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PERGUNTE e RESPONDEREMOS – dez 1962

 

ALMA HUMANA e MAGNETISMO

CIÊNCIA E RELIGIÃO

FÍSICO (Belo Horizonte): «Recentemente os cientistas russos conseguiram modificar o comportamento psíquico de certos pacientes aplicando-lhes o ímã magnético. Não será isto indício de que o homem é mera matéria totalmente sujeito à ação e à reação dos elementos materiais, sem ter algo de transcendente ou espiritual dentro de si? Não seria o materialismo a conclusão óbvia das ciências modernas? »

 

Em primeiro lugar, examinaremos o trâmite preciso das experiências acima mencionadas. A seguir, procuraremos daí deduzir algumas evidentes conclusões, que o testemunho dos próprios cientistas russos corroborará.

 

1. As experiências realizadas

 

1. Uma das últimas e mais significativas provas efetuadas no setor da Psicologia se deve ao Dr. Vassiliev, membro correspondente da Academia de Ciências da U.R.S.S. e diretor do Instituto de Parapsicologia de Leningrado. Esse médico fez que um de seus pacientes entrasse em sono hipnótico, sugerindo-lhe então que era tremendo bandido. O doente, dócil como ei a, logo começou a revolver os olhos furiosos, e proferir ameaças, tomando ao mesmo tempo as atitudes de quem está armado de uma espingarda. Entrementes o clínico, sem que fosse percebido, aproximou da nuca do enfermo um fragmento de poderoso ímã magnético. Imediatamente o cenário se mudou: o doente se acalmou; sem que tivesse recebido alguma ordem ou sugestão neste sentido, passou a comportar-se como um operário pacato, consciencioso e cumpridor do dever; em vez da espingarda, parecia manejar uma enxada.

 

O Dr. Vassiliev ainda quis prosseguir na experiência, colocando dessa vez em uma das mãos do paciente um revólver, e na outra um novelo de lã. Sugeriu-lhe, a seguir, que se comportasse simultaneamente como bandido (do lado em que empunhava a arma) e como dona de casa (do lado do novelo de lã). O enfermo obedeceu sem titubear, fazendo os gestos e tomando as atitudes correspondentes às duas sugestões recebidas; estava tão compenetrado dos dois papéis que nunca os teria reproduzido com tanta exatidão se com plena lucidez de espírito tivesse a intenção de os reproduzir. À vista disto, o médico lhe aplicou mais uma vez o ímã, e com grande surpresa verificou que o lado «bandido do paciente passou a se comportar como dona de casa, ao passo que o lado, até então «feminino», exibiu a conduta de malfeitor.

 

2. Esta experiência, por mais estupenda e impressionante que seja, não é nova no setor da ciência. Com efeito, já em fins do século passado, certos estudiosos aplicavam o imã aos seus pacientes, obtendo reações assaz curiosas. Contudo naquela época semelhantes provas não mereceram grande atenção por parte dos cientistas, pois ficou averiguado que não poucos dos relatos que as anunciavam envolviam dados mentirosos ou fantásticos; daí se originou entre os sábios uma atitude de descrédito generalizado frente a todos os relatórios que falassem de semelhantes fenômenos.

 

A contribuição dos estudiosos modernos consiste apenas em ter retomado as experiências antigas dentro de quadros rigorosamente científicos, isto é, cercados de todas as cautelas necessárias para evitar mistificação ou ilusão.

 

3. Sendo assim, será útil recensear também algumas das experiências efetuadas há decênios atrás.

 

a) Os dois médicos Bianchi e Sommer levaram uma de suas pacientes a estado de sono hipnótico, sugerindo-lhe então: «Que esplêndido dia de verão vamos agora vivendo! Entremos nesse vagão ferroviário e empreendamos uma excursão! »

 

O semblante da enferma passou consequentemente a exprimir alegria; levantou-se do leito e pôs-se a caminhar, aprestando-se para sair como se estivesse um belo dia da primavera. Nesse ínterim, o Dr. Bianchi aproximou por detrás uma barra de imã, colocando-a a meio-centímetro da nuca da paciente. Esta então se perturbou; a sua fisionomia passou a exprimir pavor; finalmente exclamou:

Ó que terrível desastre! O trem saiu dos trilhos, de modo que já não podemos viajar!

 

b) O célebre psiquiatra e jurista italiano Lombroso repetiu esta e semelhantes experiências, verificando que cada um dos dois polos do imã pode ter sua influência própria. Foi o que se deu, por exemplo, com um jovem, R. P., de treze anos de idade, filho de mãe histérica; em consequência de uma lesão, sofria dos nervos; veio a contrair grave coxalgia; ao cabo de quarenta dias, quando já se sentia melhor, foi repentinamente colocado em estado de transe hipnótico, perdendo então os sentidos da dor, da visão e do ouvido; nesse estado, porém, passou a sofrer de ataques nervosos. A experiência foi repetida sucessivas vezes, registrando-se que tais ataques podiam durar alguns segundos como também várias horas. Lombroso, diante disso, resolveu aplicar o ímã, e observou que o mal desaparecia imediatamente, sempre que aplicava ao doente os dois polos de uma barra magnética; o mesmo efeito benéfico podia ser obtido pela aplicação do polo norte apenas, ao passo que o polo sul da peça magnética, aplicado exclusivamente, só concorria para agravar os males do enfermo.

 

Lombroso explorou tal gênero de estudos, auxiliado por seu colaborador Ottolenghi. Com nove pacientes os dois cientistas realizaram um total de 170 provas, chegando às conclusões seguintes: a aproximação do ímã provocava a inversão das reações alucinatórias (isto se deu em 62% dos casos estudados); a mesma aproximação não invertia, mas apenas modificava as reações não própria mente alucinatórias, como, por exemplo, as ilusões psicossensoriais (foi o que se registrou nos 38%- dos casos restantes).

 

Experiências semelhantes foram efetuadas também pelo Dr. Carlos Samson Feré, famoso psiquiatra de íins do século passado, assim como pelo Dr. Alfredo Binet, diretor do Laboratório de Psico-fisiologia na Sorbonne de Paris.

 

c) Também merecem atenção as provas feitas mediante aplicação não do imã, mas de certas drogas químicas.

O Dr. Júlio Bernardo Luys, por exemplo, membro da Academia Francesa de Medicina, em 1SS9 publicou seus resultados na obra -Leçons cliniques sur les principaux pnénomènes de l'hypnotismei. Relatou suas experiências feitas com uma pessoa histérien colocada em estado de sonambulismo; em conclusão, averiguara que a mesma substância química aplicada à parte posterior da cabeça da paciente, provocava determinadas expressões no semblante da mesma, expressões, porém, que diferiam umas das outras, de acordo com o hemisfério cerebral ao qual se aplicasse a droga los traços fisionômicos obtidos pela aplicação ao lado direito eram, sim, diversos dos que resultavam da aplicação ao lado esquerdo I. Luys repetiu suas experiências utilizando trinta e cinco drogas diferentes encerradas cm tubos rigorosamente idênticas, de modo que a paciento não podia discernir o conteúdo; os resultados eram, em todos esses casos, análogos: assim um tubo de jaborandi provocava insalivação e vultuosos suadouros na paciente; o álcool etílico produzia crises de delirium tremens <delírio convulsivo). Certo extrato de cereja causava convulsões, alienação dos sentidos e visões imaginárias. A fim de se assegurar de que tais reações não se deviam a uma mímica maliciosa ou mistificadora da paciente, Luys resolveu recorrer ao seguinte expediente: fê-la adormecer e, durante o sono, extraiu-lhe pequena quantidade de saliva, que o médico submeteu à análise química; a seguir, aproximou da nuca da enferma um tubo de pilocarpina; retirou-lhe nova dose de saliva, e analisou-a, verificando então que a cota de açúcar havia subido. Este teste parecia demonstrar suficientemente que as reações da enferma frente às drogas não eram produto de mistificação.

 

O Dr. Luys valeu-se dos resultados de tais estudos a fim de acalmar pacientes sujeitos a ataques e convulsões nervosas; pronto alívio era obtido mediante o simples contato de tubos de valerianato de amônio com o paciente.

 

d) Lombroso também fez seus ensaios neste setor: hipnotizou uma paciente e aplicou à sua mão um frasco fechado cheio de álcool.

 

Imediatamente tal pessoa apresentou sintomas de embriaguez, e veio a sofrer de perturbações nervosas, língua presa, etc. — Hipnotizou também um marinheiro epilético que podia, sem consequências, beber extraordinárias doses de álcool e cloral; durante o transe hipnótico, tocou-o com pequenos frascos de álcool e cloral; em consequência, o marujo caiu vítima de terrível crise de embriaguez. Mais ainda: trabalhando com uma pessoa que padecia de histeria, Lombroso lhe colocou nas mãos uma solução de morfina em extrato de louro-cereja; ora este simples fato provocou na enferma um estado de sono e alucinações jubilosas... Com outros pacientes, semelhantes efeitos foram obtidos pela simples sugestão do nome de certas drogas.

 

4. À guisa de ilustração, seja enfim registrada uma das notícias mais recentes divulgadas pela imprensa a este propósito:

 

As partículas de ar carregadas de eletricidade podem exercer influência importante sobre os astronautas no espaço ou outras pessoas sob tensão, aumentando-lhes a eficiência ou tornando-as preguiçosas.

 

Os íons com carga positiva, como os que são produzidos pelas lâmpadas fluorescentes, aumentam a atividade e a capacidade das pessoas sob tensão física ou mental, ao passo que os íons de carga negativa tendem a produzir o efeito oposto, segundo declarou o Dr. Allan H. Frey do Centro do Eletrônica Avançada da General Electric Company em Ithaca, no Estado de Nova York, falando numa reunião da Associação Estadunidense de Engenheiros Agrônomos.

 

Os íons de carga negativa vêm sendo usados há vários anos para curar ferimentos e outras infecções. Também já foram experimentados no combate ao câncer e outras enfermidades, e empregados de várias outras formas a serviço do homem.

 

As experiências realizadas pelo Dr. Frey indicam que os íons de carga positiva são os mais úteis e os de carga negativa geralmente usados são nocivos (transcrito do ‘O Globo’ de 28/8/62).

 

5. Experiências tais, cujo número hoje em dia é assaz elevado, levam alguns homens de ciência a admitir que os fenômenos nervosos são de natureza elétrica; há mesmo quem prefira usar o termo «Bioeletrônica» para designar a disciplina dita comumente «Parapsicologia».

O leitor, ao tomar conhecimento destes dados, não se poderá furtar ã questão:

 

2. Quais as consequências de tais fatos?

 

1. Seja logo mencionada a observação de Michel Garnier, que, na revista «Science et Vie» no 538 (julho de 1962) pág. 98, descreve as experiências de Lombroso e dos cientistas contemporâneos. O articulista lembra, sim, que tais feitos abrem mais uma via para se explicarem os fenômenos do «Espiritismo». Por falta de conhecimentos científicos adequados, tais fenômenos eram no fim do século passado atribuídos à intervenção de espíritos do Além; eram tidos como preternaturais ou sobrenaturais; em nossos dias, com o progresso da ciência, vão sendo mais e mais elucidados racionalmente; são reações da natureza humana como tal colocada em circunstâncias extraordinárias.

 

Sem dúvida, muito sábia é a observação de Garnier: nas manifestações atribuídas a dupla personalidade, por exemplo, não há em absoluto descida do algum espírito do Além nem indício de reencarnação; tudo se explica pelo funcionamento mesmo da natureza humana, tal como ela e condicionada pelos limites e as circunstâncias desta vida terrestre.

 

Contudo esta observação, por sua vez, poderia sugerir ulterior questão: mas então tudo dentro do homem é matéria?! Aquilo mesmo que se chamava «espírito» ou «psique» até os últimos tempos, não deverá ser considerado como energia elétrica ou fluido da própria matéria? Não cairemos assim no puro materialismo?

 

2. Não. Seria exagerada ou mesmo tendenciosa uma tal conclusão. As experiências da ciência moderna levam, antes, a compreender melhor o que é o homem. Em outros termos: levam-nos a perceber claramente que

 

a)   O homem possui, sim, uma parte material, que lhe é comum com os demais seres materiais (cálcio, ferro, hidrogénio, oxigênio..., carga de eletricidade, etc.). Isto o torna sujeito a reagir aos estímulos materiais que lhe sejam aplicados, ... e a reagir à semelhança das outras criaturas materiais. É também o que possibilita a fabricação de «robots» ou «cérebros artificiais»; estes são produtos da maquinaria e da eletrônica portadores de uma engrenagem material semelhante à do cérebro e por conseguinte capazes de reproduzir os efeitos que o cérebro humano produz.

 

Há, porém, uma diferença essencial entre o cérebro humano e o cérebro artificial — diferença esta que obriga a asseverar que o homem não é apenas matéria ou energia elétrica, mas que

 

b)   No ser humano há algo mais do que matéria, algo que transcende ou ultrapassa o alcance da matéria e que é chamado «espírito».

Esta diferença já foi detidamente focalizada em PeR.15/1959, qu. 1, de modo que aqui nos limitamos a recordá-la sumariamente.

O cérebro artificial executa, sim, com extraordinária rapidez uma determinada atividade (um cálculo, por exemplo) semelhante à do ser humano; mas executa-a cega e necessariamente.

 

É incapaz de conceber o próprio programa. É o operador humano quem deve pôr o problema em equação; uma vez formulada a equação (trabalho árduo que requer inteligência estritamente dita ou a faculdade de apreender proporções), a máquina dispensa o homem de fazer o cálculo subsequente; basta ao trabalhador colocar os termos da equação (sob forma de cartões perfurados, fichas, etc.) dentro da máquina e movê-la a fazer as operações programadas; estas então são rigorosamente executadas, pois a máquina jamais recusa o roteiro que lhe é imposto. Dado que o operador se engane ao colocar os elementos do problema no autômato ou ao indicar a via de solução, a máquina não percebe o erro, não corrige o homem, mas fica estritamente presa aos limites de ação que o operador humano lhe tenha determinado.

 

Em outros termos ainda se diria: a máquina é incapaz do inventar. O operador não encontra nos resultados do 'robot’ coisa alguma que não esteja implicitamente contida nos dados que ele colocou dentro do autômato. Como notava Einstein, por muito que a máquina se aperfeiçoe, ela poderá resolver todos os problemas que quisermos, mas nunca pôr um problema (pôr, isto é, formular em equação).

 

A máquina também não é suscetível de educação, ou seja, de aperfeiçoamento inspirado pela reflexão sobre sucessivas experiências. Só se aperfeiçoa na medida em que o homem, refletindo sobre as suas experiências, se aperfeiçoa.

 

Uma ilustração típica desta afirmação sugerida pelo robô que joga xadrez, ou melhor, que joga as etapas finais de uma partida, destinado a obter a vitória sobre o adversário. O robô vence sempre mediante a mesma série de lances; nem após o milésimo jogo muda o seu plano, seja para melhor, seja para pior.

Analisando um dos tipos mais modernos de máquinas eletrônicas, o chamado «Mobot, comenta R. de Narbonne na revista «Science et Vic» no 538, pág. 92»:

 

«É um aparelho de utilidade excepcional; só lhe falta realmente a capacidade de tomar iniciativas».

 

Ora justamente a capacidade de tomar iniciativas, que é própria e exclusiva do ser humano, significa que o homem vê o porquê de determinada engrenagem, percebe as relações que há entre as diversas peças da máquina, avalia as proporções existentes entre tais meios e tal fim... Assim o homem se emancipa da intuição deste ou daquele dado concreto sensível que os sentidos exteriores (a vista, o ouvido, o tato...) lhe fornecem, para perceber as proporções ou relações que se realizam cm todos os casos análogos. Por exemplo, diante da série de equações

 

2 + 3 = 5
5 + 6 = 11
8 + 9 = 17
12 + 13 = 25

 

o homem percebe s estrutura única que está «por debaixo» desses variados casos concretos, isto é, percebe a lei de proporcionalidade que rege as diversas equações acima e que ele assim formula:

 

a + (a + 1) = b
ou a + a + 1 = b
ou 2a + 1 = b

 

É tal capacidade de ultrapassar os dados concretos e individuais, fornecidos pelos sentidos, que nos leva a dizer que no homem há algo mais do que matéria; há, sim, um princípio de ação e de vida que é imaterial e que nós chamamos «espírito». Naturalmente o espírito humano só exerce sua atividade própria e só se manifesta em dependência da matéria (particularmente em dependência do cérebro, o qual é como a central eletrônica que reúne os dados colhidos por cada um dos cinco sentidos externos do homem). É o que dá a impressão de que o espírito ou a faculdade intelectiva do homem coincide com o cérebro ou com a matéria mesma; em verdade, não coincide... mas supera a matéria: contudo só se manifesta em dependência da matéria de tal modo que quando o cérebro está lesado, a inteligência fica latente ou sujeita a expressões imperfeitas e desencontradas (embora permaneça ilesa):... quando os sentidos externos e o cérebro sofrem a ação de um estímulo estranho, como seja um polo magnético, ocasionam naturalmente um comportamento novo ou estranho da própria alma ou da inteligência da pessoa afetada.

 

O materialismo, portanto, está longe de ser o sistema de filosofia que as experiências da ciência moderna sugerem; o materialismo não é consequência necessária dos progressos do conhecimento humano, mas é uma tentativa de explicação que depende de fé, depende de uma crença, e não de ciência. Sim; por mais estranho que isto pareça, a posição materialista supõe fé nos seus adeptos, como a supõe a posição idealista ou espiritualista ou cristã, É o que ensinam os próprios ateus da Rússia contemporânea, como se depreenderá do parágrafo abaixo.

 

3. O depoimento da ciência russa

 

1. Nos últimos tempos tem-se intensificado na Rússia a propaganda antirreligiosa... Seus arautos procuram utilizar os dados da ciência e as descobertas da técnica moderna para fundamentar o ateísmo e o apresentar como exigência do saber contemporâneo.

 

No mês de novembro de 1961, realizou-se, pois, em Moscou uma série de estudos sobre «os sistemas de educação cientifica ateia». Um dos oradores, M. G. Gourev, fez então a seguinte declaração:

 

«Tenho encontrado pessoas instruídas que dizem não crer no Deus antropomórfico da Bíblia e que estão de acordo conosco em criticar a fé num Deus Criador. Contudo... essas pessoas, ao abandonar a religião, não chegam até o ateísmo, mas passam por fases intermediárias, e muitas vezes aí ficam».

 

E acrescentava o motivo dessas atitudes: o ateísmo, dizia ele, não é conclusão decorrente da ciência; nada tem de científico. Com efeito, a ciência só professa o que ela observa ou verifica. Sendo assim, está totalmente inabilitada para ver ou averiguar que o mundo é eterno ou que se fez por si mesmo; por conseguinte, ela não pode provar que Deus não existe.

 

A estas observações correspondem os seguintes dizeres de um cientista da Estônia, E. Spinakine, que afirma ser ateu desde a sua infância... Este pensador em 1960 dirigiu uma carta a um colega russo, o Professor Alexandre Ossipov, que poucos meses antes, declarara abandonar qualquer crença religiosa para professar doravante o ateísmo. Em tal carta leem-se as considerações abaixo:

 

Tiveste a possibilidade de confrontar os argumentos da lógica e de comparar os fatos que militam em favor da religião, com os que militam em prol do ateísmo. E aceitaste o ateísmo na sua forma atual. Isso, eu não o posso compreender...

 

A seguir, Spinakine frisa que, ele mesmo, se considera ateu desde a infância, e prossegue:

 

Cheguei à convicção de que em sua forma atual, o ateísmo não pode pretender possuir valor cientifico. Atualmente o ateísmo parece ter renunciado a procurar a verdade, visto que ele silencia a respeito dos fatos o dos argumentos que lhe contradizem. Os ateus prometem explicar tudo, mas, já que não o conseguem, dissimulam sua incapacidade.

Não concordo com essa tática...

 

Os ateus são em favor do bom senso. É este um dos seus argumentos preferidos. Todavia, como dizem os físicos, o bom senso não é senão a experiência limitada do gênero humano, experiência limitada à qual os homens, sem o querer, dão importância generalizada. O bom senso não era — e não é — no setor da ciência um critério digno de confiança...

 

A impossibilidade de se conceber o 'perpetuum mobile' (o móvel perpétuo) foi cientificamente demonstrada: apenas os ateus não acreditam nessa impossibilidade. Conforme eles, o sistema do universo está em movimento desde todo o sempre, sem receber o mínimo acréscimo de energia. Em consequência, não sabemos quem está no erro: a ciência ou os ateus...

 

Em suas formas atuais, o ateísmo representa uma concepção pessimista que inspira desespero... É este o ponto fraco que o ateísmo dissimula... Dir-se-ia que as suas concepções não estão fundadas sobre a razão nem sobre a ciência... Não tens a impressão, tu como eu, de que a religião cristã foi a fé de ontem, o ateísmo é a fé de hoje, enquanto a fé de amanhã ainda não existe? Não tens assim a impressão de que ninguém pode viver sem fé? Encontrarias em ti a coragem necessária para renunciar às tuas atuais ideias e empreender novas pesquisas? ...

 

Como é que... ainda poderás usar da palavra em nome do progresso e da verdade, para condenar a fé de ontem, depois de teres tomado consciência de que a fé de hoje é igualmente imperfeita? Não é um dedo de fogo, mas são canetas-tinteiro que escrevem a respeito do ateísmo: 'Mené, mené, thequel, oupharsin'; o que quer dizer, se não me engano, 'Nós o ponderamos e não julgamos que merecesse fé e confiança' (documentação colhida em “Informations Catholiques Internationales no 168, pág. 20s).

 

A posição de Spinakine, assim enunciada, está longe de ser uma profissão de fé religiosa. Cabe-lhe todavia o mérito de mostrar com lealdade a inconsistência da irreligião ou do ateísmo. Também o ateu tem sua fé, crê num Absoluto, que é a matéria em perpétuo movimento ou dialética. Evidentemente, porém, essa fé do ateu é desarrazoada, ao passo que a fé do cristão não é desarrazoada; sim, uma matéria que estivesse em evolução desde toda a eternidade, deveria ter chegado desde todo o sempre ao equilíbrio ou ao repouso... Evolução eterna é contradição nos termos (evolução diz mobilidade, ao passo que eterno diz imobilidade). O eterno é necessariamente imutável ou isento de evolução! — E esse genuíno conceito de Eterno é justamente o que o Cristianismo professa quando fala de Deus.

 

Vê-se assim que a ciência moderna, mesmo como é cultivada na Rússia, está longe de fornecer suporte ao ateísmo ou ao materialismo. Na realidade, além do mundo e do homem existe Deus, e, dentro do homem, além da matéria existe o espírito, como acabamos de ver através das considerações sobre robôs e inteligência humana.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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