práticas deduzidas nas páginas atrás.

 

Dom Estêvão Bettencourt (O.S.B.)


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