Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

O Mal

“os homens melhores não têm convicção; e os piores estão tomados pela intensa paixão do mal”.

William B. Yeats (1865 – 1939)

Poeta e Intelectual Irlandês

 

Boa parte dos 80 anos do psicólogo americano Philip Zimbardo foi dedicada a buscar resposta a uma questão ao mesmo tempo fascinante e assustadora: o que leva as pessoas a praticar o mal? Seu ponto de partida foi uma revolucionária pesquisa realizada nos anos 70, na Universidade Stanford: ao isolar e dividir um grupo de jovens entre guardas e prisioneiros no ambiente imaginário de uma prisão, ele constatou que os maus tratos de uns e a submissão de outros extrapolaram todos os limites. Hoje, o psicólogo tem críticas ao próprio experimento. “Foi antiético porque causou sofrimento aos participantes”, diz. No livro O Efeito Lúcifer (Ed. Record).

 

Diz Dr. Zimbardo: “Nossa mente possui uma capacidade infinita de racionalizar e justificar nossas ações. Para os nazistas, essa justificativa era a crença de que aqueles atos se faziam necessários em prol de uma causa, um “bem maior”. Outros, menos idealistas, diziam apenas estar realizando seu trabalho, e isso, para eles, tornava qualquer ação razoável. O fato é que havia milhões de pessoas em cumplicidade, prontas para exercer o mal em sua pior forma dentro de um sistema muito bem engendrado. O ditador Adolf Hitler corrompeu todas as esferas da sociedade – da educação ao judiciário – criando mecanismos de controle e dominação que o tornaram a si próprio dispensável. A meu ver, a história não mudaria seu curso se um dos planos para assassinar Hitler tivesse prosperado. A máquina para fazer o mal já estava montada, e a maioria se juntaria a ela, como sempre faz. Repare que um ingrediente essencial dessa engrenagem foi à desumanização das vítimas – no caso, os judeus. Quando isso acontece, a disseminação do mal se trivializa”. “As pessoas são, sim, responsáveis por suas ações e devem responder por elas perante as instituições de direito, mesmo que o sistema as tenha empurrado para a direção errada”.  O julgamento de Nuremberg trouxe essa questão à tona ao tratar da carnificina nazista. Os oficiais de Hitler alegavam no tribunal: “Eu estava apenas seguindo ordens, não tinha como fazer diferente”. Queriam banalizar o mal, como a filósofa alemã Hannah Arendt bem pontuou. Mas a justiça condenou a todos, enfatizando uma ideia essencial: se você prejudicou o próximo, ceifou vidas, disseminou o mal, as razões são absolutamente irrelevantes. “Você é culpado da mesma forma”, afirma Dr. Zimbardo (1).

 

“Adolf Hitler não iludiu os alemães: seus seguidores compartilhavam de suas convicções”, esclarece o remorado historiador, documentarista e escritor especialista em nazismo Laurence Reis (2).

 

Faz parte da natureza humana haver convicções maléficas, desordem e manipulação das massas a carnificina.

 

O Mal e o Perdão

 

“Hoje são muito evidentes as armadilhas do mal, que só perde sua força quando se bate com testemunhos de fé e santidade. Está provado, em toda a vigência da história, que o ser humano não consegue derrotar a violência com a agressividade nem vencer a maldade com o coração fechado à compaixão e ao perdão”.

Dom Geraldo Majella Agnelo

Cardeal Arcebispo Emérito de Salvador (3)

 

Flagelado, humilhado, pregado à cruz, Jesus Cristo ainda encontra forças, segundo conta o Evangelho de Lucas, para interceder por seus algozes: “Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem”. A beleza literária do perdão in extremis arrebata até os nãos cristãos. Mas considere-se, ao lado do Cristo de São Lucas, o Próspero de William Shakespeare. Ancião, mais ainda lúcido e vigoroso, e do alto dos poderes que tem sobre as forças da natureza, o monarca deposto de Milão encontra oportunidade de vingar-se daqueles que o traíram e se exilou acompanhado da filha pequena, Miranda, em uma ilha perdida do Mediterrâneo – e que, mais grave, assim agiram sabendo muito bem o que faziam. No entanto, Próspero perdoa até o irmão conspirador, Antônio, e o usurpador Alonso, rei de Nápoles.

 

“Próspero não é Shakespeare, mas a possibilidade de identificação é mais forte que com outros personagens”, diz o crítico A. D. Nuttall, em Shakespeare the Thinker (Shakespeare, O Pensador). Nuttall descobre uma nota de desilusão nessa peça outonal: as motivações de Próspero são obscuras, seu perdão é reticente, e a visão do mundo como um teatro de ilusões é, no limite, niilista. Esta seria, diz Nuttall, a peça de um autor que se aposenta com certa vergonha de ter dedicado a vida ao palco. Pode ser ao mesmo tempo – tal é a multiplicidade de Shakespeare – a peça também é uma celebração da humanidade. (Não do ser humano redimido pela religião, nem da criatura quase angelical que povoa os sonhos de utopistas (como Gonzalo), o nobre amigo de Próspero que, ao chegar à ilha, projeta no ar uma comunidade selvagem e idílica), mas do ser humano tal como é contingente, mesquinho – até monstruoso, como o deformado Caliban, capaz de uma poesia encantadora em suas falas.

 

Mal e Privação

Santo Agostinho constata que o mal não é um ser, não tem caráter ontológico, não tem nada de positivo, enfim ele é um não-ser. “O mal não tem natureza alguma; pois a perda do ser é que tomou o nome de mal”. Se todo o bem fosse retirado das coisas, nada sobraria, pois o mal não é uma substância como queriam os maniqueístas, é privação ou imperfeição. Portanto é impossível que o mal tenha se originado de Deus, pois Deus é aquele que dá o ser as coisas. (Cidade de Deus, IX, p. 29) (4).

Segundo Santo Tomás de Aquino, não existe maior mal, para a natureza humana, do que se privar, voluntária e conscientemente, da companhia de Deus. Este é o mal moral que se dá no contexto da liberdade e da responsabilidade humanas, como consequência de ações assentadas nos juízos da razão e na anuência da vontade. Para Santo Tomás, “mal e privação” são sinônimos. (Suma Teológica, primeira parte, questão 48, artigo 1, “ad primum”.

 

Conclusão

Sócrates via Platão (A República, Livro IX), defende que o homem que pratica o mal é o mais infeliz e escravizado de todos, pois está em conflito interno, em desarmonia consigo mesmo, perenemente acossado e paralisado por medos, remorsos e apetites incontroláveis, tendo uma existência desprezível, para sempre amarrado a alguém (sua própria consciência!) onisciente que o condena.

 

Jean Pierre Dupuy, filósofo da Escola Politécnica de Paris e da Universidade de Stanford escreveu em seu livro Por um Catastrofismo Esclarecido: “Sempre o Mal esteve relacionado com as intenções de quem o comete. Os horrores do século XX deviam nos ter ensinado que isso é uma ilusão. O absurdo é que um mal imenso possa ser causado por uma completa ausência de malignidade, que uma responsabilidade monstruosa possa caminhar junto com uma total ausência de más intenções. (...) a catástrofe ecológica maior com que nos deparamos e que põe em perigo toda a humanidade será menos o resultado de um mal dos homens ou mesmo de sua estupidez. Terá sido mais por uma ausência de pensamento (‘thougthlessness’) (...)”.

O mal toma muito espaço na sociedade devido o esquema projetado pela crise e sofrimento. A maldade é efetuada via a perturbação e componentes que desvirtuam os seres humanos do bem comum.

 

O mal tem táticas incompreensíveis e seu abismo é silencioso. O mal é praticado sem culpados visíveis. A indústria do mal é bastante lucrativa, sua discussão filosófica é interminável, sua parte na teologia é complexa e diabólica, nas ciências políticas propõem soluções ditatoriais, liberais e democráticas, na psicologia e psiquiatria lançam mão da etiologia e epistemologia para estudos do autoentendimento.

 

No alto teor da racionalidade humana, atingir a fortaleza do bem é a nossa meta. Radicalizar a bondade e extrair o mal pela raiz.

 

Já houve época em que a solução para os problemas sociais e afins era a religião, assim pensava a casta sacerdotal; para os impérios, era a dominação dos vencidos; na idade medieval, as cruzadas; no período moderno e contemporâneo, a monarquia, o protestantismo, a oligarquia, capitalismo, comunismo, democracia, fascismo, nazismo, e hoje, a ciência e a tecnologia. No entanto, no cerne de tudo isso, a maldade continua!

 

O mal silencioso não faz mártires, heróis e nem vilões. No passado, como no presente, tantas religiões, igrejas, seitas, sábios e generais, e quantos escravos, perseguições, crueldades, fome e crimes.

 

Pe. Inácio José do Vale

Pesquisador de Seitas

Professor de História da Igreja

Instituto de Teologia Bento XVI

Sociólogo em Ciência da Religião

E-mail: [email protected]

 

Notas:

 

(1)     Veja, 21/08/2014, pp. 15 e 18.

(2)      BBC-Históry Brasil, ano 1, nº 1, 2014, pp. 17 e 18.

(3)     Liturgia Diária, ano XIX, nº 227, novembro de 2010.

(4)     AGOSTINHO, Confissões. São Paulo: Paulus, 2006.

 


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 9936812)/DIA
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?87.37
Diversos  Prática Cristã  3780 Os pecados mortais mais comuns29.56
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação16.14
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo14.74
Aulas  Doutrina  1497 Ser comunista é motivo de excomunhão?14.32
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?13.50
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino13.02
Diversos  Prática Cristã  3185 Anticonceptivos são Abortivos?11.90
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas11.57
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia10.57
Diversos  Apologética  3729 Desmascarando Hernandes Dias Lopes10.53
Vídeos  Testemunhos  3708 Terra de Maria9.09
PeR  O Que É?  0565 Lei Natural, o que é? Existe mesmo?8.68
PeR  Escrituras  2389 O Pai Nosso dos Católicos e dos Protestantes8.50
Diversos  Ética e Moral  2832 Consequências médicas da homossexualidade8.24
PeR  O Que É?  1372 Eubiose, que é?8.08
PeR  Prática Cristã  1122 As 14 estações da Via Sacra7.84
PeR  Filosofia  0085 De Onde Viemos? Onde Estamos? Para Onde Vamos?7.69
PeR  História  2571 Via Sacra, qual a origem e o significado?7.42
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo7.07
Diversos  Apologética  3960 Deus não divide sua glória com ninguém?6.92
PeR  Testemunhos  0450 Eu Fui Testemunha de Jeová6.87
Diversos  Santos e Místicos  3587 Poesia de Santa Teresinha6.59
Diversos  Anjos  3911 Confissões do demônio a um exorcista6.50
A fiel e generosa disponibilidade dos sacerdotes em escutar as confissões indica a todos nós como o confessionário pode ser um verdadeiro 'lugar' de santificação.
Papa Bento XVI

Católicos Online