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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 049 – Jan 1962

 

A IGREJA e o ROTARY CLUB

MORAL

SENIOR (São Paulo): «Qual a atitude da Igreja em relação ao Rotary Club?»

 

A questão já foi abordada em «P.R.» 7/1957, qu. 16. Contudo, em vista das frequentes dúvidas propostas sobre o assunto, consideramo-lo de novo aqui, a fim de o ilustrar mediante dados e documentos não citados no referido artigo.

 

Examinaremos algo das origens e da finalidade do Rotary Club, para depois averiguar como a Igreja se tem pronunciado a seu respeito.

 

1. Origens e finalidade do Rotary

 

1.1. No inicio do século XX, o advogado americano Paul P. (Harris, de Chicago, verificava com pesar a divisão de interesses ou, ao menos, a indiferença mútua em que viviam os cidadãos de sua nação : os expoentes dos diversos grupos sociais ou das diversas profissões e até muitos membros de um mesmo grupo só se encontravam raramente, e em público, limitando-se então a uma saudação meramente formal. Concebeu, consequentemente, a idéia de remediar a esse mal, fazendo que se conhecessem e estimassem mais os homens que mais responsáveis são pelo progresso da sociedade : seu plano era organizar um clube que reunisse amigàvelmente os representantes dos diversos ramos de negócios e profissões, clube onde os sócios pudessem reavivar a amizade, o companheirismo e a mútua compreensão que, quando jovens, tinham experimentado na vida de cidades pequenas, donde a maioria provinha.

 

Assim animado, aos 23 de fevereiro de 1905 convocou no seu escritório três amigos, aos quais comunicou o intento. Encontrando imediata acolhida, Paul Harris fundou então com eles o primeiro núcleo de uma nova sociedade, cujo rápido desenvolvimento ele de modo nenhum conjeturava. No período subsequente ficou estipulado que os membros do clube deveriam ser proprietários de empresas ou diretores e sócios de firmas (isto é, deveriam pertencer à camada orientadora da vida civil). As reuniões se realizariam nos estabelecimentos comerciais dos associados rotativamente, para que cada qual pudesse obter melhor conhecimento dos outros; era esse caráter rotário das reuniões que dava ensejo ao nome de «Rotary Club».

 

A iniciativa encontrou tão grande aceitação que se tornou necessário efetuar os encontros em hotéis e restaurantes, não mais nos estabelecimentos comerciais dos sócios. Até mesmo em restaurantes, em torno de uma mesa de almoço... sim, a fim de poupar tempo e evitar que alguém se eximisse de comparecer alegando falta de oportunidade (as reuniões assim só ocupariam os momentos necessàriamente subtraídos ao trabalho para almoço); os rotarianos bem percebiam que só a convivência mútua possibilitaria a confraternização, despertando confiança, estima e respeito entre os interessados ou, numa palavra... despertando o companheirismo («fellowship») que, como já disse alguém, constitui «o próprio eixo da roda dentada», símbolo universal do Rotary (ainda atualmente os estatutos do Rotary inculcam e facilitam ao máximo a presença dos sócios às reuniões do clube).

 

O movimento rotariano se foi difundindo aceleradamente : em 1937, contava 4.416 clubes, congregando mais de 180.000 sócios em cerca de 80 países ou regiões; em abril de 1954, já havia 8.169 clubes com 387.000 sócios.

 

Cada clube é governado por uma junta estabelecida pelos sócios. O conjunto dos clubes de determinado pais ou distrito é regido por um Governador. Todos os clubes rotários unidos constituem o «Rotary Internacional», cuja sede social está em Chicago, contando com Secretariados em Londres, Zurique e Bombaim.

 

1.2. Pergunta-se agora : quais os objetivos precisos do Rotary Club?

 

O folheto «Breves dados acerca do Rotary» (Chicago 1953), pág. 2, assim propõe a resposta em termos que podem ser tidos como oficiais :

 

O programa do Rotary consiste em «estimular e fomentar o ideal de servir como base de todo empreendimento digno, promovendo e apoiando:

- o desenvolvimento do companheirismo («fellowship»), como elemento capaz de proporcionar oportunidades de servir;

- o reconhecimento do mérito de toda ocupação útil e a difusão das normas da ética profissional;

- a melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e privada; e

- a aproximação dos profissionais dc todo o mundo, visando a consolidação das boas relações, da cooperação e da paz entre as nações».

 

Brevemente, diriam os rotarianos, esse programa se resume na palavra SERVIR, entendida como «ser útil sem visar emolumento material ou qualquer recompensa imediata».

 

«Servir significa, -em linguagem rotária, ser desinteressadamente útil a seus semelhantes e à comunidade; sacrificar-se no cumprimento dos deveres cívicos, prestando sua cooperação ao município, à Província, ao Estado; ser equitativo e generoso para com seus empregados e subalternos, com seus clientes e associados; antepor o bem alheio ao próprio; proceder com os outros como quiséramos que procedessem conosco» (Enciclopédia ESPASA, v. «Rotary»).

 

Mais explicitamente ainda, o Rotary tem, entre os seus lemas prediletos, o seguinte adágio : SERVICE ABOVE SELF, isto é, «dar de si antes de pensar em si». Esta norma foi concebida em oposição à corrente encabeçada pelo Diretor da Escola de Comércio de Chicago, Artur Frederico Sheldon, o qual, no início do séc. XX, preconizava : «He profits most who serves best», isto é, «mais se beneficia quem melhor serve». Tal fórmula, apregoando um altruísmo que, em última análise, era egoísmo, provocou a réplica do Rotary: «Service above self».

 

Ainda a titulo de ilustração, vai aqui transcrito um comentário rotariano do lema «SERVIR» :

 

«Servir consiste... em ser honesto, mesmo que a desonestidade não possa ser percebida ou castigada,... em agir com justiça e boa fé,... dar de si sem pensar em si,... fazer as coisas comuns (da rotina profissional) de maneira acima do comum.

 

Servir consiste cm que cada um se dedique à sua labuta com amor e carinho, procure todas as fontes de aperfeiçoamento para o seu trabalho; a fim de que o possa executar com mais exatidão, cuide de que os clientes façam a melhor aquisição possível mediante o preço estabelecido, quer se trate de simples mercadoria, quer se trate de trabalho físico ou intelectual» (Tese apresentada à IV Conferência Distrital do Distrito 124?, realizada em Livramento, RS, de 24 a 27 de abril de 1952).

 

Arvorando tal programa, Rotary costuma frisar que não constitui uma instituição de auxílio mútuo financeiro ou comercial nem uma corporação de beneficência,, de promoção da saúde pública ou da cultura, nem tampouco uma agremiação de classe que vise defender interesses comuns; é, antes, uma sociedade que estimula cada um dos seus membros a viver de maneira mais consentânea com a dignidade humana ou com as normas da ética, seja individual, seja profissional (o que naturalmente redunda em benefício de toda a humanidade).

 

Rotary afirma outrossim que não interfere no programa de alguma entidade religiosa, pois suas proposições estão em harmonia com as de qualquer credo; também não intervém nas convicções políticas de seus adeptos; são mesmo proibidas nas reuniões rotarianas discussões sobre religião ou política. Rotary espera de seus membros lealdade para com a religião e a pátria de cada um; interessa-se por tudo quanto promova a aproximação dos homens entre si e a paz internacional.

 

Rotary não quer ser sociedade secreta; não impõe a seus membros a obrigação de silenciar o que veem ou ouvem nos clubes (nisto certamente difere da Maçonaria).

 

1.3. E como se recrutam os membros do Rotary Club?

 

Já que este se propõe tão elevado ideal, é severo na aceitação de seus sócios. Não toca aos indivíduos candidatar-se ao Rotary, mas é o clube quem. após atentas sindicâncias, convida tal ou tal cidadão a fazer parte de seu quadro social. O Estatuto-padrão do Rotary Club (c. III, art. 2) estabelece os seguintes requisitos para que alguém possa ser admitido :

 

«Seja pessoa adulta, do sexo masculino, de bom caráter e boa reputação Comercial.

 

Dedique-se, como proprietário, sócio diretor ou gerente, a alguma empresa digna e reconhecida, ou ocupe posição de destaque, na qualidade de diretor com autoridade discricionária, em alguma firma digna e reconhecida, ou trabalhe como agente local ou gerente de filial de alguma firma digna e reconhecida, com a inteira responsabilidade de tal agência ou filial.

 

Podem ser admitidas outrossim pessoas do sexo masculino; de bom caráter è boa reputação profissional, que se dediquem a alguma profissão digna o reconhecida».

 

Como se vê, a condição básica para a admissão é que o candidato seja um comerciante ou profissional mais ou menos independente, de caráter ilibado e de boa reputação em seu meio.

 

A fim de proceder ao recrutamento, o Rotary faz, antes do mais, um levantamento exato das atividades profissionais existentes na cidade em que o clube se estabelece. A seguir, investiga dentro de cada profissão quais os homens mais representativos e mais-capazes de assimilar as aspirações do Rotary; a esses são então dirigidos os convites, de modo que haja no clube rotariano os elementos mais destacados de cada um dos ramos do comércio, da indústria e das profissões liberais representadas na cidade; isto permitirá que os princípios e as sugestões do Rotary se propaguem por todos os círculos influentes da população. Os Estatutos não permitem que determinada profissão predomine no clube, causando dificuldade à confraternização; por isto estipulam que nenhuma atividade tenha representação mais numerosa do que o correspondente a lOVe da totalidade dos sócios.

 

Eis em rápidas linhas como se apresenta ao público o Rotary Club. Vejamos agora

 

2. A atitude geral da Igreja perante o Rotary

 

A hierarquia da Igreja aos poucos teve que tomar posição frente ao Rotary Club.

Aos 4 de fevereiro de 1929, a S. Congregação Consistorial (órgão oficial da Santa Sé), respondendo a uma consulta, declarava não ser conveniente («non expedit») que os bispos permitissem aos clérigos tornar-se membros do Rotary ou tomar parte nas reuniões deste («Acta Apostolicae Sedis» XXI [1929] 42). Os motivos da decisão não eram indicados. Como quer que seja, a medida visava apenas os eclesiásticos, limitando-se a tachar de inconveniente a sua matrícula no Rotary ou a sua presença em assembleias rotarianas. Daí nada se seguia com relação aos fiéis leigos.

 

Por ser assaz lacônico, esse pronunciamento foi diversamente entendido pelos bispos do orbe católico; aos 12 de julho de 1930, o episcopado holandês houve por bem proibir mesmo aos leigos a adesão ao Rotary; doutro lado, a «Quinzaine Religieuse de Savoie» a autorizava expressamente (cf. «Semaine Religieuse» n» 29, novembro de 1929).

 

Em consequência, a Santa Sé, de novo interrogada, voltou ao assunto, publicando em 1951 o seguinte decreto do Santo Ofício :

 

«Esta Suprema e Sagrada Congregação foi interpelada sobre a questão : será lícito que os católicos se filiem à Associação que se chama Rotary Club ? Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais encarregados da proteção da fé e da moral, após ter ouvido os pareceres dos Reverendíssimos Senhores Consultores, decretaram na sessão plenária de quarta-feira 20 de abril de 1950 o seguinte:

 

Aos clérigos não é permitido associar-se ao Rotary Club nem assistir às suas reuniões.

 

Os leigos sejam advertidos de que devem observar as prescrições do cânon 684 do Código de Direito Canônico.

 

E no dia 26 de dezembro Sua Santidade Nosso Senhor Pio XII, pela Divina Providência Papa, em audiência concedida ao Exmo. Sr. Assessor do Santo Oficio, aprovou e mandou publicar a resolução dos Eminentíssimos Padres.

 

Dado em Roma, na sede do Santo Oficio, aos 11 de janeiro de 1951.

 

(a) Marinus Marani, Notário da Suprema e Sagrada Congregação do Santo Oficio».

 

Eis o citado cânon 684, que o decreto corrobora :

 

«Os fiéis são dignos de louvores quando se agregam a associações fundadas ou, pelo menos, recomendadas pela Igreja. Evitem, porém, associações secretas, condenadas, sediciosas, suspeitas ou que tentam subtrair-se à legitima vigilância da Igreja».

 

Lembrando aos fiéis este cânon 684, o Santo Oficio não entende classificar o Rotary entre as sociedades secretas nem entre as condenadas. mas, sim, entre «as suspeitas e as que tentam subtrair-se à legítima vigilância da Igreja».

 

A determinação do Santo Ofício ainda foi ulteriormente elucidada por um comentário publicado em «L'Osservatore Romano» de 27 de janeiro de 1951 («Chiarimenti a proposito dei Decreto dei S. Ufficio»). Eis os seus dizeres :

«De diversas partes foi pedido um esclarecimento com respeito ao valor do recente decreto do S. Oficio referente ao Rotary Club. Isto pareceria exigido pelo fato de que deste mesmo decreto foram feitas interpretações diferentes e, por vezes, opostas, de uma parte minimizando-o, de outra parte aumentando-lhe o valor e as consequências.

 

Convém ter presente antes do mais que, no tocante aos sacerdotes, já existia uma diretiva da S. Congregação Consistorial, datada de 4 de fevereiro de 1929, que à dúvida «se os Ordinários poderiam permitir aos eclesiásticos inscrição no Rotary ou participação em suas reuniões» .respondeu : «non expedires. O S. Ofício com o recente decreto esclarece que se trata de iliceidade.

 

Naturalmente, a proibição dada aos sacerdotes... (proibição que foi muito bem compreendida pelos próprios leigos, cm consideração da natureza e dos fins de tal associação, estranhos aos fins da missão sacerdotal) deve ser entendida em sentido limitado às reuniões exclusivas dos membros do Rotary e enquanto tratam de seus negócios econômicos e profissionais. Não se estende, portanto, às reuniões que, conquanto organizadas pelo Rotary, são franqueadas também aos estranhos para fins relacionados com a atividade sacerdotal como, por exemplo, promover iniciativas de beneficência ou de caridade.

 

Quanto aos leigos, o decreto do S. Ofício não contém uma proibição, como a tem para os eclesiásticos, mas se limita a exortá-los a se regerem pelo dispositivo do cânon 684 do Direito Canônico, o qual em sua parte positiva louva os fiéis que dão seus nomes e seu apoio às associações constituídas pela Igreja ou recomendadas por esta, e na sua parte negativa põe de sobreaviso no tocante às associações às quais se possa aplicar uma das qualificações enunciadas no mesmo cânon.

 

É errôneo crer que, citando tal cânon, se queira atribuir ao Rotary cada uma das qualificações nele enumeradas, como fizeram alguns jornais, com evidente desconhecimento do Direito Canônico. Pitra se desaconselhar aos fiéis que pertençam a uma associação, basta que a esta possa ser aplicada uma daquelas qualificações ou, de modo particular, que essa associação, do ponto de vista católico, deva ser considerada suspeita.

 

No nosso caso, a diretiva dada pelo S. Ofício parece justificada em linha geral pelo espírito leigo e arreligioso que caracteriza o Rotary, mesmo no que concerne aos problemas para os quais os católicos não podem prescindir dos ensinamentos da Igreja Católica, como são, por exemplo, os problemas de ordem moral e de justiça social.

 

Esse espírito leigo e o indiferentismo que fàcilmente dele se deriva, prestam-se a que se infiltrem no Rotary elementos maçônicos e anticlericais, como de fato aconteceu em alguns países, nos quais, em virtude de predominante influência maçônica, a ação dos clubes foi desenvolvida contra a atividade e os objetivos da Igreja. É preciso, porém, acrescentar que tais circunstâncias não se registraram em outras nações, onde. pela influência de dirigentes ou de membros bem dispostos para com a Igreja, a atitude do Rotary foi, na prática, de tolerância e de benevolência para com os interesses da Religião. Assim se explica porque, enquanto o episcopado espanhol, o holandês e o de algumas nações da América Latina publicaram diretivas severas concernentes ao Rotary, em outras nações os bispos toleraram que os fiéis a ele pertencessem.

 

Cabe à clarividência daqueles que têm o encargo de dirigir espiritualmente os fiéis, isto é, aos bispos, determinar se, no caso concreto, na própria diocese, o Rotary deva ser considerado como associação suspeita. É claro que onde a suspeita exista, os bispos deverão exortar os católicos a não pertencer ao Rotary. Onde, pelo contrário, não exista tal suspeita, seja por motivo de provas dadas no passado, seja por razão de sérias garantias que os dirigentes do Rotary tencionem dar, os bispos podem abster-se da exortação em palavras, uma vez que para esta faltaria o motivo».

 

O laicismo do Rotary e suas nocivas consequências já foram explanados em «P.R. 7/1957. qu. 16.

 

As conclusões práticas de todos esses comentários foram finalmente formuladas em quatro itens pelo Pe. G. B. Guzzetti no artigo «Rotary» da «Enciclopédia Cattolica». Città dei Vaticano X (fevereiro de 1953) 1398 :

 

«Atualmente deve-se, pois, concluir :

 

1.   Os clérigos e os religiosos não se podem inscrever no Rotary. Ainda que não inscritos, não podem tomar parte nas reuniões especificas do Rotary, em que tratam dos problemas econômicos e profissionais da associação.

 

2.   Os leigos ficam advertidos de que lhes pode advir algum perigo espiritual pelo fato de pertencerem ao Rotary. A neutralidade que o Rotary proclama, pode fàcilmente tornar-se autonomia face aos ensinamentos da Igreja, mesmo no setor da fé e dos costumes; isto, sem dúvida, favorece a infiltração de elementos maçônicos e anticlericais. Dado que tal perigo não se verifique, não há dificuldade contra a inscrição dos católicos no Rotary.

 

3.   O juízo concreto sobre o assunto não fica a critério de cada um dos fiéis, mas é entregue aos Srs. bispos. Por conseguinte.

 

4.   Nos lugares onde os bispos não declararam expressamente que o Rotary deva ser considerado como associação suspeita, os leigos poderão permanecer nele com a consciência tranquila.»

 

Como se vê, atualmente a Santa Sé entrega ao julgamento dos Srs. bispos de cada país a questão de saber se é licito aos fiéis leigos pertencer ao Rotary ou não. Surge então a dúvida :

 

3. Qual a atitude do episcopado no Brasil?

 

No Concilio plenário brasileiro realizado em 1939, o Episcopado nacional houve por bem enumerar o Rotary entre as atividades suspeitas, a propósito das quais os fiéis se devem acautelar:             

 

«Conforme o teor do cânon 684, os sacerdotes e especialmente os párocos exortem os fiéis a darem seus nomes às associações eretas pela Igreja ou ao menos recomendadas por ela, a se acautelarem contra as associações condenadas ou suspeitas, como, por exemplo, são a Associação Cristã de Moços, protestante, e a outra associação chamada «Rotary Club» ou «dos Rotarianos»».

 

Destas palavras se segue que no Brasil um fiel católico não pode, de consciência tranquila, pertencer ao Rotary (a menos que, para isto, tenha recebido explícita autorização) .Contudo faz-se mister lembrar que o- decreto' do Concilio plenário não é irreformável; ao contrário, ele versa mesmo sobre uma matéria capaz de apresentar novas e novas modalidades no decorrer dos anos. Desde que não haja mais razão para que o Rotary continue a ser tido como associação suspeita, os bispos do Brasil podem suspender ou revogar a reserva acima enunciada. E, para que realmente não haja mais motivo de suspeita, basta que o Rotary demonstre de maneira estável respeitar, tanto na teoria como na prática, os princípios da fé e da moral católicas.

 

O Episcopado do Rio Grande do Sul declarava, aliás, em sua «Advertência» publicada em «Unitas», revista oficiai da Província Eclesiástica do Rio Grande (junho de 1951) : «A Igreja não condena como intrinsecamente mau o movimento do Rotary Club e as associações que "o compõem».

 

A esta afirmação faz eco a frase do Rev. Frei Martinho Gillet O.P., Mestre Geral dos RR. PP. Dominicanos, que em carta ao Rev. Pe. Oscar de Oliveira (hoje DD. Arcebispo de Mariana) escrevia no ano de 1941:

 

«Les Rotary valent pratiquement ce que valent leurs membres. — Os clubes rotarianos valem pràticamente o que valem os seus membros».

 

É de crer mesmo que, com a entrada de membros católicos (devidamente autorizados pelo prelado diocesano) nos Rotary Clubes, estas entidades tomem orientação cada vez mais construtiva e benemérita tanto para os interesses civis como para os interesses religiosos do Brasil.

 

O Concílio plenário brasileiro não tinha ante os olhos, para julgar o Rotary. senão certos fatos em que a atitude rotariana bem sugeria ser o Rotary uma sociedade suspeita.

 

Assim sabe-se, por exemplo, que a Primeira Convenção Rotária, de 8 a 10 de dezembro de 1927, propôs teses públicas favoráveis ao divórcio. O Rotary apoiou o malthusianismo (cf. Revista Rotariana Brasileira m 17, ano II, 1927. pág. 3-7), o racismo (conferência do Sr. Otto Rothe aos 17 de janeiro de 1934 em Belo Horizonte), assim como a cremação de cadáveres (cf. P. Ruffier, Rotary e a Igreja, em «Estudos», dezembro 1954, pág. 73).

 

Possa a recordação de tais fatos ser cancelada pelo registro de numerosos outros acontecimentos (dos quais vários já podem ser apontados) em que se evidencie a harmonia dos princípios rotarianos com os da Santa Igreja de Cristo.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 


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#0•A2964•C660   2015-03-31 21:41:56 - Convidado/[email protected]
Eis o citado cânon 684, que o decreto corrobora :

«Os fiéis são dignos de louvores quando se agregam a associações fundadas ou, pelo menos, recomendadas pela Igreja. Evitem, porém, associações secretas, condenadas, sediciosas, suspeitas ou que tentam subtrair-se à legitima vigilância da Igreja».

Acredito que o Sr. deve ter se equivocado quanto ao Canon 684, pois não diz respeito a este assunto. Qual seria o correto? Abaixo o Canon retirado do Vaticano na lingua portuguesa.

Cân. 684 — § l. O religioso de votos perpétuos não pode transitar do própri......

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