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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 399 – agosto 1995

Apologética

O sentido de:

 

O DOMINGO CRISTÃO

 

Em síntese: O domingo sempre foi considerado pelos cristãos como dia comemorativo da Páscoa do Senhor Jesus e caracterizado pela celebração da Eucaristia. Já os Apóstolos atestam a observância do domingo em lugar do sábado dos judeus; assim São Paulo em 1Cor 16,2; Cl 2,16s; São Lucas em At 20,7-12; São João em Ap 1,10. O primeiro dia da semana dos judeus foi, por conseguinte, chamado kyriakè heméra, dia do Senhor (donde dominica dies, dominga, domingo). Tornou-se então o último dia da semana dos cristãos (que não tem primeira feira, mas se prolonga além do sábado). Esse dia é sempre festivo para os cristãos, proporcionando um antegozo mais denso da vida eterna pela participação na S. Eucaristia; esta não se reduz a um dever de ordem jurídica, mas vem a ser necessidade espontânea em todos os fiéis que compreendem o significado do domingo. A participação na Eucaristia exige certo distanciamento em relação aos afazeres e divertimentos absorventes; requer um ócio sagrado, rico de Deus, e derramamento da caridade sobre os irmãos carentes.

* * *

 

A espiritualidade do domingo está em declínio entre os próprios cristãos. A vida laicizada ou secularizada de muitos faz que vejam no domingo exclusivamente um dia de lazer ou mesmo um dia de oportunidades lucrativas próprias. O problema é sério, pois certamente a observância do domingo é pedra de toque da fidelidade do cristão à Lei de Deus. Eis por que desenvolveremos, a seguir, algumas considerações sobre o significado do domingo para os discípulos de Cristo.

1. FREQÜÊNCIA À EUCARISTIA

As Atas do Martírio dos Santos africanos Saturnino, Dativo e outros, no começo do século IV, referem que foram presos e processados em Abitina (África Setentrional) por terem sido depreendidos a participar da S. Eucaristia em domingo do ano de 304, durante a perseguição do Imperador Diocleciano. Interpelou então o procônsul ao presbítero Saturnino nestes termos: "Procedeste contra as ordens dos Imperadores e dos Césares ao reunir toda essa gente"; respondeu Saturnino, inspirado pelo Espírito Santo: "Celebramos a Ceia do Senhor sem nos preocupar com essas ordens". O procônsul perguntou: "Porquê?". Respondeu: "Porque a Ceia do Senhor não pode ser deixada de lado".

Seguiu-se o interrogatório de Emérito, ao qual perguntou o procônsul: "Em tua casa foram efetuadas reuniões contra o decreto dos Imperadores?". Emérito, cheio do Espírito Santo, respondeu: "Em nossa casa celebramos a Ceia do Senhor". E aquele: "Por que permites que entrem em tua casa?", Respondeu: "Porque são nossos irmãos e não poderia impedi-los de o fazer". Retomou o procônsul: "Apesar de tudo, tinhas a obrigação de os impedir". E Emérito: "Não o poderia, porque não podemos passar sem a Ceia do Senhor".

Tanto a resposta de Saturnino como a de Emérito acentuam a impossibilidade, para o cristão, de viver sem a Ceia do Senhor (Acta SS. Saturnini, Dativi et aliorum plurimorum martyrum in Africa, 304, em PT. Ruinart, Acta Mar-tyrum 1859). Donde se vê que os cristãos dos primeiros séculos tinham a convicção de não poder ser cristãos sem a Eucaristia, ainda que esta lhes custasse a vida terrestre.

 

Registra-se que muitos são os cristãos que nos dias atuais já não pensam assim, pois não dão o devido valor à S. Eucaristia. Quais seriam as razões deste problema?

- Entre outras, devem-se apontar as profundas transformações da sociedade contemporânea. Esta outrora professava os valores da fé como tal; a fé dava o ritmo à vida da sociedade; atualmente o secularismo ou a laicização torna a sociedade indiferente aos valores religiosos. Para o homem contemporâneo, o domingo já não é dominica dies (o dia do Dominus, do Senhor), em que se celebra a ressurreição de Jesus reapresentada na Eucaristia, mas é o dia em que não se trabalha ou, ao menos, não se executa o trabalho habitual dos outros dias; é, conseqüentemente, o dia do repouso, do divertimento (do jogo de futebol, da discoteca, das corridas...) ou o dia das pequenas tarefas de casa (consertos, jardinagem, mutirão...), o dia da visita a familiares e amigos que não é possível avistar durante a semana; é ainda o dia em que a família sai de automóvel para a praia ou as montanhas. Em suma, é o dia do homem, e não do Senhor, dia do qual se apropria a fim de o percorrer livremente, da maneira mais agradável possível.

Assim o domingo do secularismo deixou de ser "dia de festa religiosa" para ser dia de repouso, de tempo livre, de divertimento, o dia do homem...

Se assim é, entende-se que o domingo, como dia de repouso, possa ser substituído por qualquer outro dia da semana. Com efeito; acontece, em algumas regiões, que as pessoas trabalhem no domingo e repousem em outro dia, atendendo às exigências de um ritmo de trabalho sempre mais intenso na sociedade moderna; esta dispõe de muitas tarefas coletivas, que parecem não permitir paralisação. Nem de noite tais tarefas são interrompidas, a ponto de não se fazer diferença entre dia e noite em fábricas, usinas, refinarias, etc.

Na Itália, por exemplo, um levantamento realizado em outubro de 1983 concluía que naquele país 1.700.000 pessoas trabalhavam no domingo; muitos durante a semana trabalhavam em fábricas e no domingo nos campos. O desenvolvimento do turismo foi, em grande parte, responsável por tão elevado número de trabalhadores dominicais: restaurantes, empresas de ônibus, guias de excursões, oficiais de museus, guardas de monumentos, promotores de espetáculos trabalham mais no domingo do que em dias de semana; também os esportistas e agentes de atividades recreativas estão particularmente ocupados no domingo. Nos últimos tempos novo motivo tem sido evocado para justificar o trabalho no domingo: a indústria de certos artigos nos países ocidentais se julga obrigada a não parar nem no domingo para poder fazer frente à dos países do Extremo-Oriente (Coréia do Sul, Taiwan...), onde o número de dias de trabalho no ano é mais elevado do que no Ocidente: 300 dias úteis e 2.000 horas de trabalho por ano para cada cidadão, ao passo que na Itália, por exemplo, há 220 dias úteis e 1760 horas de trabalho anuais para cada trabalhador. Acontece também que certas indústrias necessitam de utilizar em ritmo intenso e contínuo a maquinaria respectiva, seja para pagar os custos de tal aparato mais rapidamente, seja para aproveitar ao máximo as virtualidades da mesma. Tal motivação vai-se tornando sempre mais imperiosa, pois os empresários julgam que a paralisação dominical nesta época de automação sofisticada é prejudicial à produção e dificulta a concorrência no mercado. Não querem abolir o dia de repouso semanal, mas abolir o domingo como dia de repouso obrigatório para toda a população.

É o que faz que o domingo perca seu caráter especialmente cristão, mesmo para os que professam a fé cristã. Para não falar do Brasil, onde a freqüência à Missa dominical é muito baixa, pode-se citar o inquérito realizado na França em 1994 e publicado por L'Actualité Religieuse dans le Monde, 15/5/1994: revelou que 10% dos franceses vão à Missa todos os domingos, 7% ao menos uma vez por mês, ao passo que 59% menos de uma vez por ano ou mesmo nunca. Mais precisamente: dos franceses que declararam ter religião, isto é, 75%, disseram que vão à Missa mais de uma vez por semana 2%; uma vez por semana, 12%; uma ou duas vezes por mês, 6%; nas grandes festas, 23%; somente em casos de casamento e funerais, 48%; nunca, 7%. Quanto aos jovens (entre 18 e 24 anos), somente 17% vão à Missa ao menos uma vez por mês, ao passo que 14% nunca vão.

 

2. O SIGNIFICADO DO DOMINGO CRISTÃO

O domingo cristão é caracterizado pela ressurreição de Jesus ou pela celebração da Páscoa do Senhor. Os Evangelhos dizem que na manhã do primeiro dia da semana, isto é, na manhã após o sábado, Jesus ressurgiu do sepulcro e apareceu aos seus: primeiramente a Maria Madalena, depois às mulheres que foram ao sepulcro, depois a Pedro, aos dois discípulos na estrada de Emaus, que O reconheceram na fração do pão e, ainda, aos discípulos reunidos no Cenáculo, onde lhes insuflou o Espírito Santo. Estes acontecimentos, que constituem a Páscoa cristã na sua plenitude, caracterizam para sempre o domingo. É o que explica que, desde os tempos dos Apóstolos, a comunidade cristã se haja reunido todos os domingos para celebrar a ressurreição de Jesus e participar da Ceia do Senhor.

 

Poder-se-ia perguntar: não bastaria celebrar a vitória de Jesus sobre a morte uma vez por ano? Por que no último dia de cada semana cristã? - A resposta está no comportamento do próprio Jesus: oito dias depois de ressuscitado, apareceu aos discípulos, estando presente S. Tomé (cf. Jo 20,26). Os antigos cristãos, assim inspirados, puseram-se a dedicar todo primeiro dia da semana judaica à celebração do Ceia do Senhor; é o que se depreende dos escritos do Novo Testamento mesmo: em 1 Cor 16,2 o Apóstolo recomenda que, no primeiro dia da semana (dia da assembléia litúrgica), os fiéis ponham de lado os donativos para os pobres de Jerusalém; em At 20,7-12 lê-se que no primeiro dia semana os cristãos estavam reunidos para partir o pão (celebrar a Eucaristia), quando se deu um infortúnio com o jovem Eutico. Estes textos mostram que a comemoração da Páscoa não era feita de modo meramente individual, mas em comunidade; quem presidia (no caso de Atos, Paulo) tomava a palavra para explicar as Escrituras; após o quê os fiéis "comiam a ceia do Senhor" (1Cor 11,20).

 

Esse primeiro dia da semana (assim chamado segundo a nomenclatura judaica) tomou o nome de Dia do Senhor já no século I, como atesta Ap 1,10: kyriakè heméra, donde dominica dies em latim, dominga em português arcaico e domingo em nossa língua. A Didaqué, catecismo cristão do fim do século I, fala de kyria kèkyriou, dia senhorial do Senhor (14,1) e S. Inácio de Antioquia (t 107) diz que os cristãos já não celebram o sábado, mas vivem "na observância do dia do Senhor (kathà kyriakén)" (Aos Magnesios 9,1). São Justino (+165) desenvolve a terminologia: não fala do dia do Senhor, mas, dirigindo-se a pagãos, em sua Apologia dos Cristãos, diz que "no dia do Sol... realizamos a nossa assembléia comunitária, porque tal é o primeiro dia no qual Deus, revolvendo as trevas e a matéria, criou o mundo e porque Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou da morte nesse dia" (Apologia 67,37). O dia do Sol (Sunday, Sonntag...) é, portanto, o dia da criação e da ressurreição; o verdadeiro Sol é Cristo ressuscitado; por isto Tertuliano (+220) afirma que "no dia do Sol procuramos viver na alegria (die solis laetitiam curare)" (Ad Nationes 113,1).

Vê-se, pois, que o domingo é uma instituição originária do Cristianismo; não tem origem pagã, como propalam os Adventistas do Sétimo Dia, que acusam a Igreja Católica de ter diabólicamente substituído o sábado judaico pelo domingo, dia de festa pagã. Esta afirmação é gratuita não só pelos motivos atrás expostos, mas também pelo fato de que não havia a celebração do dia do Sol entre os antigos pagãos; nem mesmo os cultores de Mitra, o Deus-Sol-Invicto, reservavam um dia da semana para o culto do Sol.

 

Deve-se acrescentar ainda que o domingo também não tem origem no judaísmo, como se fosse a transposição do sábado judaico para o primeiro dia da semana. - Quem investiga os documentos dos primeiros séculos cristãos, verifica que algumas comunidades de cristãos provenientes do judaísmo continuavam a guardar o sábado com repouso severo, mas celebravam a festa propriamente cristã (a ressurreição de Jesus) na tarde do sábado (quando se começava a contar novo dia) ou na manhã do domingo. São Paulo recomendava aos seus fiéis que não se importassem com a guarda do sábado: "Ninguém vos julgue por questões de comida ou bebida ou a respeito de festas anuais ou de Lua nova ou de sábados. Todas estas coisas são apenas sombra das que haviam de vir, mas a realidade é o corpo de Cristo" (Cl 1,16s). O sábado judaico foi interpretado pelos cristãos como símbolo do repouso eterno ou como sinal de que é preciso abster-se das obras más. Assim responde São Justino ao judeu Trifão, que acusava os cristãos de serem como os pagãos por não observar nem as festas nem os sábados:

 

"A nova lei quer que constantemente observemos o sábado, ao passo que vós, permanecendo inativos por um só dia, julgais ser religiosos... O Senhor Deus não se compraz em tal procedimento. Se entre vós alguém jura falso ou rouba, deixe de o fazer; se algum adúltero, mude a sua conduta e assim terá observado os sábados de Deus" (Diálogo com Trifão 12, 3).

Por isto podia S. Agostinho dizer que o sábado é vacatio a malis operibus (abstenção de obras más) ou é o sabbatum cordis, o sábado do coração: "Intus est, in cofde est sabbatum nostrum. - Está dentro de nós, no coração está o nosso sábado" (In Psalmum 91, 2).

A originalidade do domingo ainda é afirmada muito enfaticamente por S. Jerônimo: "Dies dominica, dies resurrectionis, dies Christianorum, dies nostra est. - O domingo é o dia da ressurreição, o dia dos Cristãos, o nosso dia" (Homilia em domingo de Páscoa).

A independência do domingo cristão em relação ao sábado judaico é confirmada pelo fato de que os antigos cristãos não davam grande importância à cessação do trabalho no domingo, ao contrário do que faziam os judeus, ciosos de observar estrito repouso. É claro que, sendo o domingo dia de Liturgia Eucarística, devia ser um dia diferente dos outros, ficando as demais ocupações subordinadas ao culto divino; todavia não se nota nos documentos antigos a preocupação com a interrupção do trabalho que tanto caracterizava a lei judaica.

O Código de Direito Canônico pode ser tido como sóbrio no tocante ao repouso dominical, se o comparamos com as prescrições da Lei de Moisés. Eis o que se lê nos cânones respectivos:

 

"Cânon 1246-§ 1. O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o mistério pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como o dia de festa por excelência...

 

Cânon 1247 - No domingo e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da Missa; além disto, devem abster-se das atividades e negócios que impeçam o culto a ser prestado a Deus, a alegria própria do dia do Senhor e o devido descanso da mente e do corpo".

 

Muito interessante é a formulação do Catecismo da Igreja Católica:

"Santificar os domingos e dias de festa exige um esforço comum. Cada cristão evitará impor, sem necessidade, a outrem o que impediria de guardar o dia do Senhor. Quando os costumes (esporte, restaurantes, etc.) e as necessidades sociais (serviços públicos, etc.) exigem de alguns um trabalho dominical, cada um assuma a responsabilidade de encontrar um tempo suficiente de lazer. Os fiéis cuidarão, com temperança e caridade, de evitar os excessos e as violências causadas às vezes pelas diversões de massa. Apesar das limitações econômicas, os poderes públicos cuidarão de assegurar aos cidadãos um tempo destinado ao repouso e ao culto divino. Os patrões têm uma obrigação análoga com respeito a seus empregados" (§ 2187).

Vejamos agora as notas principais de

3. A ESPIRITUALIDADE DO DOMINGO

Apontam-se cinco traços característicos da espiritualidade do domingo:

1) Sendo o dia comemorativo da Ressurreição do Senhor, o domingo é, por excelência, o dia da festa cristã. É o dia da nossa Páscoa ou do penhor da nossa vitória sobre a morte. O Papa Inocêncio I (+417) o qualificava como festivissimus, grandemente festivo, portador de alegria para todos. Por conseguinte, os antigos códigos de Liturgia proibiam jejuar no domingo, visto que o jejum é um exercício de penitência. A festa cristã tem seu ponto alto na celebração da Eucaristia, que se deve tornar espontaneamente freqüentada por todos os fiéis católicos. O Catecismo da Igreja assim reza:

"A Eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidados com bebês) ou dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação, cometem pecado grave" (§ 2181) ([1])

 

"A participação na celebração comunitária da Eucaristia dominical é um testemunho de pertença e de fidelidade a Cristo e à sua Igreja. Assim os fiéis atestam sua comunhão na fé e na caridade. Dão simultaneamente testemunho da santidade de Deus e da própria esperança da salvação, reconfortando-se mutuamente sob a moção do Espírito Santo" (§ 2182).

2)  Celebrando a Eucaristia nesse dia, os cristãos não apenas participam da Páscoa do Senhor, mas anseiam pela consumação daquilo que o sacramento lhes propicia; anseiam, sim, pela segunda vinda do Senhor, que rematará a obra iniciada em sua primeira vinda; por isto a Didaqué, ao propor o ritual da Eucaristia, prescrevia a exclamação (que, aliás, encerra toda a S. Escritura em Ap 22,20): "Vem, Senhor Jesus! Marana tha!".

3)  Juntamente com a "fração do pão", sempre foi lida a S. Escritura. Esta é um sacramental, que prepara o sacramento da Eucaristia. A Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística constituem um único ato de culto. Daí a exortação do Concílio do Vaticano II a que os fiéis participem da Missa inteira, alimentando-se do Pão da Palavra e (se devidamente preparados) do Pão Eucarístico:

"As duas partes de que consta, de certa forma, a Missa, a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, estão tão estreitamente unidas que formam um único ato de culto. Por isto o Sacrossanto Concílio exorta veementemente os pastores de almas a que, na catequese, instruam os fiéis diligentemente acerca da participação de toda a Missa, principalmente nos domingos e nas festas de preceito" (n° 56)

4)  O domingo é também o dia da unidade, da paz e da caridade entre os cristãos. Por isto, antes de participar da Eucaristia, devem os irmãos reconciliar-se com quem tenham estado em rixa. A Didascalia, código de Liturgia do século III, prescrevia que, quando houvesse litígios entre os cristãos, procurassem o Bispo, tido como árbitro; este devia promover a reconciliação quanto antes, para que no domingo estivessem os irmãos em paz e preparados para a Eucaristia (II, 47, 1).

A caridade cristã devia estender-se também aos irmãos mais pobres. S. Justino, ao descrever o ritual eucarístico do século II, diz o seguinte:

"Aqueles que têm alguns recursos e boa vontade, oferecem o que desejam dar; isto é recolhido e posto à disposição de quem preside à celebração; ele assim atenderá aos órfãos, às viúvas e àqueles que, por doença ou outro motivo, sofrem de indigência ou se acham presos ou viajam em país estranho; em suma, ele se encarregará de prover a todos aqueles que passem necessidade" (Apologia 67,6).

Desta prática se origina o costume de se levarem ao altar, junto com o pão e o vinho do rito sagrado, as ofertas dos fiéis aos pobres. Estes eram tão venerados que, quando na assembléia se fizesse presente um ancião, um viandante ou um pobre, todos deviam dispor-se a ceder-lhe o seu lugar para sentar-se. - O Catecismo da Igreja Católica, a seu modo, faz eco a tal norma:

"Os cristãos que dispõem de lazer, lembrem-se de seus irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direitos, mas não podem repousar por causa da pobreza e da miséria. O domingo é tradicionalmente consagrado pela piedade cristã às boas obras e aos humildes serviços de que carecem os doentes, os enfermos, os idosos. Os cristãos santificarão ainda o domingo dispensando à sua família e aos parentes o tempo e a atenção que dificilmente podem dispensar nos outros dias da semana. O domingo é um tempo de reflexão, de silêncio, de cultura e de meditação, que favorecem o crescimento da vida cristã interior" (n°2186).

5) O domingo não é somente o primeiro dia da semana (no cômputo judaico), mas é também, segundo antiga expressão cristã, o oitavo dia; é o que vem depois do sábado e o leva à perfeição, tornando-o "o sábado perfeito" (S. Hilário).

 

A epístola de Barnabé, escrita entre 130 e 140, afirma:

"Nós, cristãos, festejamos com alegria o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, tendo-se manifestado aos discípulos, subiu aos céus" (15, 8s).

Com outras palavras: o domingo oferece aos cristãos uma densa antecipação da vida definitiva; esta é simbolizada pelo número 8, visto 8 é 7+1, ou seja, a perfeição deste mundo transitório (7) acrescida da unidade da vida futura, que não conhece ocaso (1).

São estas concepções que nutrem a mente do cristão que se dispõe a refletir sobre o domingo e seu significado. É dia de tomada de consciência do que é "ser cristão", dia em que o preceito de ir à Missa deixa de ser mera obrigação para se tornar necessidade espontânea, convictamente vivenciada.

Este artigo muito deve ao editorial "La Domenica Cristiana l" da revista "La Civiltà Cattolica" n° 3463, 1/10/1994, pp. 3-14.



[1] Vê-se como é alheia a estes dizeres oficiais da Igreja a sentença de quem afirma, em seu nome próprio, que só deve ir à Missa quem espontaneamente quer ir ou que não tem valor a assistência à Missa se a pessoa a ela vai por obrigação. (N.d.R.).


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