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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 53 – maio de 1962

 

OS SANTOS e a CONFISSÃO FREQUENTE

CONGREGADO (Curitiba): “As almas mais santas são as que mais assiduamente frequentam o sacramento da Confissão. Pode-se crer que algumas já não cometem pecado leve consciente ou voluntário. Que matéria então têm para acusar tão assiduamente ? Não seria absurda a sua praxe?»

 

O assunto agora abordado tem certa afinidade com a questão das «imperfeições morais», que já foi considerada em «P. R.» 48/1961, qu 3 Trata-se, em última análise, de saber se de fato pode haver algum deslize moral que esteja isento de culpa e, por conseguinte, não seja de modo algum matéria do sacramento da Confissão.

 

Já no citado artigo de «P. R.» dissemos que a escolha voluntária de um ato menos perfeito em lugar de outro mais perfeito constitui pecado, desde que seja devida a covardia ou descaso. Pergunta-se agora se a omissão de um ato mais perfeito ou a prática de ato menos perfeito devem ser tidas como pecados, desde que o individuo proceda sem deliberar previamente ou de maneira inconsciente. Em outras palavras: a índole inconsciente, repentina, indeliberada, de uma atitude pode torná-la isenta de culpa?

Em resposta, observaremos os seguintes itens:

 

1) De maneira geral, é preciso precaver-se contra a tendência, assaz comum em nossos dias, a julgar que o pecado não existe ou, ao menos, é coisa rara; o homem moderno apresenta por vezes, frente ao pecado, uma consciência assaz embotada, como notava o Santo Padre Pio XII em uma de suas alocuções:

 

«Talvez hoje o grande pecado do mundo seja o fato de que os homens começaram a perder a noção do pecado» (Ao Congresso de Catequistas dos EE.UU.i 26/X/1946; Atti e Discorsi di Pio XII, v. VIII pág. 398).

 

Fazendo eco a estas palavras, o escritor francês E. Gilson dissertava sobre o desmoronamento da Moral em nossos dias nos seguintes termos: O que caracteriza nossa época não é a multiplicação dos pecadores, mas o desaparecimento do pecado» (cf «Documentation Catholique», 20/IV/1952, col. -457).

 

2) Em particular com referência aos movimentos da natureza ou da sensibilidade humana que antecedem qualquer deliberação da vontade e por isto parecem subtraídos à liberdade e à responsabilidade da pessoa, note-se:

 

A sensibilidade e suas tendências ou reações espontâneas são, sem dúvida, algo que o homem tem de comum com os animais irracionais e irresponsáveis. No homem, porém, a sensibilidade recebe uma dignidade própria pelo fato de pertencer a um ser racional e livre. Unida à razão, ela participa, de certo modo, da liberdade que caracteriza todo ser racional, de modo que até mesmo os movimentos espontâneos da natureza humana nem sempre são meramente «mecânicos», como se diz, nem sempre são algo de puramente biológico ou fisiológico, mas têm algo de racional, de livre, de responsável... Com outras palavras: existem atos indeliberados, no homem, que são indeliberados por culpa do individuo, ou seja, porque este, cedendo a negligência, não empregou os possíveis esforços para implantar em si o pleno domínio da inteligência e da livre vontade que ele poderia e deveria implantar. O homem foi feito, sim, para estender progressivamente o império de sua vontade livre sobre as diversas atitudes de seu comportamento. Naturalmente, isto não quer dizer que possa chegar a evitar lodo e qualquer movimento espontâneo e indeliberado. Não. Sempre ficarão, em sua conduta, ímpetos e reações que os moralistas tacharão de irresponsáveis. Contudo quem ousaria afirmar que tal ou tal impulso está totalmente isento de responsabilidade (responsabilidade ao menos atenuada ou remota)? A indisciplina geral dos sentidos frente à razão não se devem, muitas vezes, a omissões e descuidos habituais da nossa parte? Os santos tiveram, e têm, a intuição de que, se houvessem correspondido mais fielmente à graça de Deus, teriam acalmado um pouco mais a sua natureza, evitando algumas de suas desregradas manifestações. É justamente essa tibieza ou lentidão habitual, mais ou menos voluntária e covarde, que os leva a afirmar a existência de pecados que outros cristãos, de consciência menos apurada ou lúcida, não chegam a perceber.

 

Não se poderia dizer que os santos, ao falar assim, exageram ... Muito menos seria lícito asseverar que, ao acusarem tal ou tal falta aparentemente involuntária ou indeliberada, nada acusam de culpado e, por conseguinte, abusam do sacramento da Penitencia. — Pode haver, sim, casos de escrúpulos, perturbações nervosas, complexos de inferioridade doentios, etc.; contudo tais casos hão de ser comprovados, e não simplesmente pressupostos.

 

São estas as ideias que justificam o recurso e frequente dos santos ao sacramento da Confissão. Tal comportamento dos justos merece respeito, e não menosprezo, por parte de seus irmãos; a Deus e aos homens de Deus (principalmente àqueles que têm a graça de estado, os confessores) é que compete julgar as consciências, uma por uma individualmente.

 

A propósito vejam-se os textos em que São Tomás ensina que no homem a sensibilidade é “rationalis per participationem”, isto é, participa da dignidade da natureza intelectual e livre do homem: Suma Teológica I. II. qu. 46. a.4  e 6; qu. 56. a. 4; qu. 74, a. 3; II/II qu. 175, a. 2 ad 2. De Veritate qu. 25. a. 3 ad 3 e 4; De Maio qu. 7. a. 6.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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