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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 062 - fevereiro 1963

 

CATÓLICOS NÃO PRATICANTES

MORAL

APÓSTOLO (Salvador) :

«Volta continuamente à. baila o problema dos 'católicos não praticantes'.

Como, por exemplo, procederá o pastor de almas em relação aos fiéis que habitualmente faltam à Missa nos domingos e dias santos?»

 

Um católico que não frequenta a S. Missa nos dias de preceito, comete, aos olhos da fé, uma culpa grave. Aos olhos de quem não tem fé, ele é ao menos um incoerente, pois na prática contradiz a solene mandamento da santa Religião que em teoria ele professa.

 

Ora tanto a culpa grave (para o homem de fé) como a incoerência (para o homem sem fé) são males que revelam o desajuste de uma personalidade e que exigem, da parte dos pastores de almas, atenção especial.

 

Diante de alguém que falte habitualmente à Missa do domingo por negligência, a tendência mais espontânea é a de inculcar o preceito e a severa obrigação de o cumprir, obrigação à qual estão anexos castigos para os transgressores. Assim fazem muitos: apelam para a gravidade do dever. O que dizem está certo; contudo verifica-se que tal método pouco êxito consegue. Isto, aliás, bem se compreende: a prática da Religião não pode ser motivada pelo medo do castigo; esta base negativa é insuficiente para um valor positivo tão grande quanto é a Religião. Esta tem que ser praticada por razões mais dignas da personalidade humana, que é dotada de inteligência e amor (devendo viver da verdade e do bem).

 

Procurando, porém, examinar de perto como se comportam a inteligência e a vontade (a capacidade de amar), os psicólogos modernos afirmam — e com razão — que elas sofrem profunda influência da parte das emoções ou de afetos subconscientes. Estes muitas vezes regem a conduta do homem; não são dominados pelas faculdades superiores, mas ao contrário dominam o comportamento do indivíduo... E isto se dá sem que a própria pessoa ou algum de seus companheiros ou mestres à primeira vista o perceba.

 

Em outros termos: é difícil admitir uma só atitude do homem que seja motivada cinicamente pelo raciocínio e a força de vontade. Geralmente, a forma de pensar e deliberar do indivíduo é dirigida (ora de mais perto, ora de mais longe, ora de maneira mais evidente, ora de maneira menos evidente) pelos sentimentos, as emoções, as paixões...

 

Por isto, para dar remédio à conduta errada de determinada pessoa, verificasse hoje em dia que é preciso muitas vezes penetrar no íntimo da sua subconsciência a fim de ai descobrir os afetos ocultos que expliquem a conduta defeituosa; uma vez descoberta a raiz do mal, pode-se lhe dar o corretivo adequado, e consegue-se maior êxito na educação dos jovens ou na direção das almas.

 

De maneira especial, nota-se que os mais influentes são os afetos que se despertaram e foram formando no indivíduo em seus tenros anos, ou seja, antes mesmo do uso da razão; frequentemente marcam de modo decisivo o comportamento da personalidade. Isto é tão verídico que se tem atribuído tanto a Hitler como a Freud como também a outros homens que formaram a mentalidade do público, o adágio: «Confiai-me a criança até que complete os sete anos de idade; depois fazei dela o que quiserdes.

 

Enquanto o uso da razão não está plenamente desenvolvido no pequenino, o principal motivo que impulsiona o seu comportamento é o sentimento ou a emoção. Já se disse que a criança recém-nascida «é um pouco mais do que um feixe de sentimentos. As suas únicas necessidades são o alimento e o calor. As únicas experiências significativas da sua vida são a irritação e a frustração, quando sente fome ou frio, a satisfação, quando é bem alimentada e se sente acarinhada» (cf. Hagmaier-Gleason, Novas orientações de Psicologia Pastoral. Lisboa 1962, pág. 19s).

 

Em consequência, entende-se a grande importância das emoções que os acontecimentos imprevisíveis ou o sistema de educação premeditado despertam na criança em seus seis ou sete primeiros anos de vida; somente depois do uso da razão — e ainda assim, com muitas falhas... — é que a pessoa consegue moderar os seus afetos; antes disto, fica grandemente sujeita aos mesmos, de modo que não raro a vida intelectiva e volitiva do adulto se ressente da influência (benéfica ou maléfica) das emoções experimentadas na infância.

 

Conscientes disto, os estudiosos têm-se esforçado por descobrir as raízes emotivas, mais ou menos latentes, da omissão voluntária da Missa de domingo por parte dos fiéis. As conclusões da análise levam a apontar, entre outras causas, quatro grandes razões emotivas que podem estar causando a incoerência ou o erro na conduta de quem falta habitualmente à Missa. Caso se verifique que de fato a pessoa está sendo vítima de crise emocional, torna-se mais ou menos inútil incutir-lhe o preceito, pois isto não atinge o âmago do problema; é preciso, antes, sanear a parte afetiva ou emocional da questão.

Quais então poderiam ser as razões ocultas e profundas da ausência à Missa de domingo?

Ei-las:

 

1) Noção pouco exata do que sejam a Fé e, em geral, a Religião.

 

Em muitas pessoas a indiferença frente à Missa não é senão um símbolo da sua indiferença para com a própria Fé. O problema não consiste em assistir regularmente à Missa, mas, sim, em ter convicção do valor da Fé,... em perceber o que a Fé representa na realidade para a criatura humana e, em particular, para o cristão.

 

Está claro que exortações e repreensões, no caso, pouco resultado positivo obtêm; são incapazes de substituir o papel da convicção religiosa como tal.

O que se deve fazer com tais pessoas, é tentar uma reeducação religiosa (talvez mesmo nunca tenham recebido educação religiosa propriamente dita). Mostrar-se-lhes-á o que é Religião no sentido autêntico: entrega incondicional a Deus, entrega que naturalmente só pode ser empreendida e sustentada na fé (pois Deus é invisível) e na humildade (pois Deus é, por definição, maior do que nós). Essa entrega pode exigir sacrifícios, pode exigir imperiosamente atos que pareçam de pouca monta... Tais atos, porém, o homem religioso os cumpre sem discutir, porque sabe que não lhe é lícito «fazer» ou inventar a Religião; sabe também que, em última análise, «servir a Deus é reinar»; ... sabe que Religião não é sistema de depauperamento da personalidade (bom para quem não nutre grandes aspirações), mas é enobrecimento da criatura humana, justamente porque faz que o indivíduo saia do próprio «eu» ou do seu mundinho egocêntrico, a fim de se «dilatar» em Deus, vendo as coisas como o Senhor as vê e amando-as como o Senhor as ama. Quem tem consciência disto e, ao mesmo tempo, sabe que a S. Missa constitui obrigação religiosa — e obrigação que a Religião diz ser grave — não hesitará em cumprir esse dever: a princípio talvez o faça com ânimo um tanto alheio ou mesmo constrangido; aos poucos, porém, o Senhor Deus lhe mostrará que a verdadeira alegria do homem está em dar-se, ... e em dar-se a Deus acima de tudo.

 

Para ajudar a reajustar o conceito de Religião, pode-se aqui mais uma vez citar o adágio do sábio hindu, já comentado em «P. R.» 28/ 1960, qu. 4 : «Deus é a Unidade, fora da qual tudo é zero ou nada».

 

Com efeito, imagine-se uma série de zeros, no fim da qual esteja colocado o número 1: 000 000 000 1

Esta longa cadeia de figuras pouco significa; compreende muitos sinais, mas quase nenhum valor possui.

Coloque-se a gora o número 1 em penúltimo lugar... A série passa a valer um pouco mais : «dez» em vez de «um». E porque? — Não porque se lhe tenha acrescentado algo de novo, mas unicamente porque o algarismo «um» mudou de lugar:

000 000 0010

Deslocando-se o mesmo número 1 para o antepenúltimo lugar, a série começa a valer 100. E à medida que a unidade passa para a frente, a série cresce de valor (mil, dez mil, cem mil) até chegar a «um milhão»:

1 000 000 000

 

Surpreendente! Os mesmos sinais «zero», que nada valem, tomam significado grandioso apenas pela deslocação da figura «um»...

Algo de análogo se dá com Deus na existência do homem: se Deus é colocado no fim do programa de vida de alguém, Ele e a Religião pouco ou nada valem; tornam-se mesmo um fardo incômodo e supérfluo; a própria existência profana se torna enfadonha. Desde, porém, que com coragem a pessoa dê mais e mais entrada a Deus em sua vida, o mesmo currículo (vivido no mesmo ambiente, com os mesmos companheiros e os mesmos objetos) vai tomando significado crescente; Deus e a Religião passam a valer mais para tal pessoa e, com isto, também as criaturas são mais valorizadas; todas as coisas vão tomando sentido novo, até atingir o máximo do seu valor no momento em que Deus e a Religião são colocados simplesmente à frente ou acima de tudo. O gesto ousado, aparentemente tolo, de dar a Deus (o Invisível e o Maior) a dianteira em tudo num programa de vida encerra o segredo da verdadeira felicidade. A desgraça do homem está precisamente em colocar Deus num lugar que não Lhe convém, ou seja, após estas ou aquelas criaturas, ou após todas as criaturas; muitos mercadejam e regateiam «o seu serviço a Deus; tais pessoas enganam-se, julgando que possuem Religião e que Religião é realmente coisa que deve ser arrastada como fardo mais ou menos sufocador e odioso...

 

Remova-se este conceito caricaturado de Religião. Que tais pessoas mudem a posição de Deus em sua vida, dando ao Senhor a primazia absoluta! E elas passarão a viver com coragem e alegria, encontrando profundo prazer tanto no trato com Deus como no contato com as criaturas. Ou Deus ocupa o primeiro lugar na vida do homem ou simplesmente pode-se dizer que não ocupa lugar algum.

 

Uma vez reajustadas as noções de Deus e de Religião, não haverá mais problema de Missa aos domingos.

 

Outra causa oculta de habitual ausência ao culto sagrado poderá ser

 

2) Rebeldia contra sistema de educação religiosa muito rígido.

 

Há, sim, pessoas que dizem ter assistido à S. Missa para o resto da vida, pelo fato de haverem sido constrangidas a frequentar o ato sagrado diária ou amiudadamente em seus anos de infância. Sentem-se revoltadas e abandonam todas ou quase todas as práticas religiosas da sua juventude.

 

Está claro que, junto a tais pessoas, é vão insistir em preceitos e sanções; isto só as irrita mais. Ao pastor de almas e ao amigo benévolo compete apelar para a compreensão ou a capacidade de discernimento desses fiéis: façam-lhes ver que a Religião não se identifica com determinado sistema educacional. Se os educadores não são, em tal ou tal caso, oportunos e felizes, a Religião (que é encontro com Deus através dos homens) fica sendo, não obstante, fonte de felicidade e imprescindível valor. Não queiram, pois, essas pessoas transferir para a própria Religião o desagrado que experimentaram no contato com seus pais e mestres (talvez demasiado austeros ou pouco esclarecidos). Sirvam e amem a Deus através dos homens, não, porém, por causa dos homens.

 

Bem se vê que ninguém deve ser religioso por causa do êxito da educação que recebeu, como também ninguém há de abandonar a Religião por causa das táticas educacionais a que foi submetido.

 

Algo de semelhante se dirá àqueles que não praticam a Fé alegando que foram decepcionados pelo trato com os sacerdotes. Há, sem dúvida, ministros de Deus que procedem inoportunamente tanto em sua conduta pessoal como no desempenho da sua missão. Será preciso, porém, incutir nas almas a consciência de que os sacerdotes são meros canais ou instrumentos de Cristo; Deus se quer servir deles; Ele vem aos homens pelos homens (em particular, pelos padres), mas certamente não se deixa amesquinhar pela possível mesquinhez dos seus portadores; Deus não perde o seu valor, ainda que os homens de Deus deixem de corresponder à dignidade da sua vocação.

 

Não é a santidade dos padres que dá valor a Deus e à Religião, como também não é o pecado dos sacerdotes que pode tirar o valor a Deus e à Religião; o Senhor vem sempre aos homens pelos canais que Ele instituiu (os sacerdotes, sejam dignos, sejam indignos); por isto não nos é licito procurar união com Deus independentemente da Igreja e dos seus ministros. Desde que o padre exerça validamente o seu ministério, ele é canal, mesmo que não possua a graça em sua alma.

 

Cientes disto, os fiéis não se devem surpreender nem abater ao verificar a fraqueza de um ou outro dos Ungidos do Senhor. Em vez de criticar, procurem remediar... E a melhor forma de remediar será a oração. .. Rezem, pois, a Deus pelo seu clero.

A fim de favorecer a prece pelos sacerdotes, transcrevemos em apêndice uma bela fórmula que, além de ser oração, é verdadeira lição a respeito do modo como os fiéis hão de julgar a debilidade moral dos sacerdotes.

 

Considerem-se outrossim como possíveis causas de afastamento da Missa de domingo

 

3) Os problemas morais ocultos nas consciências.

 

Encontram-se pessoas que vivem a braços com vícios sérios, dos quais não se conseguem libertar (é o que se dá principalmente no setor da castidade). Julgam então que seria hipocrisia frequentar a S. Missa com regularidade, uma vez que não são capazes de viver plenamente de acordo com a Lei de Deus. Além do mais, sentem-se constrangidas todas as vezes que se acham em um ambiente sagrado,- pois este lhes recorda quanto a sua vida destoa do ideal. Por tais motivos, afastam-se da S. Missa ou mesmo da Religião.

 

A essas pessoas será preciso dizer que a Eucaristia não é somente — nem primeiramente — prêmio para a virtude dos homens, mas é, antes do mais, remédio que possibilita e fomenta a prática da virtude. Não teria genuíno espírito cristão quem pretendesse obter vitória sobre as suas más tendências independentemente da graça de Deus (que é normalmente comunicada pelos sacramentos). O cristão não é um «estoico pagão», espécie» de atleta espiritual que domina a natureza unicamente pelo seu próprio esforço. Por conseguinte, a genuína atitude de quem quer lutar contra seus vícios, consiste em procurar nos sacramentos a graça para os vencer: faça regularmente a sua confissão sacramental, excitando em si contrição sincera e bom propósito; a seguir, vá à S. Missa e comungue sem hesitação; o que Deus requer do pecador, é um coração contrito e humilde. Caso alguém se lhe apresente assim disposto, o Senhor não lhe recusará os meios para obter a vitória sobre o mal.

 

Vê-se assim que os problemas morais, longe de constituir obstáculo para que o cristão participe da S. Missa, devem, antes, tornar-se incentivo para que o pecador mais e mais procure o remédio da graça, a qual se obtém nos sacramentos mediante um coração sinceramente contrito.

 

O grande «paradoxo» da mensagem cristã consiste justamente em afirmar que Deus ama o pecador (embora odeie o pecado). Quando o homem se julga cheio de méritos, com facilidade crê que o Pai dó céu o ama: o amor de Deus, em tal caso, lhe parece devido, é «justificado» aos olhos da razão. O Cristianismo, porém, veio dizer ao mundo que Deus ama mesmo a quem não tem méritos, a quem possui apenas um coração vazio, destituído, sim, de egoísmo e sinceramente aberto para a graça. Certamente não é fácil crer nisto, pois tal proposição ultrapassa as mais otimistas das expectativas; requer-se muita humildade para que alguém admita essa verdade e se coloque na presença do Senhor sem título de recomendação a não ser o de pecador contrito; o amor próprio e o orgulho do homem tendem sempre a recusar o dom gratuito («não comprado») de Deus.

 

Não obstante, faz-se mister inculcar insistentemente nos fiéis esse aspecto da «Boa Noticia» do Cristianismo e, em consequência, incitá-los a procurar a graça de Deus como ela é comunicada pelos sacramentos. Não julguem que não adianta confessar-se e comungar enquanto não são puros, pois será somente pela confissão e a comunhão que se poderão tornar puros, evitando o pecado. Nem pensem que haja hipocrisia quando um pecador recebe os sacramentos, pois ninguém pode ser tido como santo ou virtuoso antes de receber o dom de Deus. Uma só coisa requer-se para que não haja hipocrisia: arrependimento sincero e firme propósito de empregar os meios necessários para evitar o pecado. Se o pecador possui tais disposições, não receie aproximar-se dos sacramentos.

 

Por fim, merece atenção

 

4) A inegável dificuldade de compreender a língua e os ritos de celebração da S. Missa.

 

Não são raras as pessoas que alegam pouco ou nada entender do que no culto católico se realiza. — Não seria pedagógico, mas antes inútil, apenas inculcar-lhes o preceito da S. Missa. Faz-se mister outrossim explicar-lhes os textos, o cerimonial e, principalmente, o significado teológico de tal celebração. Mais ainda, será necessário tornar-lhes a S. Missa mais atraente, fazendo que participem mais ativamente da mesma mediante dialogação, canto e outros meios que a S. Igreja sugere.

 

O Concilio Ecumênico pretende dar impulso notório à participação dos fiéis nas celebrações da S. Liturgia; em consequência, não pode haver pastor de almas ou catequista que não se interesse profundamente pelo movimento, possibilitando e ensinando ao povo de Deus o uso desses recursos que tanto podem atrair os fiéis à Igreja. O acesso à Liturgia não é questão de luxo espiritual ou gosto particular, mas vem a ser elemento indispensável para revigorar a piedade do povo católico. Quem não leva isto a sério, já não faz trabalho pastoral (embora julgue ser sensato e prudente); antes concorre para a atrofia da vida espiritual dos fiéis, favorecendo a tibieza e a indiferença, sem justificativa alguma.

 

Eis algumas dificuldades e sugestões de solução que se depreendem de uma análise do indiferentismo religioso de nossos dias. Possam elas merecer atenção da parte dos interessados, e muito resultado positivo se obterá em consequência!

 

 

APÊNDICE

ORAÇÃO DE UM LEIGO PELOS SACERDOTES

 

Antes de tudo, Senhor, eu Te agradeço por terem esses homens aceito tornar-se nossos vigários e missionários. Se, por acaso, tivessem preferido, como nós, uma companheira, um lar, que seria de nós? E, se isso tivesse acontecido em todo o mundo? Por isso, eu Te agradeço, meu Deus, porque lhes deste a coragem do sacrifício. Graças a eles, nós podemos ser alimentados com o Pão da Vida, podemos fundar lares sólidos, purificar nossa alma e morrer em paz.

 

Obrigado, Senhor, pelos defeitos de nossos padres... Os homens perfeitos suportam mal a fraqueza dos outros; os que estão sempre com saúde, desprezam as naturezas fracas. Tu, Senhor, viste mais claro que nós.

 

E agora, Senhor, eu Te rogo pelo ministério dos nossos padres. Que eles tenham sucessos, mas não triunfos; e, se sofrerem revezes, não desanimem. Teu sinal característico não é o sucesso nem o insucesso, mas o amor... Conserva, pois, nossos padres em Teu amor.

 

Nossos padres são uns fenômenos. De fato, eles têm de ser mestres para as crianças, psicólogos consumados para a juventude, eminentes homens de ciência e de experiência no confessionário, especialistas em questões conjugais e familiares. Em seus contatos com as pessoas cultas, devem estar a par do último romance da moda; devem também discutir com os simpatizantes do comunismo sobre o conflito entre o capital e o trabalho, até os mínimos pormenores.

 

Ia-me esquecendo de que eles devem responder na rua a todos os cumprimentos, sem distinção de pessoas; que devem responder a todos sorrindo, mesmo que o coração esteja sacudido pela tempestade e o corpo moído pela fadiga.

 

Ia-me esquecendo também de que devem ser (todos os domingos e dias de festa) oradores, cantores, instrutores, às vezes até organistas, e, durante a semana, eletricistas, marceneiros, pintores, mecânicos, ensaiadores, músicos, artistas dramáticos, jornalistas e quanta coisa mais...

 

Senhor, faze que nós julguemos estes «especialistas universais» com a indulgência exigida por seu programa incoerente e desumano. Senhor, também quero pedir-Te que nós tenhamos caridade para com os nossos padres, em pensamentos e sobretudo em palavras.

 

Se meu vigário se ocupa com Ação Católica Feminina, não digam que a paróquia é dirigida por «mocinhas». Se ele fica todo contente por estar com as crianças, não concluam que tem uma religião infantil. Se está com boa aparência, Senhor, não pensem que não se priva de coisa alguma; e, se pelo contrário está magro e pálido, não digam que anda moído de remorsos ou não está de acordo com os superiores.

 

Concede-me a graça, Senhor, de lhe perdoar os erros e os atos de impaciência. Que eu compreenda, enfim, que só tenho um vigário a suportar, enquanto ele tem todos os paroquianos às suas costas.

 

Ainda, Senhor, peço-Te que ele tenha a consolação de sentir que não é cercado de indiferença ou de hostilidade.

 

Dá-me, enfim, Senhor, a perseverança na oração pelos sacerdotes. Sem dúvida, será essa a melhor graça para mim e o dom mais útil para todos os sacerdotes. Amém.

 

Dom Estevão Bettencourt (OSB)

 


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