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A Eucaristia me converteu!

Escrito por Kenneth J. Howell

 

Assim que me ajoelhei na Catedral de São Pedro na Missa Diária, meu coração se esforçou para saber o que Deus queria que eu fizesse. O ano passado abriu meus olhos para a beleza da Missa e para a verdade da Fé Católica, mas eu não poderia me tornar católico. Como eu poderia desistir do que eu tinha trabalhado tão arduamente para realizar? Agora que eu fui bem sucedido no que eu sempre quis fazer, não seria tolice caminhar para longe de tudo? O que aconteceria se minha esposa não fosse ou não pudesse me seguir em minha jornada espiritual? Deveria eu por meu casamento em risco ou nossos filhos em confusão? Eu simplesmente não sabia o que fazer ou para onde estava indo em minha vida.

Naquele dia a Missa foi a mesma havia conhecido no ano passado. O que parecia esquisito e estranho era agora precioso e convidativo. Tão convidativo foi que senti como se um imã gigante me puxasse para algo maior que eu mesmo. Quando chegamos ao rito da comunhão, o padre levantou a hóstia para todos verem e disse estas palavras: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor, eis o cordeiro de Deus que tira o todo pecado do mundo!”.

Como muitas vezes tinha visto esta hóstia antes! E como muitas vezes eu tinha acreditado naquelas palavras em minha alma! Mas hoje foi diferente. Assim que olhei para hóstia nas mãos do padre, as palavras brotaram da minha alma alcançando meus lábios. Com um pequeno sussurro eu disse a mim mesmo: “Eu realmente acredito nisso. Isto é realmente o Filho de Deus, o Cordeiro do sacrifício que levou os meus pecados.” Com um novo e profundo sentido eu disse com a congregação: “Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo.” Assim que deixei a igreja de São Pedro em Jackson, no Mississippi naquele dia, eu soube profundamente em meu coração que eu havia me tornado católico.

Aquele dia foi um auge e um começo. Eu tinha estudado a Eucaristia intensamente por dois anos e compreendi que Cristo tinha uma intenção em suas palavras, “Isto é o Meu Corpo”, que deve ser levada a sério e sabia que a fé cristã não foi uma teoria acadêmica, mas deve ser seguida com todo o vigor.

Desde 1988 ensinava num seminário presbiteriano. Dez anos antes eu tinha sido ordenado ministro presbiteriano após completar o colégio e o seminário durante aqueles dez anos, minha esposa e eu recebemos três maravilhosos presentes: Rebekar, Colin e Rachel. Naqueles mesmos anos forte foi a emoção quando me tornei pastor de duas pequenas igrejas, uma na Flórida e outra em Indiana. Meu trabalho mais intenso naquele período foi obter o grau do doutorado em linguística. Após pós graduado, meu pastor de infância que foi meu reitor do seminário presbiteriano, chamou-me e perguntou se eu tinha algum interesse em ensinar linguagem bíblica e literatura em sua faculdade de teologia. Assim, pegamos nossas coisas em agosto de 1988. Eu fiquei convencido de que estava a ponto de fazer o que sempre quis em toda a minha vida. Eu queria ensinar a jovens e moças que se preparavam para as várias formas de ministérios na tradição presbiteriana. Tornar-me católico era a última coisa imaginável, era impossível!

Eu nasci e criado em Tampa, Flórida, o terceiro de quatro filhos. Meus pais nos criaram na Igreja Presbiteriana e estive ativamente envolvido em nosso vibrante grupo de jovens durante a minha adolescência. No meu ultimo ano do colégio eu tive uma genuína experiência de conversão. Daquele tempo em diante eu estava determinado a me tornar ministro presbiteriano apesar de minha tendência intelectual sempre sugerir um trabalho acadêmico como teólogo. Eu assumi aquela minha inclinação próxima e o dom de aprender línguas foi uma confirmação clara daquele chamado desde que soube que teólogos tinham que se familiarizar com linguagens antigas. Por dois anos eu frequentei o Convenant Colllege, uma experiência que aprofundou a minha vida espiritual consideravelmente. Eu era cercado de cristãos devotos que conheciam bem a bíblia. Todos os meus professores me encorajaram  no meu movimento a respeito da teologia. Mais importante, eu conheci minha esposa de 28 anos no primeiro dia de nossa iniciação de calouros. Não levou muito tempo para eu me apaixonar por Sharon Canfield e sua família.

 

Após estarmos separados nos últimos dois anos de nossa carreira no colégio, Sharon e eu nos casamos em 21 de dezembro de 1974 na maior igreja presbiteriana da Flórida, com o mais alto coral da Igreja Presbiteriana. Durante os anos decorrentes, Sharon provaria ser tão bonita por dentro quanto ela era por fora. Como todo casal nós tínhamos nossos momentos, mas sua fidelidade, sua personalidade calma, sua tendência amorosa provou ser a quieta origem da força que eu estava desesperadamente precisando tanto.

Quando olho para trás agora, ela foi de longe melhor esposa para mim do que eu fui marido para ela de forma que eu não pude então articular. Eu estava provido com um exemplo de fidelidade que me ensinou quase imperceptivelmente como seguir a Cristo. Durante o tempo de meu ministério pastoral, Sharon me deu livremente seu tempo e se esforçou em apoiar e seguir meu trabalho. Muitas pessoas que teriam desistido, venceram pela sua gentileza e maneira de amar. E ela esteve feliz quando nos mudamos para Mississippi em 1988 porque ela sabia que ensinar em educação colegial era o que eu sempre quis fazer.

 

Um coração católico e uma cabeça protestante

Durante aqueles anos de ministério pastoral (1978-1988), ocorreram dois eventos importantes, prenúncios de minha futura jornada à Igreja Católica. O primeiro foi um sermão que eu preguei na Igreja Presbiteriana da Esperança em Bradenton, Flórida. Um domingo eu estava pregando o Salmo 100 e focalizei as palavras do quarto verso: “Entrai cantando sob seus pórticos, vinde aos seus átrios com  cânticos;  glorificai-O e Bendizei o Seu nome”. Desde que almejei pela minha congregação entender a verdadeira natureza da adoração cristã, eu pedia a eles para fecharem seus olhos e imaginarem-se no céu com Deus. Lá eles encontrariam um grande número de anjos. E lá eles se juntariam com todos os santos, os cristãos das gerações passadas que serviram a Deus fielmente.

Lá eles ouviriam incessantes canções louvando o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Então pedia que imaginassem o telhado de nossa pequena igreja abrindo e esta celestial multidão de anjos e santos descendo em nosso meio. Esta união do céu e da terra, eu disse a eles, era a essência da adoração cristã. Nesse tempo, eu não tinha ideia de que isso era o que a Igreja Católica ensinava na Missa. Eu achava que a única maneira para nós cristãos de vivenciar esse tipo de adoração era senti-la dentro de nossos corações.

O segundo evento foi uma conversa que tomou lugar por volta de 1986. Um casal de católicos tinha visitado a nossa igreja presbiteriana em Bloomington, Indiana por algum tempo. Eu acho que eles gostaram meu ensino bíblico tão bem quanto a amizade que minha esposa desenvolveu com a mulher. Quando os visitei em seu lar uma noite, eles me disseram que eram católicos e que eles estavam indo à missa toda semana, assim como assistiam nosso serviço de adoração. Quando eu ouvi isso, eu respondi a eles que nós presbiterianos éramos católicos também. Eles ficaram confusos. Eu continuei explicando que no coração de um protestante reformado estava a questão, “quem eram os verdadeiros católicos”? Eu disse a eles que eu não rejeitei o título “católico” ao todo. De fato eu disse a eles que foram os católicos romanos que se separaram da antiga fé católica. Eu dei a eles a versão da historia que aprendi no seminário. O propósito da reforma não foi romper com a igreja, mas trazer de volta seu original propósito de pregar o evangelho. Os primeiros séculos da cristandade eram mais do gosto das igrejas evangélicas modernas do que as igrejas católicas romanas modernas, eu insisti. Se eles queriam ser verdadeiros católicos, eles deviam se tornar presbiterianos. Isso foi o que São Paulo e os outros apóstolos tinham ensinado. Calvinista como um proeminente presbiteriano, expus que a cristandade surgiu por si própria. Eu sinceramente acreditava que estava seguindo os passos de São Paulo na linha dos crentes da primitiva igreja como Santo Agostinho. Eu não desprezei a história da igreja; eu a honrava. Somente mais tarde eu viria a compreender que o que eu honrava era uma versão protestante daquela história. No meu coração, eu queria ser um verdadeiro católico, mas a minha crença na minha cabeça não me permitia.

 

Explorando a eucaristia

 

Por volta de 1990 eu comecei a ensinar um curso no Seminário Teológico Reformado chamado “exegese bíblica avançada” o qual eu era livre para organizar da forma que escolhesse. Desde que os sacramentos celebrados tivessem menos importância nas igrejas presbiterianas, eu queria que meus alunos tivessem uma profunda apreciação pela Ceia do Senhor, nome usado da Eucaristia pelas tradições protestantes. Minhas intenções originais não tinham nada a ver em me tornar católico. Simplesmente queria explorar os fundamentos históricos e bíblicos desse sacramento. Durante esse curso, eu e meus alunos traduzimos relevantes porções das Escrituras do Grego e Hebraico. Nós lemos a história da doutrina cristã sobre este sacramento. Começamos com os Pais da Igreja primitiva como Inácio de Antioquia e Justino Mártir. Lemos os teólogos medievais como Tomás de Aquino e Boaventura. Lemos os luteranos, os calvinistas e os modernos católicos romanos. O ultimo documento histórico que lemos foi a encíclica sobre a Eucaristia do Papa Paulo VI intitulada Mysterium Fidei. O efeito desta pesquisa e ensino foi inesperado.

 

Eu entrei na profunda história da instituição das passagens nos Evangelhos (Mt 26, Mc 14 e Lc 22). Eu concluí que era impossível rejeitar a ideia do Sacrifício da Eucaristia. Eu sabia que a tradição reformada tinha rejeitado a missa como o verdadeiro sacrifício porque viu a missa como competição com o único sacrifício de Cristo no Calvário. Além disso, cheguei a ver o que Paulo queria dizer sobre o culto cristão ser sacrifical quando ele disse em I Cor. 10, 14-16: “Portanto caríssimos fugi da idolatria. Falo como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que digo. O cálice de benção, que benzemos, não é a comunhão com o sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão com o corpo de Cristo?” Este texto era o contexto de Paulo falando sobre comer a refeição sacrificada nos templos pagãos. Sua exortação não é para participar daquelas refeições que foram baseadas na refeição eucarística. É como se Paulo estivesse dizendo que nós cristãos tivéssemos nossa própria refeição sacrifical. Eu perguntei a mim mesmo como minha própria tradição reformada poderia rejeitar a associação do sacrifício com a eucaristia se estava profundamente implícito nos textos bíblicos. O que me impressionava especialmente era como os antigos documentos cristãos disponíveis da eucaristia ensinavam o que a Igreja Católica ensina hoje. Como eu traduzi os capítulos 9 e 14 da Didaquê para meus alunos, eu vi o autor citar a Eucaristia para orar pela unidade cristã: “Como este pão partido foi partido sobre as montanhas e reuniu em um, então deixe sua igreja ser reunida nos quatro cantos da terra para o seu Reino.” A analogia entre o trigo partido em um e o povo de Deus no Seu eterno Reino era, para mim, que a antiga prática cristã da Eucaristia envolvia o desejo da unidade. Desde meus dias no colégio eu ficava incomodado pela desunião e discordância entre meus amigos protestantes. Na leitura de João 17, eu sabia que Jesus queria Seu povo sendo um em comunhão com o Pai. Mas os cristãos estavam tão divididos; acreditando em diferentes doutrinas, cultuando de modos diferentes, defendendo diferentes posições morais. Algo tinha que estar errado.

A Didaquê também chamou minha atenção em outra consideração. É comum entre evangélicos hoje permitir que qualquer um que professe ser cristão, receba a comunhão mesmo que aquela pessoa não seja um membro que serve à igreja. No 9° capítulo o autor diz: “Deixar somente aqueles que são batizados em nome do Senhor comer ou beber da Sua Eucaristia.” Daí haver uma única igreja real nesse tempo, significando com efeito que os líderes da Igreja tinham a obrigação de assegurar que os comunicantes eram membros daquela única e verdadeira Igreja. Este tipo de cuidado pastoral, outrora comum nas principais Igrejas protestantes, é agora quase que totalmente ausente. A fenda entre o contemporâneo evangelicalismo e o antigo cristianismo me impressionava mais e mais.

Neste ponto, em minha jornada, diferentes aspectos incoerentes da fé cristã estavam começando a surgir no conjunto. Primeiro, eu comecei a imaginar que meu desejo de me tornar um verdadeiro católico não estava sendo preenchido em minha experiência como evangélico americano e nem mesmo pela minha herança reformada. O que eu tinha expressado àquele casal católico em 1986 voltou a me assombrar. Se meu desejo em seguir a antiga Fé Católica poderia ser encontrada dentro dos limites do presbiterianismo, então por que a tradição reformada rejeitou a natureza sacrifical da Eucaristia que estava implícita nos textos bíblicos que eu estava estudando? E por que os antigos documentos cristãos, tais como a Didaquê e Inácio de Antioquia, parecem ter a visão da Eucaristia que estava muito mais perto do Catolicismo Romano do que de minha herança reformada? Por exemplo, como poderia Santo Inácio de Antioquia dizer: “A Eucaristia é a carne de Nosso Salvador Jesus Cristo no qual sofreu por nossos pecados e no qual o Pai em Sua bondade o ressuscitou?” Eu estava começando a duvidar que meu entendimento da história do cristianismo antigo estivesse correto.

Uma segunda questão surgiu em minha mente novamente. Eu comecei a ver que a unidade cristã estava intimamente ligada à Eucaristia. Em I Cor. 10, 16, Paulo perguntou aquelas duas questões retóricas que eu citei anteriormente (“O cálice de benção, que benzemos, não é a comunhão com o sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão com o corpo de Cristo?”). Ele vai no verso 17 dizer: “Por que nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão.” Aqui Paulo parece ensinar que é a Eucaristia que produz unidade entre os crentes. Isto foi relativamente um novo conceito para mim e me fez recordar o sermão que eu preguei anos atrás. Se o culto cristão foi a união do céu e da terra, e se a Eucaristia era o verdadeiro centro do culto cristão, contido na Didaquê, então isto significa que não poderia haver unidade sem Eucaristia! Além disso, a união que estes cristãos primitivos expuseram não era sentimento geral de amar um ao outro, mas um sacramento e uma unidade Organizacional.

Isso parecia ser confirmado por Sto. Inácio de Antioquia que disse várias vezes em suas cartas que uma Eucaristia poderia ser somente válida se tiver a união com um bispo. Falando para aqueles que abraçaram os ensinamentos heréticos, Inácio incluiu suas visões da Eucaristia, e falou do “julgamento daqueles que não acreditam no Sangue de Cristo”. Seus pecados foram duplicados: A Cisma e a Heresia.

“Eles se abstém da Eucaristia e do tempo de oração porque eles não confessam que a Eucaristia é a Carne de Nosso Salvador Jesus Cristo na qual sofreu por nossos pecados e na qual o Pai em Sua bondade O Ressuscitou. Aqueles que se opuserem ao Dom de Deus com suas disputas, morrerão”. (Carta aos Esmirnenses 7, 1).

Estes líderes cristãos primitivos não diminuíam as palavras. Inácio tinha uma antiga crença na Real Presença de Cristo. Se os antigos documentos cristãos testemunharam crer na presença real, eu raciocinei, como poderia minha tradição presbiteriana realmente representar a antiga crença cristã? Chegando a acreditar na real presença corporal de Cristo me fiz outra pergunta: onde eu posso encontrar esta Eucaristia? Poderia ser encontrada na Igreja Presbiteriana ou era encontrada em outra igreja?

Onde pode ser encontrada uma Eucaristia Válida?

Durante o ano quando assistia missa católica quase que diariamente – antes daquele dia da epifania que eu descrevi anteriormente – eu estava procurando por uma resposta para esta questão. Que igreja tem a Eucaristia válida? Todas? Se somente algumas quais? E como eu reconheço a Eucaristia válida daquela que não é? No inicio dos meus estudos eu queria saber que igrejas diferentes ensinavam sobre o sacramento, mas agora eu queria saber qual dessas igrejas tem essa presença real não importa qual seja se acreditavam ou não. Se tinham a presença real, isso não significava que realmente criam nela. Eu raciocinei, completamente natural, que aquelas igrejas que nada tinham a ensinar sobre a presença real do corpo de Cristo provavelmente era assim por não ter.

Como saber qual igreja tem uma Eucaristia válida ou não? Essa foi a pergunta que agora bateu na minha cabeça. Dos meus estudos eu sabia que somente três de quatro igrejas acreditavam na presença real do corpo de Cristo: Os Luteranos, os Anglicanos, os Ortodoxos e os Católicos. Dessas quatro a que mais eu tinha a objeção na minha comunidade Presbiteriana eram os católicos. Eu não podia me tornar um luterano e, para não excluir minha agora crença reformada, as tradições católicas e ortodoxas também estavam fora de questão. Assim somente uma opção permaneceu. Durante o ano em que assisti à missa católica, eu também assistia à Eucaristia da Igreja Anglicana Tradicional toda sexta-feira. Eu fui fortemente tentado a me tornar um anglicano, especialmente quando o pastor dessa igreja sugeriu que eu me tornasse um pastor anglicano sem muita dificuldade. Nos dias de festas especiais como a Semana Santa, eu levei minha família para a Catedral Episcopal no centro de Jackson, Mississippi onde eu achei a liturgia que me atraia muito mais. Tão forte foi este empurrão que um dia tive uma conversa com o presidente do meu seminário que tinha pego o vento das minhas peregrinações e me pediu para conversar. Assim ele pôde ver minha inclinação em direção à liturgia da “igreja do alto”. Eu perguntei a ela francamente se haveria algum problema em me tornar um ministro episcopaliano ele graciosamente sugeriu o anglicanismo evangélico não seria problema. Aqui estava a resposta para o meu dilema eu podia continuar o ensino que eu amava e ser um ministro numa igreja com uma liturgia linda.

Porém velhas perguntas ainda me atormentavam. Enquanto eu sentia o encanto da linda liturgia, eu sabia que a questão da eucaristia válida era questão principal. Assim eu comecei a ver em muitos outros cumprimentos, eu vi que os cristãos primitivos brigavam com esta simples questão. Inácio de Antioquia testemunha novamente para este problema:

“Preocupai-vos em participar de uma só Eucaristia. De fato há uma única carne de nosso Senhor Jesus Cristo e só pode haver um cálice para a unidade em Seu Sangue. Há um altar assim como há um bispo junto ao presbitério e os diáconos meus companheiros de serviço. O propósito de tudo isso é que suas práticas serão de acordo com a intenção de Deus.” (Carta aos Filadelfos 4:1)

As palavras de Inácio admitem que alguns, já em sua época, tentavam celebrar a Eucaristia separados da Igreja unida ao seu bispo e na qual estava simbolizada essa união em torno da Eucaristia. Ele salienta que as celebrações que agradam a Deus são aquelas submetidas à legítima autoridade. Esta autoridade está enraizada na realidade sobrenatural da presença corporal de Cristo, desde que haja um real corpo e sangue de Cristo! Devemos saber que a Eucaristia que celebramos contém de fato o verdadeiro Corpo e Sangue. O único jeito de perceber isso é se a celebração está de acordo com a vontade de Deus, ou seja, se a celebração está em união com o bispo. Este entendimento é a única maneira de dar unidade à Eucaristia (“Ser diligente”). Sem esta verdadeira Eucaristia, não há como haver “unidade no Seu Sangue”.

Agora essas questões estavam começando a convergir em minha mente. A questão da Eucaristia válida dependia de um sacerdócio válido sob a correta autoridade do bispo que se prolonga desde os apóstolos. Para ter uma Eucaristia válida teria que haver uma conexão histórica com os apóstolos! Em outras palavras, quais das igrejas em nossos dias acreditavam e possuíam a sucessão apostólica? Isso excluiu a tradição Luterana porque eles não acreditam que a Eucaristia válida dependa da sucessão apostólica. Quanto à tradição Anglicana e Episcopaliana? Enquanto alguns na tradição Anglicana acreditavam na sucessão apostólica outros, não. Além disso, mesmo que fosse uma doutrina declarada na sua crença oficial, isso não fez sentido que o sacerdócio Anglicano foi um fato válido. Na minha mente, esta avaliação me deixou duas escolhas: Católico ou Ortodoxo.

 

Ajuda ao longo do caminho  

 Neste ponto a minha jornada para a Igreja Católica foi auxiliada por muitos fiéis católicos. Um dia, desfeita a tristeza, um comerciante da Califórnia me chamou. Scott Butler era dez anos mais novo e, apesar de ter crescido católico, passou sua juventude até a idade adulta em igrejas evangélicas. Após retornar à Igreja Católica, ele fez de sua missão pessoal ajudar os muitos ministros protestantes a encontrar os caminhos para a Igreja Católica. Após vários meses me enviando fitas e livros de autores católicos, Scott me surpreendeu ainda mais quando um dia se ofereceu e pagou meu ingresso para uma conferência católica na Universidade Franciscana de Steubenville, Ohio.

 Tudo o que o que soube dessa universidade era que um bem conhecido convertido chamado Scott Hahn ensinava lá. Até esse tempo, eu li alguns livros e artigos do Dr. Hahn, assim como ouvi suas fitas. Quando ouvi que ele estava palestrando na conferência, fiquei curioso e concordei em assistir. A conferência foi espetacular. Eu fiquei oprimido pela pronunciação e os palestrantes inspirados que esquematizaram a fé católica em claros detalhes. Apesar de não poder recordar muito dos ditos específicos naquele fim de semana, eu lembro de ter ficado comovido pela personalidade e santidade de homens como Karl Keating, Dr. Alan Schreck, Thomas Howard e Peter Kreeft.

 Em uma das questões e períodos de respostas, Pe. Ray Ryland disse algo que ficou comigo. Por mais de vinte anos eu estive preocupado em relação à unidade cristã. Eu muitas vezes lamentei as divisões entre os cristãos, mas vi uma pequena esperança para superar aquela constante divisão. No meu modo presbiteriano de pensar, tudo que eu esperava era um grande amor através das limitações denominacionais. As diferenças de crenças entre cristãos protestantes eram demasiadas para esperar qualquer unidade num senso organizacional. Alguém então perguntou ao Padre Ryland se era necessário abandonar a distinção da ordem católica para alcançar a grande unidade cristã. Eu esperei seguramente o Pe. Ryland dizer “sim” porque, na minha maneira de pensar,  simplesmente não havia outro jeito. E fiquei surpreso quando Padre Ryland salientou que não, não era necessário, mas realmente prejudicial abandonar a doutrina católica para ganhar outros cristãos. Ele continuou a dizer que a unidade pode somente ser alcançada quando cristãos de todas as faixas se submeterem para a verdade ensinada por Cristo. Fora de Cristo não podia haver nenhuma unidade cristã verdadeira. E assim, católicos acreditavam que a fé católica representava a totalidade do cristianismo. Seria prejudicial para outros cristãos negligenciar qualquer coisa que Cristo tenha ensinado.   

 Apesar do choque inicial, fiquei feliz pela resposta honesta e franca. Mais tarde eu refleti num verso de São Paulo que eu lembrei de ler nos meus dias de colégio: 1 Cor 1, 10,“Rogo-vos,  irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento.” A solução de Paulo para as divisões na igreja de Corinto não era abandonar as diferenças entre os cristãos, mas salientar a necessidade de buscar a unidade na fé e na doutrina. Eu ouvi Pe. Ryland confirmar algo que eu já suspeitava. A fé católica não é relativa ao compromisso com a verdade - apesar de eu ter ouvido outros padres católicos enfatizarem a fé – mas está relacionada a abraçar totalmente o ensinamento de Jesus. Esta profundidade de convicção agradou a mim. Isso fortaleceu minha decisão de encontrar a igreja que cristo fundou, a igreja que ensina a totalidade da fé.

Minha viagem de verão a Steubenville trouxe outras duas surpresas inesperadas. Outro dia no almoço da cafeteria da universidade, eu sentei e comecei a conversar como um homem sobre certos pontos teológicos que eu tinha ouvido naquela manhã. Quando mencionei algo que Padre Bernard Lonergan tinha escrito, ele não tinha idéia de quem eu estava falando. Eu simplesmente admiti que qualquer católico deve ter ouvido falar desse grande teólogo dominicano. Do meu lado sentou uma senhora que conhece o trabalho de Lonergan e começou a articular pontos da doutrina católica numa maneira simpática. Marie Jutras era a pessoa que eu precisava conhecer naquela fase da minha vida. Ela não era somente conhecedora de teologia, mas ela era uma apaixonada e aceitava o ser humano. Ela afirmou o trabalho do Espírito Santo em minha vida; de fato, ela podia ver melhor do que eu. De alguma forma isto me impressionou como uma verdadeira maneira católica de evangelizar, afirmando que foi bom e pacientemente responder as perguntas. Durante os próximos anos, Marie Jutras se tornaria a católica mais importante na minha jornada à igreja. Ela fielmente ligava para nossa casa basicamente todo mês oferecendo assistência que podia. Eu não tenho dúvidas de suas orações, seus presentes materiais e sua bondade pessoal eram na verdade o que eu estava aprendendo comigo mesmo, para permanecer nos recessos de meu coração. Não importa o quanto possamos estar convictos da verdade em nossa mente, devemos enxergar isso vivido nas pessoas ao nosso redor.

 A outra pessoa que eu conheci naquele verão foi Marcus Grodi, outro ministro presbiteriano que estava perto de entrar na Igreja. Durante os próximos anos, Marcus alcançou de mim oferecimento de apoio e amizade. Sua experiência como ministro presbiteriano mais de uma vez trouxe-me a atenção que eu precisava porque ele podia entender o esforço num caminho difícil estando em posição similar. Marcus conhecia os vacilos para frente e para trás, as dúvidas de suas próprias integridades, e os medos de um futuro desconhecido no qual encaram ministros que se tornam católicos.

Estas fidelidades católicas eram como “sacramentos” pra mim. A personificação do amor de Deus nos ajudando pelo caminho. Calmamente, eu sabia que a bondade pessoal das pessoas, não importa quão amável e sedutora, não podia ser o princípio de minha decisão. Eu precisava saber a verdade. Nada menos seria suficiente.

 

Do Sucesso ao Sofrimento

 O inverno de 1993 apresentou outra dimensão em minha jornada que nunca tinha sonhado. Eu encontrei um padre que sabiamente ofereceu dar-me uma direção espiritual e introduziu-me para exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola. Minha sede espiritual era tão intensa que devorei livros de espiritualidade católica. Nunca encontrei a profundidade da introspecção espiritual que encontrei nestes livros, na minha própria tradição. Pelo verão de 1993 eu estava pronto para um retiro inaciano. Sendo um homem de família com múltiplas responsabilidades, simplesmente não podia passar 30 dias em um retiro como um padre jesuíta. Entretanto, meu coração ardia pelo tempo de encontrar Jesus da maneira que Inácio descreveu. Eu tinha que encontrar um jeito.

 Na providencia de Deus, cheguei a devorar o livro de André Ravier intitulado Do-It-At-Home Spiritual Exercises(Faça em casa os exercícios espirituais). Essa foi a solução do meu dilema. Durante o curso de trinta dias no verão de 1993, eu e minha esposa fomos andando para o retiro inaciano, meditando na vida de nosso Senhor Jesus. Como Inácio ensinou, nós suplicamos a Deus pela graça de conhecer o coração de Jesus e força para segui-Lo. Na terceira semana do retiro meditamos a Paixão de nosso Senhor, seu sofrimento e sua dor.

Eu fiquei especialmente comovido quando chegou a meditação da agonia de Jesus no Getsêmani (Mc 14, 32-42). Por alguma razão, eu sempre fui atraído por esse evento particular na vida de Jesus desde minha conversão como adolescente de 20 anos. Foi somente no retiro inaciano que entendi porque. Eu comecei a ver que Jesus queria que eu entrasse no seu sofrimento e compartilhasse sua paixão. Eu acreditava que a agonia de Jesus era o seu sofrimento por mim; agora cheguei a compreender que Sua agonia era também intenção de Seu sofrimento por mim. Meu coração agora começou a sentir Seu esforço, Sua fragilidade humana, e Sua determinação de fazer a vontade seu Pai (Mc 14, 36). Enquanto meditava na agonia de Jesus, escrevi algo como isso no meu jornalzinho de oração:

“Senhor, eu sou um pequenino de 40 anos de idade e nunca conheci qualquer sofrimento. E que sofrimento eu suportei, eu acreditava que só Vós me livraria disso. Agora eu entendo que compartilhar o teu sofrimento é um privilégio. Eu quero estar contigo na tua agonia se isso trouxer-me para perto de ti. Senhor deixe-me compartilhar do Teu sofrimento.”

Essa oração foi inimaginável conforto e enormemente perigosa. Demoraria dois anos para entender totalmente o que significava. Após o próximo ano acadêmico (1993-1994), eu e minha família deixamos Jackson, Mississippi. O motivo foi quieto, porém doloroso. Minha simpatia católica se tornou tão óbvia que o seminário não me tolerava mais como professor. Ninguém foi indelicado, mas sabíamos que eu era um embaraço para o seminário. Eles simplesmente não poderiam ter alguém ensinando lá acreditando no que eu acreditava. Entendi sua situação impossível. Antes eu contribuía para o juramento de fidelidade que os professores exigiam assinar a cada ano. Na minha consciência porém eu não podia contribuir com a Crença dos Reformados. Era hora de ir.

 

Problemas na Família

Não poderia ser a hora mais inconveniente, nossos filhos agora estavam com quinze, treze e onze anos. Para tirá-los e mudar para outro lugar foi tão preocupante quanto qualquer coisa que tivéssemos de fazer. Até ali não tivemos escolha. Assim tentamos restabelecer nosso lar em Bloomington, Indiana, no verão de 1994, as duas únicas escolhas verdadeiras para mim era ou católico ou ortodoxo. Mas isso era mais fácil falar do que fazer. Um dos mais difíceis obstáculos nessa jornada era a rejeição da minha esposa mudar tanto para o catolicismo quanto para a ortodoxia. Às vezes isso pôs uma grande distancia entre nós, uma distancia tão dolorosa tanto para mim quanto para ela. Apesar de acreditarmos que nossa união matrimonial era de maior importância. Não importa qual a forma de cristianismo estávamos tentando abraçar, sabíamos que Deus quer que sejamos um casal fiel. Fiel um ao outro e principalmente a Ele. Continuamos a orar juntos como casal e como família, porém as tensões na teologia assim como os anos turbulentos de revolta que os adolescentes trouxeram para o nosso lar. Parte dessa confusão era a dúvida que nossos filhos sentiram em relação a nossa identidade religiosa. Nesse ponto tudo o que eu podia dizer era  que somos cristãos. Eu podia dizer que eles queriam algo mais específico e definitivo, mas eu não podia dar a eles ainda. Isso trouxe uma tristeza para mim e minha esposa que nunca havíamos conhecido antes. A minha conversa levou minha esposa a ver a Presença Real de Cristo na Eucaristia, mas ela ainda tinha muitas dúvidas. Nós queríamos uma igreja que fosse mais sacramental do que a Presbiteriana, mas ela não se sentia confortável sendo católica.

Nosso compromisso era seguir a igreja Luterana (sínodo de Missouri) na cidade. Aqui encontramos uma comunidade acolhedora de cristãos fiéis com o pastor com qual eu considero como o cristão mais gentil que eu conheci. Mas a maioria das pessoas da igreja luterana não sabia da minha íntima jornada espiritual. Desde que seguimos os serviços da igreja fielmente, nos tornamos amigos de muitas pessoas ali. Quem sabia que eu era um ministro da igreja presbiteriana sugeriu que eu me tornasse um pastor luterano. A maioria me considerava apenas um acadêmico. Pela paz de minha família, minha esposa ocasionalmente me pediu que eu pudesse ser feliz com o maior sacramentalismo da igreja luterana. E se a paz de minha família era minha maior meta, teria sido uma boa escolha.

Mas, eu sabia que não poda me tornar um luterano de boa consciência, não importa o quanto eu apreciasse as boas pessoas daquela congregação, por eu sinceramente acreditar na sucessão apostólica. A próxima igreja que eu faria parte ensinava e tinha a sucessão dos padres desde os apóstolos. Havia duas escolhas: católico ou ortodoxo. Durante o ano acadêmico 1994-1995, eu consolidei o meu entendimento da natureza apostólica da Igreja ao estudar o estabecimento do papado.

A missa diária continuava a ser parte de minha vida. Eu cresci no conhecimento e no amor da missa diária passando pelas três paróquias de Bloomington. De muitas maneiras eu era uma parte integral da comunidade católica, mas isso somente fortaleceu a dor que senti porque eu não podia me juntar na maior expressão da vida católica na terra – A Santa Comunhão.  Este período foi marcado principalmente pelo sofrimento em nossa família. Minha filha mais velha ficou completamente doente e era difícil cuidar dela, assim tentamos manter algum semblante de uma vida familiar normal mas o dinheiro estava começando a acabar. Eu estava fazendo uma pesquisa histórica para escrever uma dissertação para o segundo grau de doutorado. Esse tratado se tornaria mais tarde num livro de ciência e religião.

 

O último obstáculo? O papado

Eu pesquisei quatro passagens chaves no Novo Testamento sobre a introdução do papado. Por muito tempo, pensei que somente em Mateus 16,13-20 poderia se achar uma referência remota ao papado, mas, por outro lado, eu comecei a examinar também outras passagens. As outras passagens eram o 18, 15-20 de Mateus; 21, 15-19 de João, e Lucas 22, 31-34. Eu posso somente indicar algumas características destes textos que me conduziram a considerar a legalidade do papado. Sobretudo, fui golpeado pela posição singular de Pedro entre os apóstolos. A Igreja Católica acredita que Pedro era o escolhido de todos os apóstolos para conduzi-los nas responsabilidades pastorais da igreja. Os papas continuaram este ministério pastoral universal através dos anos. Este ministério Petrino é uma das características de distinção da igreja católica porque as igrejas ortodoxas não reconhecem uma primazia da jurisdição para o Bispo de Roma. Eu sabia que me estudando esses textos eu estaria perto de decidir entre ser ortodoxo ou católico. 

O texto clássico de Mateus 16, 13-20 parecem sugerir que Jesus esteja fazendo de Pedro a rocha ou a fundação sobre a qual igreja é construída. Pedro identifica Jesus como “o messias, filho do deus vivo.” (Vers. 16). Por sua vez, Jesus identifica Pedro como a rocha em que a igreja é construída. Naturalmente, eu estava ciente de todas as interpretações protestantes que sugerem que Pedro não seria a rocha. Agora, eu estava pronto para avaliá-las com uma mente aberta. Eu poderia facilmente rejeitar o argumento, o mais fraco de encontro a um ministério distintivo de Pedro baseado na diferença entre Petros (nome de Pedro) e petra (rocha). A objeção é que Jesus estaria fazendo uma distinção entre Pedro e a rocha em que a igreja é construída, usando duas palavras diferentes. Mas a maioria dos eruditos, mesmo eruditos evangélicos, veem isso como fruto de uma interpretação errônea. A razão verdadeira que Jesus usa a forma masculina de Petros é que você não pode chamar um homem por um título feminino no grego clássico. Assim, porque Jesus quis chamar Pedro de rocha, combinou a palavra normal feminina “petra”  e a palavra masculina (Petros) para criar um jogo de palavras. O vers. 18 pode ser traduzido desta maneira para trazer à tona o jogo de palavras, “você é rocha, e nesta rocha eu construirei minha igreja.” 

Eu também percebi que o resto da passagem não faria sentido se Pedro não estivesse sendo identificado como a rocha. Em Mateus 16, 19 nós vemos Jesus dar a Pedro as chaves do reino dos céus,“eu dar-lhe-ei (soi) as chaves do reino dos céus e tudo o que você ligar na terra será ligado no céu e o que desligares na terra será Desligado no céu.” Se Jesus não quis dizer que Pedro devia ser a rocha, então por que daria a ele as chaves do reino? O pronome grego soi é singular que refere somente a Pedro. O poder das chaves é dado a Pedro sozinho nesta passagem. A frase “que liga e que desliga” implica a jurisdição, não apenas uma primazia de exemplo ou honra. Não é de maravilhar-se que Pedro está identificado como a rocha da igreja se a intenção de Jesus era exercer o poder das chaves, isto é, jurisdição universal sobre a igreja inteira. 

De fato, eu estava também ciente do argumento protestante desde a história. Por exemplo, em um ponto de suas escritas, S. Agostinho interpretou “a rocha” como a confissão da fé que Pedro tinha dado. Disto, os intérpretes protestantes disseram que a confissão de fé é a rocha, e tão qualquer um que seguir o exemplo de Pedro professando Cristo como o filho de Deus igualmente se tornará rocha. Neste momento, eu pensei arduamente sobre as tendências entre católicos e protestantes na leitura da escritura. A tendência protestante, evidente em minha herança reformada, era ler o texto como também/ou. Ou Pedro deve ser a rocha ou as confissões devem ser. Eu perguntei-me porque nós devemos ler o texto esta maneira. Por que não pode ser ambos/e? Não pode ser verdadeiro que a essência da profissão de Pedro a Cristo é a fundação doutrinal da igreja quando o próprio Pedro é a fundação governamental? Ou melhor, por que nós não podemos ver Cristo como a pedra angular da igreja, como Paulo diz em Efésios 2, 20, e que esta fundação tem manifestações doutrinais e governamentais? 

Esta discussão poderia continuar interminável, mas eu concluí que Jesus pretendia estabelecer uma igreja com Pedro como sua cabeça. Eu percebi tempos atrás que eu não estava lendo as Escrituras reducionisticamente. Ao invés, eu procuraria o significado total, não o mínimo possível. 

O grego original de Lucas 22, 31-34 também estavam compelindo. Jesus diz no verso 31, “Simão, Simão, Satanás pediu para peneirar vocês como o trigo.” A palavra vocês é plural em grego indicando que os desejos de Satanás peneirar são de mais de uma pessoa; são todos os apóstolos que estão com Jesus na última ceia. Jesus continuou, “mas eu mesmo orei por você para que sua fé não falhe.” Aqui você é singular que indica somente Pedro. A pergunta natural é: se Satanás quis destruir todos os apóstolos, por que Jesus orou somente por Pedro? Não diz respeito aos outros apóstolos? Sua indicação seguinte explica-o, “e você, quando você se converter, fortalece seus irmãos.” Ou seja Jesus pretende reforçar todos os apóstolos com o ministério de Pedro. Terá uma única posição original entre os apóstolos cuja finalidade será conduzir e guiar o colégio apostólico no ministério. Isto soou exatamente como a linguagem que os papas usaram no discurso do ministério Petrino. 

A unicidade de Pedro entre os apóstolos, como indicados em Mateus 16 e em Lucas 22, pareceu fazer demasiado o sentido da passagem em João 21, 15-19. Esta é a passagem conhecida onde Jesus pergunta a Pedro três vezes se o ama. A maioria dos expositores concordam que as três perguntas correspondem às três negações de Pedro a Cristo durante sua paixão. Para nossas finalidades agora, nós precisamos somente notar Jesus na ênfase no papel pastoral ao qual Jesus tem por Pedro quando o manda três vezes, “apascenta minhas ovelhas.” (versos 15-17). Pedro precisa compreender a conexão entre o amor de Jesus e de seu papel como pastor. A pergunta pertinente é por que Jesus escolhe Pedro. É simplesmente porque é a única pessoa que negou Jesus? Ou era Jesus que pretendia mostrar a Pedro que ele deve tomar seu lugar como o pastor humano principal da igreja terrestre sob a autoridade do pastor principal divino Cristo? (Cf. 1 Pedro 5, 4). 

Eu concluí que havia muitas evidências no novo testamento para o ministério de Pedro. Embora havia ainda muitas perguntas e nuances a seguir, eu cheguei a acreditar que nosso Senhor Jesus pretendia ser o único  pastor que teria jurisdição sobre a igreja inteira. Esta posição estava em desacordo com o protestantismo histórico e ortodoxia oriental. Este reconhecimento também ajudou-me a perceber como a unidade poderia ser realizada. Eu tinha desacreditado há muito tempo da fragmentação da cristandade protestante, mas agora eu também vi porque a ortodoxia não conseguiu o tipo de unidade evidente na igreja católica. Para mim, havia somente um caminho para se obter a totalidade da fé cristã expandida em toda a terra. Exigia o reconhecimento do centro da igreja sob um pastor, o Bispo de Roma. 

Assim eu superava os últimos obstáculos para me tornar católico e, em minha mente, estava esforçando-me em minha vida emocional e em muitas outras partes. A vida emocional de nossa família inteira estava todo o tempo para baixo. O domingo de Páscoa daquele ano, 1995, era qualquer coisa, menos alegre. Aquele foi o dia do ano cristão inteiro que devia trazer alegria aos nossos corações, mas tudo que pudemos fazer foi ir à igreja com um peso inoperante. Gratos, por Pentecostes de 1995, estávamos começando a ver nosso caminho fora do labirinto em que nos sentíamos presos por dentro. Nossa filha estava se recuperando e nossa família encontrava uma estabilidade mais certa. Então, em apenas um dia, nossas vidas tomaram um outro rumo para a escuridão.

 

Uma volta pela a escuridão

3 de Junho, 1995 era um sábado brilhante e alegre. Naquela tarde, eu fazia meu caminho para meu escritório na Universidade de Indiana para limpar algumas papeladas deixadas desde o semestre anterior. Assim eu passei por um homem jovem que estava sentado no meio-fio, como eu lembro bem, notei que estava vestido com um casaco pesado de inverno, uma coisa ímpar dada que era um dia tão morno. Passei por ele a uns quinze passos de distância e descobri o motivo. De repente, ouvi um dos sons mais altos que ouvi em minha vida. Eu me virei para ver o que foi aquele enorme estouro. Estava lá aquele homem jovem apontando uma nove milímetros semiautomática em minha cara. Disparou outra vez. Desta vez a bala atravessou minha garganta. Eu não tive tempo para pensar. Eu corri para o lado do prédio onde ele não poderia me ver. Pouco eu sabia que ele vinha atrás de mim, disparando mais três vezes em um esforço para matar-me. Cinco tiros, somente um acertou-me. Mas certamente causou danos. 

A bala viajou através de minha garganta faltando passar pela minha artéria carotídea por somente dois milímetros. Como o doutor me disse mais tarde, se essa bala tivesse passado através dessa artéria principal, eu estaria morto em minutos. Assim foi, a bala separou minhas cordas vocais e destruiu a cartilagem que prende as aletas vocais à minha garganta interna. Mais tarde naquele dia de junho, eu deitei na sala de emergência do hospital de Bloomington com minha família que permanecia por perto no desânimo. Tudo tinha sido preparado e levaram lá o nosso fiel pastor luterano. Naquele momento, com minha voz ido embora, tudo que eu poderia fazer era escrever as palavras “eu te amo” em uma tabuleta!

Não passaram quatro dias quando eu acordei da sedação e comecei a perceber a enormidade do que tinha acontecido. Minha esposa disse-me que eu acordei muitas vezes durante aqueles quatro dias, e disse várias coisas, as vezes coerentes, as vezes incoerentes. Mas eu não lembrei de nada. Eu lembro de acordar e ver meus pais ao meu lado. “Mãe, pai, o que estão fazendo aqui?” perguntei. Nas semanas seguintes eu descobriria o quanto meus pais se importaram enquanto permaneceram fielmente comigo depois de terem voado da Florida. 

Nada mais impressionou minha alma durante aqueles dias do que o amor perseverante e macio da mulher com quem eu casei vinte e um anos atrás. Sharon não saiu do meu lado de forma alguma quando eu estava sob sedativos. Comeu, dormiu, e sentou-se por mim com seu coração amarrado ao meu. Seu amor imprimiu-se em meu coração de uma maneira nova quando eu vi na mesa de noite ao meu lado toda minha parafernália católica que tinha trazido de casa: meu missal, meu rosário, meus cartões de oração. Embora ela não usufruísse essas ajudas espirituais para sua própria jornada de fé, ela sabia o quanto significavam pra mim. Foi então que eu soube, além da dúvida, que todos nossos esforços sobre as verdades da fé cristã nunca nos separariam. 

Nossos filhos reagiram diferentemente. Rebekah tinha dezessete e expressou a confiança na providência de Deus me salvar por um propósito. Colin tinha quinze. Embora era mais quieto sobre os eventos, eu vi sinais definitivos do amor para mim que eu estimei porque seus anos adolescentes tinham colocado às vezes uma distância entre mim e ele. Mas nos dias que se seguiam sua bondade mais profunda revelou-se . Um irmão mais novo de Sharon, Steve Canfield, foi um oficial de polícia na Florida. Ele voou para ajudar no que fosse possível a nossa família. Desde que a polícia local era incapaz de encontrar muitos indícios a respeito da identidade do atirador, Steve e Colin saíram um dia ao local do tiro para ver se poderia encontrar quaisquer indícios. Junto descobriram algumas cápsulas da bala para que a polícia pudesse identificar o tipo de arma usada. Mais tarde, em casa, Colin agiu em uma maneira viril ajudando o pai assustado e enfermo para entrar em casa.
 
Rachel tinha treze naquele tempo e não sabia o que pensar. Mas eu recordo ter uma conversa bonita um dia no lar dos meus sogros, John e June Canfield. Os pais de Sharon incitaram-nos permanecer no mínimo  uma semana de repouso, porque o jornal local tinha imprimido nosso endereço em uma matéria um dia após o tiro. Temendo que o assaltante pudesse tentar retornar e terminar o que começou, forneceu-nos a proteção e o conforto. Uma noite, Rachel sentou-se no assoalho ao lado de minha cadeira. Quis saber como eu poderia confiar tanto em Deus no meio deste sofrimento. E perguntou por que não consegue amar a Deus como achou que eu amava. Eu disse-lhe que eu tenho andado com Deus por muitos anos e ela tinha somente treze anos. Se ela continuasse buscar a Deus, eu disse-lhe que cresceria na santidade.

 

Uma resposta à oração?

Naturalmente, eu tentei dar sentido a esse evento enquanto deitava na cama do hospital. Em minha viagem espiritual dentro da espiritualidade católica, eu tinha vindo compreender a noção do sofrimento redentor. Embora eu nunca evitei o sofrimento como um cristão antes, as idéias de algum modo católicas sobre esta verdade espiritual pareceram mais ricas e mais profundas. Então por que Deus permitiu isto em minha vida? Eu comecei a recordar muitas verdades que eu tinha encontrado na minha procura espiritual. Eu lembrei como eu tinha orado em 1993 que eu estaria disposto compartilhar em sofrimentos de Cristo se ajudassem uma outra alma a vir mais perto de Deus. As palavras de Paulo em 2 Coríntios 4,10 retornaram, “Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.” A repetição do apóstolo das palavras “em nosso corpo” sugeriu-me que meu sofrimento físico fosse meio de revelar o poder de sua vida e ressurreição a outros. Este pensamento trouxe uma inundação da alegria em minha alma. Eu senti certeza que este evento, não importa quão trágico pudesse parecer, era de fato uma resposta à minha oração dois anos antes.

Também pensei ser divinamente estranho que a bala acertasse minhas cordas vocais. Minha profissão quase inteira dependia de minha voz. Professor, pregador, guia turístico...todos exigiam ter uma voz forte. E mais adiante, eu tinha sido abençoado com uma voz de tenor que poderia cantar alto e poderosamente. Minha esposa e os membros da família podem dizê-lo como eu muitas vezes afligi a eles com minha voz vigorosa porque cantava árias das óperas italianas, canções artísticas dos compositores famosos, e sobretudo amados hinos cristãos. Nenhum lugar, público ou confidencial, era isento porque eu cerquei para fora o Fs e o Gs na parte superior de meus pulmões. Mas nenhum lugar era mais sagrado ao meu canto do que o amado chuveiro. Muitas vezes minha esposa pedira que eu na consternação, por favor, por favor, para não cantar no chuveiro quando nossas crianças estivessem dormindo. E o acompanhamento inevitável do talento musical juntou-se ao pecado original: era o orgulho. O Senhor não odiou minha voz, mas ele me amava o bastante para retirar uma obstáculo que pudesse me manter fora do Reino do Céu - minha arrogância. Hoje, minha voz foi parcialmente restaurada. Eu posso e falo das coisas do Céu - e às vezes menos do que uma maneira celestial - mas eu não posso cantar no elevado e dominante tom que outrora fazia. Mas está tudo bem porque agora eu tenho um lembrete constante que estou na necessidade dessa virtude que parece sempre iludir, a humildade. 

O tiro também trouxe à luz um terceiro aspecto de minha jornada, a unidade cristã. Eu estive tão preocupado e atemorizado pela falta da unidade entre cristãos. Eu cheguei a acreditar que pode ser o único grande escândalo na cristandade hoje, uma visão que parece ser compartilhada por um dos grandes papas do tempos modernos, João Paulo II. Quando os amigos cristãos tiveram conhecimento desta tragédia, eles alcançaram com uma piedade inacreditável. Nosso pastor luterano veio consolar pelo menos minha esposa e família uma vez por dia. Somente mais tarde eu tomei conhecimento que ele e sua esposa também conheciam muito o sofrimento. Muitos anos antes, sua terceira filha nasceu com Síndrome de Down. Sua própria piedade cresceu fora de seu sofrimento. Diversos pastores evangélicos vieram visitar, incluindo a aquele que dirigiu agora a igreja presbiteriana local que eu comecei dez anos atrás. Muitos amigos católicos vieram também. Todos os padres locais que eu conhecia inclusive um casal de monges do monastério do St. Meinrad no extremo sul de Indiana. O padre da paróquia onde eu atendi na maior parte a massas do diário e da vigília de sábado veio administrar-me o sacramento da unção dos enfermos. Os antigos estudantes do seminário estavam lá em espírito e na comunicação através de cartas. Marie Jutras, minha companheira canadense de jornada, deixou todo seu grupo espiritual no norte que conhece. Através dos amigos dos amigos, eu tive pessoas em quase todo o continente que rezavam por mim. Que acontece quando pessoas oram sinceramente por outras? São unidos em uma união mística um com o outro com a mediação original de Cristo. E assim eu soube então que em alguma medida pequena meus sofrimentos significaram que muitos cristãos ficaram mais  próximos uns dos outros em união na oração por mim. Isso fez-me muito feliz. 

O tiro ocorreu apenas algumas semanas antes que o Congresso Anual na Universidade Franciscana de Steubenville ocorreu, a mesma conferência que eu tinha atendido um casal anos atrás. Marcus Grodi ligou para dizer que os padres na universidade, dirigida por padre Michael Scanlon, tinham decidido oferecer o sacrifício da noite na Missa da conferência para mim e minhas intenções. Eu mandei uma carta de agradecimento a todos lá, e o Dr. Scott Hahn foi amável o bastante para incluir parte dessa carta em seu discurso na conferência naquele fim de semana. 

Após aproximadamente um mês deste evento, meu irmão convidou amavelmente nossa família inteira para descer para a Florida a recuperar-me. Ele é um marido e um pai cristão devoto. Lembrou-me mais de uma vez de minha necessidade de perdoar o homem que atirou em mim e de orar por ele. O conselho do meu irmão comoveu o lar. Sem perdoar aqueles que pecam contra nós, nós não podemos esperar receber a piedade porque quem é misericordioso obterá a piedade, (Cf. Mt. 5,7). Durante meu alívio do dia-a-dia, Dr. Hahn ligou outra vez para oferecer seu apoio e incentivo. Antes que nós retornássemos a Bloomington, eu estava pronto para me tornar um católico na mente e no coração.

 

Que você está esperando?

Após o evento traumático do tiro, eu fui inclinado a pensar que vida deveria me dar algum conforto. As benevolências espirituais iniciais que eu recebi ao despertar do evento pareceram desvanecer-se. Notei dentro de mim mesmo uma tendência decidida de querer prolongar a atenção intensa que eu recebia de outras pessoas. Eu tive tentações definitivas para a autopiedade. Mas uma vez que nós nos estabelecemos de novo no dia-a-dia em Bloomington, as coisas continuaram de uma forma que tiveram antes, nossa crise de família. De fato, de várias maneiras a vida estava tornando-se mais difícil. Meu ensino era mais laborioso; minha pesquisa acadêmica era cansativa. Nossos filhos estavam começando a mostrar efeitos negativos deste trauma. Eu estava muito mais assustado sobre o dia-a-dia do que já estive antes. E enquanto eu sabia que queria ser um católico, eu parecia estar preso a uma rotina, incapaz de ir adiante. 

Uma noite na mesa de jantar, nosso filho de dezesseis anos de idade anunciou que queria ir praticar skydiving. Minha esposa não achou aquilo engraçado. Por que você quereria saltar de um avião perfeitamente bom? Mas algo me tocou em uma resposta. Eu tinha receio sobre a vida. Eu sabia que tinha fazer algo a respeito. Eu estava permanecendo uma vítima toda minha vida ou eu estava superando as probabilidades e trazer de volta minha vida nos trilhos? Após um momento em pensamento, eu disse a nosso filho que eu gostaria de ir com ele. Era algo que nós poderíamos fazer juntos e, ao mesmo tempo, bom para desafiar a mim mesmo a enfrentar meus medos. Então uma manhã de sábado, nós arrumamos nossas coisas e nos dirigimos ao local de skydiving. Assim nós subimos  naquele pequeno avião naquele dia, e pude sentir o medo em minha alma. O maior desafio foi quando eu tive que sair do avião a 762 metros acima da terra e permanecer na pequena plataforma. Sim, eu estava com medo mas eu sabia que tinha que fazê-lo. Esse dia era como um exercício espiritual para mim. Ajudou-me a escutar melhor Jesus que disse tão frequentemente, “não temas!”

O outono vira inverno e inverno em primavera . Notei meu desejo de ir adiante. A sensação urgente sobre ser católico cresceu, mas também cresceu minha dor porque minha esposa não parecia ir nesse sentido. Nós oramos juntos; nós íamos à igreja juntos; nos amamo-nos um ao outro, mas eu queria que nos tornássemos católicos juntos. Contudo não poderia simplesmente ser assim, em boa consciência. Nós estávamos diante de um obstáculo. 

No início de 1996 meu irmão ligou da Flórida para dizer-me que achou que eu deveria me mudar de volta para a Flórida para estar mais perto de nossa família. Eu sou o filho único que saiu de Tampa. Enfatizou que Deus queria que eu fizesse isso. Eu disse a ele que eu oraria a respeito. Sharon e eu falamos e oramos sobre esta possível mudança por um mês. Eu estava ficando convencido que era algo que nós deveríamos fazer. Tarde da noite eu não conseguia dormir assim, eu me dirigi à igreja do S. Carlos Borromeu para rezar. Sozinho no santuário, ajoelhado diante de nosso Senhor no tabernáculo, eu perguntei, “Senhor, que queres que eu faça? Você quer que nos mudemos para a Flórida?” Eu disse, “eu realmente não quero me mudar para a Flórida, mas se quiseres que façamos isso, eu irei.” No silêncio daquela noite, parecia como se Deus estivesse me perguntando, “Ken, você quer fazer minha vontade... Mas a verdadeira pergunta aqui é o que você quer? No fundo do seu coração, Ken, o que é que você mais quer?” Eu não hesitei por um momento. Eu disse, “Senhor, não me importo se eu me mudar de volta para a Flórida, mas mais do que qualquer coisa no mundo, eu quero me tornar católico.” Então uma pergunta simples atravessou minha indecisão, “Bem, então, o que está esperando?”.

 

Um dia Trinitário

Essa pequena voz energizou-me. Eu tive que mover-me adiante. Eu falei com o pastor, padre Charles Cheeseborough e nós marcamos a data para 1° de junho. Mas antes do dia chegar, eu tive que ter uma das mais importantes e difíceis conversas de meu casamento. Sharon e eu sentamo-nos em nosso sofá enquanto eu lhe dizia que eu já não tinha mais escolha. Eu estava convencido que a Santa Igreja Católica era a verdadeira igreja que Jesus fundou, e que eu seria desobediente a Deus se não entrasse nela. Minha consciência estava limitada. Eu não poderia recusar. Eu disse a ela que sabia que isto seria doloroso, mas de algum modo ela também sabia que teria de me ajudar. Nós dois nos sentimos extremamente tristes, mas ela sentiu que estaria ajudando no caminho da obra de Deus se ela tentasse permanecer em meu caminho. Nós decidimos que ela continuaria ir às vigílias das missas comigo nas noites de sábado (como esteve por dois anos), e que eu iria à igreja Luterana com ela. Nós sentimos que esta era uma “separação” inevitável, mas uma que não duraria para sempre. 

Eu disse a meus amigos católicos que tinham orado muito tempo por nós. Eles estavam super alegres. Marie Jutras, uma mulher católica devota que eu conheci em Steubenville, disse que estava chegando. Trouxe um amigo com ela, um companheiro católico professor que estava a ponto de entrar no seminário para estudar para o sacerdócio. 1° de Junho de 1996 era um lindo dia de verão. Quase um ano após o tiro trágico e mais de quatro anos após aquele dia eu me tinha ajoelhado na Igreja de S. Pedro em Jackson, Mississippi, meu desejo ser católico estava se realizando. Três eventos importantes juntos fizeram desse dia um dia muito especial. Era meu quadragésimo quarto aniversário. E com corações gratos, nós exultamos que nossa filha mais velha, Rebekah, se estava se formando no colégio. Sobretudo, esse dia eu fui recebido e confirmado na Igreja, Una, Santa, Católica, e Apostólica na paróquia S. Carlos Borromeu pelo meu pastor, padre Charles Cheeseborough. Muitos de meus amigos católicos compareceram. O que me surpreendeu agradavelmente era que alguns dos meus amigos protestantes compareceram, incluindo um irmão mais velho de Sharon com quem eu cresci muito perto pelos anos. Mais tarde daquela noite, meus sogros convidaram a todos para uma celebração em seu lar por estes três eventos. 


Eu tive muitas razões para ser grato nesse dia: minha vida, minha esposa, meus filhos, e minha família inteira. Todos eram (e são) presentes preciosos! Mais especial naquele dia era receber pela primeira vez a Sagrada Comunhão como um católico. A Eucaristia à que me tinha excluído e me tinha convertido era agora minha possessão estimada. Muito antes, eu comecei a fazer o sinal da cruz, mas neste dia este gesto simples tomou um significado profundo, como eu sabia que agora eu estava finalmente em casa. Agora eu estava dentro da Arca do Testamento, a Barca de Pedro, como os Pais da Igreja chamaram-na de A Igreja. Eu estava mais incorporado, agora mais inteiramente no mistério que é Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.

Fonte: Veritatis

 


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