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A ESTALAGEM DO MUNDO

 

Ernest Hello (1994)

O escritor francês Ernest Hello, ardente paladino da Verdade, compara o mundo à estalagem de Belém, que na noite de Natal fechou as suas portas à Sagrada Família: porque não havia lugar para eles na hospedaria, como registra laconicamente São Lucas (Lc 2, 7).

 

Não havia lugar para eles. Para todos os outros, sempre se achava um canto ou se abria um espaço. Na “estalagem do mundo” há vaga para todas as mentiras, ainda que sejam contraditórias entre si; existe um respeitoso cantinho para todos os falsos deuses, mesmo que sejam inimigos. Só não há lugar para a Verdade, para Cristo.

 

É claro que Hello não fala aqui do mundo como obra de Deus – que reflete a beleza e a bondade do seu Criador, e por isso deve ser amado –, mas no sentido que frequentemente o Novo Testamento dá à palavra mundo. Com este nome, designa-se tudo aquilo que, no mundo, se opõe a Deus, e concretamente a massa de homens e mulheres que se erigiram a si mesmos em seu próprio deus, subtraindo-se ao domínio santo do Deus único. Trata-se daquela grande parte da humanidade que tem como ídolos – como os únicos deuses pelos quais se deixa dominar e aos quais serve – os do egoísmo: o poder e a glória, o dinheiro e a vaidade, o interesse e o prazer. O mundo é o reino do pecado.

 

Falando desse mundo, São João, o Apóstolo do amor extasiado e da fé invencível, diz categoricamente: Sabemos que o mundo todo jaz sob o poder do Maligno (1 Jo 5, 19). E, com a mesma rotunda nitidez, na sua primeira Carta, deixa estampada esta frase: Não ameis o mundo nem as coisas do mundo[…], porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência [ambiciosa] dos olhos e orgulho da vida (1 Jo 2, 16).

 

Como consequência lógica, esse mundo dominado pelo “pai da mentira” vive mergulhado na mentira, que é a sua respiração e o seu clima.

 

Voltemos agora a Hello, e deixemos-lhe a palavra. Vale a pena ouvi-lo longamente. O que ele escreve é tão sincero, tão extraordinariamente verídico, que parece a cada passo descobrir-nos o que no fundo todos já víamos, sem acabarmos de o perceber.

 

A CONFRATERNIZAÇÃO DOS FALSOS DEUSES

 

Antes da vinda de Cristo, no Panteon, na “hospedaria do mundo”, convivia uma multidão de ídolos, inimigos entre si. Contudo, dentro da estalagem,

 

“eles se espremiam sem se combater, apertavam-se sem se machucar e acotovelavam-se sem se incomodar. A razão disso é que estavam de acordo entre eles. Mas quando nasceu o Sol, procedente de Belém, a gritaria foi geral. Os ídolos, que dormiam em sua paz, acordaram para travar combate: todos eles reconheceram o inimigo comum [Cristo], e foi possível então perceber por que não se haviam combatido uns aos outros. O segredo da sua calma estava na sua cumplicidade”.

 

“Eis alguém – continua Hello – que adora um boi, e outro que adora uma couve. Esses dois homens não brigarão. Sem inconveniente algum, o adorador do boi adorará também um pouquinho a couve, para agradar; e o adorador da couve não recusará ao boi algumas genuflexões. Um misterioso acordo parece pairar sobre a imensa mentira e dizer aos homens que, se essa mentira é multiforme, não há motivo para preocupar-se por tão pouco: pois trata-se sempre da mesma mentira. A idolatria pode mudar de aspecto e de caráter; mas ela tranquiliza o idólatra porque, através de todos os objetos adorados, mostra sempre a mesma face: Sou eu mesma!”

 

Sobre o comum denominador da falsidade, as mentiras do mundo se entendem. O ecumenismo mais fácil é o ecumenismo das mentiras. Só ficam sobressaltadas e empunham as armas quando a Verdade bate à sua porta. Então Herodes persegue o Menino, então a opinião do mundo se arrepia e experimenta a necessidade de atacá-Lo por todos os meios, de desprestigiá-Lo – a Ele e à sua Igreja – com todas as calúnias, de achincalhá-Lo com toda a fúria. Um exemplo bem recente disso foi a reação de alguns setores da opinião pública do mundo contra a Encíclica O esplendor da Verdade de João Paulo II.

 

Mas Ernest Hello não terminou ainda, e é importante escutá-lo até o final. O mundo, dir-nos-á, não tem na sua hospedaria lugar algum para Cristo, mas de vez em quando sente a necessidade de admitir na estalagem alguns fragmentos da Verdade, para dar com eles maior prestígio às suas mentiras. Mais de uma vez, com efeito, cristãos de boa fé se têm admirado de que certos meios de comunicação social, conhecidos por suas posições anticatólicas, acolham com destaque e até glosem elogiosamente algum pronunciamento do Papa ou algum critério moral tipicamente cristão. Hello tem algo a dizer a esse respeito:

 

“Quando o mundo diz a verdade, julga estar exprimindo uma opinião como qualquer outra; e quer que essa verdade esteja rodeada de mentiras e conviva harmoniosamente com elas. Quer que a verdade fique desonrada por infames companhias e, quando já a sujou a ponto de não ser mais possível reconhecê-la, então a tolera, porque já se tornou uma mentira. E essa mentira é preciosa, porque acoberta as outras, dá-lhes prestígio, toma-as sob a sua proteção, tira-lhes o que teriam de excessivamente violento, cru, ostensivo. Essa verdade transformada em mentira pelo tom, pelo contorno, pelo contexto, essa verdade acaba por confundir o bem e o mal, e a gente do mundo então fica contente.

 

“Nada engana com uma força e uma autoridade tão terrível como a verdade mal dita. Ela dá aos erros que a envolvem um peso que tais erros jamais teriam por si mesmos. Prestigia-os. A mistura de verdade e de erro produz, na boca do mundo, efeitos desastrosos. Dá à verdade a aparência de erro, ao erro a aparência da verdade. Faz com que o erro participe do respeito que é devido à verdade”

 

[NOTA DE RODAPÉ: Hello, Textes choisis, ed. Egloff, Fribourg, 1945, pág. 161 e segs.].

 

Hello escrevia em fins do século XIX. As suas palavras têm uma atualidade estarrecedora nos fins do século XX. A cada dia são maiores as misturas com que se compõem religiões, filosofias, superstições, cultos exóticos, “valores culturais” e místicas esotéricas ou mágicas. Todos eles procuram aureolar-se com algumas parcelas das verdades cristãs. Sincretismos, variegadas “sofias”, holismos, espiritualismos, inaugurações de eras novas em novas constelações…, todos procurando prestigiar-se com pitadas de Cristianismo deturpado.

 

O sortimento de mentiras misturadas com cacos de verdade não tem fim. A ninguém se oculta que o “mercado das religiões” está mais fartamente abastecido que nunca. Nas suas prateleiras, cada qual pode encontrar alguma religião, mística ou filosofia de vida a seu gosto, a que melhor combine as tolerâncias, as fantasias, as consolações metapsíquicas, as facilidades e as tranquilizações baratas com o desejo do consumidor. Porque o que interessa ao mundo não é a verdade, mas a aparência de verdade que aconchegue do modo mais sutil e eficiente as paixões do egoísmo, que justifique e canonize a bandalheira, que proporcione “elevação mística” à crua miséria humana, sem obediência ao Deus vivo nem sacrifício amoroso.

 

 

Rev. Pe. Francisco FAUS, A Estalagem do Mundo…, 1994; in: A Língua, 2.ª ed., São Paulo: Quadrante, 1996, p. 21-23/40-44 do: “padrefaus.org.


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