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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 59 - novembro 1962

 

EXISTEM RAÇAS INFERIORES?

CIÊNCIA E RELIGIÃO

 

UNIVERSITÁRIO (Salvador):«Existem raças inferiores? A emancipação dos povos da Ásia e da África não criará entraves à civilização? Os homens são ou não são iguais entre si?»

 

Já em «P.R.» 34/1960 (corr. miúda) e 46/1961, qu. 1 abordamos o conceito de raça à luz da ciência moderna : vimos que nada tem daquela rigidez que há decênios atrás lhe atribuíam; é tido como conceito assaz flutuante ou vago.

 

Ao que foi dito nos citados artigos, acrescentaremos aqui alguns tópicos que mais ainda evidenciam a imprecisão do conceito de raça; dai depreender-se-á naturalmente quanto é despropositado falar de «raça inferior» e «raça superior». A seguir, consideraremos a questão correlativa: se não há raças inferiores, não se poderia afirmar que todos os homens devem ser nivelados entre si?

 

1. Raça : conceito vacilante

 

É costume asseverar que há quatro grandes raças: a branca, a amarela, a negra e a «pele vermelha». Hoje em dia, porém, não se hesita em reconhecer que existem indivíduos amarelos de tez branca (na Coréia) assim como indivíduos de raça negra cuja tez embranquece quando mudam de clima (assim certos aborígines da Austrália).

 

Há cerca de vinte e cinco anos, ensinava-se não raro que a raça branca se caracteriza por seus cabelos castanhos ou louros, seus olhos azuis e seu nariz retilíneo, ao passo que a raça negra seria marcada por cabelos em carapinha, nariz «achatado» e lábios espessos. Em nossos dias, contudo, dá-se muita atenção ao fato de que na Suécia e na Noruega existem numerosos brancos de cabeleira encarapinhada e olhos negros; também se sabe que há habitantes da Núbia (África) cuja tez é negra como o ébano, mas o cabelo é liso e o nariz retilíneo.

 

É por isso que os antropólogos mais recentes não concordam entre si quando procuram delimitar as raças humanas. Chegam mesmo a mudar de sentença no decorrer de sua vida. Aliás, foi o que se deu já no século passado com o famoso cientista Haeckel, que em 1873 contava doze raças e em 1879 admitia trinta e quatro; em nossos dias os mais ponderados dos estudiosos não hesitam em reconhecer a existência de centenas de grupos raciais entre os três bilhões de habitantes da terra.

 

Em consequência, define-se hoje em dia um tipo racial pela presença, ora mais, ora menos acentuada, de traços que em outros tipos raciais também se encontram, variando apenas a proporção em que se acham disseminados em cada tipo. Os antropólogos desistem de assinalar confins de raças, pois, na verdade, não há nítidos limites entre elas, mas, antes, matizes que formam uma escala gradativa quase imperceptível. Os tipos humanos estão profundamente mesclados uns com os outros.

 

Destarte a noção de pureza racial, tão acariciada por certas ideologias, tem sido ultimamente considerada como um quase mito (isto é, um ideal que propriamente não existe senão na fantasia de quem o apregoa). Quase mito, sim, e não realidade, porque desde os tempos pré-históricos as migrações e, por conseguinte, os cruzamentos entre os seres humanos e os tipos raciais não cessam de se verificar sobre a face da terra: são motivados pelas circunstâncias do ambiente em que se possa encontrar uma população (modificações de clima, inundações, fome, carestia de víveres) ou também pelo espontâneo desejo que todo ser humano possui de variar..., de ganhar novos espaços vitais, de conquistar um teor de vida mais confortável... Principalmente na Europa Ocidental, península na qual se acumularam as mais variadas tribos de emigrantes, a população é mista, de maneira que se torna impossível identificar «tal população» com determinada raça. As chamadas «raças» podem e devem ser subdivididas em «sub-raças» ou «raças secundárias» numerosas. É mesmo necessário reconhecer que os tipos raciais têm existência transitória: nascem, crescem, modificam-se e desaparecem; os mesmos fatores que as criam, também as destroem.

 

Asseveram, aliás, alguns estudiosos que a própria tendência a definir e exaltar as raças constitui, de corto modo, um dos traços característicos de certos grupos raciais (é, portanto, algo de relativo ou algo que depende de determinada mentalidade). Com efeito, verifica-se que em todas as épocas da história as populações nórdicas foram mais inclinadas a distinguir raças do que as populações meridionais; na Índia, por exemplo, o sistema de castas (que é uma espécie de racismo) foi introduzido por invasores que vinham do Setentrião.

 

À luz destas idéias, talvez surja na mente do leitor uma questão à qual o racismo contemporâneo tem dedicado especial atenção:

 

2. E o primado dos arianos... ?

 

Segundo a tradição hindu, «Airyas» era um território correspondente à Pérsia Oriental, ao Afeganistão e ao Noroeste da Índia de hoje. Os habitantes dessa região teriam sido homens brancos, louros, de olhos azuis e nariz aquilino, dotados de grande estatura, que os tornava semelhantes a semideuses (de fato, encontram-se ainda hoje no Afeganistão e na Índia algumas tribos que correspondem a tal descrição: os Kaffires ou Hunzas, os Nagares, os Chitralis, os Tadjiks, os Mastujis, os Dardos e os Patãs).

 

Ora, diziam autores do século passado, as tribos da região de «Airyas» ou arianas emigraram da Ásia para a Europa no segundo milênio antes de Cristo, dando origem à raça nórdica ou «proto-nórdica» da Europa, a qual seria a raça ariana de nossos dias. O Conde de Gobineau atribuía a essa linhagem uma «esmagadora» superioridade sobre as demais ou «o monopólio da beleza, da inteligência e da robustez» (cf. «Essai sur l'inégalité des races»). Vacher de Lapouge a considerava «raça semidivina, dotada de olhos do céu e de cabelos de luz»; Hitler, em seu «Mein Kampf», asseverava que «à raça eleita dos ários tocava o direito de dispor de todos os recursos do planeta».

 

Atualmente, tais idéias vêm sendo mais e mais postas em xeque... E isto, por dois motivos principais:

 

Já o lugar de origem antigamente atribuído à raça ariana é objeto de controvérsia; julgam alguns estudiosos que tal estirpe provém das bandas do norte do Mar Negro; outros a dizem oriunda do litoral do Mar Báltico ou dos Montes Urais ou da Rússia Meridional ou dos planaltos da Hungria ou mesmo... da África Setentrional. Alguns etnólogos, como Hartmann, Mortillet e Houzé chegam a sustentar que a famosa raça ariana não passa de produto da imaginação de colegas mal orientados.

 

Mais ainda. Entre os arianos se registram duas diversas formas de crânio: a dolicocéfala (alongada) e a braquicéfala (arredondada) . Eis, porém, que, conforme as pesquisas modernas, um dos poucos traços realmente hereditários e aptos para caracterizar um grupo étnico é a forma do crânio. Já que os dois tipos ocorrem na mesma estirpe, pergunta-se: eram os ários braquicéfalos ou dolicocéfalos? As dificuldades de responder a esta questão contribuíram para pôr em dúvida a existência mesma da tão apregoada raça ariana.

 

Em conclusão, verifica-se quanto é vão falar da superioridade da raça ariana ou mesmo de qualquer raça que seja. A noção de raça, à luz da ciência moderna, é demasiado vacilante para ser tomada como sujeito de predicados categóricos. Em consequência, qualquer atitude ou qualquer política racista vem a ser condenável, não só aos olhos da consciência cristã, mas também aos do filósofo e cientista contemporâneo; é algo que o século XX, século das luzes, não pode tolerar.

 

Dito isto, porém, levanta-se ulterior questão: se não se podem admitir os conceitos de «raça superior» e «raça inferior», deverão os homens ser simplesmente nivelados entre si, de modo a se dispensar a todos o mesmo tratamento, «tratamento-padrão» estipulado pelo Estado?

 

Tal é o aspecto do problema a que nos dedicaremos abaixo.

 

3. Todos iguais?

 

A resposta a este quesito se pode formular nas proposições seguintes:

 

3.1) Se na realidade não existem raças humanas puras, fixas e estritamente delimitadas, é inegável que existem, sim, grupos raciais ora mais, ora menos diferenciados entre si.

 

Por «grupos raciais» entendem-se, no caso, populações humanas em que tais e tais caracteres são mais marcantes do que em outras. São populações, portanto, que, diante dos mesmos agentes ou estímulos externos, reagem de maneira mais ou menos uniforme ou igual.

 

A evidência dos fatos comprova esta afirmação, como se depreenderá abaixo.

 

3.2) As diferenças existentes entre as raças são diferenças de grau, e não de natureza.

 

Isto quer dizer: as diferenças raciais não são senão variações de atributos fundamentais que pertencem ao gênero humano inteiro. A configuração do corpo e as reações fisiológicas são as mesmas em todos os indivíduos humanos, não apenas quanto às suas grandes linhas, mas também quanto à maioria das suas minúcias. Em outras palavras: as diversidades raciais não destroem a unidade física, intelectual e moral da espécie humana. Todos os povos têm seus indivíduos bons e maus, capazes de se aperfeiçoar ou de se degradar, tanto do ponto de vista físico como do ponto de vista moral.

 

Eis alguns espécimes mais notáveis dessas diferenças de grau:

 

a)     desigualdades na estatura do corpo. Existem, sim, os Pigmeus, com seu porte pequenino, como também os habitantes da Patagônia, famosos por sua elevada estatura. Os habitantes do Norte da Europa costumam ser mais avantajados do que os dos Alpes ou os da bacia mediterrânea ou os semitas (o que naturalmente não impede exceções notáveis).

 

As desigualdades de estatura estão associadas a diferenças no ritmo de desenvolvimento dos indivíduos. Este pode ser mais rápido ou mais lento..., mais acentuado em certas idades, menos pronunciado em outras. Assim os negros e os Índios da América crescem mais aceleradamente nos seus primeiros anos, ao passo que os franceses se desenvolvem principalmente dos 7 aos 15 anos e meio;

 

b)     desigualdades de poder muscular. Costuma-se falar, com certo fundamento, de «raças fracas» e «raças fortes», embora estas não sejam sempre as mais corpulentas: assim, postos nas mesmas circunstâncias, os mongóis se mostram menos vigorosos do que os brancos e os negros; os indonésios, os camponeses («fellah») do Egito e alguns tipos hindus parecem particularmente débeis;

 

c)      desigualdades no funcionamento de órgãos e sistemas do organismo. É necessário, por exemplo, que todo ser vivo conserve temperatura constante no interior do seu organismo. Para prover a isto, tem grande importância o processo de transpiração: contra o acúmulo do calor em seu ]intimo, o ser humano produz o suor por meio de glândulas cutâneas, suor cuja evaporação acarreta resfriamento proporcional à quantidade de líquido segregado. Ora o número de glândulas sudoríparas varia consideravelmente em função do grupo racial (e, em última análise, do clima do respectivo «habitat»): é baixo nos esquimós e nos habitantes da Terra do Fogo; aumenta-se nos europeus, e atinge o auge em várias estirpes tropicais; em certas regiões do corpo, os negros chegam a ter duas vezes mais glândulas sudoríparas do que os brancos; os hindus, 32% mais do que os brancos, em média.

 

Submetendo, durante quinze minutos, um bantu (negro) e um branco a uma corrente de ar aquecido a 76®, Stigler obteve 173 cm3 de suor do africano, ao passo que apenas 107 cm3 do branco. Isto se explica bem, por serem as glândulas sudoríparas do negro não somente mais numerosas, mas também mais vascularizadas. Assim se entende que os negros se possam, melhor do que os brancos, defender do calor tropical e equatorial, ao qual o indivíduo de raça branca resiste menos bem.

 

d) desigualdades na reação contra certas moléstias.

 

As doenças do aparelho digestivo e dos nervos são mais frequentes entre os brancos do que entre os negros; estes, ao contrário, são mais afetados por moléstias dos sistemas circulatório e respiratório. Pneumonia, broncopneumonia, gripe, coqueluche e tuberculose atingem muito mais os negros do que os brancos.

 

Nos Estados Unidos, por exemplo, as estatísticas comunicam que de 1920 a 1924 a mortandade por coqueluche foi duas vezes mais numerosa entre os negros do que entre os brancos. No exército norte-americano, em que soldados brancos e soldados de cor estão sujeitos às mesmas condições de vida, contavam-se em 1938 quarenta casos de pneumonia entre os negros para oito casos análogos entre os brancos (cinco vezes mais, portanto). Certas pesquisas norte-americanas deram a ver que na fase da adolescência a tuberculose afeta negros e brancos na proporção de onze para um; favorecidos por igual tratamento, aqueles se curam da moléstia muito mais dificilmente do que estes. Os mulatos se comportam de modo intermediário. — Quanto aos semitas (judeus), parecem gozar de certa imunidade em relação ao bacilo de Koch: em qualquer parte do globo são muito menos afetados por tuberculose do que os não-judeus.

 

Doutro lado, porém, verifica-se que outras enfermidades, frequentes entre os brancos, só raramente ou por exceção atacam os indivíduos de raça negra: assim a difteria, a escarlatina, a erisipela. Em virtude da constituição própria de sua pele e sua mucosa, os negros quase não são atingidos por gases asfixiantes; isto foi averiguado primeiramente na guerra de 1914-18 e confirmado na campanha italiana contra a Abissínia: os invasores a principio utilizaram bombas de gás tóxico; tiveram, porém, que desistir deste recurso, em vista do resultado quase nulo assim colhido.

 

No tocante, ao daltonismo (defeito de visão que dificulta o discernimento do vermelho e do verde), está averiguado que afeta os brancos na proporção de 8%, os negros na de 4%, a os índios da América na de 2%.

Exemplos análogos poder-se-iam multiplicar.

 

3.3) Considerando-se a capacidade craniana em particular, verifica-se que ela não constitui indício de maior ou menor valor intelectual.

 

Questão especial é geralmente proposta a respeito do peso ou do volume do cérebro dos diversos tipos humanos. Os racistas, muitas vezes, apelam para a exígua capacidade craniana desta ou daquela raça para deduzir inferioridade intelectual; tal seria mesmo o argumento supremo em favor do racismo.

 

Em 1933, por exemplo, o etnólogo inglês H.L. Gordon atribuía à população negra do Kenya uma deficiência intelectual pelo fato de ter pequeno volume craniano. Anos mais tarde, porém, uma plêiade de especialistas de primeira ordem, tais como Huxley, Leakey, Steggerda, Keith, Kohlbrugge, Reezins, publicava conclusões absolutamente contrárias às de Gordon.

 

O peso do lobo frontal, tido outrora como sede da inteligência, representa 44% do peso total do cérebro tanto nos negros como nos brancos. Encontram-se, de resto, em todas as raças todas as variedades de configurações e dobras da massa do cérebro. Diferenças raciais, portanto, não se poderiam basear nesse aspecto dos seres humanos.

 

Consequentemente, em 1962 os bons autores afirmam (contrariamente ao que outrora se dizia) que peso do cérebro e capacidade do crânio nada revelam a respeito das aptidões intelectuais dos indivíduos humanos.

 

Michel Leiris observa que os cérebros de grandes pensadores foram postos na balança após a morte, verificando-se que eram mais leves mesmo do que a média comum.

 

Merecem atenção os dizeres de Aimê Michel no artigo «Les jeunes prodiges» em «Science et Vie» no 537, junho de 1962, pág. 107:

 

«Apontam-se os crânios gigantescos de Cromwell, Lord Byron, Bismarck, mas também se apontam os crânios minúsculos de Gambetta e Anatole France. Einstein nada tinha que chamasse a atenção a não ser o seu olhar e a sua cabeleira desordenada. Os crânios de Pasteur e Arago eram como os dos demais homens. Pascal chegava a ser microcéfalo; Buffon, também. A cabeça de Descartes, exposta no Museu do Homem (em Paris) ao lado da cabeça de famoso assassino, não apresenta traços diferenciais. Muitas vezes estudei o crânio de Jean Cocteau, menino prodígio... capaz de desenhar o seu próprio retrato enquanto discutia a relatividade do tempo. Verifiquei que era como o de qualquer outro cidadão» (pág. 107).

 

«Do ponto de vista da neurofisiologia, nada se parece mais com um cérebro sadio do que outro cérebro sadio, pertença ele a Einstein ou a um ciclista. A propósito, vem-nos à mente a pilhéria daquele fisiologista que dizia estar pronto a receber na Academia o primeiro estudioso que lhe mostrasse alguma diferença cerebral (característica da inteligência), mesmo usando de microscópio» (ib. 106).

 

3.4) As diferenças entre as raças são também relativas e circunscritas.

 

Em outras palavras: pode-se demonstrar a superioridade de uma raça sobre outra neste ou naquele setor particular; é impossível, porém, afirmar que essa mesma raça, pelo conjunto de suas notas características, é superior às demais.

 

Assim há fundamento para admitir que os brancos suplantam os negros por sua capacidade de raciocínio abstrato. Deve-se reconhecer, porém, que os negros superam os brancos no tocante à sagacidade ou à perspicácia de seus sentidos: experiências feitas na ilha de Jamaica, por exemplo, demonstraram que os negros percebem muito melhor pequenas diferenças de intensidade, ritmo e timbre musicais.

 

«No decorrer de observações na África, pudemos pessoalmente apreciar o verdadeiro valor moral de muitos negros, sua dedicação, seu altruísmo, sua delicadeza de alma, predicados por vezes muito mais notórios entre eles do que na média dos brancos. Segundo a palavra de Goethe, repetida por G. Pouchet, o total do orçamento é inegavelmente o mesmo em todas as raças; variam, porém, as quantias destinadas às diversas despesas» (Jacques Millot, Égalité et Races, em «Études Car- mélitaines. Les Hommes sont-ils égaux?». Paris 1940, pág. 70s).

 

3.5) As diferenças entre as raças são transitórias ou provisórias.

 

É o que demonstra a história universal: no decorrer dos séculos, a hegemonia da civilização tem passado de nação para nação, ou seja, dos Sumérios aos Egípcios,... aos Chineses,... aos Gregos,... aos Romanos,... aos Francos,... aos Germanos, povos esses dotados de características étnicas bem diferentes, todos até certo grau mestiços ou mesclados.

 

«Se os Chineses e os Egípcios tivessem julgado nossos antepassados, como nós muitas vezes julgamos as raças estrangeiras, teriam apontado entre eles vários sinais de inferioridade, a começar pela tez alva da qual muito nos prezamos e que eles talvez considerassem como indício de um definhar irremediável» (De Quatrefages).

 

«Quando os Germanos não tinham outra mansão senão as sombrias florestas, a raça amarela podia-se ter na conta de primeira do mundo» (Souffret).

 

Após estas reflexões, entende-se bem a conclusão de Gérald Mas- sadié, no artigo «Existe-t-il des races inférieures?» da revista «Science et Vie» n» 537, junho de 1962, pág. 44 :

 

«Não há propriamente raças superiores e inferiores, mas há culturas superiores e inferiores. E qual a causa disso? É o jogo da história. Do poderoso império dos Mayas, hoje apenas restam vestígios arqueológicos, ao passo que o Celeste Império (a China) de outrora renasce em nossos dias e prepara a sua bomba atômica. O declínio ou o desaparecimento de uma civilização jamais poderão habilitar alguém a julgar o valor da raça que tenha suscitado tal civilização.

 

Por isso não nos haveríamos de surpreender se, em um dos próximos anos, viéssemos a saber que foi um médico negro quem descobriu o mais eficaz remédio contra o câncer ou que foi um Chinês quem formulou a equação universal, em vão procurada por Einstein».

 

3.6) Maior pode ser a diferença que distancia individuo de indivíduo dentro do mesmo grupo racial do que a diferença que distancia grupo racial de grupo racial.

 

Afirmam os etnólogos que há, por certo, menos diferença entre um camponês do Norte da Europa e um camponês da Manchúria do que entre um cidadão inteligente e culto de Paris e seu concidadão vizinho, tarado e inculto.

 

No que diz respeito ao peso do cérebro, verifica-se que oscila bastante entre indivíduos da mesma raça. O modo de oscilar, porém, é o mesmo em raças diferentes. Assim entre os negros tem-se uma escala que vai de 1010 a 1560 gr; entre os brancos,... de 1040 a 1555 gr.

 

Donde se vê que, se, de um lado, não é lícito estabelecer discriminação racial (pois a natureza não fornece fundamento para isto), doutro lado também não é lícito dispensar a todos os homens simplesmente o mesmo tratamento, «tratamento-padrão estatal». A igualdade de tratamento há de ser não absoluta, mas relativa, ou seja, proporcional às aptidões e necessidades de cada um, pois cada indivíduo humano difere realmente do seu próximo por seus caracteres pessoais (e não por características de cor da pele, forma dos olhos, configuração dos cabelos...). Em uma palavra: a personalidade humana individual (qualquer que seja a sua raça) deverá sempre ser levada em consideração direta e respeitada ciosamente com seus direitos e deveres por qualquer legislador que não queira cometer injustiça. A sociedade, com sua organização e suas leis, existe para favorecer a expansão das diversas personalidades humanas de que ela consta, e não vice-versa.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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Dom Estêvão Bettencourt

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